Resenha: A joia, Amy Ewing

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Título: A joia
Título original: The Jewel
Autora: Amy Ewing
Editora: Leya (selo Fantasy)
Páginas: 352
Lançamento: 2015
Nota: ★★★☆☆

Joias significam riqueza, são sinônimo de encanto. A Joia é a própria realeza. Para garotas como Violet, no entanto, a Joia quer dizer uma vida de servidão. Violet nasceu e cresceu no Pântano, um dos cinco círculos da Cidade Solitária. Por ser fértil, Violet é especial, tendo sido separada de sua família ainda criança para ser treinada durante anos a fim de servir aos membros da realeza. Agora, aos dezesseis anos, ela finalmente partirá para a Joia, onde iniciará sua vida como substituta. Mas, aos poucos, Violet descobrirá a crueldade por trás de toda a beleza reluzente – e terá que lutar por sua própria sobrevivência. Quando uma improvável amizade oferece a Violet uma saída que ela jamais achou ser possível, ela irá se agarrar à esperança de uma vida melhor. Mas uma linda e intensa paixão pode colocar tudo em risco! Em seu livro de estreia, Amy Ewing cria uma rede de intrigas e reviravoltas na qual os ricos e poderosos estão mais envolvidos do que se possa imaginar, e onde o desejo por saber o destino de Violet manterá o leitor envolvido até a última página.

Enredo

Em ‘A joia’ temos a história da jovem Violet de 16 anos, uma substituta. A condição social, o local e a família em que uma pessoa nasce determina sua casta. As pessoas de castas inferiores recebem empregos considerados braçais e pesados e moram no pântano. O restante da população recebe melhores empregos e moram ao redor da joia, a burguesia. Há ainda, as casas fundadoras, que no passado foram responsáveis pela criação do sistema atual.

As mulheres da burguesia e da realeza não conseguiam ter filhos, eles nasciam com má-formação ou nem sobreviviam à gravidez e o motivo desconhecemos mesmo depois do livro terminado. Somente as mulheres do pântano, as chamadas substitutas, conseguiam gerar crianças normais e saudáveis. Além disso, elas possuíam poderes, os chamados presságios, capazes de remodelar quaisquer coisas que imaginassem. Por isso, durante a adolescência, assim que eram descobertas férteis, as jovens eram tiradas de suas famílias e colocadas em uma instituição para treinar e desenvolver seus presságios e serem preparadas para fazer parte da joia. Assim que se tornavam aptas, eram leiloadas para a realeza e as casas fundadoras a fim de gerarem seus bebês.

As substitutas eram divididas em lotes para o leilão, quanto maior o desempenho da substituta durante o treinamento dos presságios, maior seria sua numeração para o leilão. Violet nunca concordou muito com seu destino, mas sendo uma das melhores alunas, foi leiloada por um valor altíssimo para a Duquesa da casa do Lago. Ao se mudar para junto da duquesa, Violet começa a perceber que a vida ali não seria apenas glamour e luxo como era esperado, e que a duquesa, sua nova dona, se contrariada, seria seu maior pesadelo.

A narrativa envolve tramas, alianças, traições e manipulações políticas. A sociedade aqui é regulada pelas mulheres. Os maridos, tanto quanto suas substitutas são meras marionetes nas mãos das mesmas. O filho do rei acabou de nascer e todas as mulheres da realeza querem que suas substitutas gerem filhas para se casar com o novo príncipe. Não é diferente com a Duquesa do Lago.

A joia é repleta de festas, cerimônias e sempre que há a oportunidade as substitutas e suas habilidades são exibidas e demonstradas, como verdadeiros troféus. Vale ressaltar que as substitutas, enquanto estão nas festas e na sociedade em geral, são tratadas como verdadeiras escravas, na maior parte do tempo algemadas, com véus tampando seus rostos e sem permissão para fazer ou falar nada.

Falam sobre nós como se fôssemos um animal de estimação ou um cavalo premiado. Como se não pudéssemos ouvi-las. Como se nem estivéssemos ali.

A história segue mostrando a vida e rotina de Violet, agora conhecida somente por 197, no palácio da duquesa e o que ela fará para tentar sobreviver nesse meio. A narração é feita pela própria protagonista, em primeira pessoa. Ficamos sabendo do que acontece nas outras casas e com as outras substitutas ao mesmo tempo em que Violet.

Hoje é meu último dia como Violet Lasting.

Personagens

Violet foi tirada de sua família bem nova e agora é a substituta da Duquesa da casa do Lago. Ela é assustada e um pouco medrosa, não se parece muito com a leva de protagonistas que estávamos vendo recentemente: determinadas, fortes e corajosas, mas levando em conta que ela só tem 16 anos, é possível relevar um pouco seu comportamento. Ao contrário de Raven, sua melhor amiga, teimosa e decidida, que se recusa a obedecer a sua nova dona.

Temos ainda Lucien, que nasceu homem, porém foi castrado para que não apresentasse ameaça ao estar sempre perto das substitutas. Lucien é uma espécie de fada madrinha, que ocasionalmente prepara e veste Violet para cerimônias e ainda lhe dá conselhos e a acalma quando possível.

Anabelle, a dama muda de companhia de Violet, foi designada a preparar, vestir e cuidar para que todas as necessidades da protagonista fossem supridas. Garnet é o primeiro filho da Duquesa, gerado por uma substituta. Ele é atrapalhado, frequentemente está bêbado e vive envergonhando a duquesa frente às outras mulheres da joia.

A Duquesa do Lago é uma mulher forte, impetuosa e às vezes, cruel. Ela sempre está preocupada com sua imagem perante a sociedade e a coisa que mais deseja é ter uma filha para se casar com o filho do rei e fortalecer essa aliança. Ainda temos Ash, um acompanhante que foi contratado pela duquesa para satisfazer sua sobrinha. Para piorar a situação Violet se apaixona por ele e além de tentar sobreviver dentro do palácio e tentar fugir da ira da duquesa, a protagonista ainda tem agora que descobrir como lidar com essa paixão.

Minha opinião e considerações finais

‘A joia’ é um livro leve, de linguagem fácil, bom para passar o tempo. Entretanto, se você está buscando algo a mais, não recomendo: as personagens são previsíveis, a trama não é bem desenvolvida e é um pouco superficial. A autora deixou vários fios soltos que provavelmente só serão explicados no segundo livro (espero!). A forma como a sociedade se organiza: o combo monarquia-e-castas, não é novidade e deixou a desejar.

O diferencial na narrativa é o fato de ela apresentar uma sociedade controlada por mulheres, em todas as vertentes: política, social, econômica, etc. Outra novidade são os poderes que uma parcela da população possui, cuja utilidade ou motivo ainda não ficaram bem definidos. Por último, de marcante, temos uma aliança inesperada, com aliados impensáveis para tentar ajudar Violet.

O tema que torna a narrativa interessante é a escravidão das substitutas e como é a vida e o comportamento das mesmas perante essa sociedade.

Sobre a autora

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Amy Ewing cresceu em uma pequena cidade perto de Boston, e foi sua mãe, uma bibliotecária, que despertou nela um profundo amor pela leitura desde muito cedo. Concluiu seu mestrado em Escrita Criativa para Crianças pela New York School, em Nova York, e mora em Harlem, bairro nova iorquino onde passa os dias escrevendo, comendo queijo e assistindo a séries de televisão. A autora pode ser encontra em: site, twitter e facebook.

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Extras

O segundo livro da série ‘The white rose’ (A rosa branca?) será lançado lá fora em outubro desse ano e a capa será essa:

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Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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