Resenha: Quase uma Rockstar, Matthew Quick

Rockstar

 
Título: Quase uma Rockstar
Título Original: Sorta Like a Rock Star
Autora: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Lançamento: 2015
Nota: ★★★★☆

 
 

Sinopse

Desde que o namorado da mãe as expulsou de casa, Amber Appleton, a mãe e o cachorro moram em um ônibus escolar. Aos dezessete anos e no segundo ano do ensino médio, Amber se autoproclama princesa da esperança e é dona de um otimismo incansável, mas quando uma tragédia faz seu mundo desabar por completo, ela não consegue mais enxergar a vida com os mesmos olhos. Será que no meio de tanta tristeza e sofrimento Amber vai recuperar a fé na vida? Com personagens cativantes e uma protagonista apaixonante, Matthew Quick constrói de forma encantadora um universo de risadas, lealdade e esperança conquistada a duras penas.

Enredo

Amber Appleton começa a história escrevendo uma redação em um ônibus escolar apelidado de Amarelão, ela precisa se confessar sempre, e na falta de um padre, triplo B – seu cachorro Bobby Big Boy – faz as vezes de ouvinte. A verdade é que ela é muito católica, sempre temente a Deus, mas às vezes a vida a obriga a não ser uma menina tão boa.

Seguimos Amber em uma narrativa bem característica, afinal, uma menina de dezessete anos tem uma vida bem agitada. Ela acorda cedo, porque não podem descobrir que ela dorme no ônibus que sua mãe dirige. Ela e 3B vão a casa de Donna, mãe de seu amigo Ricky, onde prepara o café da manhã, dá comida ao cachorro, toma banho e se arruma para o dia de aula junto aos seus quatro melhores amigos, formando a Federação Ferrenha do Franks – grupo que se reúne na aula de Marketing.

Apesar de estar em um momento difícil, desabrigada e vendo sua mãe se deteriorando em álcool e na busca incessável de um novo namorado, Amber tem seus projetos e não perde o otimismo. Mesmo tendo começado com a perspectiva de crédito para a faculdade, dar aula de inglês para as Divas Coreanas Para Cristo e as visitas de quarta-feira na Casa de Repouso Metodista fazem seu dia melhor, e ela segue alegremente o dia.

As DCPC, como ela chama, são mulheres tímidas na busca de aprender o novo idioma, com o apoio do Padre Chee. Amber não via um resultado positivo em seu alcance – talvez até por falta de didática -, então implementou um plano: ensinar com música. Em pouco tempo ela vê as mulheres mais confiantes e o número de alunas aumentando ao som das Supremes.

Na Casa de repouso ela tenta um método diferente também, todos que a informaram sobre a vaga diziam que os idosos precisavam apenas de companhia, falar sobre família, os tempos antigos e assuntos correlacionados, mas isso não bastou para a garota e foi Joan das Antigas – uma das velhinhas da casa, a mais ranzinza – que mostra isso a ela. Tem-se início a Batalha de Quarta-feira entre a Esperança e o Pessimismo, que consiste basicamente em um jogo de palavras onde Amber tem que fazer Joan sorrir ou Joan fazer Amber chorar – Amber invicta.

Como adora ter amigos, ela se encontra com o Soldado Jackson, um veterano da guerra do Vietnã, e sua cadelinha Srta. Jenny, namorada de BBB. Ele é um homem peculiar, com um raciocínio metódico, e não corresponde às expectativas de Amber de primeira. Ela teve contato com o homem por um trabalho da escola, onde teve que escrever uma carta padrão feita pelo professor para agradecer por seus serviços a nação, como ele não a responde, ela fica curiosa e procura uma forma de encontrá-lo, o que acaba acontecendo. Eles mantem uma amizade em nome do casal canino e porque Amber é capaz de se adequar a forma de agir do Soldado.

Quero dizer à minha mãe que realmente não dou a mínima para viver em um ônibus escolar, mas que o mundo está sugando minhas forças, que parece que estou lutando contra todos, que ninguém me apoia, que não sei se vou chegar à idade adulta ilesa e com fé na esperança, (…) span>

Ela segue com esse otimismo, essa perspectiva de que tudo pode melhorar até que uma tragédia coloca um tipo de ponto final em sua vida e ela é obrigada a mudar de parágrafo. Tudo muda, mas ela se encontra em estado de depressão que não consegue seguir em frente, apesar de seus amigos tentarem puxá-la e ajudar – o que é muito, muito legal mesmo. E só 3B, o cachorrinho vira-lata é capaz de trazê-la de volta.

Personagens

Amber é a personagem principal, muito católica, otimista, engraçada e extremamente adaptável. Foi difícil confiar nela, achei que ela escondia algum truque na manga, e apesar de ser questionada sobre sua motivação em sempre ajudar e ser tão boa com as pessoas, mesmo ficando triste com o número crescente de diversidades que aparecem em sua vida, ela faz o possível para erguer a cabeça e seguir com o sorriso no rosto e o desejo supremo de bem às pessoas que ama.

(…) Talvez eu seja só uma menina estranha. Uma pequena atração antes do show de verdade.

Bobby Big Boy é um cachorrinho adorável, companheiro, e extremamente fiel a Amber, sua Humana, e a Srta. Jenny, o grande amor de sua vida. Ele pode ser um pouco ansioso, e fazer uma poça de xixi sempre que vê Amber é inevitável. Ele sente muito, claro, mas ao colocar um pouco de música clássica (ele adora Chopin) as coisas podem ser ajeitar um pouco em sua cabeça canina.

A Federação Ferrenha do Franks é um personagem em si, mesmo sendo composto por cinco pessoas diferentes. Os melhores amigos de Amber, seus meninos, os que ela faz de tudo para ajudar e vê-los felizes: Ty (o único negro na escola), Chad (o garoto na cadeira de rodas), Jared (irmão de Chad, muito tímido e com dificuldade de articular a fala muitas vezes) e Ricky (autista viciado em matemática). Um ali pelo outro, sempre.

Na Casa de Repouso, o Velho Linder, empresário da garota, o Velho Thompson, Joan das Antigas e a Porteira Lucy são os mais importantes em ação, mas todos os velhinhos são adoráveis e gostam muito da visita da garota com seu cachorrinho – talvez no fundo até Joan.

Padre Chee é um querido, com tato paterno e o tipo de padre que te faria ir a igreja porque simplesmente tem paixão pelo que faz. Ele não é hipócrita e assume ser um homem de Deus que não sabe de tudo, e isso é muito importante para Amber.

O Soltado Jackson é apaixonado por Haicais, não fala muito, sempre oferece chá verde nas visitas da garota e acha os cachorros melhores que os humanos (o que às vezes a gente concorda).

Minha opinião e Considerações finais

O livro é engraçado em várias partes, com as pitadas de humor inteligente que Quick tem, mesmo tratando de assuntos sérios como bullying, abandono, vícios e violências, não que o humor tire o teor de seriedade que o autor trabalha. Achei a narrativa bem característica dele, me lembrando muito Perdão Leonard Peacock. Da mesma forma que aconteceu com o outro livro, não soube exatamente se estava gostando do livro até parte da trama, mas estava presa aquilo e queria saber ao que tudo ia me levar. No final, é claro, eu estava em lágrimas.

– Por que algumas pessoas passam pela vida sem nunca ter que enfrentar uma grande tragédia, enquanto outras têm que viver uma coisa horrível atrás da outra?

Acho que há uma mensagem importante no livro: não perca a esperança! Não sei se é possível se sentir otimista o tempo todo (nem a Amber consegue), mas a gente tenta manter na mente que dias melhores virão sim, que a gente tem que erguer a cabeça e enfrentar os problemas de frente, e que há pessoas por aí que nos amam e que ajudam a segurar essa barra que é viver.

– Talvez, às vezes, em ocasiões específicas, de vez em quando, seja melhora capturar um momento diferente, porque talvez o momento presente não seja o certo. Às vezes, é bom pensar que mais momentos estão sempre por vir. Sempre.

Sobre o autor

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Matthew Quick era professor na Filadélfia, mas decidiu largar tudo e, depois de conhecer a Amazônia peruana, viajar pela África Meridional, trilhar o caminho até o fundo nevado do Grand Canyon, reviu seus valores e, enfim, passou a dedicar todo seu tempo à escrita. Ele, então, fez MFA em Creative Writing pelo Goddard College e voltou para a Filadélfia, onde mora com a esposa.

Quick é autor de três romances além de O lado bom da vida e Perdão, Leonard Peacock, e recebeu várias críticas elogiosas e importantes menções honrosas, entre as quais destaca-se a do PEN/Hemingway Award. Veja mais no site do autor.

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