Resenha dupla: A herdeira, Kiera Cass

ATENÇÃO: se você não leu os outros livros da série Seleção (A Seleção, A Elite e A Escolha) esteja ciente de que essa resenha contém SPOILERS sobre o final dos três livros anteriores. Dito isso, vale ressaltar que não fizemos nenhum spoiler sobre a história desse livro.

As regras para participar da promoção estão no final da resenha.
 
aHerdeira

Título: A herdeira
Título Original: The heir
Autora: Kiera Cass
Editora: Companhia das Letras (Selo Seguinte)
Páginas: 360
Lançamento: 2015
Nota: ★★★★☆ (Ju) e ★★★☆☆(Laryssa)

Leia um trecho do livro aqui!
 
 

Sinopse

Vinte anos atrás, America Singer participou da Seleção e conquistou o coração do príncipe Maxon. Agora chegou a vez da princesa Eadlyn, filha do casal. Prestes a conhecer os trinta e cinco pretendentes que irão disputar sua mão numa nova Seleção, ela não tem esperanças de viver um conto de fadas como o de seus pais… Mas assim que a competição começa, ela percebe que encontrar seu príncipe encantado talvez não seja tão impossível quanto parecia.

Enredo

Maxon e America ficaram juntos e isso rendeu alguns frutos, tanto para o reino, quando para nosso deleite. Por sete minutos, Eadlyn conseguiu a proeza de ser a rainha. Por sete minutos, ela tem o peso do trono em suas costas. Por sete minutos, ela deve passar por uma Seleção – indesejada – pelo bem de seu povo.

Nessa nova história seguimos com Eadlyn, cuja narração pouco tem a ver com a de sua mãe. Ela foi criada para ser a rainha, tendo na cabeça que não há ninguém mais poderosa que ela no mundo, sabendo de seu papel fundamental e do trabalho árduo que a espera no futuro, quando seus pais renunciarem o trono ao seu favor.

E não havia nenhuma pessoa no mundo tão poderosa quanto eu.

Sabemos que o reino prosperou com Maxon, sabemos que ele trabalhou incansavelmente por melhorias de vida para o povo de Illéa, e que as castas não são mais o tipo de sistema vigente. Mas nem tudo são flores, e a princesa, cada vez mais perto de ocupar seu lugar, sabe disso. O povo ainda quer muito e ainda que as castas não existam mais, ainda que as pessoas possam fazer escolhas significativas sobre seu futuro, isso não quer dizer que todos tenham deixado de fato esse passado para trás. Revoltas pipocam e a insatisfação é crescente, então o rei e a rainha apresentam um plano a filha: uma nova Seleção.

Será que eu não deveria ter sido capaz de enxergar como estava triste?

A ideia não é muito bem recebida pela garota, ela preza demais sua liberdade e se vê muito bem sem um príncipe consorte ao seu lado para reinar, além do mais, ter trinta e cinco garotos barulhentos e irritantes no palácio não é exatamente seu maior sonho. Mas em nome do reino, e principalmente de seus pais, ela resolve fazer isso com a convicção de que sairá disso tudo ainda mais dona de si do que nunca. Os preparativos são exaustivos, a princesa não se vê tanto nos detalhes e pensa nas melhores maneiras de acabar com tudo o quanto antes. Sem nem perceber, os selecionados são anunciados e chegam ao palácio. E toda a diversão começa.

Por isso o amor era uma ideia terrível: ele enfraquecia as pessoas.

Cada garoto tem uma história, defeitos e qualidades, características únicas tanto físicas como no jeito de ser. Apesar de Eadlyn não querer se envolver, ela prometeu uma Seleção de verdade aos pais, e faz o mínimo para conhecer os que mais lhe chamam a atenção no primeiro dia. São nesses momentos dos encontros que seguem, você pode conhecer as inúmeras essências humanas, perceber que ninguém é perfeito, por mais que tente mostrar essa faceta. E descobrir, junto a princesa, que se pode mudar de opinião o tempo todo.

Personagens

A história toda é narrada pela Eadlyn, em primeira pessoa, e quase não temos pontos de vista de outros personagens a menos que eles falem abertamente. Pode parecer difícil a princípio se identificar ou empatizar com a personagem, pois ela apresenta uma personalidade bem forte no livro, a princípio como sua mãe, mas ao mesmo tempo com alguns aspectos diferentes: Eadlyn é teimosa, mimada, autoconfiante e mesmo que fique o tempo todo afirmando não ser justo carregar o fardo e suas consequências de ser futura rainha se diz preparada para tal.

Maxon está sempre cansado e atarefado, apesar de ter acabado com o sistema de castas e isso ter agradado boa parte da população de Illéa, uma minoria não ficou satisfeita e isso gerou muitas complicações para a monarquia e é o que o rei passa o livro todo tentando resolver. Vale ressaltar que mesmo depois de vinte anos, de quatro filhos e de uma vida de servidão ao país, Maxon continua aquele mesmo homem justo e compreensivo do início da série e mesmo que possamos questionar algumas atitudes dele no livro, acabamos por entender que ele só quer o melhor a todos que ama e à Illéa.

Há quem tenha achado a participação de América bem pequena e não impactante na história e ouso dizer que ela tenha ficado igual à mãe de Maxon no quesito comportamento. É estranho vê-la calma e atenciosa durante a narrativa, não que ela não fosse antes, mas vinte anos sendo o braço direito do rei parecem ter evidenciado essas características na rainha.

Ahren é o irmão gêmeo da princesa, nascendo apenas sete minutos depois dela, o suficiente para deixar nas mãos (e nas costas) dela o cargo de futura rainha de Illéa. Entretanto isso não o aborrece ou preocupa. Ele e Eadlyn são muito ligados e a conexão entre eles é tão forte que, por vezes, ele é a primeira pessoa que a princesa procura quando precisa de um conselho ou para desabafar. Sabemos no início do livro que ele namora e é completamente apaixonado pela filha da rainha da França, Camille, um exemplo de cortesia, elegância, adoração e graciosidade.

Eadlyn não é muito fã de todas as pessoas no palácio, a começar por Josie e Kile, filhos de Marlee. Aos olhos da princesa, Josie é completamente sem noção, a inveja muito e não sabe o seu lugar no palácio. A garota vive roubando as inúmeras tiaras da princesa para usar e sempre está acompanhada de outras garotas no palácio e o redor dele concedendo a elas todos os privilégios de se viver ali e ainda se gabando por isso. Já Kile é um rapaz calado e está sempre por trás de livros nas reuniões sociais informais do palácio, mas isso não o impede de soltar uma ou outra verdade quando Eadlyn o implica.

Lucy e Aspen ainda estão juntos e a futura rainha admira o amor e carinho que um tem com o outro além da servidão e lealdade do soldado Ledger com o rei, a rainha e seus filhos. May, irmã de América aparece vez outra no palácio para visitar a família real, está viajando constantemente (e namorando também!). Eadlyn confia em seus julgamentos e conselhos e se sente muito a vontade perto da tia.

Não sei se alguém sabe o que procura até encontrar.

Kaden e Osten são os filhos mais novos da princesa e frequentemente estão metidos em confusão, principalmente o menor. Kaden tem catorze anos e é tão inteligente quanto um futuro rei deveria ser, sabendo se portar perfeitamente em seu papel de príncipe. Osten é o pequeno, tem dez anos e apronta todas que pode no palácio, as pessoas já esperam o pior dele nesse sentido.

Neema é a criada particular de Eadlyn, sempre pronta para preparar um banho, fazer massagem, um chá ou costurar um vestido, compreendendo todas as necessidades da garota, inclusive as adiantando por vezes de tão observadora que é.

É um tanto difícil aprender o nome de trinta e cinco rapazes de primeira, imagina pra princesa! O jeito é se apegar aos fatos, características e atitudes dos que mais se sobressaem, com isso, vale a pena mencionar alguns: Hale, Henri – Erik -, seu tradutor, Kile, Ean, Fox. Os candidatos são charmosos, interessantes, educados, atenciosos e bons. Todos conquistaram a princesa de alguma forma, e a nós também. No decorrer da competição as histórias e motivações de cada vão ficando mais claras e vamos nos apegando aos poucos, é até um pouco difícil escolher um favorito. A questão é, trinta e cinco garotos, a maioria adorável, como definir qual deles merece o coração da princesa, melhor dizendo, qual deles vai chegar lá?

Nossa opinião
Juliane

Achei bem difícil guardar o nome dos rapazes selecionados da mesma forma que foi difícil guardar o nome das moças selecionadas no primeiro livro da série, pra lembrar deles, fiz mais ou menos como a Eadlyn: me apeguei a algum fato ou comportamento do deles que tenha sido marcante. Alguns rapazes são bem fofos e cativantes, outros são esquisitos ou tímidos e alguns nunca chegaremos a conhecer.

Sei que o foco do novo livro era Eadlyn e a nova seleção, mas achei a America tão apagada no livro: parece que a Kiera a transformou em uma cópia da mãe de Maxon, o que foi um pouco decepcionante. Mas, por outro lado, se a autora quis transmitir que o amor da rainha e do rei estava consolidado, forte e cúmplice, ela conseguiu. Vale lembrar também que estamos conhecendo o palácio novo pelos olhos da Eadlyn e que a princesa ora não está observando as pessoas com a devida atenção ora está muito ocupada com a Seleção e suas consequências ora está afundada em egoísmo.

Particularmente, meu personagem favorito foi o Ahren. Dizem que quando você está de fora de uma situação consegue ver as coisas com maior clareza e acho que esse é o caso exato do que vemos no livro. Para mim, apesar de todo o treinamento de Eadlyn, ele apresentava mais preparado para ser um rei, o que é, de certa forma, injusto com a princesa já que ele não sofre toda a pressão de ter que comandar um país. Ainda assim, o achei sábio e calmo, porém firme em suas decisões.

Posso estar indo contra a maré ao dizer que a escrita da Kiera melhorou, mas acho, sinceramente, que foi o caso. Entretanto, achei alguns defeitos na narrativa, como por exemplo, um fato da família de América que não foi mencionado em nenhum dos três livros anteriores, mas que foi coincidentemente introduzido no final do livro para justificar um ocorrido, o que nem era necessário. Isso juntando ao fato de que a narrativa não é original e que talvez a autora só esteja tentando fazer mais dinheiro em cima de uma fórmula que fez sucesso, apesar te ter sido apresentada com uma roupagem totalmente nova (e com êxito!)me fez tirar uma estrelinha da minha avaliação.

Dito isso, não tenho como negar que estou ansiosa pela continuação.

Laryssa

Dizer que fiquei ansiosa pelo livro é pouco!
Queria saber como Maxon e America ficaram juntos (sempre fui Team Maxon), queria saber mais sobre a família e o reinado que construíram e quando vi que uma Seleção liderada por uma mulher estava por vir, não me contive na empolgação.

Tive um pouco de dificuldade em separar Maxon e America, assim como Aspen, Lucy e Marlee, dos personagens de A Seleção. É preciso ter em vista que se passaram vinte anos, fazendo deles mais velhos e maduros, mas ainda assim tenho na lembrança como eles podiam ser levados pelos hormônios – felizmente, eles mesmos mencionam isso também.

Algumas coisas aconteceram de forma rápida demais, sem muito aprofundamento. Mesmo tendo em vista que Eadlyn seja um pouco fria no começo, é bastante difícil ver que alguns episódios tenham sido superados com certa facilidade. E mais uma vez, nesse mesmo quesito, acho que Kiera deixa algumas coisas sem muito porquês.

Eadlyn não é minha personagem principal favorita, tive muitos problemas em entender a cabeça dela. As suas ações podem fazer sentido mais para frente, e eu acho que alguns baques da vida vão ensiná-la alguns valores totalmente diferentes de como ser uma rainha, mas para isso espero vê-la se abrindo a esses novo aprendizados.

Considerações finais

A escrita de Kiera está ali, super presente, ainda há toques de humor e seriedade na medida certa. Ela não escreveu sob a perspectiva de uma nova America. Eadlyn, apesar de enfrentar algumas dúvidas e caminhos tortuosos, como sua mãe enfrentou em seu tempo, tem voz ativa e muito própria.

A narração em primeira pessoa foi uma feliz escolha nesse livro, nos deixando mais íntimos da garota e fazendo com que sigamos os mesmos sentimentos e descobertas que ela tem. Logo, pequenas surpresas nos esperavam em cada página.

Mesmo achando que as coisas aconteceram um pouco rápido demais, não sabemos como seria estar em seu lugar, com toda a pressão de um reino nas costas e trinta e cinco escolhas a frente – ela poderia escolher ficar só, afinal. A princesa ainda tem muito o que aprender e queremos seguir mais uma vez com ela por esses novos caminhos possíveis.

Em suma, é uma ótima reintrodução, com personagens cativantes e possibilidades empolgantes, vamos esperar pelo segundo livro e torcer pelo nosso candidato. Quem você acha que vai acabar colocando um anel no dedo da garota? Quantos livros mais vocês acham que a Kiera vai lançar?

Quando você sabe quem é importante para você, abrir mãos de algumas coisas, e mesmo de si própria, não parece um sacrifício. Há um punhado de pessoas por quem eu daria a vida sem pensar duas vezes.

Sobre a autora

kiera
 
 
Nasceu em 1981, na Carolina do Sul, Estados Unidos. Formou-se em história na Universidade de Radford, na Virginia, e publicou seu primeiro livro, The Siren, em 2009, em uma edição independente. Beijou aproximadamente catorze garotos em sua vida, mas nenhum deles era um príncipe.

Assista ao book trailer aqui!
 
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BOA SORTE A TODOS!

Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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5 Discussion to this post

  1. Aninha disse:

    Ai meninas, adorei a resenha de vocês! A Lary me passou o livro em ebook mas estou louca já para ter o físico e é ÓBVIO que estou participando da promoção, hahaha. Fiquei um pouco decepcionada em saber que a America não aparece muito… creio que ficarei um pouco sentida em ver isso no livro, porque me apeguei demais aos personagens da primeira geração e acho que toda vez vou ficar esperando que algo dos antigos personagens. Mas essa é a história da Eadlyn, né, quero só ver como vai ser com essa machaiada gata toda no livro kkkkkkkkk

    Beijundas :*

    • Juliane disse:

      Ai Aninha, é um mais lindo e educado que o outro (pelo menos na descrição haha)
      Acho que a Eadlyn deu foi sorte ein 😉
      Que bom que você gostou da nossa resenha Aninha, muito obrigada pelo feedback!
      Beijos :*

  2. Cristiane Dornelas disse:

    Estou louca pra ler, amei os outros livros. Mas tem umas coisas que achava bobinhas, ou a personagem que chegava a irritar e ficava meio chato…O que mais me preocupa é acabar lendo a mesma personagem. Se ela tem voz própria e você consegue separar uma coisa da outra isso é ótimo. Ansiosa pra conferir! Maaaaas, sempre tem umas coisas que vão alfinetar… Não quero odiar partes, personagens ou coisa e tal :S
    Espero que role uns dois outros livros….
    Ou extras….
    Ou livro da lista de compras do castelo, sei lá. Só não pode acabar, é tão bom de ler!

    • Juliane disse:

      Cristiane, a gente também quer pelo menos mais 2 livros e 1 extra!
      A voz da Eadlyn é um tanto diferente do que estávamos acostumadas em relação a América, não se preocupe!
      Eu queria na verdade era que a Kiera assinasse meu livro! Hahaha
      Beijos :*

  3. Cristiane de oliveira disse:

    A resenha está maravilhosa , essa é um historia que me encanta muito e todo livro é um deleite rsrsrsrsrs. Queria um pouco mais dos primeiros personagens mas é bom saber tudo que aconteceu com os personagens e gente que vem surgindo, é bom demais, quero mais e mais é tão ruim quando termina uma coisa que a gente gosta tanto, rezando por mais.

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