Resenha: Ligações, Rainbow Rowell

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Título: Ligações
Título Original: Landline
Autora: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Páginas: 224
Lançamento: 2015
Nota: ★★★★★

 
 

Sinopse

Georgie McCool sabe que seu casamento está estagnado. Tem sido assim por um bom tempo. Ela ainda ama seu marido, Neal, e ele também a ama, profundamente – mas o relacionamento entre eles parece estar em segundo plano a essa altura.

Talvez sempre esteve em segundo plano.

Dois dias antes da tão planejada viagem para passar o Natal com a família do marido em Omaha, Georgie diz a ele que não poderá ir, por conta de uma proposta de trabalho irrecusável. Ela sabia que ele ficaria chateado – Neal está sempre um pouco chateado com Georgie –, mas não a ponto de fazer as malas e viajar sozinho com as crianças.
Então, quando Neal e as filhas partem para o aeroporto, ela começa a se perguntar se finalmente conseguiu. Se finalmente arruinou tudo.

Mas Georgie estava prestes a descobrir algo inacreditável: uma maneira de se comunicar com Neal no passado. Não se trata de uma viagem no tempo, não exatamente, mas ela sente como se isso fosse uma oportunidade única para consertar o seu casamento – antes mesmo de acontecer…

Será que é isso mesmo o que ela deve fazer?

Ou ambos estariam melhor se o seu casamento jamais tivesse acontecido?

Enredo

Georgie McCool tem um vislumbre: a oportunidade de sua vida. Seu tão sonhado programa, do jeitinho que ela quer, pode ser adquirido por um dos grandes caras da TV. Ela poderá dizer adeus às piadas chatas que muitas vezes tem que escrever e principalmente a Jeff, o protagonista de seu programa atual. Para isso ela só tem que criar alguns roteiros, estar em uma reunião importante apresentável e… E perder o Natal com sua família.

– Acha que os meus sonhos seriam perda de tempo?
– Acha que os seus sonhos seriam perda de tempo pra mim – disse ele. – Eu não seria feliz assim.

Essa é a decisão difícil de Georgie, ela tem que permanecer em L.A. e ver seu marido Neal e as filhas Noomi e Alice seguindo para o aeroporto sem ela. Além disso, ela tem a pressão de seu melhor amigo, Seth, para que os roteiros saiam perfeitos e que ela dê o melhor de si, focando na comédia que sempre sonharam para seus programas.

Ela nasceu para a comédia, ela nasceu para fazer as pessoas rirem, para fazer piadas inteligentes e com conteúdo. Quando entra na a faculdade, já com todo o roteiro de sua vida traçado, ela já planejava entrar na principal revista da área da faculdade (mesmo sendo caloura) e é lá onde ela conhece Seth, seu melhor amigo e fonte de uma paixonite insistente. Pelo menos até que conhece Neal, nessa mesma revista, e as coisas mudam de uma forma segura e duradoura.

Georgie passa a noite em casa, sozinha, após o dia exaustivo de trabalho, analisando seu passado, suas escolhas e os frutos que colheu por todos esses anos. O trabalho é prioridade, mas ela ama sua família e vê o quanto é difícil ficar longe deles.

Quando cansada de estar tão só em uma casa tão grande, vai para seu antigo lar, a casa da mãe e passa a ser questionada sobre Neal tê-la largado. É então que ela percebe uma distância palpável com seu marido, algo que vem de tempos, algo que ela deixou em banho-maria por tempo demais.

Ela tenta ligar para o marido no celular, mas ele nunca atende. Em seu antigo quarto, com seu antigo telefone – comprado com as economias de trabalhos juvenis –, ela liga para o fixo da casa da sogra e é quando ela percebe sua ponte com seu passado, com o eu jovem de seu marido e a chance de fazer uma reestruturação em sua história.

Tem um telefone mágico no meu quarto de infância. Posso usá-lo para ligar pro meu marido no passado. (Meu marido que ainda não é meu marido. Meu marido que talvez não devesse nunca virar meu marido.)

Personagens

Georgie é uma personagem engraçada, bastante gente da gente. Ela ama seu marido, ama suas filhas, ama sua família – mesmo sendo um pouco louca – e ama seu trabalho. É muita coisa para amar, se for pensar. Ela faz de tudo para dar certo, ela suporta seu melhor amigo Seth, e tenta ignorar os problemas com bom humor, além de qualquer insegurança que possa surgir. É do tipo de mulher que prefere andar de jeans e tênis a salto alto, porque ela gosta de conforto.

Neal aparece mais como referência, e com as ações do passado. Ele é bastante tímido, inteligente, sábio na medida certa e bastante companheiro. Quando Georgie se vê atolada em trabalho e insegura em deixar as crianças com estranhos, é Neal quem se oferece para largar o emprego e cuidar de tudo. Cuidar da casa, das crianças ainda pequenas e de Georgie.

Acho que consigo viver sem você – dissera ele, como se fosse algo em que pensara nas últimas vinte e sete horas -, mas não uma vida de verdade.

As filhinhas, Alice e Noomi, são coisinhas fofas. Elas tem aquela inocência e ingenuidade bem característica da idade. São bem doces e curiosas. E são a razão de viver de Georgie.

Ter filhos se assemelha a um tornado passando pelo seu casamento, mas ainda assim você fica feliz com a devastação. Ainda que pudesse reconstruir tudo do jeito que era antes, nunca iria querer.

Seth é mimado e egocêntrico, mas junto a Georgie são capazes de criar coisas ótimas no que se refere a trabalho. Ele tem certa rixa com Neal, não aceitando o relacionamento deles da melhor forma, muitas vezes não o tratando com a seriedade necessária.

A mãe de Georgie cria pugs, ela os ama e trata-os de uma forma bem amorosa, como se fossem seus filhos também. Ela é casada com Kendrick, alguns anos mais novos e um achado na vida da família. E há Heather, a irmã mais nova, divertida e compreensiva irmã, que mesmo com os hormônios e os problemas na cabeça, tenta ajudar a irmã mais velha de forma quase sem segundas intenções.

Heather deu outra garfada gigante, depois entregou o pote à irmã. Tinha dezoito anos e fora um bebê-muda-vida – explicando: a mãe de Georgie resolvera dormir com o quiroprata para qual o trabalhava, ficando grávida acidentalmente aos 39 anos. Os dois ficaram casados somente até o nascimento de Heather.

Minha opinião

Em algum ponto, sempre acabo me identificando com algum personagem dos livros da Rainbow. Eles são humanos, nem legais o livro todo e nem chatos o tempo todo. Eles tem problemas, e alguns não são solucionáveis, os personagens tentam apenas passar por eles e aprender com eles. O temas não são tão bobos como pode parecer, apesar da autora tentar trazer leveza mostrando pontos positivos em toda história.

Gosto dos livros dela, e esse não foge a regra, porque eles me fazem ter momentos de leitura leves. Aquele momento em que você escolhe o livro – ou ele te escolhe – porque precisa de uma dose de fofura e uma narrativa gostosa.

Esses telefones de disco eram quase como meditação. Eles te forçavam a desacelerar e se concentrar. Se você discasse o número seguinte rápido demais, tinha que recomeçar desde o início.

Considerações finais

Narrado em terceira pessoa e com uma linguagem bem coloquial, o livro nos leva do presente ao passado, dando vislumbres de como tudo ocorreu para chegar onde conhecemos da vida de Georgie. Isso foi feito de forma bastante competente e completa, amarrando nós que porventura poderiam surgir com toda essa mudança temporal.

Não seria esse o sentido da vida? Encontrar alguém com quem compartilhá-la?

Sobre o autor

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Rainbow Rowell escreve sobre adolescentes (Eleanor & Park e Fangirl), e às vezes sobre adultos (Anexos e Ligações). Mas ela sempre escreve sobre pessoas que falam MUITO! E pessoas que sentem que estão fazendo tudo errado na vida. E as pessoas que se apaixonam.

Quando não está escrevendo, está lendo quadrinhos, planejando viagens a Disney e discutindo sobre coisas que realmente não importam no grande esquema das coisas. Ela mora em Nebraska com o marido e dois filhos.
Siga a autora em seu site.

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