Resenha: Toda luz que não podemos ver, Anthony Doerr

Toda LuzTítulo: Toda luz que não podemos ver
Título Original: All the light we cannot see
Autora: Anthony Doerr
Editora: Intrínseca
Tradução: Maria Carmelita Dias
Gênero: Ficção
Páginas: 528
Lançamento: 13-04-2015
Nota: ★★★★

 

 

Pode ler um trecho vai, eu deixo, clica aqui.

 

Sinopse

Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu.

Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.

Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

Enredo

O livro começa descrevendo o crescimento de Marie-Laure, uma garota francesa que que fica cega aos seis anos de idade, e Werner Pfennig, um órfão alemão que vive com a irmã em um abrigo.

Ambientado no início da segunda guerra mundial, o livro usa as habilidades do jovem órfão alemão com transmissões de rádio como elemento essencial para a ligação com a jovem francesa cega.

Marie vive com um pai amoroso, extremamente preocupado e que chega a fazer uma maquete da cidade para que ela aprenda a se locomover pelas ruas e adquira uma independência que, não sabendo ainda, precisará mais a frente. Enquanto isso, Werner cresce no orfanato, atormentado por uma curiosidade que o faz sempre desenvolver suas habilidades. Habilidades que o levarão, mais tarde, a uma escola nazista, para serem aprimoradas e moldadas para o início desse conflito iminente.

Abra os olhos e veja o que puder com eles antes que fechem para sempre.

Marie-Laure passa a viver em Saint Malo. A população vive com o sentimento de insegurança, revolta, medo e desconhecimento, e Marie não fica fora disso. A opressão vinda de um iminente conflito traz uma constante aflição e agonia.
Werner, na Alemanha, sente o clima do começo da guerra através da ansiedade dos alunos, e seus colegas, combatentes em sua escola nazista. Alguns com medo outros querendo ir logo para a batalha. Tudo com base nos sentimentos e ideais nacionalistas que o 3° Reich colocava em seus corações.

Sobrevivência. Esse é o objetivo. Com uma força que é difícil imaginar, Marie é conduzida para um novo patamar de sua vida, lutando consigo mesma, enfrentando seus medos e muros internos para que, em meio à injustiça, barbárie e atrocidades, ache força para continuar e talvez, só talvez, ter um fim menos triste.

Como saber com certeza que você está fazendo a coisa certa?

A guerra avança e Werner é convocado para atuar pelo Eixo na França para desativar as formas de comunicação dos Aliados. Em certo momento, Werner capta uma mensagem enviada por Marie, pedindo socorro. A partir desse momento os destinos dos dois se cruzam e os levam a uma jornada nova e imprevisível.

Minha opinião

Confesso que não conhecia o livro nem autor até que foi mencionado no grupo de leitura que participo, mas me interessou logo de cara por se tratar de uma temática que eu sou fascinado, as grandes guerras. Sim, é clichê. Milhares de histórias em meio à guerra já foram escritas. TO NEM AÍ. Nós, brasileiros, não sabemos o que é exatamente uma guerra (nem terremotos, furacões, eu sei). Sempre fico imaginando como seria nossa vida se tanques circulassem por nossas ruas ou bombardeiros sobrevoassem todos os dias as nossas cidades. Obviamente não quero viver uma guerra, mas tenho vontade de conversar com alguém que viveu uma, não para ver o sofrimento, mas a força que os levaram a sobreviver. Enfim, maluquice né!?

Não bastasse a guerra, temos uma protagonista cega e um outo “nazista” (que sofrimento gente). A soma de elementos me fez interessar mais ainda pela estória.

O livro retrata infância e juventude dos protagonistas em meio a guerra, não gosto dessa mania maluca que a maioria dos autores atuais tem de fazer protagonistas tão jovens. Entendo que o mercado demanda certo tipo de exigências, mas essa faixa etária padrão está começando a me irritar. Mas não vou ficar de mimimi. O livro é o vencedor do prêmio Pulitzer de ficção em 2014.

Quem esperava por aquele romance de doer o coração entre os protagonistas Marie e Werner, se deparou com uma visão mais real da coisa, no entanto Doerr ainda assim conseguiu demonstrar uma sensibilidade que, pelo tema e período, ficou bem coerente.

2
A qualidade narrativa é bastante interessante, elaborada e com uma linguagem simples. O livro é feito para se entender uma época em que os mapas eram atualizados diariamente, a vida das cidades atacadas e seus civis. Também é passada a mensagem da dualidade, a luta entre o bem e o mal, a profundidade dada aos personagens é um ponto fortíssimo, afinal, precisamos nos simpatizar com eles senão não existirá emoção.

O livro se divide entre 13 partes, com uma infinidade de capítulos dentro de cada uma dessas partes. Esses capítulos se alternam entre os protagonistas e seus tempos no passado e presente. No começo você demora a se situar mas depois de poucos capítulos você entende o estilo de narrativa e a leitura evolui com facilidade. Costumo fazer fichamentos (É, mania de ensino médio) para conseguir tirar pontos chave e entender melhor a situação, mas “Toda luz…” me envolveu tanto que raramente eu parei pra rabiscar algo.

1
A crítica tem avaliado e recebido bem. A estória te mostra que é possível remontar uma narrativa baseado em temas que já pareciam esgotados. Não importa quantas vezes você já viu sobre um tema, a capacidade do escritor de recriar deve ser levada em conta.

Enfim, o mini calhamaço de 528 páginas é facilmente lido. Uma história que reconta uma época triste e traduzida para uma linguagem atual e que atrai novos leitores.

A editora intrínseca acerta mais uma vez na qualidade de sua publicação. Diagramação muito eficiente e manteve a capa original.

O veredito é… O Voldemort, digo, Anthony Doerr manda muito bem nesse livro.

Vai ler essa obra seus lindo :).

 Sobre o autor

Anthony_Doerr_by_Isabelle_Selby

 

Anthony Doerr foi ganhador do Pulitzer  e finalista do National Book Awards em 2014 com “Toda luz que não podemos ver” na categoria de ficção, seu segundo romance publicado. Best-seller do The New York Times, o livro foi eleito um dos melhores do ano por veículos como The Guardian, Entertainment Weekly e Kirkus Reviews. Formado em história, Doerr é também autor premiado de dois livros de contos e um de memórias.

Criado em Cleveland, atualmente mora em Boise, Idaho, com a esposa e dois filhos.

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