Resenha: Dois Garotos se Beijando, David Levithan

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Título: Dois Garotos se Beijando
Título Original: Two Boys Kissing
Autora: David Levithan
Editora: Galera Record
Páginas: 302
Lançamento: 2015
Nota: ★★★★★

Leia o primeiro capítulo do livro aqui!

 
 

Sinopse

Baseado em fatos reais e em parte narrado por uma geração que morreu em decorrência da Aids, o livro segue os passos de Harry e Craig, dois jovens de 17 anos que estão prestes a participar de um desafio: 32 horas se beijando para figurar no Livro dos Recordes. Enquanto tentam cumprir sua meta — e quebrar alguns tabus —, os dois chamam a atenção de outros jovens que também precisam lidar com questões universais como amor, identidade e a sensação de pertencer.

Enredo

Existem milhares de tipos de records a que você pode se dispor a superar, alguns bastante estranhos, diga-se de passagem. Craig gostava bastante de todos eles e foi assim que teve uma ideia melhor, genial, com uma mensagem e propósito diferentes. Para isso ele precisava da ajuda de seu ex-namorado, e agora melhor amigo, Harry, que topou na hora essa empreitada: o beijo mais longo já mensurado.

Quando você precisa se agarrar a alguma coisa, deve se agarrar a ela. Você deve aceitar qualquer coisa que possa ajudar você a ir até o fim.

Tariq foi a causa disso. Ele foi o ponto de partida, ou melhor, o que fizeram com ele foi o que deu o estalo a ideia. Os socos podem vir de todos os lados, os insultos com tons guturais, mas o preconceito é sempre palpável. Craig não o conhecia, apenas de vista, mas saber que pessoas aleatórias são capazes de atrocidades com pessoas que julgam ser diferentes fez com que ele se sensibilizasse.

Ao mesmo tempo, podemos ter vislumbres da vida de Ryan e Avery, cabelos azuis e cabelos rosas. Eles conheceram em uma festa e começam um envolvimento, ali, na hora mesmo. Cada um tem seus problemas, suas superações e estamos com eles quando isso é compartilhado, estamos com eles quando as verdades saem e as palavras são digeridas.

A primeira frase da verdade é sempre a mais difícil. Cada um de nós teve uma primeira frase, e a maioria de nós encontrou forças para proferi-la em voz alta para alguém que merecia ouvir.

Mas que nem sempre seja fácil.

A ignorância não traz felicidade. Felicidade é saber o significado total do que se recebeu.

Neil e Peter, eles namoram há algum tempo e o relacionamento é pontuado de companheirismo e amizade. Ambos são presentes um na vida do outro de uma forma intensa, apesar de viver uma polaridade. Peter tem a aceitação dos pais, mas os pais de Neil ainda não sabem e ele tem medo dessa reação, apesar de deixar pistas jogadas na rotina familiar. É sempre difícil querer algo e ter medo do resultado.

Seu humor é sua bússola e seu escudo. Você pode transformar em arma ou pode puxar as tiras e fazer um cobertor de algodão doce. Não dá para viver de uma dieta só de humor, mas também não dá para viver de uma dieta sem humor.

Ainda há Cooper. Ele se afunda nas ilusões que sites de relacionamentos podem ter, ele faz isso conscientemente, ele próprio sendo uma dessas ilusões. Cooper se perdeu, e ele vê a internet como lugar nenhum e lá pode se perder mais. Não há energia em seu corpo, não há motivações, há tédio e uma tristeza gritante que sentimos com ele. Seus pais também não sabem, não sabem do vazio e não sabem que ele é gay, e a intolerância vem de descobrir da pior forma possível. Vamos com ele, tentando ao máximo esperar pelo melhor.

Nós sabemos: uma maneira quase certa de morrer é acreditar que você já está morto.

As histórias se entrelaçam de alguma forma. E o sentimento é semelhante: esperança, compreensão, tolerância e empatia.

Minha opinião

É estranho pensar que o assunto desse livro, retratado de forma tão sensível e emocional, ainda é polêmico e causador de tensão. É estranho, sobretudo para mim, que muitas pessoas ainda tenham tão pouca aceitação a todas as formas de amar, que não diferem em essência de forma alguma. Temos pessoas diferentes, com envolvimentos, histórias, traços, sonhos, desejos diferentes, mas eles ainda são todos pessoas, e eu acho que isso é o mais importante.

Nós nos vemos como criaturas marcadas por uma inteligência particular. Mas uma de nossas características mais específicas é a incapacidade de nossa expectativa simular verdadeiramente a experiência que esperamos. Nossa expectativa de alegria nunca é o mesmo do que alegria. Nossa expectativa de dor nunca é o mesmo que dor.

David nesse livro, assim como em Todo dia (Galera Record, 2013) faz com que a gente seja cada um dos personagens, a dor deles é nossa dor. Acompanhamos horas de dias cruciais desses personagens, e é praticamente impossível não se identificar com nada deles.

Considerações finais

Nós observamos vocês, mas não podemos intervir. Já fizemos nossa parte.

O livro é narrado em primeira pessoa, mas não simplesmente com o ponto de vista dos personagens. Os outros, os que vieram antes, eles falam sobre o que está acontecendo, eles fazem comparações com o antigamente, e eles tentam ser a voz coletiva que salva tudo. Essa voz, esses outros, são a presença que acompanha e que dá a ideia fixa de que vocês não estão sós .

Por que precisamos ficar morrendo e morrendo de novo?

O livro é indicado para todos, até para os que não entendem muito sobre a temática. Tudo é retratado de uma forma muito bonita e simples, é realmente tocante. Como eu disse, David sabe muito bem como dizer exatamente o que ele quer dizer, e alguma passagens aqui ou ali vão virar quotes da sua vida.

Se você gosta da temática, se gosta de romances fofinhos, outro livro que segue a mesma pegada e foi um dos meus queridinhos de 2014 é “Aristóteles e Dante descobre o segredo do universo”, lançado aqui pela Editora Seguinte. Outra leitura leve, gostosa e fofinha até dizer chega.

Sobre o autor

levithan

David Levithan é um editor de livros infantis e um autor norte-americano premiado. Publicou o seu primeiro livro, Boy Meets Boy, em 2003. A obra de Levithan tem provocado protestos de conservadores de direita. Levithan é um dos fundadores da editora PUSH, dedicada à Literatura para Jovens Adultos, e que é uma das marcas da Scholastic Press.
Você sabe mais sobre o autor em seu site, em inglês.

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