Top 5: favoritos de 2014 – Lary

Laryssa

Antes de começar com o meu Top 5 de 2014, quero deixar claro que os livros citados não são perfeitos, mesmo que eu tinha dado nota máxima. Eles foram favoritados pelo que representaram para mim no momento da leitura e/ou pelo sentimento que deixaram como rastro na minha vida.

Se vocês ficarem interessados em saber mais sobre alguns deles, deixa nos comentários pra gente!

1. Eleanor and Park

71LkLmxqgjLEleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

A construção dos personagens é feita de uma forma tão completa que você fica esperando que eles se materializem do seu lado enquanto lê, são “pessoas” cativantes, com sacadas inteligentes e as melhores referências em questão cultural. A narrativa da Rowell é envolvente, acompanhamos os acontecimentos ansiosos pelo final, torcendo pelo casal e principalmente por Eleanor, seguindo com os assuntos sérios, de gravidade alarmante, e sorrindo nos momentos mais fofos de todos, quando a gente chega a suspirar de fato. Claro que nem todos os assuntos retratados são aprofundados, isso pode incomodar alguns, mas não foi um ponto que me desagradou totalmente, acho que acabou fazendo mais sentido ainda o rumo que Eleanor precisou tomar.

Segurar a mão de Eleanor era como segurar uma borboleta. Ou um coração a bater. Como segurar algo completo, e completamente vivo.

Esse livro é, de fato, tudo aquilo que dizem e quando você termina, secando as lágrimas, já quer reler imediatamente. Tem uma pitada de Seção da Tarde , e mesmo que algumas coisas sejam esperadas, essas coisas são feitas de forma divertida.

A gente acha que abraçar uma pessoa com força vai trazê-la mais para perto. Pensamos que, se a abraçarmos com muita força, vamos senti-la, incorporada em nós, quando estivermos longe.

2. Cadê você, Bernadette?

13216_gg Bernadette Fox é notável. Aos olhos de seu marido, guru tecnológico da Microsoft e rock star do mundo nerd, ela se torna mais maníaca a cada dia; para as demais mães da Galer Street, escola liberal frequentada pela elite de Seattle, ela só causa desgosto; os especialistas em design ainda a consideram uma gênia da arquitetura sustentável, e Bee, sua filha de quinze anos, acha que tem a melhor mãe do mundo.
Até que Bernadette desaparece do mapa. Tudo começa quando Bee mostra seu boletim (impecável) e reivindica a prometida recompensa: uma viagem de família à Antártida. Mas Bernadette tem tal ojeriza a Seattle – e às pessoas em geral – que evita ao máximo sair de casa, e contratou uma assistente virtual na Índia para realizar suas tarefas mais básicas. Uma viagem ao extremo sul do planeta é uma perspectiva um tanto problemática.
Para encontrar sua mãe, Bee compila e-mails, documentos oficiais e correspondências secretas, buscando entender quem é essa mulher que ela acreditava conhecer tão bem e o motivo de seu desaparecimento. Maria Semple revela, em seu segundo romance, a influência de grandes escritores contemporâneos como Jonathan Franzen e Jeffrey Eugenides, ao mesmo tempo que se afirma como uma voz original, marcada pelo melhor humor das séries de TV norte-americanas. Sem sentimentalismos, mas com muita empatia, Cadê você, Bernadette? trata do amor incondicional de uma filha por sua mãe imperfeita.

Engraçado, leve e bem construído. Quando você percebe, já está na história e tenta entender o porque de Bernadette ter sumido inclusive criando teorias sobre onde ela pode ter ido.

Bernadette estacionou o carro, tirou seu cinto de segurança e virou-se para trás. “Muito bem”, ela disse às meninas. “Vocês estão entediadas. Então, vou lhes contar um segredinho sobre a vida. Vocês acham que está um tédio agora? Bem, só vai piorar. Quanto antes vocês aprenderem que são vocês que têm de tornar a vida interessante, vai melhorar.

O livro é narrado por Bee, a filha do casal, Bernadette e Elgin, e vamos encontrando e encaixando as pistas junto com ela. Adoro livros com e-mails, e esse é um caso deles, porque Bee tem acesso a diversos tipos de documentos, como cartas, mensagens, contas de e-mails dos personagens presentes e também documentos sigilosos do FBI.
A crise da família se torna algo reflexivo, nos fazendo ter empatia em diversos trechos, porque você vai percebendo que crises pessoais, coisas que guardamos cada vez mais dentro de nós, podem influenciar de forma gritante ou sutil na vida de todos a nossa volta, as marcas e conflitos internos podem ser nocivos. É um livro divertido na medida certa com seus toques de profundidade, e algumas coisas ali você realmente precisa ler, são coisas que precisamos entender uma hora ou outra.

Você já ouviu falar que o cérebro tem um mecanismos de compensação?

3. Hyperbole and a Half

HYPERBOLE_AND_A_HALF__1395846566P Em Hyperbole and a Half situações lamentáveis, caos e outras coisas que me aconteceram, a autora apresenta alguns dos textos mais lidos e comentados em seu blog e também muito material novo, inclusive histórias sobre seus cachorros, um deles aparentemente com leves problemas mentais, sua luta para lidar com a depressão e ansiedade que insistem em dominá-la, além de anedotas hilárias sobre sua tumultuada infância. Sim, Allie foi uma criança difícil, Talvez a mais difícil de todas. Por exemplo, uma vez ela comeu um bolo inteiro só de burra porque sua mãe a proibira. E ela também atazanou a vida da família quando ganhou um papagaio de brinquedo que repetia tudo – tudo – que ela queria. Inteligente, irônico e absurdamente engraçada o livro traz o estio inimitável de Allie nos textos e nas ilustrações, além de alguns de suas típicas reflexões que conquistaram o coração de inúmeros leitores.

Não consigo pensar nesse livro sem rir. Eu me lembro de fechar o livro porque estava dando gargalhadas de chorar em público. Talvez eu tenha passado mais algumas vergonhas com relação a leitura desse livro, mas nada mais propício. O livro é a compilação de algumas histórias passadas por Allie ou por pessoas próximas a ela. Em algumas ela era criança, e você se identifica aqui e ali, em outras é retratado sua vida adulta, e se você não passou por aquilo… Bem, deixe a leitura te mostrar como pode ser hilário. Se você quer ver algumas histórias, acesse o blog (em inglês) dela.

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Essa história se chama “A Festa” e é a minha favorita do livro.

4. A vida do livreiro A. J. Fikry

a vida do livreiroUma carta de amor para o mundo dos livros
“Livrarias atraem o tipo certo de gente”. É o que descobre A. J. Fikry, dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é “Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é
um mundo”. Apesar disso, A. J. se sente sozinho, tudo em sua vida parece ter dado errado. Até que um pacote misterioso aparece na livraria. A entrega inesperada faz A. J. Fikry rever seus objetivos e se perguntar se é possível começar de novo. Aos poucos, A. J. reencontra a felicidade e sua livraria volta a alegrar a pequena Alice Island. Um romance engraçado, delicado e comovente, que lembra a todos por que adoramos ler e por que nos apaixonamos.

 

Com certeza esse foi meu queridinho do ano. Li em uma tacada só, o livro é curtinho e a narrativa é envolvente.

As pessoas contam mentiras chatas sobre política, Deus e amor. Você descobre tudo que precisa saber sobre uma pessoa com a resposta desta pergunta: Qual é o seu livro preferido?

Nós, que amamos livros, nos identificamos, é claro, porque todo o desenvolvimento tem relação com eles, é como se eles fossem um personagem e quase que o motivo de tudo. Fikry é um homem extremamente excêntrico, com um jeito amargo de viver, mas tudo transcorre de forma tão deliciosa, e é ao mesmo tempo denso e leve, com um toque emocional agradável, e então você se vê homenageado na história. A gente vai envelhecendo com Fikry e tentando entender o que passa na cabeça dele até que… Chega o final.

As palavras que não encontra, pede emprestado. Lemos para saber que não estamos sós. Lemos porque estamos sós. Lemos e não estamos sós. Não estamos sós. Minha vida está nestes livros. Leia estes livros e conheça meu coração. Não somos como romances. Não somos como contos. No fim, somos como obras selecionadas. Não, não muito tempo.

Enquanto Fikry envelhece, com a chegada de Maya e Amélia em sua vida, ele vai percebendo a ressignificação das coisas em sua vida, e se entregando a elas, dando um foco grande no quesito “amor”. E acho que é assim, quando os anos vão passando, as cicatrizes vão ficando mais evidentes, percebemos o que importa ou não, por mais clichê que isso pareça.

As pessoas contam mentiras chatas sobre política, Deus e amor. Você descobre tudo que precisa saber sobre uma pessoa com a resposta desta pergunta: Qual é o seu livro preferido?”

5. Perdão, Leonard Peacock

untitledHoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem aos poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.  

Um livro tocante, bastante melancólico, com humor inteligente e uma tristeza tocante. Acompanhar Leonard em seu última dia de vida, estando ciente de que ele tem exatamente essa intenção tem um peso enorme. Comecei a reparar no que as pessoas poderiam fazer para mudar os pequenos e grandes fatos que o fez tomar essa decisão. O quão responsável podem ser os que cometem atos isolados e o peso que isso pode ter na vida das pessoas.

Minha teoria é a da que perdemos a capacidade de ser feliz à medida que envelhecemos.

Qualquer problema que alguém possa dizer da narrativa de Quick em O Lado Bom da Vida aqui não está presente, vemos uma escrita muito madura e intensa. Os personagens são outro caso dessa melhora, Leonard, apesar da tristeza e de todos os problemas, tem um coração lindo, e isso é notável.

Não faça isso. Não vá para esse trabalho que você odeia. Faça algo de que goste hoje. Ande de montanha-russa. Nade pelado no mar. Vá para o aeroporto e pegue o próximo voo para qualquer luga apenas por diversão. Gire um globo terrestre, pare-o com o dedo e, em seguida, planeje uma viagem para aquele lugar. Mesmo que seja no meio do oceano, você poderá ir de barco. Coma alguma comida exótica da qual nunca ouviu falar. Pare um estranho e peça a ele para lhe explicar em detalhes seus maiores medos, suas esperanças e aspirações secretas, e em seguida diga-lhe que você se importa. Porque ele é um ser humano. Sente-se na calçada e faça desenhos com giz colorido. Feche os olhos e tente ver o mundo com o seu nariz – permita que o olfato seja a sua visão. Ponho o sono em dia. Ligue para um velho amigo que você não vê há anos. Arregace as pernas de calça e entre no mar. Assista a um filme estrangeiro. Alimente esquilos. Faça alguma coisa! Qualquer coisa! Porque você inicia uma revolução, uma decisão de cada vez, toda vez que respira. Só não volte para aquele lugar miserável para onde vai todos os dias. Mostre-me que é possível ser adulto e também ser feliz. Por favor.

Dois pontos altos do livro:
1. Leonard escreve o que chama de “Cartas do Futuro”, ficou lindo no livro e é um ótimo exercício para se fazer quando você não estiver nos seus melhores dias.
2. Notas de rodapé que são feitas pelo próprio Leonard, o que me pareceu uma forma ótima de interação.

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2 Discussion to this post

  1. Eu ainda não li nenhum destes livro, mas com certeza entraram para a minha lista ‘Desejados’ haha
    Excelente top 5, obrigada pelas indicações!
    Bjoss

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