As eras dos quadrinhos – A multiverse to read #002

Eeeeeee ai meus queridos multivérsicos! (Vou chamar de vocês disso, parece legal). Estamos cá de novo com mais uma edição da série A multiverse to read(som de eco). Da última vez nós vimos como que surgiram os vingadores nos gibis e a sua adaptação para as telonas, e iremos falar hoje sobre um pouco de história, UHUUUUW!

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NÃO NÃO NÃO VÉI, DORME AINDA NÃO! Eu sei que história pode não ser a coisa mais empolgante de todas, mas eu juro que vou tentar deixar esse post o mais divertido o possível! Tentarei colocar o maior número de piadas o possível (com a esperança de não ficar repetindo a mesma *cough*Homem Latão*cough*) e tentar ser, ao mesmo tempo, educativo. RÁ, ME FERREI NESSA NÉ? Mas bem, novamente, podem me chamar de Tião, agora que já temos mais intimidade, e vamos nos aprofundar nesse incrível mundo das histórias em quadrinhos/HQs/graphic novels/gibis/você entendeu né?

OBS: Irei focar nas eras de quadrinhos dos Estados Unidos, envolvendo principalmente Marvel e DC Comics. Porém, não se preocupem, não esqueci de vocês Turma da Mônica

Pré era dourada

Saca a muito tempo atrás? Tipo, meados dos anos 50. Não esses 50, lá pra 1850 (oh yeah, agora fomos longe). Nessa época que foram aparecendo os primeiros quadrinhos nos jornais europeus e americanos de uma maneira cartunesca e cômica. Mas esses quadrinhos eram bem semelhantes que nós encontramos em jornais do dia-a-dia hoje, geralmente satirizando algum acontecimento novo ou estado político e etc. Nesse período porém, surgiu um dos primeiros personagens de quadrinhos que seria recorrente em várias publicações o (famoso?) Ally Slooper. Ele surgiu nos tablóides britânicos e pode ser considerado o nascimento dos personagens e das histórias em quadrinhos, tendo em vista que rendeu várias publicações e era vendido (por, pasmem, 1 penny) em revistinhas avulsas dos jornais.

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Que coisa…interessante…não?

Os anos foram se passando e os quadrinhos foram ganhando mais popularidade. Novos personagens foram surgindo, como por exemplo, As aventuras de Tintin (vixe mãe, direto do túnel do tempo ein?). Sabe o que foi surgindo também? Nada de mais não. Só a Segunda Guerra Mundial. Daí vocês imaginam, a galera não devia estar lá muuuito feliz. Os seus amigos e familiares indo lutar e tal, precisavam de algo para animar o clima geral do pessoal. Eis que nós entramos na primeira grande era dos quadrinhos.

 

Era dourada (1938 – 1950)

Começamos e entrar em um reino conhecido agora. Essa era que alguns dos heróis mais famosos tiveram a sua primeira aparição? Quais você me pergunta? Ora bolotas, só esses.

  • Super Homem
  • Batman e Robin
  • Mulher Maravilha
  • Flash
  • Lanterna Verde
  • Aquaman (HELL YEAH)
  • Tocha humana
  • Namor
  • Capitão América
  • Capitão Marvel (conhecido hoje em dia como SHAZAM!)

Quais mais, você me pergunta? Ora cubos! Temos também

Bem, como vocês devem ter notado. vários heróis surgiram na época. Mas como tudo isso aconteceu?

Basicamente quem deu o pontapé na criação do esteriótipo de super herói foi ninguém mais, ninguém menos que nosso querido kriptoniano Super Homem. Em sua primeira aparição em 1948 no Action Comics #1, Super Homem era um cara com capa e colante, que ajudava as pessoas e promovia o bem.

Action_Comics_1Isso fez um sucesso danado, e inspirou as várias outras editoras a publicarem as suas próprias versões de quadrinhos. Dai foram nascendo vários heróis, e pá, e com o passar do tempo, foi nascendo também a guerra…

Após o estouro da segunda guerra na Europa, os quadrinhos tendiam a subir mais ainda de populariade. Porque, você me pergunta caro multivérsico? Pense só comigo: o período era de tensão.  Você é jovem, seu pai foi pra guerra, a notícia é que ta acontecendo o holocausto (literalmente) lá fora. Não é um período lá feliz. Eis que você tem os quadrinhos: histórias aonde o bem sempre vence o mal, heróis fazem boas ações e, bem…

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Mein Kampf: Die Wahre Geschichte

VOCÊ VAI NA BANCA DE REVISTAS E VÊ ISSO! Um herói chamado “Capitão América” dando um MURRO MÍTICO na cara do chefe dos vilões, Adolfinho. Na real, é de escorrer uma lágrima de emoção. A população precisava disso, de positividade. E os quadrinhos eram bons para transmitir essa confiança: histórias otimistas e fáceis de serem lidas.

Basicamente a época da guerra foi isso, heróis contras vilões, sem deuses nórdicos ou vilões intergalácticos pra vir causar o caos no planeta terra. Mas bem, graças ao Multiverso, a guerra acabou, e junto com ela a maior inspiração para os quadrinhos. E agora caro leitor, como será que os quadrinhos vão sobreviver? Sem os nazistas, quem o Capitão América vai socar na fuça? Bem, digamos que o humor se tornou negro

855969Caramba cara…que…mas…credo… *sigh* Heróis e vilões começaram a aparecer com base em…PODERES ATÔMICOS…na real, sou só eu que vejo a ironia nisso? Os Estados Unidos quase literalmente explodiram o Japão, mataram sabe se lá quantos brothers e criam um quadrinho de comédia com um rato atômico? E ainda me perguntam quem é o vilão nessa para toda (spoiler alert: não há vilões, nem heróis).

Bem, os poderes atômicos começaram a surgir, e temas de aliens também. Isso nos abriu as portas da criatividade dos autores, que não tinham mais que se preocupar com histórias de mocinhos e bandidos, mas temas mais complexos, e juntamente poderes mais extraordinários. É assim meus caros que terminamos a era de ouro e #partimos para…

 

Era prateada (1956 – 1970)

Estamos no período pós-segunda guerra. Não é lá também um período tão mais feliz que a era dourada, mas pelo menos não temos mais bombas explodindo pra tudo quanto é lado. Você deve ter reparado na data e pensado: “Mas pera, se a era dourada acabou em 1950, e a prateada começa em 1956, o que rolou nesses período do meio ai?”. Caro leitor, lembre-se que na histórias as datas são relativas, só querem nos dar uma referência para nos situarmos melhor no contexto político, social e econômico da época. Tendo dito isso, esse período de intervalo de 6 anos pode ser considerado um período de transição, aonde quadrinhos com características da era de prata começaram a sugir, e ao mesmo tempo quadrinhos da era de ouro se matinham populares na banca de revistas, mas eventualmente iam evoluindo para os temas da era de prata.

Sabe uma coisa interessante que aconteceu na época? O pessoal começou a relacionar os quadrinhos com violência. Tipo como fazer hoje em dia com videogames, filmes violentos e etc.? Pois então, essa época não é tão diferente em relação a mídias para jovens como hoje em dia. É bem simples: toda a mulecada adorava quadrinhos, os bonzinhos e os malandros. O problema é que ninguém fala dos bonzinhos, só falam dos deliquentes e marginais. Isso foi tão forte que levou a ser criado nos EUA o Comics Code Authority, que era basicamente um orgão para classificar os quadrinhos quanto aos temas e liberar a sua publicação, algo parecido como, por exemplo, o sistema de censura dos cinemas de hoje em dia.

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Selo de garantia do Inmetro Comics Code Authority

Na era de prata, o público começou a ficar um pouco enjoado dos quadrinhos, e queria histórias com mais sustança e maturidade. Isso levou na popularização de histórias de terror, suspense, e drama, diminuindo a popularidade dos heróis na época. Mesmo assim, vários dos heróis mais populares de grandes franquias surgiram, como por exemplo Flash e Homem Aranha. Porém, mais notavelmente, foi a criação de um grupo de super-heróis para combater vilões mais poderosos e brasileiros malvados.

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Mais uma sexta-feira no QG da Liga da Justiça

Preciso dizer se essa ideia da DC deu certo? Vamos pensar comigo: você é um muleque de 12 anos de idade em 1960, de boa na lagoa indo pra banca comprar sua revistinha. Daí você vê um gibi com Flash, Mulher Maravilha, Ajax, e principalmente, O REI DOS 7 MARES, SENHOR DA TORMENTA, CRIADOR DE ATLANTIS, PRIMEIRO DE SEU NOME, AQUAMAN. Na real, eu teria tido um ataque na hora. Só de ter o Aquaman já ia comprar todas as edições que o tio tem na banca eu pudesse comprar. E não demorou muito para as outras editoras roubaram pegarem emprestado a ideia e criar seu próprio grupo de super-heróis. Por exemplo, a Marvel criou o Quarteto Fantástico em resposta à popularidade da Liga da Justiça e, posteriormente, Os Vingadores.

TÁ NA HORA DO PAU

TÁ NA HORA DO PAU!

Outra característica interessante da era de prata era que os autores começaram a se tornar criativos com os poderos dos super heróis. As vezes, criativos até demaiso que começou a bagunçar um pouco a continuidade dos super-heróis. Um dos melhores exemplos é o nosso brother de kripton, Kal-El. Basicamente as histórias da era prateada do Super Homem se resumiam a:

  • Super Homem encontra algum problema/vilão;
  • Super Homem surge com um poder novo para resolucionar o problema.

A coisa ficou tão esquisita que, bem, isso aconteceu:

Mas O QUÊ???

Mas O QUÊ???

ELE DESTRUIU UMA GALÁXIA INTEIRA COM UM ESPIRRO. AI SENHOR, QUERIA ESTAR INVENTANDO ISSO AGORA, COMO QUERIA. Na real, quem achou que isso seria uma boa ideia? QUEM É QUE APROVOU ISSO??? Ainda bem o Super Homem não tem alergias a gatos ou algo do tipo, se não já era nossa terra…

Completando, a era de prata não foi lá das melhores eras para os heróis, tendo em vista que o pessoal queria histórias mais complexas, e complexidade não combina lá muito bem com pessoas de colante correndo na rua e lutando contra o crime, ou esPIRRANDO UMA GALÁXIA INTEIRA PRO INFINITO. Anyway, uma galera começou a pensar…e se a gente começasse a matar esse esteriótipo do herói e, se lá, deixássemos eles mais humanos. Eis que surge…

 

Era de bronze (1970 – 1985)

Finalmente começamos a entrar numa era menos fofinha e mais dark. Lembra que na era de ouro os quadrinhos tinha como grande tema a Segunda Guerra? Daí na era de prata eles resolveram usar temas mais lights e sobrenaturais, como aliens, deuses e etc. Bem, o pessoal voltou atrás. Mas nessa época não tava rolando nenhuma guerra propriamente dita (A Guerra Fria é exceção, mas não envolvia combates tão diretos, nem bombas estourando países vizinhos). Eles resolveram usar temas do cotidiano como ambientação, e isso nos trouxe heróis evidenciando e combatendo crimes como poluição, drogas e pobreza sempre deixando a zueira rolar solta.

Quer um dos melhores exemplos pra mostrar que a era de bronze as coisas se tornaram sérias, bem sérias? Saca só:

:'(

:'(

Não entendeu?

Odeio a vida

Odeio a vida

PORQUE VÉI, PORQUE? NA REAL? PORQUE? PRECISAVA DISSO MESMO? HORA FICO GRILADO POR CAUSA UM SUPER ESPIRRO. AGORA RESOLVEM MATAR, M-A-T-A-R UMA DAS PERSONAGENS MAIS DIVERTIDAS E NAMORIDA DO NOSSO QUERIDO ARANHA. ODEIO TODOS VOCÊS…

Deixando isso para lá, se é essa ferida vai algum dia cicatrizar, vamos voltar a falar de heróis e coisas mais felizes. A era de bronze começou a mudar drasticamente as histórias e personalidades dos nossos heróis. Eles largaram aquele molde de que “Sou super herói, sou bonzinho e perfeito” para se tornarem cada vez mais humanos, com conflitos internos e mostrando que, por vezes, o maior vilão não é um malfeitor com um plano maligno, é na verdade o demônio dentro de nós (que isso ein? até me escorreu uma lágrima escrevendo essa frase sqn). Um dos melhores exemplos, e um favorito meu, é o Homem de Ferro. Ele deixou de ser o Homem de Latão o playboy milionário que ajuda as pessoas e se tornou o playboy milionário alcoólatra.

É, ta fácio pra ninguém...

É, ta fácio pra ninguém…

Não só isso. Os autores criaram coragem e começaram a matar personagens (nada que George R. R. Martin não e fez acostumar) e criar heróis que não eram exatamente heróis, como O Justiceiro. Mais e mais temas adultos foram surgindo, e o público alvo começou a desviar um pouco. Agora adultos começavam a se interessar mais em quadrinhos, e alguns dos temas eram complexos demais parar serem acompanhados pelas crianças. Mas falando em crianças, elas não foram esquecidas.

Outro acontecimento da era de bronze que chama bastante a atenção são os grandes crossovers de heróis. Uma coisa é o Quarteto Fantástico, Vingadores, Liga da Justiça, grupos de heróis pré-determinados pra lutar com um vilão. Outra coisa é você pegar quase todos os heróis e juntar numa grande saga. Foi mais ou menos isso que rolou, tanto com a Marvel quanto a DC. Na Marvel, esse evento foi chamado de “Guerras Secretas“.

Homem Aranha todo fashion enquanto o pau qubra atrás dele

Homem Aranha todo fashion enquanto o pau qubra atrás dele

O mais legal pra mim é como essa saga aconteceu. Sente só:

A Mattel, empresa de brinquedos, queria fazer bonecos da Marvel, mas pra isso, eles pediram uma saga exclusiva para ambientar os heróis e poder chamar a atenção das crianças: elas iam ler os quadrinhos e, depois, ver que os personagens, veículos e etc. que estavam desenhados EXISTIAM em forma de brinquedos, ou seja, $$$ para todos. Beleza, agora o problema era o nome (e a parte mais legal). A Mattel fez uma pesquisa e descobriu que “Guerras” e “Segredo” eram as duas palavras que mais chamavam a atenção dos jovens, então resolveram batizar a saga de GUERRA SECRETAS. HUEHEUHEUHEUHE. ADORO MARKETING DIRETO. É que nem se eu fosse criar um partido político hoje em dia e chamá-lo de “Partido do Caixa Três, porque Dois é pouco”.

Indo para a DC agora, a sua saga foi a “Crise nas Infinitas Terras“.

Só consigo distinguir um robozão na capa

Só consigo distinguir um robozão na capa

Como vocês acham que surgiu essa saga? A DC usou as outras duas palavras mais populares, “Crise” e “Infinito” para batizar esse evento? HUEHEUHE, quem me dera. Na verdade, a DC mandou melhor nesse quesito que a Marvel, o evento tinha alguma utilidade além do de fazer maney.

Lembram do Super Homem espirrando uma galáxia e tal? Poisé, aparentemente não era só o kriptoniano que tinha poderes exagerados, todo mundo tinha, e alguns faziam as coisas se tornarem confusas, como viagem no tempo, transporte interdimensional e não sei mais o que. A DC resolveu fazer um grande evento para poder alinhas as histórias dos personagens e começar do “zero”, pra manter uma continuidade melhor para os seus heróis e poder desconsiderar várias coisas (que eu já citei nesse post). Foi uma sacada interessante da editora para resumir 50 anos de histórias de heróis e deixar tudo mais compreensível. Infelizmente a DC acabou se tornando dependente demais nessa método, mas depois falamos sobre isso.

Estamos chegando ao fim da era de bronze, e agora vamos para um território bem familiar a todos.

 

Era moderna (1985 – presente)

Uuuuh, chegamos agora no período moderno. Não vou enrolar muito aqui, porque imagino que vocês conhecem bem essa era. Vou citar somente os pontos mais interessantes e deixar para que vocês pesquisem por contra própria mais detalhes dessa era.

Bem, a era de bronze deixou sua marca com histórias mais profundas e maduras. Sabe o que é que a era moderna fez? Fez a era de bronze parecer história de ninar. Agora sim a coisa fica séria. Os autores viram que adultos também gostam de quadrinhos, e começaram a fazer histórias que trariam pesadelo a qualquer criança que ousasse chegar perto a um desses gibis. Um belo exemplo é Sin City e Watchmen.

Os gibis agora não tinham medo de usar violência, sexo, drogas, conspirações e histórias complexas, muito pelo contrário. Isso acabou que se tornou uma norma: qualquer gibi em um modelo mais clássico é fadado a ser um fracasso. O público se acostumou com ter de pensar para entender o enredo e trama que é apresentado. Tendo em vista isso, as empresas acabaram criando novos personagens desconexos do universo dos quadrinhos de heróis para tratar desses assuntos, e não ter de ficar espancando nossos queridos ídolos sem explicação, só para ter que ganhar um dinheiro extra.

Mesmo assim, os quadrinhos ainda possuem popularidade, e mais que nunca, os grandes eventos de crossover se tornam cada vez mais frequentes. Não sei quanto a vocês, mas ADORO isso, é uma desculpa ótima pra ver o que aconteceria se, sei lá, o Hulk dando um pau geral em todo mundo.

Tem tanta, tanta coisa que eu quero falar da era moderna, mas seria o bastante pra encher o blog com texto pra se ler no ano inteiro. Vou deixar para você, caro(a) multiversíco(a) ler mais sobre o assunto. Hoje em dia os quadrinhos não são somente “Marvel” ou “DC”, e vários gibis bons (e me atrevo a dizer, ótimos) podem ser encontrados em outras editoras. Saia da sua caixa de conforto e vá ler!

Por hoje é isso pessoal! Espero que tenham gostado desse resumão bem resumido resumidasso da histórias das eras dos quadrinhos. Não se preocupem, seu querido Tião retornará em breve com mais resenhas, comparações e histórias de ninar análises de quadrinhos para saciar a sua sede por conhecimento e heróis!

Vejo vocês na próxima!

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