Resenha: Claros Sinais de Loucura, Karen Harrington

Claros Sinais de Loucura Karen Harrington capa

 
Título: Claros Sinais de Loucura
Título Original: Sure Signs of Crazy
Autora: Karen Harrington
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Lançamento: 2014
Nota: ★★★★☆

 
 
 

Sinopse

Você nunca conheceu ninguém como Sarah Nelson. Enquanto a maioria dos amigos adora Harry Potter, ela passa o tempo escrevendo cartas para Atticus Finch, o advogado de O sol é para todos. Coleciona palavras-problema em um diário, tem uma planta como melhor amiga e vive tentando achar, em si sinais de que está ficando louca. Não é à toa: a mãe tentou afogá-la e ao irmão quando eles tinham apenas dois anos, e desde então mora em uma instituição psiquiátrica. O pai, professor, tornou-se alcoólatra. Fugindo da notoriedade do crime, ele e Sarah já se mudaram de diversas cidades, e a menina jamais se sentiu em casa em nenhuma delas. Com a chegada do verão em que completa doze anos, ela está cada vez mais apreensiva. Sente falta de um pai mais presente e das experiências que não viveu com a mãe, já se acha grande demais para passar as férias na casa dos avós, está preocupada com a árvore genealógica que fará na escola e ansiosa pelo primeiro beijo de língua que ainda não aconteceu. Mas a vida não pode ser só de preocupações, e, entre uma descoberta e outra, Sarah vai perceber que seu verão tem tudo para ser muito mais. Bem como seu futuro.

Enredo e personagens

Sarah Nelson tem quase doze anos, seu aniversário é dali a alguns dias, e algumas preocupações na cabeça. Um dos fatos mais marcantes de sua vida, aquele que norteou tudo o que diz respeito ao seu futuro, é que sua mãe tentou matá-la quando ela ainda tinha dois anos de idade, no processo acabou matando seu irmão gêmeo, Simon, e deixando tudo de ponta cabeça. Jane Nelson foi para uma instituição psiquiátrica, deixando para Sarah a história que a persegue e gruda em seu sapato como chiclete, uma vida superprotegida por todos os seus familiares que tem contato, a certeza de dois cartões postais por anos, um pai alcoólatra tentando não ser ausente e uma certeza, dentro do ser ainda imaturo de Sarah, de que a loucura também é seu destino.

Também sou um livro não lido. Estou esperando para saber o que acontecerá comigo.

Nem todo mundo reage às palavras da mesma maneira. Algumas são palavras-problema. Uma palavra problema muda a expressão da pessoa que a escuta. Amor pode ser uma palavra-problema para algumas pessoas. Loucura também. Eu sei bem.

É graças a esse incidente que Sarah e seu pai são obrigados a se mudar sempre que algum repórter ou conhecido descobre onde os protagonistas da história estão. Ela vê como um padrão as casas alugadas, sem vida, sem história, mornas e sem graça. Ela aprende a ser invisível para não se tornar foco dos dardos, aquelas pessoas que adoram provocar as outras na escola, e aprende a inventar mentiras, pequenas histórias para acobertar seu passado, mas que acaba virando um padrão natural.

É isso o que eu sou. Uma cripta de segredos. Eles se agitam dentro do meu peito como pássaros engaiolados que querem fugir, mas tem medo de voar.

Sarah é uma criança botando os pés no território da adolescência, no começo do livro, ela nos conta que tem dois problemas a frente. O primeiro é que as férias de verão estão chegando e ela terá que passa-lo na casa dos avós, sentindo o tédio a corroendo aos poucos. O segundo problema é o sétimo ano, mais especificamente a possibilidade de ter o trabalho de árvore genealógica para resolver junto ao medo de que descubram quem ela é. Isso sabemos porque ela compartilha em seu diário de verdade, ela tem dois, um para fachada onde se mostra uma criança feliz e normal, o outro é o que ela mostra seus verdadeiros sentimentos, palavras problemas, pesares, medos e qualquer coisa que acho que o mundo veria como um sinal de loucura.

Antes de sair de férias, no último minuto, seu professor de inglês, Sr. Wistler, passa um trabalho para as férias, mesmo que no próximo ano ele não vá ser o professor da turma: escrever palavras de verdade para alguém, qualquer pessoa, mesmo que fictícia, para ganhar um IPod Nano. Sarah começa escrevendo para sua mãe, naquele finzinho de aula, mas decide por algo menos íntimo, mas ainda pessoal: Atticus Finch, personagem de O Sol é para Todos, de Harper Lee. Sr. Wistler lê o que Sarah escreve e já a presenteia com o IPod, incentivando-a a escrever mais durante o verão. Ela mal sabe que com esse trabalho acabou ganhando mais um presente: um confidente que a acompanha durante os momentos difíceis dali a diante, além de Planta, sua planta de estimação e confidente mais confiável.

Quando você escreve as coisas no papel digo, é como se a sua mão soubesse mais que a sua mente. Não sei por que, mas é verdade.

O verão em si chega e é um momento exploratório e de descobertas. Sarah tem uma personalidade muito curiosa e pelo fato de conviver muito com seu pai Tom Nelson, que é professor, consegue manter conversas que muitas crianças de sua idade não conseguem, afinal, ela teve que ter um salto de maturidade inesperada. Por ter uma história de vida meio louca, tem outros interesses que divergem de sua idade, mas ao mesmo tempo são tão puros e cruas, como se tivesse visto o pior e ainda assim não perdido a esperança, mesmo que a vida mostre que tudo é diferente do que se passa em sua cabeça. Sarah passa as tardes com Charlotte, a vizinha que ela tanto admira, e seu irmão, Finn, e é a partir daí que ela tem contato com coisas que seu pai, super protetor ao extremo, não a possibilitaria de ter.

(…) sempre que comprar uma blusa nova ou algum creme para ficar bonita, vá e compre um livro na mesma hora. Também é importante embelezar a mente, não acha?

Minha opinião

Eu adorei o livro, principalmente pela condução que a personagem principal nos dá. Ela passa por aventuras em seu verão que mudam o rumo de sua vida, não são aventuras fantasiosas, mas daquelas que nós mesmos tivemos, como se apaixonar, desvendar mistérios de estranhos e descobrir segredos dos nossos pais e principalmente de nós mesmos. Alguns estalos que a vida dá, quando a gente pensa “ah, é mesmo” e percebe que o mundo se expande. Sarah é inteligente, mesmo que ainda tenha muito o que aprender e talvez seja essa uma diferença, ela quer aprender e sabe que ainda tem muito caminho pela frente. Além do mais, ela se abre às pessoas, ao que elas tem a dizer; não vemos aqui um personagem que se acha acima de tudo, a noção é um fator importante. Também acho que o livro vale a pena pelos personagens, todos são interessantes, mesmo que com participações pequenas.

Tenho um porém, mas quase o perdoo porque o desenvolvimento do livro é excelente. Achei o final rápido demais, achei que ficou faltando algo satisfatório ali. Quem sabe vem uma continuação em algum momento.

Considerações finais

A edição da Intrínseca ficou ótima, revisão excelente! O projeto gráfico está muito decente, com a diagramação e o espeçamento que propiciam uma leitura muito agradável, eles mantiveram a capa original, o que é muito bom, porque o outro livro da autora, Courage for Beginners (ainda não lançado aqui), traz uma unidade com ele. Espero que cheguem mais livros da autora por aqui, a escrita dela é apaixonante.

Se você gosta de livros jovens adultos com essa pegada de auto descoberta, cheias de realismo que você pode se identificar em algum momento, talvez goste de Diga aos Lobos que Estou em Casa, você pode ler a nossa resenha. Outro livro, que também tem uma adaptação para o cinema (com uma das melhores trilhas sonoras do mundo) é As Vantagens de Ser Invisível, também contendo cartas. Amo livros com cartas.

Autor

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Karen escreve desde criança, tendo um carinho muito especial pelos personagens que criou. Os livros sempre tiveram um espaço especial em sua vida, não se imagina não criando uma nova história e quando não está escrevendo está lendo ou cozinhando com a família. Seu primeiro livro foi um sucesso de público e crítica, se tornando um best-seller. Ela vive em Dallas com sua família e um cachorro muito sério e literário. Aqui o site dela, em inglês. Ela parece ser bem solícita e fofa com seus leitores e uma entusiasta da leitura, acima de tudo. Aqui tem a página do facebook dela e também o twitter, caso quiera dar um olá.

Aqui também uma imagem de um pirata segurando o primeiro livro de Karen, o que, segundo a autora, é algo que você tem que dizer às pessoas (resolvi ajudá-la nesse trabalho!)

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Selo de aprovação Capitão Jack Sparrow. Obrigada. De nada.

Compre o livro em: Amazon | Saraiva | Submarino | Livraria Cultura

Extras

Fazendo a pesquisa para a resenha, acabei descobrindo que Karen escreveu um livro adulto sobre Jane Nelson, a mãe de Sarah. Ainda não foi lançado aqui e não encontrei qualquer indício de previsão para lançamento. Abaixo a sinopse, em inglês.

 
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Jane Nelson is a loving mother of two who has drowned her toddler son and is charged with his murder in this powerful examination of love, loss, and family legacy. When a prosecutor decides Jane’s husband Tom is partially to blame for the death and charges him with “failure to protect,” Tom’s attorney proposes a radical defense. He plans to create reasonable doubt about his client’s alleged guilt by suggesting that Jane’s genetic predispositions contributed to her sudden snap. With the help of a woman gifted with the power of retrocognition-the ability to see past events through objects once owned by the deceased-the defense theory unfolds through an unforgettable journey into the troubled minds and souls of eight of Jane’s ancestors. Janeology deftly illustrates the ways nature and nurture weave the fabric of one woman’s life, and renders a portrait of one man left in its tragic wake.

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2 Discussion to this post

  1. Rafaela disse:

    Oi, Laryssa!

    Esse livro é tão lindo, né? Eu comecei lendo ele sem nenhuma expectativa, o que foi ótimo, pois pude me surpreender com cada passagem bonita e sensível escrita pela autora. Com certeza esse é um daqueles livros que podemos recomendar sem medo para a maioria das pessoas!

    A propósito, adorei as sugestões de leitura! Esse Diga aos lobos que estou em casa sempre me chamou atenção pela capa, mas uma vez vi alguém dizendo que não tinha gostado e meio que desisti dele (que horror, isso não se faz). Agora, quando eu quiser um livro fofo para me emocionar, já sei qual procurar, hehe.

    Beijos 🙂

  2. Laryssa Tavares disse:

    Oi, Rafaela!

    Achei o livro fofurinha demais mesmo. Daqueles que conversam com a gente, escritos pra gente.
    A capa de Diga aos lobos sempre conquista, né? Foi a primeira coisa que me fez querer dar uma chance ao livro, ouvi algumas coisas boas e ruins na época, mas quando comecei a leitura, fiquei feliz porque os sentimentos com relação a capa podem ser transbordados nas palavras. HAHA

    Beijos e até a próxima.

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