Resenha: Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo, Rachel Cohn e David Levithan

Naomi e Ely

 
Título: Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo
Título Original: Naomi and Ely’s No Kiss List
Autor: Rachel Cohn e David Levithan
Editora: Galera Record
Páginas: 266
Lançamento: 2015
Nota: ★★★☆☆

 
 
 

Sinopse

A quintessência menina-gosta-de-menino-que-gosta-de-meninos. Uma análise bem-humorada sobre relacionamentos. Naomi e Ely são amigos inseparáveis desde pequenos. Naomi ama Ely e está apaixonada por ele. Já o garoto, ama a amiga, mas prefere estar apaixonado, bem, por garotos. Para preservar a amizade, criam a lista do não beijo — a relação de caras que nenhum dos dois pode beijar em hipótese alguma. A lista do não beijo protege a amizade e assegura que nada vá abalar as estruturas da fundação Naomi & Ely. Até que… Ely beija o namorado de Naomi. E quando há amor, amizade e traição envolvidos, a reconciliação pode ser dolorosa e, claro, muito dramática.

Enredo e personagens

Naomi e Ely são melhores amigos e inseparáveis desde sempre. E eles continuaram amigos inseparáveis mesmo quando o pai dela e uma das mães dele tiveram um caso. Ely teve sorte e suas mães acabaram se acertando, mas a mãe de Naomi e ela própria não tiveram a mesma sorte e tiveram que lidar com fato de terem sido deixadas para trás.

Os capítulos são narrados por pessoas diferentes e já no primeiro temos contato com Naomi, que confessa mentir o tempo todo, nos mostra um quadro sobre gradações que o amor tem em todas as relações que temos na vida e admite que ama Ely mais do que de forma amigável. Somos apresentados a Lista do não Beijo, uma artimanha usada pelos dois para não brigarem pelos caras e preservar a amizade maravilhosa. Mas o que acontece é que Ely admite ter beijado o namorado atual de Naomi, Bruce, o segundo.

Existem muitas maneiras de se obrigar a tomar uma decisão. Fazemos isso o tempo todo, tomar decisão. Se realmente pensássemos em cada decisão que tomamos, ficaríamos paralisados. Qual palavra dizer agora? Para onde ir? O que olhar? Que número discar? Você precisa escolher quais decisões vai tomar, e depois esquecer o resto. É quando acha que há uma escolha com a qual corre o maior risco de se dar mal.

Tanto Naomi quanto Ely tem uma áurea de irresistibilidade, eles tiveram inúmeros namorados, paqueras e deixam um caminho de corações partidos por onde passam. Inclusive no prédio deles, um lugar no meio de Manhattan que abriga o maior número de lunáticos de todo o mundo. Quando Ely conta o ocorrido, Naomi parece não dar muita importância – ela nem gostava muito dele mesmo -, mas Ely não sente o mesmo e quando Bruce, o segundo, aparece em sua porta decidido a vê-lo e quem sabe conversar sobre tudo, logo antes de Naomi chegar em seu apartamento, Ely o esconde dentro de seu armário e pede que o espere. E então…. A briga épica do ano explode quando Naomi descobre.

“Como dói machucar as outras pessoas quando essa não é sua intenção, não é?”, perguntou ela. E respondi que sim. Como doía… Doía demais.

O livro vai seguindo durante a briga de Naomi e Ely. O prédio, que se divide a favor de um ou de outro, Ely que engata um relacionamento com Bruce, o segundo e Naomi que usa Bruce, o primeiro, como objeto para tapar o buraco que Ely deixou. E como temos várias narrações, temos vários pontos de vista sobre tudo o que a briga gerou na vida de todos.

E é nesse meio tempo que rola as descobertas, as coisas que estavam ali óbvias e que ninguém via ou queria ver, ou as coisas que você precisa que os outros façam pra te mostrar mais de si mesmo. Vemos isso não só com o par Naomi/Ely, mas com todos a volta deles. Parece que quando você perde um foco, tem mais tempo para pensar nas coisas em volta com clareza e ver a necessidade que ela demandam em sua vida.

Como é possível passar horas a fio todos os dias tentando de todas as maneiras descobrir quem você é, para de repente, com uma única frase, um quase estranho o descrever melhor do que você mesmo jamais seria capaz de fazer?

Por vezes o drama de tudo é demais para leitores menos obstinados, mas algumas sacadas ali são boas, as piadinhas implícitas. Naomi parece ser o tipo de menina que você quer ficar longe sempre que tem a possibilidade, passei a maior parte do livro pensando em como aquilo tudo funcionava na cabeça dela. Ely tem algo semelhante, e algo sobre ele ser um cara que brinca com sentimentos dos outros até sem querer foi meio irritante, mas eles percebem algumas coisas nesse briga importantes, como por exemplo, levar a amizade num nível mais saudável e entender que seu melhor amigo gay não vai se apaixonar por você.

(…) e percebo que, por mais que nos esforcemos, às vezes ainda parece que todos nós falamos línguas diferentes. Podemos até usar os mesmos significados, mas os significados são diferentes. E o erro não está em falar línguas diferentes, mas ignorar esse fato.

Minha Opinião

Eu coloquei como meta de vida ler todos os livros que conseguir de David Levithan depois de ler Um Dia e a Editora Galera Record está me ajudando a fazer isso ao trazer seus livros para o Brasil. Li alguns romances muito bons, que me fizeram adorar cada palavra, casa sentença e ideia, mas também li alguns que trouxeram um “Q” de decepção. David é dono de uma escrita fluída e de sacadas muito inteligentes, mesmo nos livros que não gostei muito consegui achar algo para me identificar. Outro ponto forte dele é sempre trazer algum personagem LGBT, de todos os tipos, o que acho muito bom.

Esse foi um livro que fiquei reticente em fazer resenha porque tenho uma opinião um pouco confusa sobre ele. Não morri de amores, mas tampouco odiei. Alguns personagens são apaixonantes, e você espera um desenvolvimento maior, mais intenso, já outros personagens você torce para que suma do livro imediatamente. Alguns fatos são interessantes, mas outros são supervalorizados.

Enfim, eu daria 2 estrelas e meia, mas vou arredondar para cima pelos pontos positivos, dá pra perceber que achei o livro mediano. Não é um livro que recomendo cegamente como leitura obrigatória, mas acho que algumas mensagens ali contidas são importantes: a amizade, a superação, ver seus erros e aprender com eles, a família e a força que você deve dar para ela. Não concordo com todas as decisões dos personagens, mas é isso aí, eles tem vida própria e tem que tomar a decisão por si só.
Vi que a parceria Cohn/Levithan conta com três livros: Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música (2009), Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo (2015) e Dash & Lily (será lançado esse ano), todos pela Editora Galera Record. Vou conhecer mais do trabalho dos dois juntos, que sabe mudo um pouco minha opinião a respeito desse livro.

Considerações finais

Para falar da edição preciso mencionar antes que amei essa capa, as cores, as fontes utilizadas para a composição do título e os nomes dos autores, e a figura que tem tudo a ver com a história. No que se refere a diagramação, segue o que a editora vem fazendo já com seus outros livros, o que acho muito propício para a leitura e para ficar bonitinho na estante com o mesmo formato dos outros.

Cada capítulo é narrado em primeira pessoa por um dos personagens, e são muitos. Isso é interessante para você tem uma noção mais abrangente das coisas, também gostei desse recurso porque você pode fugir um pouco dos personagens que não gostou tanto. No capítulos da Naomi é usado o recurso de pictogramas indicando que ela fala na linguagem de sinais, alguns bem óbvios de entender, outros você segue mais pelo bom senso (o que pode nem estar certo).

Autor

levithan

David Levithan é um editor de livros infantis e um autor norte-americano premiado. Publicou o seu primeiro livro, Boy Meets Boy, em 2003. A obra de Levithan tem provocado protestos de conservadores de direita. Levithan é um dos fundadores da editora PUSH, dedicada à Literatura para Jovens Adultos, e que é uma das marcas da Scholastic Press.

Você sabe mais sobre o autor em seu site, em inglês.

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Rachel Cohn
“A verdade é que as coisas mais interessantes na minha vida tende a emanar de minha imaginação e, em seguida, aparecem nos livros – a vida real, nem tanto. Mas no interesse de Ye Olde Book Report, aqui é a informação básica.”

Nasceu em 14 de dezembro de 1968 em Silver Spring, Maryland. Cresceu na área de DC (Maryland suburbano), mas também passou os verões da infância em Massachusetts ocidental com os avós, meio que sente que partiu de dois lugares. A partir do momento que eu aprendeu a ler e escrever estava sempre tentando criar histórias. Cresceu cercado por livros e pela família que eram educadores – o desejo e o incentivo para escrever veio rapidamente em casa. Saiba mais sobre os trabalhos dela aqui.

 

Compre o livro em: Amazon | Saraiva | Submarino | Livraria Cultura

Extra

O livro conta com uma adaptação que estréio em 17 desse mês na Outfest Los Angeles LGBT Film Festival. Como Naomi temos Victoria Justice e seu namorado Pierson Fodé será Ely.

Você pode se informar mais aqui e aqui.

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6 Discussion to this post

  1. Ah não amo David, agora fique com pé atras sobre esse livro, parecia ser tão promissor que pena, também me apaixonei pela escrita dele em TODO DIA.
    A editora trabalho muito bem com a diagramação a capa.

    coisasdemineira.blogspot.com.br

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Leticia,

      Ele tem umas ideias muito boas, mas às vezes falta conexão com a gente. Talvez esse tenha sido meu problema com esse livro, já que vi pessoas que gostaram muito. Eu sigo em frente, não desisti de dar uma chance pro David não.

  2. claudiana disse:

    Olá, tudo bem? Entrei para conhecer seu cantinho. Adorei as postagens. O blog está muito bem organizado. Aproveito a oportunidade e faço o convite para que me siga e me visite em meu cantinho também. Será um prazer te receber lá no blog. Beijos!!!
    http://encantosempontocruz-barbie.blogspot.com.br/

  3. Cissa Martins disse:

    Eu ouvi falar desse livro pela primeira vez no mochilão da record, e achei interessante, talvez pela forma que os ap

  4. Cissa Martins disse:

    (Enviei o comentário sem querer e não concluí)
    Talvez pela forma com q os apresentadores descreveram o livro (nossa ele é incrível! Tem um conflito e você fica querendo saber o que aconteceu! Etc) claro, eles estavam querendo vender o peixe e animados com o lançamento. Ainda achando interessante, acho que pra mim também vai ser mediano… Não sei se faz sentido… Mas quero ler sim! Bjs

  5. Laryssa Tavares disse:

    Cissa Martins, acho que tem mesmo que ler. Se te chama atenção em algo, vai em frente. Eu não descarto tudo do livro, só acho que vou com expectativa demais sempre que vejo que o David está no projeto. HAHA Talvez seja a época errada pra eu ler o livro também, vai saber.

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