Review: Song of the Sea

11181512_oriFicha técnica

Título: Song of the Sea
Dirigido: Tomm Moore
Elenco: David Rawle, Brendan Gleeson, Fionnula Flanagan, Lisa Hannigan, Lucy O’Connell, Jon Kenny, Pat Shortt, Colm Ó Snodaigh, Liam Hourican, Kevin Swierszcz
Lançamento: 2014
Gênero: Animação, Família, Fantasia
Classificação: 12 anos

Você pode começar a se apaixonar com o trailer!

 

Sinopse

Baseado nas lendas irlandesas dos Selkies, Song of the Sea nos conta a história da última criança-foca, Saoirse, e seu irmão Ben, que vão em uma épica jornada para salvar o mundo da magia e descobrir o segredo de seu passado. Perseguidos por bruxa-coruja Macha e uma série de criaturas antigas e místicas, Saoirse e Ben correm contra o tempo para despertar o poder de Saoirse e manter o mundo espiritual longe da perspectiva de desaparecer para sempre. Extremamente cativante para os adultos tanto quando para as crianças, Song of the Sea é um maravilhosa narrativa mágica e esplendor visual que está destinado a se tornar um clássico.

Enredo

Bronagh precisa deixar esse mundo como o conhecemos, atendendo a algum tipo de chamado, com isso Ben precisa lidar com a perda da mãe e o ganho de uma irmã – o que não pareceu muito justo aos olhos do menino -, além de ter seu pai cada vez mais ausente e devastado pela falta que falta que sente da esposa. Como forma de manter na memória a mãe, Ben passa a registrar todas as lendas típicas que sua mãe lhe contava e cantarolar as canções que embalaram os anos de relacionamento com ela. E como forma de externar a perda, a dor e a saudade, passa a tratar sua irmãzinha, Saoirse, cada vez pior, mesmo com a incumbência expressa de tomar conta dela.

Eles moram em uma ilha, onde há um farol (que é sua casa propriamente dita), e as únicas formas de chegar ao lugar são a barco ou balsa. A avó chega para o aniversário de Saoirse, e antes de qualquer coisa já expressa sua preocupação com o fato de a menina não falar, mesmo em idade já avançada. Junto ao pai e avó, Ben vê a atenção que a menina tem, o que provoca certo ciúme. No jantar organizado para a menina, quando ela vai soprar a vela do bolo e tirar a foto, ele acaba por forçar sua cabeça direto para o doce, causando certa comoção – a mágoa da garotinha e um castigo para o menino.

A avó, cada vez mais preocupada com a situação da família, com a distância do lugar onde moram, a descrença e infelicidade que persegue Conor, o pai dos garotos e seu filho, e as dificuldades que acabam por passar. Conor, não querendo ficar longe dos meninos, sempre passa por cima disso e se mantém firme, mas quando Saoirse descobre meio sem querer e meio guiada por forças mágicas o segredo que ele tanto guardou por anos e causa alguns pequenos transtornos, ele se vê obrigado a deixar que sua mãe leve seus filhos para a cidade.

No caminho, Ben já cria um mapa que possibilite sua volta para casa, para seu pai e para Cú – cão e melhor amigo. Com o tédio e a responsabilidades por certos problemas, eles fogem da avó (mesmo que Saoirse venha meio sem querer) e acabam descobrindo na aventura de volta para casa que as lendas podem não ser só história e que a garotinha, e todos os outros personagens, tem muito mais dentro de si para o mundo.

Personagens

Seguimos mais a aventura com Ben e Saoirse. Ele é loirinho, uma cópia do pai, já ela tem os cabelos negros da mãe, o que pode acabar causando certa dor pela saudade.

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Vimos um Ben menor, mas doce e amável, cheio de amor por seus pais e ansioso pela espera do irmão que estaria por vi, mas perder sua mãe foi um golpe duro demais, percebemos que ele por ser tão pequeno não sabia como lidar com aquilo, e o pai estava imerso demais na sua própria dor. Quando cresce um pouco, Ben é muito inteligente e criativo, divertido e carinhoso com aqueles que ama, mas bastante resistente a irmã. Ele é determinado e teimoso, o que pode ser confundido, mas seu coração é puro e ele caba fazendo o que é certo em sua missão.

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Saoirse é basicamente a personificação da fofura. É impossível olhar para ela e não sentir seu coração se derreter. Ela é doce, talvez puxando muito de sua mãe, pura e sinceramente devota a sua família. Uma coisa interessante é como ela segue seus instintos, como crianças, e sobretudo ela, conseguem deixar que as coisas as convença porque algo lhes diz que é certo e lutar por isso.

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Uma família muito das lindinhas, não é?

A mãe dos dois, Bronagh, não aparece muito. Ela parece ser um ser misterioso, atraente tanto por sua beleza como pelo encanto que exala. Sua voz, feita por Lisa Hannigan, combina tanto com essa aura especial que carrega. Devota ao marido e filhos, se vê obrigada a voltar para o lugar que pertence, talvez mesmo que seu coração diga para ficar.

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Conor é um homem rústico, simples, mas fiel a família. Ele evitou por anos ficar longe de seus filhos, fazendo o melhor que podia por eles. Percebemos o momento em que ele sentiu que devia dizer o “adeus” para que as crianças pudessem ficar bem e seguras.

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Existe uma infinidade de seres místicos e magia no ar. Cada um mais impressionante que os outros, cada um com um magnetismo e identidade impressionante. Eu não conhecia as lendas locais da Irlanda, então não tive nenhum tipo de reconhecimento ou familiaridade, mas nesse filme isso não é importante. Os personagens aguçam sua curiosidade e seu amor, porque você se apaixona por eles, por suas histórias, suas características e suas humanidades.

Produção e Minha opnião

Eu não sou uma grande crítica do cinema, não posso nem ser chamada de cinéfila, mas gosto de ver filmes que mexem comigo e causam emoções. Posso rir, chorar, me espantar, ansiar, encantar ou qualquer coisa que o valha, mas eu gosto de filmes que me digam algo e esse é um deles.

Ele foi lançado no ano passado, inclusive indicado a melhor animação no Oscar, mas só tive contato há algumas semanas. E que contato! Também foi nomeado e premiado em diversas categorias de outros prêmios, ganhando em algumas (o que é mais do que merecido), o que é notável. Tomm Moore tem um portfólio ainda curto na carreira de diretor, mas é o cara que você deve ficar de olho.

Primeiro me encantei pelas imagens, pelo estilo usado nas ilustrações (feitas pelo próprio diretor em parceria com o artista Adrien Merigeau) – o traço é a coisa mais encantadora e a sensação de tudo ter sido feito a mão todo todo o carinho -, as cores muito vívidas, pela forma como os personagens foram concebidos e principalmente o uso do 2D (técnica que anda meio em extinção no momento). Além de tudo, veio aquela pegada que a gente já sente com o Estúdio Ghibli e principalmente com as obras do Miyazaki, as lendas, o mundo espiritual e o caráter lúdico e aventura mágica que mais parece um sonho, além do forte apelo cultural.

Depois vem a história, como mencionada acima, e os acontecimentos vão te prendendo. O roteiro é de Will Collins baseada na história criada por Tomm Moore (já estou achando que quero me casar com esse cara). Pelo enredo você vai entender, mas há uma coisa que só assistindo se tem a real dimensão: pense em uma mistura da seção da tarde, com Disney anos ’90 e a Viagem de Chihiro. Você consegue sentir o apelo disso tudo junto? Não cheguei nem perto de conseguir explicar o que sentir. Desculpa, mundo!

E aí, como se tudo isso não bastasse, como se todo esse visual impressionante e história envolvente não fosse suficiente, você tem a trilha sonora. Ela cria uma ambientação tão gostosa e ao mesmo tempo que você sente ela por todo o filme, a música se mescla a tudo criando uma obra completa. As músicas foram compostas por Bruno Coulais com colaboração do grupo irlandês Kila que tem o toque certo de tradicionalidade. A parceria deu certo e é um deslumbre para os ouvidos. Em alguma músicas, os próprios atores cantam as músicas e isso só nos mostra o quanto a escolha dos atores foi acertada.

Creio que o filme seja um banquete completo para todos os sentidos e também para todas as idades, daquele tipo que cada um tira a sua própria mensagem. Posso estar me arriscando ao dizer isso, mas assista, não vai haver arrependimento. Um dos grandes motivos para falar desse filme, mesmo não sendo a novidade do momento, é que ao terminar o filme, me veio a sensação de que todo o mundo precisava ter a mesma experiência que eu (ou sua própria experiência, ‘cê que sabe).

Curiosidades

significa literalmente “cachorro ou cão de caça” na língua gaélica.
– Em uma das cenas em que Saoirse e Ben estão andando pela cidade, um close-up da icônica estatua de Molly Malone pode ser vista brevemente, o que pode indicar que eles estão andando pelas ruas de Dublin na Irlanda.
– Bem no comecinho do filme as seguintes falas pertencem a “The Stolen Child” do poeta irlandês William Butler Yeats, que também é uma força por trás do Renascimento Literário Irlandês: “Come away, O human child!/To the waters and the wild/With a faery, hand in hand,/For the world’s more full of weeping than you can understand.”
– Havia quatro estúdios envolvidos na criação deste filme, são eles: Cartoon Saloon, Denmark, Belgium, e Luxembourg.
– O personagem Aisling de “The Secret of Kells” (do mesmo diretor) pode ser vista a bordo do ônibus onde Ben e Saoirse entram.
– O desenho de Ben em seu livro foi feito por Julian Erlinghause, o filho do diretor-assistente Fabian Erlinghause.
– “Saoirse” significa “liberdade” em irlandês. “Bronach,” o nome de sua mãe, significa “triste, infeliz”.
– Um versão animada do diretor Tomm Moore pode ser vista ao fundo durante a cena em que Ben e Saoirse passa pela estátua de Molly Malone.
– Quando Saoirse está perseguindo as partículas brilhantes pela escada de sua casa, é possível ver que sua sombra se assemelha mais a de uma foca do que de um humano.
– O pub que Connor visita é chamado Ó Mórdha, isso é uma das versões irlandesas do sobrenome do diretor Tomm Moore.
– Uma das crianças que pedem doces na rua, no dia do Halloween está segurando uma lanterna feita de nabo. Essa prática era muito comum na celebração original celta da data, onde lanternas eram esculpidas em vários vegetais de raiz.
– Tomm Moore afirma que o filme é baseado em vários aspectos de sua infância. Por exemplo, o filme é ambientado em outubro de 1987, quando Moore lembra como chuvoso e ventoso. Além disso, alguns personagens também se relacionam com sua família e animais de estimação de memórias, imagens, etc.
– Selkies são o povo-foca conhecidos na cultura escocesa e irlandesa, é dito que eles rastejam até a terra pela noite e se transformam em lindas mulheres e maravilhosos homens com poderes sedutores sobre os humanos. As fêmeas podem se casar com humanos, sendo inclusive boas mães e esposas, desde que o homem esconda sua pele de foca, porém, se ela encontrar essa pele, mesmo já tendo filhos, ela sentira o instinto incontrolável de voltar para o mar e se transformar em foca assim que pisar no mar.

Extras

Se até agora, com tudo que eu disse, você ainda não está convencido a assistir esse filme, segue mais algumas imagens que vão finalizar meu trabalho, levando você a procurar o filme assim que acabar de ler esse post.

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Já emenda a cessão fofura com o outro filme do diretor The Secret of Kells, que eu mal conheço e já considero pakas!

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