Resenha: A Playlist de Hayden, Michelle Falkoff

 
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Título: A Playlist de Hayden
Título Original: Playlist for the dead
Autora: Michelle Falkoff
Editora: Novo Conceito
Páginas: 288
Lançamento: 2015
Nota: ★★★☆☆

 
 
 

Sinopse

Depois da morte de seu amigo, Sam parece um fantasma vagando pelos corredores da escola, o que não é muito diferente de antes. Ele sabe que tem que aceitar o que Hayden fez, mas se culpa pelo que aconteceu e não consegue mudar o que sente. Enquanto ouve música por música da lista deixada por Hayden, Sam tenta descobrir o que exatamente aconteceu naquela noite. E, quanto mais ele ouve e reflete sobre o passado, mais segredos descobre sobre seu amigo e sobre a vida que ele levava. A PLAYLIST DE HAYDEN é uma história inquietante sobre perda, raiva, superação e bullying. Acima de tudo, sobre encontrar esperança quando essa parte parece ser a mais difícil.

Enredo e personagens

Sam toma a iniciativa e vai até a casa de Hayden, seu melhor amigo, para resolver tudo depois da pior briga que tiveram. Ele espera que uma boa e racional conversa resolvam as besteiras que um disse ao outro. Porém, no lugar de desculpas, Sam ouvi o silêncio. No lugar de uma resolução, Sam ganha um pen drive com músicas e a seguinte instrução em uma folha de papel:

Para Sam.
Ouça, Você vai entender.

A partir daí, as músicas vão guiando as ações de Sam, talvez não tão conscientemente, mas de alguma forma ele sempre vai se lembrando delas enquanto tenta em seu máximo superarentender o que aconteceu com Hayden. Às vezes as músicas o deixam saudosista e ele sente que sabe o exato motivo de estar naquela lista, e às vezes, ainda que o título da música esteja no início do capítulo (facilitando bastante a vida dos leitores) ele consegue ficar mais confuso do que esclarecido. A dor, a saudade e a consciência pesada só o atrapalha a seguir em frente, como se de alguma forma ele não pudesse nem pensar nessa possibilidade.

Tinha tanta gente por aí que todo mundo considerava boa e que claramente era terrível, então por que considerar que estar do lado bom era melhor que estar do lado ruim?

Ele culpa tanta gente, além de si mesmo. Ele era o melhor amigo de Hayden, então além de pensar que deveria saber mais sobre as sequelas que o bullying e as agressões físicas e morais geraram, que poderia tentar evitar se ao menos estivesse lá, ele também fica inconformado por Hayden ter chegado a ver essa atitude como última saída.

Todos são pensamentos que martelam sua cabeça e quando, no velório do melhor amigo, encontra os possíveis causadores das amarguras do amigo se deixa levar, interpelando sobre a hipocrisia de todos os presentes que acharam digno fazer um discurso emocionado sobre quem ele foi e o que ele deixou para trás. Resultado: ele apanha da trifeta do mal, composta pelo irmão de Hayden, Ryan, e seus amigos.

A gente andava junto há tanto tempo que eu sentia que seria uma traição admitir para ele o quanto eu era solitário, mesmo o tendo como amigo, e acabou que Hayden se sentia do mesmo jeito, o tempo todo.

Cansado de tudo, machucado e desanimado, Sam acaba indo a loja de produtos colecionáveis, sua primeira vez sozinho, e é seguido por Astrid e Eric, que parecem ser os únicos que de fato sentiram o peso e o vazio da morte. E é isso, junto a algumas possibilidades que se abrem na vida de Sam, que fazem com que as coisas talvez sejam mais claras e talvez ele, no fim, se sinta mais maduro.

O que me fez pensar se todo mundo tinha uma vida secreta, aqueles aspectos da gente que não combinavam com o que parecem ser.

Algumas pessoas tentam ajudar, a mãe, que mesmo trabalhando demais para sustentar sozinha a família, tenta ao máximo estar presente. A irmã mais velha passou anos praticamente o ignorando, mas não o deixa sozinho e seu novo namorado, que coincidentemente passou pelo mesmo que ele. Além do orientador da escola, com a ajuda profissional. Astrid e seus amigos também aparecem ali para somar.

Porém, a solidão é um fardo que se torna cada vez mais pesado com o tempo.

Minha opinião

A história ia bem e bastante instigante. A ânsia e expectativa por esse livro era grande demais na minha vida por dois motivos: o tema principal e a presença de uma playlist que seria parte concreta do desenrolar dos fatos.

Suicídio é um assunto que deve ser tratado com muito cuidado, com muita delicadeza e muita – ênfase no muita – sensibilidade. E quando a isso está somado uma grande parcela de bullying isso mexe ainda mais comigo. Acho que fui esperando um novo Os treze porquês e dei com os burros n’água.

Como eu disse, a coisa foi indo super bem, fluída e cativante. É possível sentir a dor e confusão do Sam, e a ideia de músicas que deem uma certa explicação pode ser fantástica, acho que todos que passam por uma situação semelhante pensam vez ou outra no que pode ter levado uma pessoa a tomar esse passo final. O problema é que em algum momento do livro Michelle se perdeu, ela quis criar coisas demais para justificar, por vezes forçando situações, forçando motivos, forçando comportamentos.

Foi ele quem deixou todos nós ali, tentando descobrir o que havia acontecido, impossibilitados de falar que sentíamos muito, para fazer a coisa certa.

Tá certo que cada um se sentia um pouco culpado, tá certo que quando você perde alguém que ama acaba querendo culpar o mundo e se revoltar e se vingar e etc, mas chegou um ponto que não era crível que as coisas tomassem aquele rumo e acabei achando até meio infantil demais.

Resumindo tudo, o livro deixou muito a desejar no desenvolvimento do problema central: o bullying que Hayden sofria e o subsequente suicídio. O aprofundamento foi muito pouco e a mensagem quase inexistente. Faltou ousadia, no final das contas.

Considerações finais

Ótima edição da Novo Conceito, normalmente eles usam espaçamentos generosos, e esse livro não fugiu a regra. O livro é narrado em primeira pessoa, ou seja, a gente sente o que Sam sente, uma aproximação bem vinda. Casa início de capítulo apresenta uma música, que será mencionada e explicada dentro do capítulo em si – mais ou menos -. Não sou a maior fã dessa capa, acho simplista demais, mas de um jeito meio que ruim, mas ela também não é das piores existentes.

Agora, se você se interessou sobre o assunto do livro, você pode gostar muito de Os treze porquês , do Jay Asher, que é incrível. Você também pode se interessar por A Lista Negra, da Jennifer Brown, que mesmo não focando muito no suicídio tem uma tratamento muito especial e emocional ao bullying. E também temos Por Lugares Incríveis, de Jennifer Niven, resenhado pelo Ju, que tem uma boa dose dos dois.

Autor

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Michelle Falkoff é graduada pela Iowa Writers’ Workshop e hoje é a Diretora de Comunicação e Lógica Jurídica da Northwestern University School of Law. A PLAYLIST DE HAYDEN é o seu primeiro livro.

 

Compre o livro em: Amazon | Saraiva | Submarino | Livraria Cultura

 

Extras

A novo conceito fez um hotsite com a playlist, você pode conferir aqui. E se quiser os títulos separadinhos, está aqui:

How to Disappear Completely – Radiohead
Crown of Love – Arcade Fire
Mad World – Gary Jules
Invisible – Skylar Grey
One – Metallica
Pumped up Kicks – Foster The People
I Don’t Want To Grow Up – Ramones
Diane Young – Vampire Weekend
Smells Like Teen Spirit – Nirvana
One Step Closer – Linkin Park
The Mariner’s Revenge Song – The Decemberists
Adam’s Song – Blink
Alison 1977 – Elvis Costello
This Is How It Goes – Aimee Mann
Despair – Yeah Yeah Yeahs
On Your Own – The Verve
Let It Go – The Neighbourhood
Say Something – A Great Big World & Christina Aguilera
Everybody knows – Leonard Cohen
How To Fight Loneliness – Wilco
Conversation 16 – The National
Last Goodbye – Jeff Buckley
Hurt – Johnny Cash
For Emma – Bon Iver
Cosmic Love – Florence + The Machine
The Mother We Share – Chvrches
It’s Only Life – The Shins

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