Catarse, experiências

O que é Crowdfunding, afinal?

Para chegarmos a algum lugar, antes é preciso você entenda o que é crowdfunding ou financiamento coletivo. Consiste na arrecadação de fundos para se chegar a uma meta viabilizando a produção de algum tipo de material, não necessariamente cultural. A ideia é bem simples: você tem um projeto que pode interessar a algumas pessoas, a internet te ajuda a tornar esse projeto conhecido, e em troca dessa ajuda financeira, você oferece algum tipo de recompensa previamente estipulada, que pode ou não ser físico.

Com o financiamento coletivo, é possível alcançar um número infinito de pessoas sem limitação espacial, graças ao meio digital. Mesmo com o campo legal ainda bem iniciante no que se refere a esse tipo de projeto, a confiança é lei, e o amor e carinho tanto dado quanto recebido – no que se refere a apoiadores e a apoiados – é tão grande que não há espaço para ações negativas. Também é possível contar com inúmeros sites de financiamento que ajudam a tirar os projetos apenas do campo das ideias, facilitando transações e comunicação entre todos os envolvidos.

Dito isso, vamos para minha experiência de fato. Conheci a iniciativa em 2013, quando minha amiga, baterista da banda Girlie Hell, lançou o projeto para lançamento de seu vinil. É claro que naquele momento o que falou mais alto foi a amizade, mas é impossível não se contagiar com a vontade de fazer algo importante para alguém acontecer. Eu doei R$ 20,00 reais, mas foi uma pequena parte de um todo muito importante. E é essa a graça, alguns reais que podem não fazer tanta diferença para você, faz o trabalho de alguém que ama o que faz ir adiante, porque normalmente nesse tipo de financiamento ou a meta toda é alcançada ou o dinheiro volta aos apoiadores e o projeto volta a estaca zero.

Em 2014 eu ainda dava uma olhada aqui ou ali, tentando ver algum projeto que eu poderia me interessar. Nem sempre o mês fecha e nem sempre ficamos tão atentos ao que está acontecendo, já que há diversos círculos de desenvolvimento de projetos, como eu disse, não só cultural.

Caso esteja interessado, você pode ver o projeto já finalizado da Girlie Hell aqui. E seguir seu instagram aqui.

Aprendendo a pedir

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No início desse ano chegou aqui o livro da Amanda Palmer pela Editora Intrínseca, e eu fiquei louca porque já estava morrendo de vontade de ler. Comprei o ebook de “A Arte de Pedir” assim que possível – me arrependo, deveria ter comprado o livro físico (pode me doar um, Editora Intrínseca) – e quando acabei, dei belas 5 estrelas.

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Amanda é uma artista múltipla, o que me deixou mais encantada é a conexão que ela tem com os fãs, que são seus amigos e família. Nem sempre as coisas foram fáceis para ela, e no livro podemos seguir a trajetória de sua vida profissional que está sempre se misturando a sua vida pessoal – não são ambas a mesma coisa? Ela já foi estátua viva, vivendo do que os transeuntes podiam doar e dando em troca um momento de amor. É algo mágico, mas ela sempre diz que ama aquelas pessoas, todas elas, e passa isso naquele olhar que trocam. Com a Dresden Dolls, banda que formou junto a Brian Viglione e seus músicos de apoio, sempre contou com ajuda dos fãs financeira, emocionalmente e o suporte – por vezes dormindo em seus sofás e comendo da comida que podiam conseguir com eles.

Amanda menciona em seu livro, na tentativa de passar um pouco o aprendizado que adquiriu, que a transparência com aqueles que acompanham seu trabalho, o ato de sempre dar algo em troca e compartilhar algo de sua vida, e o amor são segredos do sucesso. Depois de ter vários problemas legais e financeiros com sua gravadora, ela lançou um projeto no Kickstarter e teve o projeto mais bem sucedido, conseguindo um montante de $1,192,793. A verdade é que, ela sempre inseria seus apoiadores na luta para conseguir sua meta – e passar dela -, isso fazia com que o projeto foi cada vez mais daqueles que doavam pouco ou muito, porque apesar de haver diferentes tipos de recompensas – que variam com o valor da doação – não há qualquer discriminação porque cada dólar ali era um pouco de amor.

Você é artista quando diz que é. E é um bom artista quando faz outra pessoa sentir ou vivenciar algo profundo ou inesperado.

Apesar de esse post não ser uma resenha desse livro, recomendo muito a leitura de “A Arte de Pedir”, mesmo aqueles que não estão pensando em lançar um Crowdfunding. No livro a gente tem tantos aprendizados, com tantas gradações de significações, porque o relato da Amanda é bastante pessoal e conectivo.

Caso esteja interessado, você pode ver o projeto já finalizado da Amanda clicando aqui. E seguir seu instagram aqui.

Aqui você tem uma palestra que ela deu para o TED em 2013. Vale super a pena dar uma olhada também. É bastante inspirador. Se você não fala inglês, no vídeo tem a opção de legenda.

O Catarse e seus tesouros

Existe uma variedade de sites para crowdfunding , tanto nacionais quanto internacionais. As regras são variadas, você pode ver qual se encaixa melhor dentro do seu projeto. Não é minha intenção falar detalhadamente sobre cada um deles, então vou focar na minha experiência com um, o Catarse. Mas sinta-se a vontade para pesquisar mais sobre o assunto, se achar alguma coisa que queira compartilhar com a gente, fica a vontade para continuar a conversa nos comentários.

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Você pode ver nessas imagens, retiradas do próprio site do Catarse, que eles tem uma preocupação grande com todos os envolvidos no projeto. Desde as empresas envolvidas, sua equipe interna, os idealizadores dos projetos e os apoiadores. Com essa ferramenta, é possível que todos se sintam seguros para se jogar nesse campo que não ultrapassa as ideias.

Eu acabei ajudando basicamente quadrinhos, porque é algo que me identifico bastante, mas você pode ir na barra de “Explore” e conhecer todos os projetos e áreas. Alguns quadrinistas conhecidos que tiveram seus projetos bem sucedidos foram Bianca Pinheiro (bastante conhecida por sua webcomic “Bear”), Pedro Leite (dos “Quadrinhos Ácidos) Sirlanney (que faz quadrinhos “Magra de Ruim” no formato impresso) e Lovelove6 (que teve seu projeto “Garota Siririca” levado a outra plataforma), Zine XXX (quadrinho coletivo feito por mulheres).

Nesse ano consegui ajudar três projetos até agora e vou falar um pouco mais deles a seguir.

Valquírias, por Juliana Fiorese

Conheci o trabalho da Juliana há muito tempo, quando ela mandou um desenho para a Tati Feltrin do Tiny Little Things e adorei o traço dela. É muito único e marcante, com uma personalidade que encaixe muito bem nos personagens que cria.

Nesse livro temos diversas personalidades, de deusas nórdicas até personagens de filmes, livros e jogos que amamos, retratadas com uma delicadeza, mas sem deixar de mostrar a força feminina. É um ode a mulher! Temos, por exemplos, Frigga e Freya, a Tempestade, Mulher Gavião, Mulher Maravilha, She-Ra, Pocahontas e Galadriel – só para mencionar as minhas favoritas – com tanta representatividade para não esquecermos suas histórias.

Segue aqui algumas imagens do trabalho dela em “Valquírias”:

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No pacote de recompensa de RS 25,00 veio o livro impresso, com uma dedicatória linda feita a mão, um marcador de página do projeto, dois cartões postais, um adesivo, uma tag que é um papel semente (você pode plantá-la) e muito carinho, isso dá pra perceber já pela embalagem.

Aqui algumas fotos do que chegou para mim:

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Caso esteja interessado, você pode ver o projeto já finalizado da Juliana clicando aqui. E seguir seu instagram aqui. Você pode também adquirir o livro em sua lojinha aqui, confere que tem muito mais lá pra você.

Navio Dragão, por Rebeca Prado

A Rebeca traz pra gente a Lif, uma pequena Viking com o humor mais azedo do mundo, mas que na verdade é um pouco do que somos em algumas manhãs em particular. Todas a tirinhas são feitas em aquarela, com cores bastantes vivas (o que faz sentido, já que Lif é uma ruivinha bem marcante).

Adoro o que a Carol Rossetti (você conhece ela? Não? Dá uma olhada no projeto “Mulheres” aqui), diz na contra-capa, acho que descreve muito bem o livro:

Este livro contém aquarelas explícitas envolvendo sangue, mutilação, escalpos, membros decepados, campos de batalha, armas vikings, linguagem violenta e mau humor matinal.
Mas foi a Rebeca Prado que desenhou tudo, então é só fofura.

Segue algumas fotos do trabalho final:

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No pacote de recompensa de RS 25,00 veio o livro impresso, com uma dedicatória bem a cara do livro, feita a mão, um livretinho do Carne (cãozinho da Lif) com algumas histórias fofas e também com uma assinatura fofa, um marcador de página incrível e um card assinado.

Abaixo algumas fotos das recompensas:

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Caso esteja interessado, você pode ver o projeto já finalizado da Rebeca clicando aqui. E seguir seu instagram aqui.

Pétalas, por Gustavo Borges e Cris Peter

Esse foi outro projeto que consegui ajudar esse ano. Eu não conhecia o trabalho do Gustavo, mas tive contato com o da Cris pela HQ do Astronauta Magnetar e Singularidades do Danilo Beyruth, ela é responsável pela cor. No na página do projeto, temos um vislumbre muito significativo do que está por vir. Ainda não recebemos nossas recompensas, a Juliane também ajudou esse projeto, mas pode ter certeza de que vamos trazer uma resenha desse livro incrível para vocês. Fiquem ligados.

Caso esteja interessado, você pode ver o projeto já finalizado do Gustavo e da Cris clicando aqui. E seguir o instagram do Gustavo aqui e o da Cris aqui.

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Discussion about this post

  1. Ana Lidia Moraes disse:

    Adorei! Já quero o da Rebeca

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