Quais são os seus bons segredos?

“Os bons segredos” conta a história de uma família que possui dois filhos: Peyton e Sidney, com futuros bastante promissores, até que o filho mais velho começa a se envolver com drogas e más influências e esse comportamento pode colocar todos os seus planos em risco. E o de sua irmã, Sidney também.

‘Os bons segredos’ é um YA de prato cheio. Possui todos aqueles elementos que esperamos de um livro do gênero: adolescentes, drama, perdas e descobertas, mas ainda assim, consegue se destacar perante os demais e vou mostrar o porquê.

Sidney é a filha mais nova de uma família de classe médio-alta, ela e seu irmão cursam o ensino médio em um colégio particular e praticam diversas atividades extracurriculares. A garota sempre se orgulhou da imagem do seu irmão mais velho, protetor e corajoso. Porém esse cenário muda quando Peyton começa a se envolver com novas amizades suspeitas, usar algumas drogas e cometer pequenos delitos.

Acompanhamos a família de Sidney se afligir e desmoronar com a continuidade e evolução dos feitos de Peyton. O rapaz passa a usar drogas mais pesadas, furtas seus vizinhos e se distanciar cada vez mais do futuro promissor que tinha pela frente e pelo qual seus pais tanto trabalharam. Peyton, após passar um bom tempo “limpo” e sem se envolver em nenhum tipo de confusão sai dirigindo de madrugada bêbado e atropela o David Ibarra, que voltava para casa após ter adormecido e perdido a hora na casa de um amigo, deixando o rapaz paraplégico.

Havia tanta coisa ainda por vir, algumas conhecidas e, infelizmente, outras novas em folha. Meu irmão nunca mais seria o mesmo. Eu nunca mais passaria um dia sem pensar em David Ibarra pelo menos uma vez. Minha mãe ia continuar lutando, mas tinha perdido algo. Nunca mais seria capaz de olhar para ela e não dar por essa falta. Tantos “nuncas”. Mas naquele momento, só abracei meu pai e cerrei bem os olhos, tentando fazer o tempo parar de novo. Não funcionou.

Conhecemos no dia do julgamento, Ames, um amigo de Peyton da reabilitação, que sempre esteve muito próximo da família e sempre tentou demonstrar apoio. Porém é visível a repulsa que Sidney sente do rapaz e percebemos também que a garota sempre tenta evitar qualquer tipo de contato com ele. Após o julgamento, Peyton é sentenciado a cumprir sua pena em regime fechado e vai para longe de sua família.

… É melhor a gente se concentrar em seguir adiante. Na primeira vez que ouvi essa frase, fiquei pensativa. Lá pela quarta ou quinta, entendi o que ela realmente queria dizer. Eu olhava para David Ibarra e só enxergava vergonha e arrependimento; minha mãe só enxergava Peyton. Daquele momento em diante, tive certeza que não importava o que víssemos, nossas perspectivas jamais seriam as mesmas.

Com a condenação do Peyton, Sidney muda de escola em busca de um novo começo: um local onde ela não seja conhecida e não a liguem imediatamente a seu irmão. Apesar de os pais não estarem passando dificuldades financeiras, a garota escolhe se mudar para uma escola pública para economizar, já que os gastos com advogados e afins estavam criando um déficit nos bolsos da família.

Minha mãe estava na cama, e meu pai, trancado no escritório numa ligação. Eu tinha feito a coisa certa. Eu sempre fazia. Seria bom se alguém notasse.

Um dia, ao sair da escola, a protagonista encontra uma pizzaria próxima e decide ficar lá por um tempo, já que não queria voltar para casa e se deparar com todo aquele sentimento ruim de estar lá e nada ser igual a antes. Na pizzaria Sidney conhece Mac, Layla e eventualmente o restante da família. A adolescente se torna muito amiga de Layla e ao se aproximar cada vez mais da família, passar a ver como uma família um pouco mais funcional que a sua deveria tratar todos os seus integrantes. Com o passar do tempo, Sidney começa a moldar uma nova pessoa que ela quer se transformar e um novo cenário familiar ao qual gostaria de pertencer, mas obviamente, as coisas não saem como planejado. A família de Peyton, principalmente sua mãe, trata a situação do filho como se ele apenas estivesse em uma faculdade distante, nunca assumindo que o filho estava errado ou que precise pagar pelo o que fez. E esse cenário de estende por grande parte do livro.

Não pela primeira vez, comecei a pensar se não seria esse o motivo de eu estar tão obcecada com David Ibarra e sua vida pós-acidente. Alguém precisava carregar a culpa. Se meus pais não podiam – ou não queriam -, só restava eu.

Minha opinião

Infelizmente, achei a Sidney do começo do livro muito submissa, muito passiva com os acontecimentos ligados a ela e a sua vida. Sei que, até certo ponto, isso foi intencional da autora para desenvolver a evolução da personagem, mas queria ter visto alguma personalidade desde o começo do livro.

Eu acho que não tem nada de vergonhoso em tentar consertar as coisas. É melhor do que simplesmente aceitar o estrago.

Sobre os pais dos irmãos: fiquei incrédula e nervosa ao mesmo tempo, pois de início somos apresentados a pais que claramente tem um filho favorito e não medem esforços para demonstrar isso, além de serem um tanto alienados e ignorarem os problemas em que o filho se mete e/ou culpar outra pessoa e negligenciar a outra filha. E esse cenário foi pintado várias vezes durante o livro e o fato de que nada mudou (a mentalidade dos pais ou a submissão da filha) durante boa parte do livro, me fez pensar que talvez nada fosse mudar mesmo.

As relações evoluem, como as pessoas. Conhecer alguém não significa conhecer tudo sobre esse alguém. Mesmo que seja seu irmão.

O que mais me deixou surpresa foi o fato de eu conseguir me identificar muito com a história e com a protagonista, de tal forma que eu pensava em alguns momentos “ela me usou de inspiração”. Por isso fiquei tão indignada quando via Sidney em situações em que eu esperava que ela tivesse feito alguma coisa, que alguém tivesse tomado alguma atitude, mas que nada foi feito.

O fato de uma pessoa não falar sobre algo não significa que não pense nisso. Na verdade, em geral é justamente esse o motivo para a pessoa não falar.

Fato é que o livro despertou muitas emoções em mim, de todos os tipos, e tenho a impressão que esse era o objetivo da Sarah Dessen o tempo todo: fazer com que sentíssemos empatia. Não falo só pela Sidney, por todos os personagens que experimentaram dificuldades e problemas pelo menos alguma vez durante o livro: fossem os pais dos irmãos, Peyton, Layla, Mac ou os demais. E por isso, tenho que admitir, essa autora foi genial!

Quando nos vemos diante da coisa mais assustadora, só queremos voltar atrás, nos esconder no nosso lugar invisível. É por isso que o importante não é apenas sermos vistos, mas ter alguém que nos veja também.

Recomendo se você é fã do estilo YA ou não. Esse é um livro que todos deveriam ler: ele ensina a se colocar no lugar do próximo, tentar analisar as situações com outros olhos, a sermos mais humanos.

Alguém já leu esse livro? Tem vontade de ler? Gostam de livros desse estilo? Deixem nos comentários pra gente saber!

Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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14 Discussion to this post

  1. Thamiris disse:

    Oi Juliane,

    Eu adorei a sua resenha, está tão bem escrita, parabéns!
    Li, recentemente, outra resenha desse livro e fiquei com vontade de lê-lo. Acho que é bom quando nos surpreendemos e sentimos diversas emoções com a leitura de um livro.

    Beijos

  2. Helana Ohara disse:

    Oieee, que livro interessante.. Ele me chamou atenção pelo título, mas ler uma resenha dele e saber mais da história me deixou com gosto para ler.

    Beijinhos, Helana ♥

  3. Oi Juliane,
    Sempre tive vontade de conhecer a escrita da autora, mas até o momento não consegui devido a outras leituras…saushua…bem mesmo vendo uns pontos negativos, percebi que podemos tirar algo muito bom da obra. Espero em breve poder conferir. Boas leituras.
    Bjos Elis

  4. Silvana Crepaldi disse:

    Olá, Juliane.
    Eu não tenho muita vontade de ler esse livro, porque o gênero não é o meu favorito. Mas achei a história interessante para quem gosta. Infelizmente noventa por cento dos pais fazem isso, eleger um favorito e dar razão em tudo para ele e o outro estar sempre errado. Gostei bastante da sua resenha.

  5. Que coisa mais louca os pais terem um filho favorito e fazerem questão de demonstrar isso! Algo que os pais normalmente escondem até a morte… rs… Que bom que conseguiu se identificar com a história e que o livro despertou tantas emoções em você. Achei muito legal isso do livro ensinar a se colocar no lugar do próximo, algo que todos deveriam aprender. Gosto muito da autora e com certeza vou querer ler.

    Beijo.

    Ju – Entre Palcos e Livros

  6. Carla disse:

    Oi Juli!
    Esse livro é ótimo! Foi o primeiro que comecei da Sarah e já comecei amando! Não vejoa hora de conferir os outros livros publicados da autora aqui no Brasil \o/
    Bjks!

  7. Oi Ju
    Tudo bom?
    Não conhecia esse livro, mas me senti conectada a história e digo que fiquei com pena se Sidney, pois infelizmente em várias famílias temos essa predileção e a pessoa que é o alvo dela nunca tem defeitos ou erros e são colocadas em um pedestal.
    Como você disse a autora deve ter feito ela mais submissa para mostrar sua evolução.
    Adorei sua resenha e considerações.
    Beijos

  8. Bruna disse:

    Olá Juliane!
    O livro te fez sentir-se na pele da personagem? Acho isso um máximo e sempre procuro isso em livros. Pela sua resenha – logo no começo – achei que a Sidney seria uma menina bastante submissa mesmo e confirmei quando você disse isso. Apesar desse ponto ter me incomodado um pouco, mesmo eu não tendo lido. Ainda quero ler. Já tenho ele em minha estante, mas não sei se leria nesse momento, pois acho que não é o que preciso.
    Beijos

  9. Denise disse:

    Oiiii…
    Adorei sua resenha! Parabéns!!!
    Achei o livro bem forte (para os meus padrões, pelo menos) me deixou bastante curiosa!!!

    beijinhos

  10. Oi Ju
    Nunca li nada da autora!
    Acabei de ler uma resenha desse livro em outro blog, mais foi menos positiva que a sua.
    Fiquei na dúvida se eu leria ou nao.
    Acho que vou ter que ler para tirar a prova! hahaha
    Bju

  11. Simeia Silva disse:

    Gostei demais do enredo e dos temas abordados pela autora, li dois livros da Sarah e cara, sou apaixonada pela escrita dela,preciso desse livro. Os temas abordados vemos muito por aí,na familia do amigo, na TV ou até na nossa própria família, quero ler pra ontem.

    Gostei muito da sua resenha, falou direitinho os pontos principais da história para despertar a curiosidade do leitor.

    bjs

  12. Marcio Silva disse:

    Muitos estão falando desse livro e eu quero muito ele, espero poder ler um dia.

    Atenciosamente.

  13. Embora já tenha ouvido falar do livro e visto elogios pela blogosfera essa é a primeira resenha que leio.
    Não era um livro que estava na minha lista, na verdade eu achei que ele seria outra coisa. Mas como adoro um livro que mexa com as emoções, esse acabou de entrar para a lista.
    Espero conseguir ler o quanto antes 🙂

    Beijinhos,
    Lica

  14. Le Pimenta disse:

    Olá Ju,

    Eu estou esperando esse livro chegar aqui em casa, e já imaginei que era daqueles que desperta bastante emoções, principalmente por que aborda família e conviveu então leva a pensar bastante nos acontecimentos. Pelo sua resenha não sei se vou ou não gostar, mas com certeza vou ler.

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