5 momentos em que ‘Alucinadamente Feliz’ me fez chorar de rir

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“Hoje meu marido, Victor, me entregou uma carta informando a morte inesperada de mais um amigo. Talvez você imagine que isso vai me lançar numa espiral de ansiolíticos e músicas da Regina Spektor, mas não. Não vai. Estou de saco cheio da tristeza e não sei qual é o problema do universo, mas pra mim JÁ CHEGA. VOU SER ALUCINADAMENTE FELIZ, SÓ DE RAIVA.” Que loucura é esta? O que está acontecendo? Vem saber mais:

Descobri ‘Alucinadamente feliz‘ na Turnê Intrínseca deste ano quando apresentaram as novidades que a editora estava preparando para 2016 e, de longe, este foi um dos livros que mais chamou minha atenção. Corri para comprar na livraria, mas ele não estava disponível, então acabei comprando o livro pela internet depois. Devorei o livro em quase um dia, até perceber que ele estava acabando e aí parei completamente de ler pois não queria que ele acabasse de fato. Li os últimos capítulos quase que arrastados pro livro não acabar. Mas, infelizmente, acabou. E então vim falar um pouco dele pra vocês hoje.

Este é um livro engraçado sobre viver com um transtorno mental. Parece uma combinação terrível, mas, falo por mim, tenho transtorno mental e algumas das pessoas mais hilárias que conheço também têm. Então, se você não gostar do livro, talvez só não seja louco o bastante para isso. No fim das contas, você sai ganhando de um jeito ou de outro.

Como eu não sabia como seria a melhor forma de falar do livro, embora tivesse certeza que essa não seria uma resenha comum, iguais às outras, resolvi listar os 5 momentos ou histórias que me fizeram chorar de rir com o livro, para dar uma noção do quão divertido ele pode ser e dar um gostinho do trabalho da autora para vocês. Não vou dar uma introdução sobre a vida dela ou explicação sobre as histórias, pois essas coisas são, em suma, outras histórias, que também precisam ser lidas. A autora tem depressão com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada e distúrbio de automutilação brando proveniente de um transtorno do controle de impulsos. Além de transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização e mais uma lista enorme de outros transtornos mentais.

    1. Tenho um distúrbio do sono que ou vai me matar ou vai matar outra pessoa

Ontem à noite, percebi que Rory (guaxinim empalhado) seria um montador perfeito para os gatos (como se eles fossem pequenos cavalos peludos, e o guaxinim, um astro dos rodeios), mas parece que os gatos não viram que seria incrível, então não cooperaram nem um pouco. Tentei criar uma fotomontagem de Rory, o Guaxinim dos Rodeios, mas eles não aceitaram a ideia. […] Em algum momento por volta das duas da manhã, Ferris Mewler (gato) enfim desistiu e ficou parado — irritado, mas resignado — com um Rory extasiado nas costas, […] Mas aí Victor abriu a porta do quarto e gritou: “O QUE DIABO ESTÁ ACONTECENDO AÍ? SÃO DUAS HORAS DA MANHÃ, PORRA”, e Ferris entrou em pânico com os gritos inesperados e disparou pelo corredor. Só que Rory ficou preso nas costas dele enquanto Ferris corria pela sala de estar. E então Victor ficou meio que: “MAS QUE MERDA! QUE DIABO FOI AQUILO?”, porque acho que seus olhos ainda não haviam se ajustado à luz (ou talvez à visão de um guaxinim se divertindo montado em um gato doméstico). Pensei em fingir que estava tão chocada quanto ele e dizer que devia ser só um pequeno chupa-cabra que tinha entrado, mas achei que aquilo só iria gerar mais perguntas. Acabei só abaixando a câmera e perguntando “O que foi o quê?” no tom mais inocente possível.

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    2. Estou me transformando num zumbi, um órgão de cada vez

No ano passado, minha amiga Laura acordou com o marido cutucando a cabeça dela às duas da manhã, mas quando ela tentou afastá-lo percebeu que ele estava dormindo profundamente do outro lado da cama. Então Laura colocou a mão na cabeça e sentiu algo quente se movendo. Ela achou que fosse o porquinho-da-índia do filho, acendeu a luz e se deparou com um gambá no travesseiro arrancando com a boca parte do seu cabelo para fazer um ninho. Ela gritou e o bicho sibilou, furioso, e fugiu para a sala de estar. Laura fez o marido persegui-lo, apesar de ele ter certeza de que ela havia sonhado tudo. Ela ficou toda: “É SÉRIO? ESTOU SONHANDO COM TODO ESSE CABELO BABADO NO MEU TRAVESSEIRO?” Aí o gambá atacou, e eles tiveram uma batalha com o bicho na sala de estar — que não acabou bem para o invasor.

    3. Coalas têm clamídia

Ben nos entregou o que chamou de “lanterna”, mas que chamamos de chaveirinho com luz que parece defeituoso, pois desligou várias vezes enquanto Laura e eu atravessávamos a mata densa, sozinhas e tremendo. Em seguida, viramos bem num lugar com UM GAMBÁ GIGANTE. Laura ficou tão aterrorizada que gritou “AMANDA!” — o que foi estranho, porque quem diabo é Amanda? Mais tarde, ela disse que só havia gritado uma frase sem sentido composta de puro medo e muitas vogais, porém suspeito que ela tenha assuntos inacabados com essa tal de Amanda. Seja como for, foi quando a lanterna desligou e ficamos no meio da escuridão total com o som de um animal rastejando em nossa direção ou se afastando de nós. “PROTEJA SEU CABELO”, gritei, e pensei em cobrir o cabelo dela com as minhas mãos, mas fiquei com medo de ela pensar que eram gambás e enfiar uma faca em mim. Laura é incrível, apenas perde o controle quando se trata de gambás no cabelo dela. Só que aí a lanterna acendeu outra vez e o bicho havia sumido. Considerei a possibilidade de dizer a Laura que provavelmente havia sido só um fantasma, mas achei que ela poderia ficar ainda mais assustada.

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    4. Estou me transformando num zumbi, um órgão de cada vez (pt. 2)

A história do gambá no cabelo de Laura sempre me pareceu uma das piores formas de se acordar às duas da manhã, até o dia em que acordei nessa exata hora e descobri que meu braço direito havia sido arrancado e substituído por abelhas. Ou pelo menos era essa a sensação. Permaneci deitada por um tempo, pensando que devia estar morrendo e que, se um gambá tivesse arrancado o meu braço com os dentes, era certo que eu me esvairia em sangue em questão de minutos, e esse era bem o tipo de morte que eu teria. Pensei em me aninhar devagarzinho perto de Victor, de modo que seus últimos momentos comigo fossem românticos e cheios de carinho, mas aí tive um espasmo no peito, e é possível que tenha socado o pescoço dele sem querer com toda a força que pude. Para a sorte dele, não foi tão forte (já que eu estava frágil e morrendo), então ele perguntou, sonolento:
— Nossa. Você acabou de me dar um soco no pescoço?
E eu gritei:
— UM GAMBÁ ACABOU DE COMER O MEU BRAÇO! — E essa provavelmente é a pior forma de acordar.

    3. Você está melhor do que Galileu. Porque ele está morto.

Para resumir, tentei tirar uma selfie discreta para mostrar como eu estava só no restaurante escuro, mas esqueci que o flash estava ativado. Então, quando tuitei a foto, meu celular fez um som alto de fiu-fiu. Na pressa para sair, tropecei na borda do lago ornamental de carpas koi deles e pisei num peixe. O peixe ficou bem, mas molhei o pé direito do meu sapato, então tentei usar o ventilador de teto do meu quarto para secá-lo. Só que estava demorando muito e eu não podia fazer a palestra com um sapato que fazia barulho cada vez que eu pisava. Aí enfiei o sapato na pá do ventilador, porque achei que a inércia forçaria a água a sair. Parecia estar funcionando, até que aumentei demais a velocidade do ventilador e o sapato pulou da pá e bateu no meu rosto. Foi como ser chutada na cabeça pela minha própria estupidez.

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Uma noção de quanto gostei deste livro: usei 2 cores inteiras da cartela de post-its e comecei a usar uma terceira!

Não se engane achando que o livro é só alegria. Há alguns momentos bem deprimentes e de quebrar o coração, e a autora não esconde isso. Ela conta com detalhes algumas crises de ansiedade e depressão que teve entre os momentos de felicidade alucinante. Jenny, acima de tudo, quer mostrar aos seus leitores que está tudo bem ter mais dias ruins do que bons e que, principalmente, não estamos sozinhos nessa luta.

Não sei quais são os critérios que cada pessoa utiliza para definir seus livros favoritos, seja por se identificar com o protagonista ou com a autora, por se ver em alguma situação descrita na história ou quaisquer outros motivos, mas sei que este é, sem dúvidas, o meu livro favorito até agora. E eu não vejo a hora de ler mais obras da Jenny Lawson.

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Alucinadamente feliz (Furiously happy)
Jenny Lawson
Intrínseca
349 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 29,42)

Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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4 Discussion to this post

  1. Manu Freitas disse:

    Vi esse livro e fiquei louca pra ler, mas confesso que tive um pouco de medo, já que é uma tema um pouco pesado.
    Agora que sei que, embora seja um assunto muito sério, a autora aborda o tema com bom humor, com certeza vou dar uma chance a ele! 🙂

  2. VANESSA BRUNT disse:

    Ju, que delícia de resenha e de indicação! Adorei poder ver passagens sabendo que essa é uma das abordagens da obra, mas que há a variedade que também capta detalhes mais tristes e ‘sérios’. O bacana é que, ainda nesses pontos de risos, algumas mensagens reflexivas podem já ir sendo digeridas. A obra parece ser imensamente repleta de lições de vida para qualquer tipo de pessoa. Já quero!

  3. Aninha disse:

    Esse livro me lembrou bastante o Hyperbole and a Half, só que com acontecimentos um pouquinho mais graves, rsrs. Fiquei bem curiosa em lê-lo agora!

    Desculpe por não responder o seu comentário lá no Madly Luv sobre aquele meu post sobre relacionamento abusivo, Ju. 🙁 O meu sistema de notificação de reply por e-mail deixou de funcionar (mas eu já resolvi, porém agora só funciona para caso comente de novo, haha). Juro que não te esqueci, viu? kkkkk Muito obrigada pelo seu apoio e suporte. Foi muito importante tanto para mim quanto para as outras mulheres que comentaram por lá ♥

    Beijocas e até mais tarde, pq hoje finalmente vou pro clube do livro haha 😀

  4. Clayci disse:

    Estou super curiosa com esse livro.
    Eu já dei risada só de olhar a capa, mas como vc disse que tem seus momentos reflexivos.
    Fiquei com vontade de ler <3

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