Wolf in white van, John Darnielle

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Isolado por causa de uma lesão que o desfigurou aos 17 anos, Sean Phillips cria mundos imaginários nos quais estranhos possam jogar e e divertir. De seu pequeno apartamento no sul da Califórnia, ele orquestra aventuras fantásticas nas quais as possibilidades, terríveis ou gloriosas, confundem as fronteiras entre o real e o imaginário. E, como criador do Forte Itália – um RPG jogado por meio de cartas trocadas por correio -, Sean conduz jogadores do mundo inteiro através de um terreno intricado em busca de refúgio em um futuro pós-apocaliptico e selvagem nos Estados Unidos. Vem saber mais:

Sean sofreu um acidente que desfigurou seu rosto (do qual temos poucas informações inicialmente) e por isso passou um tempo considerável em hospitais, se recuperando. O autor (John) aproveitou para transmitir a sensação de tédio para o leitor através de descrições incansáveis sobre detalhes e mini-ações. Foi durante esta longa estadia no hospital que Sean teve as idéias que mais tarde serviram para a fundação da base do Forte Itália, um jogo de RPG através de cartas: ele enviava um cenário para o jogador, que deveria responder à carta com uma ação.

Sinto e me recordo dos braços do meu pai sob o meu corpo depois que voltei do hospital para casa; ele não é forte o bastante, mas se força a continuar; sou pesado e tenho uma sensação de segurança ali, mas estou perdido e preciso sempre escorar as paredes que represam as minhas emoções, ou vou sentir algo grande demais para ser contido.

Ao longo do livro, que é divido em duas partes, há vários flashbacks de situações relacionadas a algum aspecto atual da vida de Sean. Entre os textos também há vários momentos em que é possível visualizar o momento em que o protagonista assimila algo do seu cotidiano e começa a transformar em alguma característica do jogo. Sean tem uma relação difícil com sua família, e que não melhorou depois do acidente, porém ele tem sua casa própria onde vive isolado da sociedade e somente mantém contato com outras pessoas quando é estritamente necessário.

Há jogos dos quais me orgulho mais que de Forte Itália, mas não importa como eu me sinto. Forte Itália construiu a Focus Games e, se as pessoas conhecem o meu nome hoje em dia, é por causa de Fort Itália. Foi minha primeira ideia; dizem que as primeiras idéias são as melhores.

Ao longo dos anos, desde que criou o Forte Itália, Sean frequentemente se espanta com a criatividade e astucia de alguns jogadores, mas quando dois adolescentes decidem levar a experiência do jogo para o mundo real, um deles acaba morto e o outro gravemente ferido. Sean é culpabilizado e processado por isso. O Forte Itália, que ele desenvolveu para ser um jogo sem saída, onde o objetivo principal nunca poderia ser atingido, realmente se torna uma prisão de pesadelos quando os jovens Lance e Carrie fogem de casa, certos de que poderiam vencer o jogo de verdade.

O que a pessoa deveria ouvir quando o disco era tocado ao contrário era a frase ‘wolf in white van’. Ninguém tinha uma ideia clara sobre o que aquilo deveria significar, mas todos concordavam com o que estavam escutando: uma imagem infernal para jovens imaginarem e ouvirem.

O livro faz várias referências à linguagem e cultura dos jogos, livros, músicas e filmes e isto pode ser um gargalo que atrapalhe os leitores que não estão familiarizados com o meio, já que algumas coisas e conceitos têm de ser pesquisados para serem entendidos e isso interrompe e distrai a leitura.

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    Minha opinião

Comecei a leitura com muita pena do Sean por causa do acidente e da forma que ele (aparentemente) tinha sido obrigado a se adaptar e viver e por causa da relação bastante complicada que ele tinha com a família dele. Mas essa visão foi mudando no decorrer do livro e em alguns momentos cheguei a ficar com raiva dele. Por fim, vale dizer que achei-o um personagem bastante perturbado e incoerente, porém muito criativo e esperto.

As pessoas querem de tudo na vida, isso descobri bem cedo As pessoas com certos tipos de ambição estão seguras no Forte.

Fiquei bastante curiosa com personagens que foram introduzidos no livro e o papel que desempenhariam, mas alguns deles sequer foram desenvolvidos ou explorados e isso foi um tanto frustante. Fora que o autor terminou o livro com vários fios soltos e perguntas importantes sem respostas. Sinto que o autor utilizou lembranças, personagens e situações que foram desnecessárias no livro, já que não contribuíram com nenhuma construção efetivamente importante da história e que poderiam ser retiradas da história sem prejudicar o entendimento do livro.

No geral, Wolf in white van não é minha primeira escolha em se tratando da temática literária e, mesmo não sendo leiga no assunto, senti que o autor poderia ter entregado mais, já que a premissa era muito interessante, mas ficou por isso mesmo. Para os amantes de jogos, fantasias e aventuras é uma pedida legal para desenvolver o imaginário: a escrita do autor é instigante e fluida. Infelizmente, para mim, o livro não vai entrar na lista de leituras favoritas do ano.

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Wolf in white van
John Darnielle
Editora Record
221 páginas
Lançamento: 2016
Comprar ( Amazon – R$ 20,20 )
 
 
 
 

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Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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4 Discussion to this post

  1. Oláá
    Não conhecia o livro, mas me encantei pela premissa e como gosto da temática acredito que eu vá gostar de lê-lo!
    Que pena que não ficou entre os melhores… :\
    Bjoos

    • Juliane disse:

      Oi oi Eloísa! Tudo bem?
      Se você gosta da temática, acho que você vai se dar melhor com o livro do que eu então 🙂
      Tomara que a leitura te agrade!
      Beijos e obrigada pelo carinho!

  2. Gisele disse:

    Oi Jú, tudo bem ?

    Também fiquei com dó do Sean por conta do acidente, mas ao mesmo tempo, não sei como funcionaria essa questão do RPG em meio ao livro. Tenho para mim que RPG é algo tão complexo, tão imaginário, que acho que seria estranho ter ele introduzido de forma direta no enredo.
    Ao mesmo tempo, fico curiosa como isso se desenrola.
    Achei uma proposta curiosa.
    Beijos

    • Juliane disse:

      Oi Gi! Quanto tempo! Estou bem e você?
      Eu realmente fiquei com dó do Sean no começo do livro, mas quanto mais eu ia descobrindo as coisas, mais ia mudando minha opinião em relação a ele.
      Como foi o primeiro livro do autor, sinto que ele tem algumas coisas para amadurecer ainda, eu esperava um pouco mais…
      Mas não tenho como negar que a proposta é inovadora!
      Beijos!

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