Silêncio, Richelle Mead

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Pelo que Fei se lembra, nunca houve um ruído em seu vilarejo – todos são surdos. No alto da montanha, ou se trabalha nas minas ou na escola. Este sistema possibilita privilégios, interfere no quanto se pode comer e mantém Fei e a irmã, ambas aprendizes, juntas. Quando alguns habitantes começam também a perder a visão, as remessas de mantimentos diminuem. Muitos têm fome, e a crise no vilarejo se agrava. Não há esperança para Fei nem para os que ela ama, e logo a jovem se vê obrigada a agir e desrespeitar algumas leis. Vem saber mais sobre a história de Silêncio:

Fei é uma das integrantes de um povoado pobre que está localizado no topo de uma montanha. Eles estão presos lá há várias gerações, e além disso, todos são surdos. A situação começa a se agravar quando parte da população começa a ficar cega também. Isso porque o povoado de Fei não consegue criar ou plantar nada na montanha e só conseguem sobreviver através da troca de minérios, que são extraídos de minas e enviados montanha abaixo por um sistema de cordas. Como pagamento, o povoado recebe, do chamado Guardião das Cordas, alimentos e outros itens para gerenciar o sustento da comunidade.

O nosso povoado já teve que viver mergulhado no silêncio depois que nossos ancestrais perderam a audição muitas gerações atrás, por motivos desconhecidos, mas será que agora seremos lançados à escuridão? Esse é um destino que assusta a todos nós.

A lenda transmitida na montanha diz que o povoado vivia bem e levava uma vida razoável, e eram guardados pelos chamados pixius, criaturas misticas, semelhantes à grandes leões dourados alados, que protegiam a montanha e a população dela. Até que os pixius ficaram cansados e decidiram dormir, levando consigo todo e qualquer som do povoado, deixando todos surdos. Desde então, o povoado se divide em três castas para aproveitar melhor a habilidade de cada pessoa e mantar o equilíbrio na montanha. Existem os artistas, responsáveis por representar as notícias do dia anterior, pintadas em quadros, para serem exibidas à população no dia seguinte. Há também os serventes, responsáveis pela maioria das tarefas domésticas do povoado, e por fim, há os mineradores, encarregados de extrair os minérios que serão enviados montanha abaixo.

Uma das histórias mais populares que contam é que nossos ancestrais perderam a audição depois que criaturas mágicas chamadas pixius resolveram dormir e decidiram que queriam que a montanha ficasse em silêncio. Fui criada para acreditar nessas lendas também, mas a educação que recebi no Paço do Pavão me deu uma visão mais objetiva do mundo.

O sistema de castas é bem rígido e recheado de regras que proíbem qualquer tipo de interação entre pessoas de castas diferentes. Fei é uma artista, aprendiz, e melhor aluna do ancião Chen, o que lhe promete um cargo como sucessora do mestre. A protagonista teve seu talento descoberto ainda quando criança, e se tornou aprendiz, levando consigo para a nova profissão sua irmã, Zhang Jing. Os pais das garotas eram mineradores e morreram ainda jovens. Porém, Zhang Jing está perdendo aos poucos sua visão, assim como uma parcela da população da montanha, fato que, se for descoberto, afastará a garota de sua profissão de prestígio, levando-a a trabalhar nas minas. Mas Fei guarda um segredo: a protagonista estava aos poucos recuperando sua audição!

Viver um dia após o outro já não basta. Tem que haver algo mais nesta vida, algo mais que se possa esperar.

O alimento que tem sido enviado pelo Guardião das Cordas é insuficiente para abastecer a população da montanha. Quando questionado sobre a possibilidade de enviar uma quantidade maior de comida, o mesmo responde com uma carta, dizendo que o povoado da montanha recebia mais do que era de direito pelo trabalho que prestavam. Extremamente irritado, ao ter seu senso de justiça questionado, o Guardião das Cordas resolve castigar o povoado, enviando um quantidade ainda menor de comida, para que aprendam a lição. Insatisfeita com a situação do povoado e temendo pela saúde e vida de sua irmã, Fei, juntamente com um amigo de infância, Li Wei, decidem descer a montanha, já que a audição dela ajudaria ambos a desviar das avalanches que se originam no topo da montanha e matam quaisquer pessoas que já tenham tentado fazer esse percurso.

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    Minha opinião

Para quem não sabe, livros de fantasia não são meus favoritos, aliás, estão bem longe disso. Mas a hype com Soundless estava muito grande lá fora e quando o livro foi publicado aqui pela Galera Record, acabei o solicitando para descobrir se era mesmo tudo aquilo que estavam falando. Obviamente, comecei a leitura sem criar muitas expectativas, e em alguns momentos até me empolguei com a leitura, mais precisamente na segunda metade do livro, quando o texto tomou um ritmo mais acelerado e começamos, aos poucos, a ter algumas respostas sobre os mistérios acerca do povoado e sua história. Mas, não passou disso: o livro tinha uma proposta muito boa e nova, porém a autora não conseguiu, infelizmente, desenvolver muito bem essas peculiaridades. Vem entender mais:

Antes, levava uma boa vida como aprendiz de prestígio entre os artistas do povoado. Agora, minha vida não é apenas boa, mas impregnada de sentido. Até bem pouco tempo atrás, eu não sabia que havia diferença entre uma coisa e outra.

Embora a versão brasileira não tenha sido classificada como um livro de fantasia, a história certamente se encaixa nessa categoria. Porém os elementos fantásticos não são explorados no livro: eles estão presentes em um momento e outro mas não desempenham um papel importante até o final do livro, quando vários aspectos do livro são explicados através deles. Francamente, isso não me incomodou muito, mas para o público que gosta do gênero fantasia, pode ser um pouco decepcionante não ter essas características mais exploradas ou com uma frequência maior. Outro aspecto que eu não curti muito no livro foi que a autora demorou muito para deslanchar a história: a ambientação foi lenta, focando sempre nas mesmas coisas.

Assim como a questão dos elementos fantásticos foi pouco explorada, senti falta de um desenvolvimento melhor de outra coisa da qual a autora se propôs a falar: a cultura chinesa. Novamente, ela só mostrou superficialmente, mas não aprofundou muito. Porém o que mais me decepcionou foi: Richelle criou uma protagonista surda, que tinha tudo para evoluir e se tornar uma heroína badass, ela criou um livro que poderia se destacar e exaltar a diversidade e deficiência, mostrando como nada disso impediria a personagem de embarcar em uma aventura memorável e ter uma vida muito boa. Mas ao invés disso, ela meio que “cura” a protagonista (ei, isso não é spoiler!) indicando que uma personagem com deficiência não conseguisse sustentar uma aventura YA.

Para além dessa montanha, o mundo é perigoso e cheio de incertezas. Mas aqui, por ora, temos […] beleza e esperança, sem falar na força que vem da proximidade com aqueles que amamos. E isso vai bastar para enfrentarmos qualquer tempestade que possa vir, concluo. Com certeza.

Por outro lado, a história acontece em um volume único, e embora o começo tenha demorado a engatar, sinto que ela desenvolveu bem os personagens principais, trabalhou bem assuntos como ambição, exploração e senso de comunidade. A linguagem é bem fácil e acessível e, se por um lado, a falta de profundidade sobre a cultura chinesa é um ponto negativo, por outro, ela garante que o leitor não ficará perdido com muitas tradições, palavras complicadas ou costumes. A capa, a diagramação e a edição estão excelentes, a editora está de parabéns! Eu mudaria os aspectos negativos que citei acima, mas não nego que o livro tem um bom conteúdo a oferecer. Para quem gosta de uma fantasia leve e não quer embarcar numa série longa com três ou mais volumes, recomendo Silêncio.

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Silêncio (Soundless)
Richelle Mead
Galera Record
278 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 27.90)
Leia o primeiro capítulo
 
 
 

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Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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20 Discussion to this post

  1. Anna Caroline disse:

    Oi Juliane,
    Confesso que estou bem curiosa para ler o livro Silêncio, achei a premissa bem interessante, mas acabo desanimando um pouco por saber que os aspectos fantásticos da história não foram bem desenvolvidos. Eu adoro literatura fantástica, logo esperava um pouco mais sobre as criaturas e os mistérios da aldeia. Por outro lado fiquei feliz em saber que os personagens são bem desenvolvidos e que a história ganha um ritmo bom a partir da metade. Enfim, ainda pretendo dar uma chance a leitura, mas tentarei evitar expectativas altas.
    Beijos

    • Juliane disse:

      Oi Anna, tudo jóia?
      Com certeza é uma história inovadora e tenho certeza que os poucos elementos fantásticos da obra vão te agradar!
      Depois venha me contar o que achou!
      Beijos!

  2. Juliane, tenho ouvido falar muito desse livro e até que positivamente.
    Nunca li nada da autora…
    Diferente de você amo fantasia, mas é uma pena que a autora pecou um pouco.
    A história não me chamou atenção, mas curti o fato dela ser volume único.

    • Juliane disse:

      Oi Déborah, tudo jóia?
      Por ele ser volume único, me animou bastante, apesar daqueles pontos negativos, mas se você curte fantasia, acho que compensa dar uma olhada!
      Beijos!

  3. Quando eu vi essa capa magavilhosa no Mochilão, fiquei com vontade de ler. Mas infelizmente a tua não é a primeira resenha que leio/vejo falando do potencial do livro, e de como ele fica aquém das expectativas. Achei muito verdadeiro o que tu disse sobre a diversidade e a possibilidade de dar o protagonismo de um YA a uma personagem com deficiência auditiva, e isso não impedi-la de ser FODA (porque afinal de contas, não impede ninguém mesmo).

    Tenho uma amiga que sempre recomenda o Vampire Academy, mas eu não consegui passar dos primeiros capítulos. Talvez eu nunca me dê bem com a Richelle Mead, haha!

    Amei a resenha, Ju! Beijos <3

    • Juliane disse:

      RAFA! Que saudades!
      A questão da deficiência que foi curada foi realmente o que mais me chateou :/
      Não ia impedi-la mesmo, né!?
      Eu nunca li nada da Richelle e também não curto muito Vampire Academy…
      Obrigada pelo carinho Rafa!
      Beijos!

  4. Jess disse:

    Olá!
    Eu tenho visto muitas resenhas positivas sobre o livro, é uma pena que você tenha se decepcionado com a cura da personagem principal e que a história tenha demorado a engatar.
    Eu nunca li nada dessa autora, mas eu gosto bastante do enredo dessa obra, só é triste que a autora não tenha desenvolvido os aspectos da cultura chinesa. Ainda assim, acho a premissa bem original e pretendo dar uma chance a leitura. Mas confesso que vou ler sem expectativas nenhuma para não me decepcionar.
    Beijos!

    • Juliane disse:

      Oi Jess, tudo jóia?
      O livro tem dividido muitas opiniões pela blogosfera mesmo, tenho reparado nisso, sinto que quem não criou tanta expectativa não se decepcionou tanto!
      Depois que você ler vem me contar o que achou!
      Beijos!

  5. OI!

    Adoro fantasia e achei a sinopse e o enredo muito atrativos. Não conhecia o livro e nem a escrita da autora, entretanto mesmo com alguns por menores não ter te satisfeito, me senti atraída independente desse equívoco. O que não gostei foi que acho que é era para ser aprofundada a cultura chinesa, pois se leio um livro tenho interesse em conhecer sobre os hábitos do povo daquele lugar, mas acho que da para se obter uma leitura gostosa. Beijos!!

    • Juliane disse:

      Oi oi, tudo jóia?
      O pessoal que gosta de fantasia estava mesmo muito empolgado com a sinopse!
      Apesar das falhas, acho que você deveria dar uma chance!
      Depois me conta o que achar 🙂
      Beijos!

  6. Oi Juliane, sua linda, tudo bem?
    Eu adoro fantasia e achei esse enredo super diferente. Uma lenda que os transformou em surdos. E agora os está deixando cegos? Não sei, tenho a impressão que tem algo errado nessa história, esse guardião não parece ser uma boa pessoa e a resposta pode estar nele. Que pena que o livro não agradou por completo, mas no todo, eu gostei. Vou anotar a dica!!! Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.

    • Juliane disse:

      Oi oi Cila, tudo jóia comigo e com você?
      Que bom que você gostou da dica, depois que ler vou ficar esperando sua opinião!
      Beijos!

  7. Nathalia Simião disse:

    Oi Juliane, tudo bom?
    Concordo que essa cura da personagem não é tão legal assim, uma personagem principal com deficiência é difícil de se encontrar e seria muito bom mante-la assim para dar continuidade a história. Mas confesso que mesmo com os pontos negativos que você aponto, eu achei a premissa tão interessante, ainda mais sendo um tipo de livro que eu gosto, que eu fiquei com vontade de ler.
    beijs

    • Juliane disse:

      Oi Nath, tudo bem comigo e com você?
      A “cura” da protagonista foi o ponto que mais chateou, mas tenho que admitir que a premissa do livro é maravilhosa!
      Depois da leitura, me conte o que você achar!
      Beijos!

  8. Oii Juliane tudo bem? Sou nova aqui no seu blog rs e estou amando!!! Adorando suas posts, o visual do blog tudo!
    Eu já vi este livro várias vezes, mas nunca me chamava a atenção… Agora lendo sua resenha, puxa o livro é muito interessante, amo livros de fantasia e mistérios coisas assim… e não imagina que ele era desse gênero, adorei!! Vou colocar no meu toplist das minhas próximas leituras.

    Beijo da Kaa

  9. Camila Aparecida Mazzetto disse:

    Olá tudo bem???
    Gostei da sua resenha, pena que não te agradou o livro, quero muito ler esse livro e que bom que é livro único!!!!
    Beijus

  10. Tânia Bueno disse:

    Juh, eu amo fantasia, mas embora pareça simples escrever não é, pelo menos é o que penso e isso porque alguns autores se perdem no processo ou pelo excesso ou pela falta. Para mim é preocupante um livro engrenar somente a partir da metade, isso é muito chato e faz com que algumas pessoas desistam da leitura, o que é uma pena, afinal é um projeto inacabado. Um livro classificado como fantasia que traz isso somente alguns momento, isso também para mim demais, afinal quando eu compro fantasia, quero fantasia e não apenas a presença dessa em alguns momentos ou na entrelinhas.
    Concordo com você a autora perdeu uma grande oportunidade de abordar o tema diversidade e desmistifica-lo, mostrando o potencial das pessoas com deficiência e não ressaltando a segregação. Mas, enfim…
    Gostei da sua resenha espontânea e sincera.

    Bjo
    Tânia Bueno

  11. Neyla Suzart disse:

    Oi Juliane!
    Estou curiosa a respeito desse livro desde o Mochilão. Gostei do enredo, a trama parece ser bem bacana e curto esse cenário criado pela autora (muito embora também não seja uma das maiores fãs de fantasia). Mas o que pesou mesmo foi ser livro da Richelle. Essa mulher é maravilhosa demais!!! <3
    Que bom que, apesar de alguns aspectos negativos, foi uma boa leitura. Espero ter a oportunidade de ler ainda esse ano, acho que vou me envolver muito com a trama.
    Beijos

  12. Nati disse:

    Hello!!
    Puxa, só de ser um livro único já me anima muito hahahaha
    Gosto muito da série Academia de Vampiros, então já fico com vontade de ler outras coisas da autora. Uma pena não explorar tanto a cultura chinesa, seria uma ótima!
    Beijo

  13. Oi Ju. Eu ouvi umas críticas bem positivas ao livro, então não sei se me incomodaria tanto quanto você ao ler o livro. Fantasia não é meu gênero favorito, mas fico meio com curiosidade para saber mais sobre a história. Não acredito que a autora tenha pensado “que os surdos não podem desenvolver a história”, só acho que ela tentou arranjar uma outra peculiaridade para a personagem, senão o que a faria diferente?
    Vou procurar ler o livro depois, amo obras que falam mais sobre culturas!
    Beijo.

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