O ano em que disse sim, Shonda Rhimes

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Durante o Dia de Ação de Graças de 2013 a irmã de Shonda lhe diria 6 palavrinhas que mudariam tudo: “você nunca diz sim pra nada”. Para uma pessoa introvertida como ela, que sempre fica meio isolada em eventos sociais e tem ataques de pânico antes de qualquer entrevista, havia uma vantagem especifica em dizer não: nenhuma novidade a temer. Aquelas seis palavras da irmã a atingiram como um alerta – e como um desafio. Vem saber mais sobre ‘O ano em que disse sim‘:

Shonda Rhimes é a criadora das séries Grey’s anatomy e Scandal e produtora executiva de How to get away with murder (uma das minhas séries favoritas atualmente) e nesse livro, ela conta como uma frase bem simples dita pela irmã dela mudou completamente a forma como ela via o mundo e se comportava. Shonda decidiu que iria sair da sua zona de conforto e fazer todas as coisas que a assustavam. O livro é um apanhado de histórias e experiências da autora durante o ano que decidiu que diria sim para todas as propostas e compromissos que recebesse.

Tenho tanta certeza disso quanto da necessidade de respirar. Eu teria dito “não”, cautelosamente. Respeitosamente. Graciosamente. Teria inventado uma desculpa criativa, expressando tanto honra quanto arrependimento profundos. A desculpa teria sido boa, a desculpa teria sido brilhante.

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Shonda Rhimes é uma pessoa introvertida ao extremo (ou pelo menos era) e ela descreve várias situações e pensamentos que outra pessoa introvertida conseguiria identificar perfeitamente: a mania de tentar se fazer invisível, de não incomodar, de evitar situações de destaque. Ela gostaria somente de ficar segura no seu casulo onde nenhuma situação inesperada a deixaria com medo. Mas isto não estava dando certo. Recusar tudo estava afetando a carreira, a relação com parentes e amigos e a carreira dela.

Não estou entusiasmada. Mas estou determinada. Minha lógica é extremamente simples. É a seguinte:
• Dizer “não” me trouxe até aqui.
• Aqui é uma droga.
• Dizer “sim” pode ser o caminho para algum lugar melhor.
• Se não for o caminho para um lugar melhor, será ao menos para um lugar diferente.

Acompanhamos Shonda desde o primeiro convite que ela aceita (e toda a paranóia e medo que ele desencadeou), bem como várias das próximas experiências que seguiram e o que elas a ensinaram. A autora bate em teclas importantes a serem discutidas como preconceito, sororidade, empoderamento feminino e amor próprio. Ela aprende não só a abraçar as novas oportunidades e experiências, como também como cultivar o amor próprio e respeitar seus limites, sempre com uma pitada de humor. Shonda é especialista em inventar palavras e expressões para exemplificar os pontos de vista dela e não há como negar que ela faz isso com muita habilidade.

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Não há como planejar. Não há como e esconder. Não há como controlar isso. Não se vou dizer “sim” a tudo. Sim a tudo que é assustador. Sim a tudo que me tira da zona de conforto. Sim a tudo que parece loucura. Sim a tudo. Tudo.

    Minha opinião

Certa vez vi no twitter um discurso da Shonda Rhimes em uma edição do TED (coloquei o vídeo em baixo para vocês verem também) e eu achei genial. Naquela época eu já era fã dela por causa de Grey’s anatomy e How to get away with murder (nunca assisti Scandal, eu deveria?), mas depois do vídeo, meu respeito por essa mulher só aumentou. Eu não sabia que toda a experiência da qual ela fala no vídeo tinha virado um livro, mas quando o vi na lista da editora, tive que solicitar. Mais um que entrou pra minha lista de favoritos do ano. Vem ver o que eu achei:

Christina aprendeu o que precisava aprender. A caixa de ferramentas dela está cheia. Ela conseguiu não abrir mão dos pedaços de si mesma, os pedaços dos quais precisa para ser o que outra pessoa quer. Aprendeu a não abrir mão. Aprendeu a não se acomodar. Aprendeu, por mais difícil que seja, a ser o próprio sol.

Quem lê o livro depois de ter visto o vídeo quase consegue ver Shonda falando. O jeito que ela divide as frases, faz pausas e desenvolve o texto é igual, tanto no livro quanto no vídeo e isso fez com que eu me sentisse mais próxima da autora. Quem chega no livro sem ter visto o texto, pode estranhar um pouco a escrita da Shonda, mas logo se acostuma. A leitura é leve e descontraída, o livro arranca várias risadas e até algumas lágrimas pelo caminho. Shonda continua compartilhando suas idéias sobre empoderamento feminino, igualdade e superação, agora em uma nova plataforma, quando decide dividir com seus leitores uma das melhores experiências de sua vida.

Acho que muita gente sonha. E, enquanto estão ocupados sonhando, as pessoas felizes de verdade, as pessoas bem-sucedidas de verdade, as pessoas realmente interessantes, poderosas, engajadas estão ocupadas, fazendo.

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Shonda fala sobre a importância de aprender a dizer sim para si mesma, aceitar que ninguém é capaz de fazer tudo e como encontrar nosso próprio lugar feliz. Uma coisa bem divertida é que a autora transcreveu três ou quatro de seus discursos feitos durante o ano e embora, no começo, ele estivesse fora da zona de conforto, dá pra perceber que ela é bem eloquente e sabe atingir o público. Enquanto uma introvertida incurável é quase impossível não se identificar com pelo menos uma das histórias de Shonda. Não quer dizer que a partir de hoje vou sair dizendo sim para todas as propostas que aparecerem na minha vida, mas com certeza passarei a ver as oportunidades com outros olhos.

Perder não é algo que acontece de uma vez. Perder-se acontece com um não de cada vez. Não a sair esta noite. Não a colocar o papo em dia com aquela antiga colega de quarto da faculdade. Não à ir aquela festa. Não a sair de férias. Não a fazer uma nova amizade. Perder-se acontece meio quilo de cada vez.

A diagramação e a capa estão excelentes, inclusive gostei mais da capa nacional do que da original, achei mais divertida e atual. Infelizmente achei alguns poucos errinhos de ortografia perdidos na edição, mas não é nada que atrapalhe a leitura ou a compreensão do texto. Se você é fã do trabalho da Shonda enquanto criadora ou produtora executiva de alguma das séries dela, o livro é uma boa pedida: ela faz várias referências aos personagens (e atores) durante o livro e como eles ajudaram desde a menor das percepções até uma de suas maiores epifanias. E ainda, se não a conhece ou não acompanha o trabalho dela, o livro é um excelente exemplo de como aprender a criar limites e desenvolver respeito próprio.

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O ano em que disse sim (Year of yes)
Shanda Rhimes
BestSeller
256 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 26,33)
 
 
 
 

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Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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9 Discussion to this post

  1. Oiii Juliane, cmo vai?
    Garota que livro é esse? Confesso que fiquei bastante interessada e uma simples palavras, pode sim fazer uma grande diferença, sua resenhas e as fotos ficaram incríveis, dica super anotada.
    Beijinhos

  2. Oi, Juliane!
    Conhecia o nome da autora apenas de longe mesmo, pois não acompanho nenhuma de suas séries, mas muito legal a proposta do livro e o fato de ela ter conseguido se expressar de uma forma com a qual você se envolveu tanto após ver o vídeo. Quem sabe, serve até como uma espécie de leitura indicativa para pessoas introvertidas mesmo, dentre as quais eu muito já me inclui, mas também tenho procurado me soltar um pouco mais. Se tiver a oportunidade, quem sabe eu não leia também? Valeu muito a dica. 😉
    Beijos!

  3. Thais Aux disse:

    Eu assisti o TED Talk e dela e achei tão lindo <3 Ela é mesmo uma inspiração. E poderosíssima, né? Já quero ler o livro e começar a assistir How To Get Away With Murder!

    Beijos!

  4. Nati disse:

    Oie!
    Essa parada de fizer sim a tudo me lembrou o filme Sim Senhor do Jim Carey, não sei se você já assistiu.
    Acho que essa pode ser uma experiência enriquecedora se for bem dosada.
    Gostei do livro.
    Beijo

  5. Oi Juliane.

    Menina que resenha! Eu já estava bem ansiosa para ler este livro por causa dela ser a criadora das séries Grey’s Anatomy, mas sua resenha deixa um interesse à mais pelo livro. A leitura deve ser repleta de experiências que fará enxergar as oportunidades com mais clareza. Dica bem anotada, realmente preciso ler este livro.

    Bjos

  6. Karla Samira disse:

    Olá! O livro parece mesmo sensacional! Só de saber que a autora é uma das produtoras de “How to get away with murder”, já fiquei mega interessada, pois é uma das minhas séries favoritas (junto com Suits e Prision Break). Achei muito legal o tema, bem atual por sinal, de empoderamento feminino, sororidade e superação. Imagino que ela possa falar bem sobre o feminismo, já que é uma mulher em meio a um mundo dominado pelo gênero masculino (produção de séries). Se tudo isso é passado ao leitor de forma leve, ganhou pontos comigo e vou ler com certeza!
    Beijos!
    Karla Samira

  7. Nathalia Simião disse:

    Oi Juliane!
    Não assisti nenhuma dessas séries e nem sabia quem ela era rs Acho interessante o que ela quis passar, toda essa situação de dizer não/sim e acho que é importante trazer isso pras pessoas, é uma coisa para se refletir. No mais, não gosto muito desse tipo de “história” então não leria, mas é um livro que indicarei para outras pessoas!

  8. Eu confesso que só assisto uma das séries dela, mas mesmo não sendo tããão fã, fiquei interessada na leitura da obra. Achei o tema incrível e saber que a narrativa dela nos deixa mais próximos ajudou mais ainda.
    Não sabia sobre esse lançamento, então anotei a dica! E ah, achei a capa uma fofura.
    beijos

  9. Isis Tomie disse:

    Uau! Não acompanho nenhuma das séries da Shonda, e particularmente, eu amo livros com um “quê” de auto-ajuda.
    Com certeza, colocarei na minha lista de desejos, e amo assistir TEDs também, adorei a palestra dela.
    Muito real e surreal!

    Abraços, Isis

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