Bitch, Carol Teixeira

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Bitch narra as histórias de Princess, uma artista plástica de 26 anos que se relaciona com o mundo através da exploração do prazer – intrinsecamente artístico e sexual – e C., uma escritora sem inibições que está escrevendo um novo romance. Suas trajetórias seguem em paralelo até que o choque inusitado e metalinguístico do encontro das duas influencia a arte de ambas de maneira definitiva. Vem saber mais:

Bitch retrata a vida e a bagagem de Princess, uma artista plástica que usa bastante da sua veia artística, tanto para absorver as realidades a sua volta quanto para expressar o que vê. A história é narrada em terceira pessoa e vemos a protagonista em vários cenários diferentes, relatando todas as experiências que a levaram a criar sua exposição, um trabalho sobre o ponto de demência das pessoas. O começo de cada capítulo é demarcado pelo começo de um novo versículo.

O verdadeiro charme das pessoas está em quando elas perdem as estribeiras, quando elas não sabem muito bem em que ponto estão.

Começamos acompanhando Princess em Saint-Tropez, passando o verão com seus amigos, conversando sobre como categorizar as pessoas, quando somos introduzidos a um novo personagem: René, chef do restaurante L’Opera. Conhecemos um pouco mais do histórico sexual dos dois e a história envolvendo esse novo personagem para por aí. No próximo capítulo a protagonista segue frequentando o cenário noturno enquanto continua ensinando para o leitor como perceber as nuances antropológicas e artísticas no comportamento humano.

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É preciso tomar cuidado com os prazeres anormais. Eles aniquilam os normais.

Em uma das festas que Princess conhece Henrique, um cara totalmente diferente dos quais ela costuma e gostaria de se relacionar. Mas, por algum motivo a relação dos dois funciona e engata, ao ponto da protagonista parecer uma adolescente apaixonada. A partir de então, o livro segue narrando o relacionamento dos dois, o cotidiano de Princess e as sensações que ela captura para sua obra, até a exposição do seu trabalho. Posso dizer que, embora Princess não tenha sido uma personagem consistente durante o livro, ela foi fiel ao seu desejo inicial.

    Minha opinião

Solicitei este livro para a editora meio às cegas. Tenho esperança de encontrar um livro erótico que não use eufemismos e expressões veladas durante as relações ou use o romantismo e sexualidade para justificar quaisquer absurdos e abusos característicos dos livros do gênero. Achei que talvez Bitch poderia ser esta exceção. E neste quesito é, mas os pontos positivos param por aí.

Me inspirei em uma citação de André Gide. Ele diz que o diabo da vida é que entre cem caminhos a gente tem que escolher um e viver com nostalgia dos outro noventa e nove.

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Carol Teixeira não tem vergonha e nem mede palavras na hora de descrever as relações sexuais entre os personagens, os desejos ou diálogos. Ótimo isso! Finalmente uma autora que não tenta mascarar essas coisas. Mas todo o restante deixa muito a desejar: a história em si é fraca (e confusa até, em alguns momentos), nenhum personagem chega a ser cativante (embora eu não tenha certeza que essa possa ter sido a intenção dela em algum momento) e a autora abusa de uma erudição forçada e desnecessária, na tentativa de validar a personalidade que ela criou para a protagonista: de comprovar que ela é realmente aquela personagem super culta e conectada.

Tive vontade de chorar. O fim pesava cem quilos.

Além disso, no intuito de criar uma experiência quase sensorial para o leitor; uma ligação com o mesmo, a autora faz uso de muitas metáforas e sinestesias, mas novamente, para mim, ficou tudo muito forçado e passa longe de cumprir o que foi proposto. Geralmente levanto os pontos positivos e negativos de um livro e especifico qual tipo de leitor se identificaria mais com a obra resenhada. Infelizmente com Bitch, não consigo fazer essa recomendação.

Sabíamos que aquele era o fim. Nunca seríamos aqueles ex-casais que possuem essa coisa superestimada chamada maturidade, ex-casais que civilizadamente se encontram e se cumprimentam olhando para o passado com um afeto insosso diante do que aconteceu. Jamais seríamos uma música que acaba em fade out.
Aquele talvez fosse o último encontro.

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Bitch
Editora Record
127 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon R$ 17.20)
Leia o 1º capítulo
 
 
 

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Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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Discussion about this post

  1. Clayci disse:

    Ju, ainda não consegui me entregar a esse gênero literário pelos mesmos motivos que vc..

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