A Vida como Ela Era, Susan Beth Pfeffer

Você já parou para pensar em quantos avisos de que o mundo iria acabar nós já vimos? Bom, com certeza, já foram muitos. Em A Vida como Ela Era vamos acompanhar Miranda, uma garota de 16 anos que é estudante e tem uma vida normal, uma vida baseada em escola, família, amigos, esportes e diversão. Até que um dia todos são noticiados de que um asteroide irá colidir com a Lua. Miranda não dá a mínima para isso, até porque, segundo os cientistas, a colisão será pequena, mas ela percebe que todos estão animados pra esse evento, inclusive sua família e a vizinhança inteira. O que ninguém sabe é que tudo isso pode desandar e colocar em risco a vida de todos. Vem saber mais:

Tudo é narrado por Miranda, que escreve em diários desde quando as notícias de que um asteroide iria atingir a superfície da Lua começaram a circular. A narrativa em primeira pessoa se dá a partir dessa notícia, que aos olhos de Miranda não seria nada de importante, só mais um acontecimento pra história. Ela prefere se preocupar com todos os deveres de casa que a escola anda passando por causa desse asteroide e em como ela vai entregá-los e sobre o que ela vai escrever em todos esses trabalhos.

Apesar de Miranda não dar tanta atenção assim para o acontecimento, ela acredita que será ótimo acompanhar a colisão reunida com os seu irmão e sua mãe na frente de casa. Da frente de sua casa, ela percebe que outras famílias na vizinhança estão super ansiosas e fazem churrascos e mini festas para esperar o grande momento.

“Por um momento, pensei em todas as pessoas ao longo da história que viram o cometa Halley e que não sabiam o que ele era, apenas que estava lá, causando medo e sendo incrível. Durante um milésimo de segundo, eu poderia ter sido uma garota de 16 anos na Idade Média, ou asteca, ou apache, olhando para o céu e admirando seus mistérios. Durante aquele minúsculo instante, eu fui todas as garotas de 16 anos da história, sem saber o que os céus previam para meu futuro.” (Página 28)

Assim que o asteroide colide com a Lua, todos comemoram e batem palmas, mas logo congelam e ficam assustados ao perceber que alguma coisa está muito errada. A Lua que antes estava distante, está muito mais próxima da superfície da Terra e está muito mais visível, tanto que dava pra enxergar as crateras em sua extensão sem o binóculo.

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Quando os vizinhos de Miranda percebem que a Lua está mais perto e maior do que estão acostumados a ver, eles começam a correr, orar, chorar e cantar o hino nacional. Todos esperam que tudo se esclareça nos jornais e no rádio, mas quando vão checar, não há sinal algum e é quase impossível conseguir notícias nos canais de televisão. Miranda, seu irmão menor e a mãe tentam entrar em contato com o pai, o outro irmão mais velho e a avó por meio de celulares, mas nenhum funciona, ou seja, todos eles estão isolados e sem a chance de saber notícias dos parentes e nem com condições de pedir ajuda.

“Era como quando se jogam bolas de gude e uma delas bate na lateral de outra e  empurra na diagonal. Ainda era a nossa Lua e  ela ainda era apenas uma grande rocha no céu, mas não parecia mais inofensiva.”

Depois da colisão, Miranda vai narrar a jornada que não só ela e sua família vão ter de enfrentar, mas as dificuldades de todas as pessoas ao confrontar a fome, o medo de morrer, a sede, a falta de meios de comunicação, a evasão de pessoas, a neve, os tsunamis, os vulcões reativados, etc. Miranda também vai narrar todo o trabalho de sua família para conseguir apenas mais um dia de vida na Terra. E, além de tudo, vai narrar como o amor e a união podem ser maiores que todos os obstáculos.

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Minha opinião

Como eu já disse lá no início da resenha, a narrativa é em primeira pessoa. A personagem principal narra tudo por meio de seu diário, vamos acompanhar sua história por longos meses, acompanhando-a desde a primavera até o inverno. Isso me agradou bastante desde o início, o fato de o livro ser composto por pequenos capítulos do diário de Miranda fez com que a leitura fosse bem fluida, leve e rápida.

Apesar de ser uma narrativa bem simples, houveram algumas partes do livro em que eu me emocionei muito com o sofrimento da mãe de Miranda e de seus irmãos, a autora Susan soube descrever muito bem a agonia causada por algumas situações do livro em que Miranda e a família não têm nada para comer e sentem medo do que será deles no futuro. Isso realmente me tocou muito e me senti extremamente agoniada com a situação deles. A trama foi super cativante do começo ao fim, na minha opinião, a autora soube dosar bem alguns capítulos e conseguiu surpreender com as descrições breves e simples do ambiente inviável em que os personagens viviam.

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Susan conseguiu criar personagens completos e mostrar até onde todos iriam para salvar a si e a sua família. Fiquei muito apaixonada pelo Matt, irmão mais velho de Miranda, que se mostrou muito responsável e um personagem muito forte. Também adorei o Jonny, irmão mais novo de Miranda, um personagem muito sagaz e, apesar de mais novo, nada bobo. A mãe de Miranda, Laura, uma mulher divorciada que não tem apoio financeiro nenhum de ninguém, se mostrou a personagem mais forte da trama inteira. A sra. Nesbitt, vizinha da família, uma idosa que ajuda muito Laura desde sempre, foi a personagem mais engraçada, me tirou gargalhadas mesmo em situações tristes. A personagem que mais me irritou foi Miranda, em alguns casos ela agia como uma criança chata e birrenta, mas em outros momentos, ela foi uma personagem muito forte (espero que continue sendo assim). Enfim, foi uma ótima experiência de leitura. Eu indico esse livro pra todos que gostam de mundos pós apocalípticos ou qualquer pessoa que queira ler uma história bem original.

A Vida como Ela Era é o primeiro livro da série Os Últimos Sobreviventes e confesso que estou muito ansiosa pra acompanhar e descobrir o que acontece nos outros três livros: Os Vivos e Os Mortos (#2), O Mundo em que Vivemos (#3) e A Sombra da Lua (#4). Os livros estão sendo publicados com uma nova edição pela Grupo Editorial Record e eu gostei muito da qualidade da capa, principalmente, porque é muito linda e me fez imaginar muito melhor o ambiente de A Vida como Ela Era.

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A Vida como Ela Era (Os Últimos Sobreviventes #1)
Continua com: Os Vivos e Os Mortos
Susan Beth Pfeffer
Galera Record
378 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 22,20)

 

 

 

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Amanda Pires

Amanda desde 1997. Estudante de Letras - Inglês. Apaixonada por músicas tristes e sebos. Escrevo sobre o que leio, leio sobre o impossível.

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10 Discussion to this post

  1. Essas protagonistas que não se decidem entre ser chata e admirável são complicadas, principalmente porque já que são elas que narram, a gente não tem como fugir se quiser ler a história até o fim hahaha. O lance todo acerca da perda da tecnologia me lembrou um pouco o início de A 5ª onda, o assombro das pessoas, ainda mais ao se tocarem de que aquela era a nova realidade deles. Gostei muito da sua resenha, soube pontuar todas as partes mais importantes e me deixou bastante curiosa em ler A vida como ela era!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

    • Amanda Pires disse:

      Oi, Carol!
      Sim, é muito difícil lidar com esse tipo de personagem, mas apesar de tudo, quero seguir lendo a série por motivos de curiosidade, não vejo a hora de saber o que vai acontecer e como a história vai terminar, hahah.
      Obrigada por passar por aqui!

  2. Michele Lima disse:

    Oi Amanda!

    Só de ler a resenha eu senti a angustia dos personagens! E apesar de estar fugindo de séries, o enredo desse parece ser muito bom! A capa é realmente linda e amei suas fotos!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

  3. Infelizmente, não conhecia o livro.
    Mas parece ser ótimo. ♥

  4. Larissa Dutra disse:

    Olá, tudo bem? Uau, esse livro parece ser fantástico! Não conhecia ele, mas fiquei super feliz por ter conhecido. Nunca li nada do tipo, mas tenho vontade, então acho que esse livro será uma boa pedida. Adorei a resenha!

    Beijos,
    Duas Livreiras

  5. Bruna Costabeber disse:

    Olá Amanda,
    Já vi esse livro em algum lugar, só não me lembro onde. Achei a premissa do livro bem interessante e gostei de saber que algumas passagens te emocionaram. Estou imaginando o que a protagonista passa e não deve ter sido fácil.
    Vou anotar a dica de leitura e espero curtir.
    Beijos

  6. Oi, Amanda!
    Menina, enquanto eu lia o começo da resenha, já estava pensando em desistir do livro. Aí você comenta sobre a lua chegando próximo e todo o resto. Fiquei “TENHO DE COMEÇAR A LER PRA ONTEM!”
    Pensei que seria só mais uma historiazinha, mas fui fisgada por sua resenha. Parabéns!
    Beijos

  7. Olá!
    Em geral, não curto tanto narrativas em primeira pessoa nesse tipo de obra. Contudo, talvez seja interessante para conferir melhor os sentimentos diante do que está acontecendo.
    A premissa é muito boa. Talvez dê uma chance para a obra.

  8. Oie 😉

    Li este livro recentemente e também adorei a leitura, principalmente por ele narrar algo que poderia realmente acontecer. Dá até um pouquinho de medo. hahaha
    A única ressalvi que fiz foi as vezes Miranda ser reclamona, mas ao mesmo tempo eu achei totalmente plausível pela idade dela e pela situação que está vivendo.
    Eu recomendo muito a leitura e estou curiosa pela continuação.

    Beijos,
    May

  9. Bruna Vieira disse:

    Adorei a sua resenha! Desconhecia a premissa, mas o livro parece ser muito interessante <3
    Beijo*

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