A Maldição do Vencedor, Marie Rutkoski

Quando o jogo começa, quanto vale uma vida? Kestrel é uma Valoriana pouco acostumada a perder, graças a sua perspicácia e estratégia. Quando se vê encurralada entre uma multidão e um leilão de escravos, o lance certeiro a lava direto para a “maldição do vencedor” e ela se vê detentora de uma vida que nunca desejou e não sabe muito bem o que fazer com ela.

Valorianos e Herranis entraram em guerra muito tempo atras, os derrotados se renderam para uma vida de escravidão regada a humilhações diárias. O povo Herrani, antes orgulhos e muito bem desenvolvido, viu todos os seus bens tomados e seus papéis na sociedade deturpados para que suas vidas fossem poupadas. Já os Valorianos, opressores daquela nova sociedade que se formava, criaram um império mantido por batalhas constantes, por conta disso, nenhuma vida poderia ser desperdiçada em tradições brutais e arcaicas e toda e qualquer pessoa teria que se casar ou entrar para o exército aos dezessete anos ajudando em seu crescimento, de uma forma ou outra. Mostrou-se com o tempo que os estudos militares intensos, tanto teóricos quando em práticas de combate, juntando ao poder estratégico, fizeram com que os comandantes se destacassem a manter suas fronteiras.

Kestrel Trajan é uma lady valoriana, filha do grande General Trajan. Ela mostra suas dificuldades em se adequar às regras da comunidade: andar sempre com um séquito, ser uma lutadora excepcional, entrar para o exército ou se casar por fim. São escolhas difíceis, principalmente quando seu pai é um general de tamanho destaque e sua vontade genuína seja viver com os dedos sob teclas de piano, coisa que é vista com tanta excentricidade e inadequação por todos os valorianos para uma jovem lady.

Arin é o escravo usado como chamariz para atrair Kestrel na compra, plano arquitetado por Logro, um leiloeiro herrani que tem liberdade demais entre os opressores. O garoto logo mostra sua habilidade como ferreiro, sendo designado pelo mordomo para tarefas para os soldados do General Trajan, e assim, ele acaba conhecendo mais da casa, mais da rotina e mais das estratégias. O que acontece é que graças a tudo isso ele se aproxima de Kestrel na mesma velocidade que se aproxima de seu objetivo. Qual revolução chega primeiro?

    Minha opinião

Comecei a leitura bem empolgada, me sentindo cada vez mais puxada para a história. Essa ideia de um povo dominando o outro, da forma como nos foi apresentada por Marie Rutkoski é muito interessante, até bastante paupável. Achei até que poderia se tratar de algo voltado para uma distopia, mas tive uma grata surpresa ao constatar que se tratava de uma fantasia (eu tenho a mania de ler os livros sem saber muito sobre eles).

A narrativa da autora é gostosa, como eu disse, me senti encantada e presa naquele universo, que acabou por me lembrar um pouco romances históricos. O rítmo dele é meio variável, em algum momento fiquei me perguntando se estava lento demais ou se faltava um pouco de objetivo, mas ainda estava curtindo porque eu achei a criação de personagens muito legal, sensível ao ponto de amá-los ou odiá-los, daqueles que você não coloca num mesmo saco.

O problema, algo que incomodou e que começou a fazer com que eu me sentisse estranha lendo, porque esse livro me deu um mix de emoções, é que Kestrel, uma garota de 16 anos que sente falta de viver uma liberdade nunca experimentada, que não é favorável a ideia de ter apenas duas escolhas na vida e que se vê muitas vezes longe de uma das coisas que mais ama, pode simplesmente seguir suas ações baseadas em uma paixão quase instantânea. Senti que muitas vezes ela se traía por isso, e fiquei triste, fiquei me questionando se uma heroína precisa de fato viver e tomar suas ações tão ligadas às decisões de seus interesses amorosos, ainda que eu seja defensora do altruísmo e tudo mais.

Terminei o livro querendo logo ler o segundo, porque eu ainda acredito na Kestrel, gostei muito dela e gostaria que a força e determinação fizesse com que ela tomasse as rédeas da vida dela da forma como ela bem desejar. Eu indico o livro, porque eu acho que a história tem potencial porque ela nos faz refletir sobre a ideia de opressor e oprimido, e como essa ideia é frágil.

amaldicao_capa
 
A Maldição do Vencedor (The Winner’s Curse)
Marie Rutkoski
Plataforma21
328 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 27,90)
 
 
 
 

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10 Discussion to this post

  1. Luciana Campos disse:

    Oi, Laryssa! Primeiramente, eu compraria esse livro sem titubear só pela capa e pelo título que super me instigaram. Depois disso sim, partindo pra história, não entendi bem o início da resenha com isso de ela ser encurralada, ganhar a vida de outra pessoa e junto com isso uma maldição. Mas estranhezas à parte, gostei da Kestrel e por mais que você tinha dito que o ritmo às vezes é lento, eu fiquei com a impressão de que pelo menos o início é bem rápido e o ambiente em que se passa a história também é bem peculiar.

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi, Luciana

      Então, no mundo do livro existe escravidão, por isso ela “ganha a vida de outra pessoa”, desculpe se isso não ficou claro. No início o ritmo é bem gostoso mesmo, queria chegar logo ao fim, mas aí eu fui meio que desanimando por questões mais pessoais, coisas que não funcionaram para mim, sabe? Ainda vou dar uma chance pro segundo, como disse na resenha, espero ser surpreendida.

  2. Miriã Oliveira disse:

    Eu fiquei tentada a ler este livros,pois adoro livro que não são previsíveis que fica aquela duvida até o fim do livro
    O que acontece com ela no final??? Qual das duas opções ela vai escolher???
    Muito bacana

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Miriã

      Acho que vai curtir esse, o Arin é um personagem muito maravilhoso. Quero ver o que as decisões da Kestrel vão fazer com a vida dela no segundo livro, pra dizer a verdade.

  3. camila rosa disse:

    Oi, tudo bom?
    Gostei da resenha, o livro parece ser bem interessante, fiquei curiosa para saber mais sobre essa coisa de um povo dominando outro e essa coisa de deixar que nossos interesses amoroso interfiram em nossas ações é complicado, estou meio na duvida ainda se leio ou não.
    Beijos *-*

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Camila,

      Esse desenvolvimento é bem interessante, acho que no segundo livro a questão de dominância pode ser mais retratado, queria saber mais do passado e das guerras, sabe? Eu acho que a Kestrel ainda tem muito a aprender, ela é muito nova, então não perdi as esperanças.

  4. suzana cariri disse:

    Oi!
    A capa desse livro e linda e assim que soube desse lançamento fiquei doida para ler, mas sempre pensei que fosse um distopia e me surpreendeu saber que temos uma fantasia. Gostei da historia e estou curiosa para poder conhecer os personagens e mais sobre essa historia !!

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Suzana,

      Então, eu não senti que se encaixava em uma distopia porque acontece em um mundo que não existe, mas aqui tem a questão de um governo autoritário que prioriza minorias. Leia o livro, acho que é mesmo a melhor forma de saber de fato se funciona para você. Estou esperando ter acesso ao segundo pra matar minha curiosidade.

  5. micaela gomes disse:

    Primeiro: As capas dessa série de livros são impecáveis, e eu as amo. Leria, sim apenas por causa delas. Mas a premissa conta e muito e tudo que resta a dizer é que eu preciso ler esses livro de imediato!

    • Laryssa Tavares disse:

      Micaela, as capas são lindas mesmo, e conseguem transmitir bem a ideia geral do livro. Como é um livro introdutório, muita coisa pra ser apresentada e assimilada, eu sinto um ritmo diferente, mas sem dúvida a escrita da autora é muito boa, vale a pena sim.

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