Doadores de sono, Karen Russel

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Uma epidemia assola os Estados Unidos e milhares de pessoas perdem a capacidade de dormir. Corpo do Sono é uma organização que persuade sonhadores saudáveis a fazer doações para os insones. Trish Edgewater, cuja irmã, Dori, foi uma das primeiras vítimas da insônia letal, há sete anos recruta doadores para a organização. Mas sua crença na empresa e nas próprias motivações começa a vacilar quando ela é confrontada com a Bebê A, a primeira doadora universal, e com o misterioso e maligno Doador Q. Vem saber mais sobre Doadores de sono:

Uma epidemia de insônia letal vem, há quase uma década, assolando os Estados Unidos: as vítimas, os chamados orexinas, sofrem de uma perda total do sono. A protagonista Trish, trabalha para o Corpo do Sono, uma organização sem fins lucrativos, que recebe doação de sono de pessoas saudáveis e as transfere para pessoas que necessitam. Dependendo do caso, uma única doação de sono saudável é capaz de curar os doentes de forma que eles nunca mais necessitem da transfusão.

Será que importa se somos sinceros no que dizemos, se o mero fato de dizer salva vidas?

O Corpo do Sono é supervisionada pelos irmãos gêmeos Storch, ex-empresários que ficaram muito ricos no cenário de assentos sanitários ergonômicos, mas que no auge da Crise de Insônia abandonaram os negócios e foram se dedicar, de forma altruísta, à organização. Por um lado, algumas pessoas acham difícil acreditar no caráter generoso da ação dos irmãos, mas por outro, muitas pessoas se inspiram neles para se voluntariar também. Trish trabalha na angariação de novas doações para a organização. O público fica extremamente receptivo a abordagem dela sempre que menciona sua irmã Dori, uma das primeiras vitimas da insônia terminal, e que poderia ter sido salva, caso tivesse recebido uma doação de sono.

Durante um ano e sete meses, Dori mal dormiu. Então, enfim, a perda foi completa. O último dia da minha irma se desenrolou sem levar em conta lua ou sol. Morreu acordada depois de vinte dias, onze horas e quatorze minutos sem dormir. Trancada dentro do próprio crânio, sem conseguir alçar voo.

Em uma campanha para atrair novos doadores, a protagonista conheceu a família Harkonnen e sua filha, que mais tarde ficaria conhecida como Bebê A. O sono desta criança, em particular, foi submetido a vários testes, assim como todas as doações, e concluiu-se como sendo o sono mais puro existente. Um sono completamente livre de pesadelos e outras anomalias. Por outro lado, um doador anonimo, que também foi submetido às mesmas avaliações e as completou com, êxito, foi responsável por espalhar um sono contaminado, que quando manipulado e entregue aos receptores causou pesadelos horríveis. Ele ficou conhecido como Doador Q.

O que causa a disfunção em uns cérebros e não em outros? Será que essas pessoas têm alguma predisposição genética a permanecerem acordadas? Uma consciência mais intensa? Ou será a disfunção provocada por condições do ambiente da pessoa? Ninguém sabe. Essa é a pergunta de dois bilhões de dólares.

O caos se instaurou rapidamente em todo o país e as pessoas, chamadas de insones, preferiam morrer por falta de sono do que ter os pesadelos descritos pelos infectados. O Corpo do Sono tem agora que que tentar controlar a situação, recuperar as doações que diminuíram muito com o avanço das notícias e acalmar os receptores, além de impedir que o Doador Q faça uma nova doação.

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    Minha opinião

É impossível ler a ficção de Karen Russell e não fazer uma analogia com quaisquer outro tipo de doações existentes na nossa sociedade atualmente, como: órgãos, sangue, medula, entre outros. Ela cria um universo distópico para apelar para a consciência do leitor quanto à necessidade de ajudar ao próximo. Palmas para ela nesse quesito! O livro está repleto de dilemas e questões éticas que inserem o leitor no lugar da protagonista e os fazem refletir sobre o que fariam no lugar dela.

É uma crise de fé. Os doadores se recusam a ceder seu sono; beneficiários que estão há meses nas nossas listas de espera agora recusam as transfusões. De repente, como se o impossível estivesse acontecendo, temos de publicar anúncios para recrutar os insones.

A ambientação do livro é bem rápida e não é cheia de termos difíceis que possam confundir o leitor. Durante a leitura me deparei com alguns errinhos de diagramação, que não chegaram a atrapalhar a leitura, mas também não passaram desapercebidos. Por outro lado, a capa do livro é maravilhosa e foi muito bem pensada. Ela não é igual a capa original, mas recebeu uma atenção especial: nas letras, observando-se de baixo para cima, é possível ver o degradê de cores, formando o amanhecer e com as estrelas de fundo (mas também pode ser que nem foi essa a intenção deles e estou viajando haha).

Se eu parar de contar a história de Dor, às vezes me pergunto, para onde ela irá?

Achei o livro perturbador em alguns momentos, não de forma assustadora, mas causa um leve desconforto em ver a relutância e ignorância das pessoas em doar devido a um caso de infecção que colocou o sistema em risco. Fora isso, algumas coisas ficaram sem explicação, algumas dúvidas não foram respondidas e o final foi meio abrupto. Sinto que a autora deveria ter preparado melhor o leitor para o final, não deu pra perceber o desenrolar que a protagonista estava preparando, mesmo o livro sendo em primeira pessoa. É uma leitura válida para fazer reflexões mais sérias sobre a vida e o livro é curtinho, só 166 páginas.

E Deus sabe que, na vida desperta, também já trabalhei com muita gente que parece ser biologicamente incapaz de aceitar qualquer doação humana – quer seja de sangue, de medula, de sono, de crítica, de elogio, de dinheiro, de amor. Há certos dias em que sei que sou uma delas. A gente descobre que não é compatível com o doador, Ou, então, tem a sensação de que o ato vai roubar parte da sua liberdade.

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Doadores de sono (Sleep donation)
Karen Russel
Galera Record
168 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 26,30)
 
 
 
 

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Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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7 Discussion to this post

  1. Acabei de ler uma resenha um tanto negativa sobre esse livro.
    Gente, e eu jurava que esse livro era maiorzinho um pouco… Por isso a falta de explicações de algumas coisas.
    Beijos

  2. Miriã Oliveira disse:

    É tão bonito a forma como a autora consegue usar uma coisa, pra chamar a nós atenção de como nós somos somos ignorantes e que só pensamos em nós mesmos.Adoro livros que passam uma lição para nós leitores

  3. Luciana Campos disse:

    Oi, Ju!
    Já tinha visto uma resenha desse livro e ele já estava na minha lista de ‘quero ler’ só pela originalidade do tema. Achei uma sacada muito boa essa epidemia de insônia e as doações, e como isso pode facilmente ser comparado a outros tipos de situações. Fiquei muito curiosa pra saber como as doações são feitas, além de intrigada com o fato de a autora escrever algo inovador e bom em só 166 páginas, acho que ela poderia ter escrito até mais.

  4. Clayci disse:

    Estou apaixonada pela capa desse livro, só isso que tenho a dizer ahuiahuihaiuah

  5. camila rosa disse:

    Oi, tudo bom?
    Achei a proposta do livro super bacana, essa coisa de doar sono, bem original, gostaria muito de ler o livro, não li muitos livros do gênero distópico, mas os que li me fizeram gostar do gênero, espero ter a oportunidade de ler esse livro.
    Beijos *-*

  6. Suzana cariri disse:

    Oi!
    Ainda não conhecia esse livro mas achei bem interessante a proposta da autora, ainda mais ela conseguindo utilizar essa história para se falar de um assunto tão importante como a doação de órgão, se tiver oportunidade quero ler esse livro !!

  7. micaela gomes disse:

    so por essa premissa sobre uma epidemia extinguir a capacidade de dormir já me deixa curiosa para saber mais. Admito que não conhecia a obra e em o autor porém a história me chamou bastante atenção. procurarei lê-lo.

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