Winter é uma garota bela, doce e muito amada pelo povo de Luna. Ela é também a enteada da Rainha Levana, a tirana que comanda o país. Por meio de manipulações com o dom lunar, o uso exacerbado do glamour para que a achem a mais bela de todas e uso de mutantes como soldados, são homens transformados em feras lupinas cheias de sede de sangue e uma fome insaciável o medo é imposto.

Esse livro faz parte da série Crônicas Lunares, trazendo o desfecho da trama. Se você não leu os outros três livros (Cinder, Scarlet e Cress), aconselho que largue essa resenha por aqui e vá ler a série o quanto antes.

Crônicas Lunares funciona como recontos integrados daquelas histórias tão famosas pela Disney na nossa infância, os contos de fadas. Há uma mistura de ficção científica, romance e distopia, tudo na medida certa, para trazer novas significâncias aos acontecidos.

Começamos com Linh Cinder, que nos mostra uma Cinderella ciborgue com próteses no pé esquerdo e na mão e boa parte do corpo (36,28%) substituído por sistemas sintéticos. Ela luta, no dia-a-dia contra o preconceito que sua classe sofre, sobrevivendo pequenas batalhas com a ajuda de sua amiga Iko, uma androide que possui um chip de personalidade defeituoso (e muito divertido). Sua madrasta, Lihn Adri, é uma mulher extremamente abusiva que a vê como propriedade e resolver tirar todo o proveito que sua habilidade como mecânica pode prover, incentivando inclusive o mesmo comportamento de suas filhas, Lihn Pearl e Lihn Peony, esta última foge um pouco a regra, porém não há muito o que possa fazer para mudar isso. Além de tudo isso, ela é uma das milhares de jovens que sofre uma paixonite pelo jovem imperador Kai, das Comunidade das Nações Orientais. Cinder ainda descobre da pior forma, sendo humilhada no Baile Anual da Paz oferecido pelo palácio, que é uma lunar imigrada e é quando Levana, tomada de susto, exige para que seja presa e entregue sob custodia de Luna como mostra terráquea de paz.

Em Scarlet, conhecemos uma outra versão de Chapeuzinho Vermelho. Ela é Scarlet Benoit, uma garota da França, na Federação Européia. É corajosa, sarcástica e de força de caráter inigualável, criada por sua avó em uma fazenda, tendo grande contato com a natureza. Seu destino se cruza tanto com Lobo, um soldado mutante de Levana, quanto com Cinder e Capitão Carswell Thorne – um criminoso procurado por crimes cometidos em vários países que acaba convencendo Cinder a levá-lo em sua fuga da prisão prometendo ajuda em seus propósitos.

Cress, uma Rapunzel hacker e cascuda – como são chamados os lunares sem dom, muito temidos por serem imunes às manipulações – entra em contato com a tripulação da Rampion (nave espacial de que Thorne rouba da República Americana) para ajudar Cinder com informações, quando a suspeita de que ela é Selene, a princesa perdida, se confirma. Cress é usada por Levana para obter toda uma série de dados e quebrar qualquer barreira tecnológica que possam existir no caminho. A tripulaçãoo a vê como uma adição proveitosa, e Thorne acaba não resistindo ao resgate de uma donzela em perigo, causando uma confusão: ele fica preso no satélite em que Cress é mantida prisioneira até pensar em uma forma de tira-los de lá e Jacin, o guarda real é capturado no processo junto aos da Rampion. É assim que ela chega ao grupo, após passar por várias aventuras que a aproxima dos envolvidos descobrindo um mundo que ela só via pelas telas.

Cinder ficou olhando boquiaberto para a madrasta, a raiva eclipsada por uma onda surpreendente de pena. Aquela mulher era tão cheia de ignorância que era quase como se quisesse continuar assim. Ela via o que queria, acreditava em qualquer coisa que apoiasse sua visão limitada do mundo. […]

E por fim, depois de uma miscelânea de ideias, informações e personagens, temos em Winter o desfecho da série e o reconto de A Branca de Neve. A garota encantadora que é motivo de irritação e inveja de sua madrasta, porém, é adorada por todos por sua gentileza, encanto e beleza, ainda que três cicatrizes em seu rosto marquem a crueldade de Levana em uma vingança.

– Todos acreditam que estão fazendo o bem. – Ela inclinou a cabeça para o lado e observou Scarlet com os olhos cansados. – Minha madrasta não é poderosa só porque as pessoas têm medo dela, ela é poderosa porque pode fazer com que as pessoas a amem quando precisa. Nós achamos que, se escolhermos fazer só o bem, somos apenas bons. Podemos fazer as pessoas felizes. Podemos oferecer tranquilidade ou alegria ou amor, e achamos que isso deve ser bom. Nós não vemos a falsidade se tornando um tipo particular de crueldade.

Ela se recusa a usar seu dom lunar e muito menos usar o glamour para disfarçar suas marcas apenas para que os outros a vejam de forma diferente, assim, ela acaba por desenvolver a doença lunar que dá a ela instabilidade mental, com alucinações desgastantes ao corpo e a mente. Jacin é o guarda real que dedica sua vida a protegê-la, sendo seu amigo de infância, e entregando sua lealdade de fato a ela. É ele quem diz a Winter que Selene está vida, pronta para começar uma revolução e tomar seu trono por direito junto aos aliados e a quem mais puder se juntar no intuito. E é também ele, Jacin, quem Levana decide ser o escolhido para matar Winter acabando assim com ao menos um de seus problemas da melhor forma possível.

– As paredes estão sangrando. O candelabro também, e caiu no meu ombro, e acho que está manchando meus sapatos, estou sentindo o cheiro, o gosto, e por que… – A voz dela se descontrolou de repente. – Por que o palácio sente tanta dor, Jacin? Por que está sempre morrendo?

E é nessas fugas, encontros, desencontros, alguns membros perdidos e muitas piadinhas apropriadas, que podemos descobrir se Luna entra finalmente em Nações Terráqueas.

– Quebrada não quer dizer impossível de consertar.

    Minha opinião

A série vem construindo um enredo bem intricado desde o primeiro volume, como mostrei acima. Desde o começo informações relevantes são entregues, conexões vão sendo formadas e personagens cada vez mais interessantes e profundos são apresentados.

Marissa Meyer nos entrega características, mesmo que retratadas em um mundo fictício, que nos faz pensar. Como Cinder, com seus membros de próteses, que sofre o preconceito por tal condição, mas com a abordagem de que esse sistema acaba por beneficiá-la. Temos Scarlet, uma mulher forte, destemida – ou que engole seu medo porque sabe o que deve fazer. Cress é uma garota inteligente, lutando contra a solidão da forma como pode, além de ser expert em uma área nem tão dominada por homens. E por fim temos Winter, uma protagonista negra.

A narrativa em terceira pessoa vai nos carregando nos vários atos do livro, e dessa forma você não fica preso apenas a um ponto de vista. Você sente por todos ali, e compreende de uma forma cativante e empolgante, porque quando você começa a leitura fica a ansiedade para chegar ao final. E devo dizer, o final dessa série não deixou nada a desejar, senti que a história tinha que ir por aquele caminho mesmo, que as decisões tinham que ser feitas daquela forma e que as mudanças na forma como os personagens agem tem muito a ver com tudo o que eles vivem. Quando você vê, mais de 600 páginas passaram e você já sente saudade.

A título de curiosidade, existem alguns contos extras, um livro dedicado a Rainha Levana, intitulado Fairest (ainda não lançado no Brasil) e Stars Above (também não lançado) que conta algumas histórias das Crônicas Lunares e possui um epílogo.

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Winter (Winter)
Marissa Meyer
Rocco Jovens Leitores
688 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 55,60)
 
 
 
 

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12 Discussion to this post

  1. Luciana Campos disse:

    Oi, Laryssa!
    Primeiramente devo dizer que já sou muito apaixonada por essa série (mesmo sem ter lido), e isso se deve às capas maravilhosas. Ainda não comecei porque quero os livros na versão inglês e capa dura, já que o preço dessa e da brasileira é quase a mesma coisa (deixo aqui registrado que acho uma facada). Tentei ler o início da sua descrição de cada livro e evitar os spoilers do final, mas acabei pegando alguns.
    Amo distopias e me encantei muito pelo mundo dessa série, e espero poder conhecer mesmo em breve <3

    • Laryssa Tavares disse:

      Luciana, espero que consiga logo suas versões, são lindas mesmo! Não sou boa na leitura em inglês, então nem penso nisso como uma possibilidade. A série é maravilhosa, a trama é bem construída e tá dentro dos meus livros favoritos da vida, sem exagero. Ando meio saturada de distopia, mas essa série! Maravilhosa! HAHA

  2. Miriã Oliveira disse:

    Nossa, que resenha…
    A série parece ser perfeita, adoro livros que nos transmiti uma lição de vida, adoro livros que tem personagens que mesmo com problemas tanto físicos como familiares, não se abalam…É perfeito

    • Laryssa Tavares disse:

      Miriã,

      É um outro mundo, mas a gente tem que acreditar nos personagens, né? Sejam eles vilões ou heróis, eles tem que te convencer, e esse é o principal pra criá-los, acho. Acho que por isso amo essa série.

  3. Clayci disse:

    Eu super fiquei com vontade der !

  4. camila rosa disse:

    Oi, tudo bom?
    Nossa desde que vi Cinder como lançamento eu sinto vontade de ler a série, mas infelizmente ainda não tive a oportunidade, gosto muito de releituras de contos de fadas, e a escrita por Marissa parece ser espetacular, as capas são lindas e eu ainda não li nenhum livro que fosse assim futurístico como esse, espero poder ler em breve.
    Beijos *-*

    • Laryssa Tavares disse:

      Olá, Camila,

      Eu sou muito suspeita, porque essa série é uma das minhas favoritas. A releitura dela é diferente de tudo que eu já vi, e a distopia é bem diferente também, foge muito do que estamos acostumados. Espero que tenha a chance de ler em breve, série mesmo. Espero que mundo tenha a chance de ler essa série toda uma vez na vida! HAHA

  5. suzana cariri disse:

    Oi!
    Faz um bom tempo que estou interessada nessa serie, e vendo que o ultima livro acaba agradando tanto ao leitor me deixou ainda mais curiosa para ler essa serie, sempre achei esse mundo criado pela autora bem criativo e adorei essa releitura dos contos de fadas que ela faz. A capa ficou linda !!

    • Laryssa Tavares disse:

      Suzana,

      tudo bom? Aproveita essa curiosidade e lê essa série o quanto antes, certeza que não vai se arrepender, viu? A capa de “Winter” é a que mais gosto, a que mais me chama atenção.

  6. micaela gomes disse:

    Olá.
    não daria pra contar nos dedos quantas foram as pessoas que já me recomendaram esses livros, adoro o conceito das releituras dos clássicos. Tenho muita vontade de ler os livro da meyer. Preciso comentar sobre as capas?

    • Laryssa Tavares disse:

      Olá, Micaela

      Menina, ouve essas pessoas, ME OUVE. HAHA A releitura é interessante porque ela aproveitou tudo de uma forma muito intensa no mundo que ela criou, sabe? A capa de “Winter” é a mais bonita, ao meu ver.

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