Amor Plus Size, Larissa Siriani

Maitê é uma garota comum, bem como eu e você, que tem batalhas diárias para encarar. Ela está no terceiro ano do ensino médio, sofrendo a enorme pressão de escolher seu futuro por meio de uma profissão, algo que nem tem lá muita certeza. Além disso, ela vê diariamente Alexandre, seu crush fortíssimo e que ela julga inatingível por um simples detalhe: ela é gorda.

Como uma adolescente passa pelo ensino médio, já com todos os problemas que isso traz, e ainda lida com a pressão estética na sua vida?

Nosso primeiro contato com Maitê é ela já mais velha, estável na carreira, empoderada e tendo aprendido um monte de coisas nos anos que se seguiram aos seus 17 anos. Ela, já uma modelo Plus Size, concede uma entrevista a revista Caprichada sobre sua escalada no ramo da moda e o que tem a ensinar para meninas como ela. Maitê acaba dividindo com Heloísa, a jornalista, – e conosco – um pouco de sua história, bem assim, como se as memórias fossem transformadas em um filme na nossa frente.

A Maitê do ensino médio é bem solitária, suas duas amigas dos colégio estão no segundo ano, Valentina e Josiane, que dão a força e companheirismo que podem antes do começo das aulas ou na hora do intervalo. Ambas compartilham a dor que o bullying de todos, especialmente de Maria Eduarda, causam. Essa garota acaba por transformar os dias de Maitê em uma mostra do inferno por sua crueldade e frequente alfinetadas e humilhações.

E esse “perfeito” de fato existia? Depois do que me pareceram horas de pensamento incessante em meu quarto, comecei a me questionar quanto a isso também. Qual era a graça de ser magra feito uma tábua de passar? Que alegria existia em se privar daquilo que você gosta só para ter um maldito corpo “perfeito”? Quem foi que tinha enfiado na minha cabeça que o certo era ser magra, que ser gordinha não podia ser bonito?

Em casa, sua mãe insiste veemente em dietas e acompanhamentos médicos que parecem mais silenciá-las e ir contra a sua vontade do que efetivamente ser em prol de sua saúde, sobretudo a saúde mental. Cada fator conta para a forma como ela se vê no mundo, como se porta e se retrai e em consequência como o mundo a vê, tudo num movimento cíclico.

Eu não sou quem você quer que eu seja. Eu não sou, nem nunca vou ser a garota das capas de revista. […] Eu não quero perder peso, eu não quero mudar, eu quero me sentir bem do jeito que eu sou. Eu quero me sentir bonita. Quero conseguir olhar no espelho e não ter vergonha do tamanho do meu manequim.

No meio de tudo isso felizmente há Isaac, seu vizinho e melhor amigo. A amizade começou aos 9 anos e depois de muitas vivências e histórias é ele a pessoa capaz de ouvi-la de verdade, trazer conforto e aquele calorzinho no coração. Parece também ser o único a vê-la realmente, tão profunda e intensamente quanto ela não é capaz de fazê-lo.

Isaac é apaixonado por fotografia e seus aparatos, fato que herdou de seu pai. Em um ensaio, meio que de brincadeira, feito por ele tanto para testas sua câmera nova quanto para tirar Mai da bad que um coração partido pode causar, ele consegue imprimir a beleza de Maitê, fato que a deixa admirada por se enxergar daquela forma pela primeira vez. E que chama a atenção de Marcelo, um amigo do pai de Isaac, agente de modelos Plus Size com a proposta que mudaria os caminhos que ela tinha a seguir, ampliando tudo que ela conhece até o momento.

Disto isso, ela perguntou quantos de nós achavam estar acima do peso. Fiquei chocada com a quantidade de pessoas que ergueram a mão. Praticamente todas as meninas e pelo menos um terço dos garotos da sala. Então ela quis saber quantos já tinham apelado para dietas extremas, ou tratamentos milagrosos para perder peso. Quase todos os meninos abaixaram a mão, mas mais da metade das meninas permanecia com os braços erguidos. […]

    Minha opinião

A primeira coisa que você precisa saber é que eu tenho muitos problemas em ler literatura nacional, não porque eu seja metida ou algo assim, mas porque o trauma vem da escola, e eu quase nunca consigo achar autores que me agradam nas minhas tímidas tentativas.

Meu primeiro contato com esse livro foi a divulgação da capa pelo facebook da editora, e já fiquei com vontade de ler por dois motivos: compartilho o mesmo nome que a autora (não me julguem) e senti que ali teria um cadinho de representatividade pra mim, coisa que bato na tecla sempre, porque importa e muito. A gente lê livros em que mulheres gordas não existem, em que ter uma barriga lisa mesmo comendo o que quer é perfeitamente normal (nunca esqueço de ler isso em outro livro nacional, o cara exaltando essa característica na namorada). O fato é que ou gordo é engraçado, alívio cômico descarado, amigo do peito e coisas do tipo, ou ele nem tá ali, e a sensação é que somos invisíveis.

A Larissa trouxe para a minha vida algo que eu queria muito ter lido aos 15 anos, tanto por ser uma literatura gostosa e bem desenvolvida, quanto pelo empoderamento que a gente precisa. Ela trata da nossa realidade, dos problemas em família daqui, do vestibular que nos deixa transtornados, e principalmente da pressão estética e da imposição dos padrões – coisas que deixam as pessoas gordas e magras atrás de algo praticamente inalcançável, ainda mais de forma saudável.

Eu me vi na Maitê, eu passei por tanta coisa que ela passou, acho que esse é um dos motivos de ter favoritado esse livro sem nem pensar duas vezes. Eu me reconheci tanto nessa personagem principal, que é tão real, e reconheci tantas outras pessoas que agiram na minha vida como a Maria Eduarda age na dela. Os personagens, suas atitudes, tudo muito condizente com a realidade, a mãe com essa obsessão com a perda de peso da Mai, os amigos que vão ouvir e tomar as dores, e até a vilã, a Maria Eduarda, que pode parecer forçada, mas ali no finzinho dá uma ideia bem básica e simples: a imposição de um padrão estético não é bom para ninguém. A gordofobia tá aí, ainda que muitos riam disso como se nem existisse. O silenciamento tá aí também. Então fica aqui a mensagem, da Larissa e minha.

Amor Plus Size me deixou bastante intrigada para ler outras coisas da Larissa, me convidando pela escrita gostosa de ler. E me deixou feliz, porque a gente tem uma autora escrevendo para um público que é esquecido, mas encontra o calorzinho no coração para seguir combatendo a insegurança e ir no caminho de ser amar mais e mais numa luta intensa contra os padrões.

Mas o que ela e todas as outras pessoas precisam entender era que eu não estava daquele jeito por escolha. Ninguém acorda um dia e pensa: hum, acho que a partir de hoje vou ficar obeso. Não se trata de uma decisão prática, uma escolha que a gente toma e da qual pode se orgulhar, porque todos os dias pessoas vão rir de você e dizer como você é imperfeita. […]

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Amor Plus Size
Larissa Siriani
Editora Verus
280 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 29,90)
 
 
 
 

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4 Discussion to this post

  1. camila rosa disse:

    Oi, tudo bom?
    Gostei da resenha, o livro parece ser bom, ao contrário de você eu amo dar chance aos livros nacionais e concordo com o fato de que é muito raro vermos as protagonistas gordinhas, esse também foi um fato do livro que me chamou a atenção, não passei por dificuldades na escola como a protagonista, porque sou magra como taquara rachada hahaha mas acho importante ler livros que tratem da realidade de muitos, como você que acabou se identificando com acontecimentos do livro. Espero ter a oportunidade de ler em breve.
    Beijos *-*

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Camila,
      Eu tento dar essa chance vez ou outro, mas a escrita acaba não me agradando. Acabo desistindo, mas quando acho um autor que me agrada, aí eu tento ler o máximo possível desse autor.
      Representatividade é muito importante, acho que faz a gente ter mais empatia com as coisas ao nosso redor, né? Mesmo que a gente não passe pelas situações que aquele personagem passou, a gente por se colocar no lugar dele.
      Leia sim, acho que vale a pena.
      Beijos!

  2. Larissa Costa disse:

    Não sei se é por ter o mesmo nome da autora também, mas deu uma vontade de ler esse livro!! Acho uma temática super importante, que deve sim ser abordada. Bjs.

    • Laryssa Tavares disse:

      Eu comecei a querer ler pelo mesmo motivo que você. Aí a temática, que tem tudo a ver com as coisas que eu passo, e pra fechar com chave de ouro: dar uma chance a literatura nacional. Beeijos.

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