Fellside, M. R. Carey

Viciada em heroína, Jess Moulson é acusada de ter incendiado o seu apartamento e matado por acidente uma criança. Enviada para Fellside e convivendo com as prisioneiras mais perigosas do bloco de segurança máxima do complexo, Jess vive afundada em culpa e medos e tem certeza de que aquele é mesmo o lugar que merece. Até que começa a ouvir a voz de uma criança. Uma criança morta, que tem uma mensagem para Jess. Deu medo? Vem saber mais sobre Fellside:

Jess é uma viciada em heroína que se queima gravemente em um incêndio em seu apartamento. Ela acorda no hospital, com metade do rosto queimado e sem lembranças do ocorrido. A protagonista descobre então que é a principal acusada pela morte de uma criança, Alex, no incêndio que ela começou. Os dias seguem todos borrados na cabeça de Jess, até que chega o dia do julgamento. O advogado dela, Brian Pritchard, tentou defendê-la alegando que a protagonista tinha um relacionamento com uma pessoa abusiva e agressiva, John, do qual ela tentava sair há algum tempo. Jess se lembra apensas de ter começado a queimar as fotos dos dois juntos.

Você me entendeu mal. Não é o que eu estou te pedindo. O que eu estou pedindo é que você se atenha aos fatos, onde você está segura, e pare de se lançar de cabeça em algo obscuro e distante que você tem assumido como verdade. É uma jornada perigosa, e você não deve tentar percorrê-la sozinha.

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A mãe de Jess, Paula, adoeceu enquanto a garota estava na faculdade, levando-a a abandonar o curso para cuidar dela. A protagonista não possui amigos próximos ou outros familiares, seu contato mais chegado é com sua tia, Brenda, que em uma visita à cadeia a lembrou de sonhos antigos que Jess costumava ter enquanto criança, com anjos e incêndios. Ela é condenada por homicídio culposo e vai acabar parando em Fellside, um presídio de segurança máxima. A vida de Jess já estava caindo aos pedaços e a morte de Alex foi o último prego em seu caixão. Ela sucumbe de vergonha e culpa, disposta a ser presa, apesar de não ter lembranças dos eventos da noite. No primeiro terço do livro, a protagonista perde sua vontade de viver e decide fazer uma greve de fome. Com isso lhe é concedida a permissão de poder morrer da forma mais humanamente possível, dentro das circuntâncias, e Jess não fica no mesmo espaço que o restante da população penitenciária, mas sim na enfermaria do presídio.

Nos tempos de vício, ela tinha vivido por tanto tempo num lugar onde nada importava, onde ela não tinha âncora alguma. Se existisse algum sentimento real em sua vida, tinha sido aquela ligação tênue, aquela compaixão fútil em relação ao garoto magricela na escada que mal conversava com ela. Matar Johh teria sido suportável. Compreensível. Matar Alex Beech era algo completamente diferente. Não havia como se recuperar disso. Ela sequer vivia num mundo onde fosse possível se recuperar disso.

Enquanto Jess está morrendo, ela encontra alguém que a convence a viver. Fellside tem uma série de personagens diferentes, incluindo os outros presos, a equipe médica e os guardas que possuem seus próprios interesses. A chegada de Jess no bloco Goodall faz com que todos se preocupem e, como esperado, os presos estão divididos sobre ela: de um lado acham que ela é, de fato, uma assassina de criança condenada, mas de outro, realmente esperam uma pessoa com essas supostas características para se juntar ao grupo.

Diferente era uma boa palavra, escolhida com todo cuidado. Certamente não pareceu tão bonita d perto quando as portas se abriram e Jess vislumbrou Fellside pela primeira vez ainda no interior da ambulância.

    Minha opinião

O livro é narrado em terceira pessoa, o que eu considero menos duvidoso em histórias que envolvem perda de memória e confusão do protagonista. A ambientação do livro é muito lenta e quando não se trata de um livro de fantasia, pode desanimar alguns leitores. Até o primeiro quarto do livro não havia acontecido muita coisa na história. M. R. Carey escreveu um romance pensativo que faz uma ponte entre o funcionamento cotidiano de uma prisão de segurança máxima e ilustra ao leitor como são atividades em um presídio privatizado. O autor aborda ainda como ele vê o contato humano com o “outro lado”.

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Se eles não estão com medo, então eles estão escondendo alguma coisa. É isso que a polícia faz. Esconde as coisas. Fazem parecer que você cometeu um erro quando não fez nada de errado, e fazem parecer que estão sempre certos.

Fellside é uma história dolorosa, onde coisas ruins acontecem a pessoas boas e más, mas também é um passeio paranormal em que, se o leitor tiver lido o suficiente para se imergir na narrativa, não conseguirá largar o livro até ter terminado-o. A editora Rocco me mandou uma prova de trabalho do livro (e eu adoro quando as editoras fazem isso!) e eu me surpreendi com a história de Jess e do restante dos personagens. O fator sobrenatural me convenceu, mas tenho que apontar que várias pontas ficaram soltas na leitura. Para os leitores que gostam de histórias que tentam explicar como funciona, supostamente, a relação dos vivos com o outro lado, é uma boa indicação.

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Fellside (Fellside)
M. R. Carey
Fábrica231 (Rocco)
462 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 45,79)
 
 
 
 

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Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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2 Discussion to this post

  1. Larissa Costa disse:

    Eu gostei do enredo e tal, mas se é uma leitura que se tornará lenta, não irá me cativar.
    Fiquei curiosa pra saber o que acontecerá com a personagem no final do livro; quero saber se ela terá amigos ou até mesmo um paquera no bloco goodall.

    • Juliane disse:

      Oi Larissa, infelizmente a ambientação é meio lenta mesmo, mas o livro conseguiu me cativar do meio para o final.
      Se resolver apostar na leitura depois, me diga o que achar!
      Beijos!

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