A Sociedade da Rosa, Marie Lu

A série Jovens de Elite fala sobre preconceito, extremismo religioso, traição e o poder da ambição. Se você não leu o primeiro volume da série pode encontrar spoilers por aqui, então aconselho a ler o livro e vir ver minhas impressões da série.

Em “Jovens de Elite” temos a apresentação de um novo mundo criado por Marie Lu. Nessa fantasia, uma doença conhecida como Febre do sangue atacou a população de Kenettra, deixando várias mortes em seu caminho e marcados aqueles que sobreviveram, conhecidos como malfettos e marginalizados na sociedade, mudando assim toda a forma de organização e tratamento das pessoas marcadas/não marcadas.

Alguns nos odeiam, pensam que somos fora da lei a serem pendurados na forca. Alguns nos temem, pensam que somos demônios a serem queimados na fogueira. Alguns nos adoram, pensam que somos filhos dos deuses. Mas todos nos conhecem. — Fonte desconhecida sobre os Jovens de Elite.

Adelina Amouteru e sua família foram pessoas que sofreram pela febre, ela e sua irmã sobreviveram, mas sua mãe faleceu, o que modificou a estrutura familiar – as meninas foram deixadas à mercê de um pai bastante instável e cruel. Nossa protagonista é uma dessas jovens marcadas: seu cabelo tem a cor pálida e dependendo da luz incide prateado, além disso, um de seus olhos foi removido e há uma cicatriz grotesca em seu rosto. Para seu azar, sua irmã não possui nenhuma marca e se apresenta como uma das jovens mais bonitas, acendendo o fogo da ambição no pai delas.

O rei e a rainha de Kenettra tratam os malfettos como serem inferiores, odiados pelos deuses, uma abominação. Logo, a Inquisição, a força militar do país, é incentivada a tratar essas pessoas da pior forma possível, os tornando culpados dos pequenos aos grandes erros, e incitando o resto da população a delatá-los em troca de favores ou dinheiro. Porém, há entre os malfettos jovens especiais, marcados pela febre tanto fisicamente quanto com poderes especiais.

Quando Adelina resolve fugir da tortura que é viver com seu pai, um homem maldoso e ambicioso que faz de tudo para fazê-la revelar algum poder, acaba por mata-lo e vai presa pela Inquisição. Quando está está para ser queimada, a Sociedade dos Punhais, malfettos com poderes, vem ao seu resgate liderado por Ceifador, nome pelo qual é conhecido o príncipe Enzo.

Com eles, principalmente com a ajuda de Rafaelle, um acompanhante da Corte Fortunata, capaz de sentir a energia dos Jovens, ela aprende mais sobre o poder de ilusão que carrega dentro de si. Também se fortalece, aprende mais sobre como os poderes estão ligados a forma como se muda a energia do mundo ao seu redor e parte junto a eles na revolução para derrubar a coroa de Kenettra.

O medo cria as ilusões mais fortes. Todos têm a escuridão dentro de si, por mais escondida que seja.

Adelina pensa que as coisas podem dar certo, mas Teren Santoro, o chefe da Inquisição chega até ela e a chantageia para conseguir informações da Sociedade dos Punhais, usando a posse da irmã como barganha. E é dessa forma que tudo acontece, resultando em traição, a morte de Enzo e a expulsão de Adelina, que é deixada a sua própria sorte com Violetta, sua irmã, que apresenta um poder curioso, parecido com de Rafaelle: ela sente a energia dos Jovens, porém, é capaz de tirar o poder deles por algum tempo.

Em “Sociedade da Rosa”, temos uma Adelina mais poderosa, mais consciente de seu poder e do alcance que ele pode ter. Ela já matou antes, e nesse livro, tem cada vez mais em sua cabeça que mataria de novo, sempre que necessário para alcançar seus planos.

Estenzia, uma das cidades mais promissoras da coroa, é onde Adelina planeja juntar seus próprios Jovens de Elite para ajudar os malfettos perseguidos pela Inquisição, se vingar de Teren e também mostrar do que é capaz para os Jovens de Elite. Com Violetta, ela chega a um jovem em particular, muito conhecido e até então inalcançável: Magiano. Seus feitos são narrados pelos mares, e seu talento dispensa qualquer apresentação. Magiano é um malfetto capaz de imitar o poder de outros, e com isso, se torna ainda mais precioso.

O medo motiva, mais do que o amor, a ambição ou a alegria. O medo é mais poderoso do que qualquer outra coisa no mundo. Passei muito tempo ansiando por essas coisas – amor, aceitação – de que na verdade não preciso. Não preciso de nada, exceto a submissão que vem do medo. Não sei por que levei tanto tempo para aprender isso.

Ele lança um desafio a Adelina, se ela roubar o alfinete de diamante do Rei da Noite – o homem que comanda a cidade – antes dele, conseguirá seus serviços em troca de bens inimagináveis. Adelina e sua irmã se passam por acompanhantes e chegam a companhia do nobre, cumprindo a missão a tempo. O problema se dá quando tentam sair dali ilesas, e então a escuridão fala mais alto dentro de Adelina e ela acaba por matar o Rei da Noite, deixando toda a cidade em um caos.

Magiano, como prometido, as ajuda. Perplexo com a capacidade de Adelina. Ele é conquistado pela possibilidade de um futuro rico, assim como muitos dos mercenários que trabalhavam para o Rei da Noite, que agora entregam sua lealdade a promessa da coroa de Kenettra, que pode ser de Adelina.

Já os Punhais tem um plano diferente. Eles vão ao país conhecido como Beldain, onde a nova Rainha Maeve também é uma Jovem de Elite, e onde os malfettos são vistos como um presente dos deuses, sendo tratados de forma extrema a Kenettra. O poder da Rainha Maeve é diferente, e com propósitos de estreitar relações entre os dois países – outrora em guerra – será usado para trazer alguém de seu interesse para o trono: ela pode trazer pessoas mortas do submundo de volta a vida, e com isso, ela planeja trazer Enzo para que seja seu aliado ligando ao mundo dos mortos com Rafaelle, o único que poderá controla-lo.

Não sei como funciona a mente de um lobo caçando um veado, mas imagino que deve ser um pouco assim: a emoção distorcida de ver a presa fraca e ferida se curvando à sua frente, a consciência de que, neste instante, você tem o poder de acabar com sua vida ou de lhe conceder misericórdia. Neste momento, eu sou um deus.

Para que o plano funcione eles se direcionam a Kenettra com o propósito disfarçado em boas-vindas da nova rainha de Beldain para a agora única soberana, Rainha Giulietta, oferecendo Rafaelle como presente. Nas entrelinhas, o acompanhante é usado para seduzir a Rainha Giulietta com seus encantos e enfraquecer o poder dado por ela a Teren, o inquisidor chefe.

Sabendo dos planos dos Punhais, Adelina pretende ser a pessoa a ser ligada a Enzo, obtendo o poder sobre ele e sobre Kenettra. Com a ajuda de sua recém formada Sociedade da Rosa, composta por ela, Magiano, Violetta e Sergio (um mercenário que se mostrou um Jovem de Elite), Adelina coloca seus planos em prática, usando do poder da ilusão usando a ambição de combustível para chegar onde quer: o trono de Kenettra.

– Um nome, então – acrescenta Magiano. – Nomes conferem peso, realidade, a uma ideia.

    Minha opinião

Li uma resenha onde a moça diz ler nessa nova trilogia uma autora totalmente diferente, e tenho que concordar. Peguei a Trilogia Legend para ler de uma vez só, mas desde o primeiro livro não senti que era aquilo tudo que estavam falando, achei a premissa muito boa, mas o desenvolvimento bastante fraco em amplos sentidos.

Peguei A Sociedade da Rosa para ler por curiosidade, mas não com muita expectativa. Uma experiência ruim pode nos deixar com um pé atrás quanto a novas leituras, isso é fato. Eu nem tinha lido Jovens de Elite ainda, então era uma forma de me obrigar a dar mais uma chance para Marie Lu, e fico feliz de tê-lo feito.

Nessa nova trilogia a leitura está mais madura, mais bem embasada e explicada, e o desenvolvimento é muito mais empolgante, porque leva a lugares diferentes do começo. Eu vi a Adelina e os outros personagens se desenvolverem, evoluir mesmo que não seja no caminho que eu não julgo certo – mas você entende as motivações. Os personagens como um todo tem personalidade, o que não senti muito em Legend. Aqui eles são diferentes uns dos outros, com dever e moral diferentes, com personalidade e história, fatos que você pode ter empatia.

Outra coisa que me fez apreciar bastante a série são as lições por trás, e há muitas. A mitologia que ela cria é muito legal, os deuses e o que eles representam, a forma como os poderes dos Jovens de Elite mudam e ligam-se a energia do mundo, dá para fazer muitos paralelos com a nossa realidade, ainda que se trate de uma fantasia.

Agora nos resta esperar o último livro, The Midnight Star, lançado lá fora esse ano, e deve chegar por aqui no segundo semestre de 2017.

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A Sociedade da Rosa (The Rose Society)
Marie Lu
Editora Rocco
336 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 20,70)
 
 
 
 

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2 Discussion to this post

  1. Clayci disse:

    Achei a proposta interessante, claro que fiquei um pouco perdida por não conhece o primeiro livro.
    Mesmo assim fiquei com vontade de ler e anotei a dica <3

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Clayci,
      Dá uma chance sim, é um livro bom e tem uma pegada forte. Ter a perspectiva de uma personagem principal que não é tão boazinha é interessante.

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