Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany

Harry Potter e As Relíquias da Morte foi lançado no Brasil em 2007, dando o esperado desfecho a série que acompanhou a infância e adolescência de grande parte das pessoas de nossas geração.

Há ali, bem no finalzinho, um epílogo que se passa 19 anos depois da Batalha de Hogwarts com Harry, Gina, Rony, Hermione e Draco levando seus filhos até a Estação King’s Cross para pegarem o Expresso de Hogwarts. Temos um vislumbre de Escórpio, filho de Draco e Astória, e somos apresentados a Alvo, filho de Harry e Gina, a caminho de seu primeiro ano na escola de magia de bruxaria, tomado pelo medo de que o Chapéu Seletor o colocasse na Sonserina.

A cena dá um quê de final feliz e resolução, ainda que dentro de um mundo amplo e repleto de possibilidades, que para alguns fãs o fim não pareceu suficiente, e eles se sentiram verdadeiros órfãos. O anúncio da peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada reavivou os ânimos, e logo o roteiro chegou a todos, gerando uma mistura de emoções desde seu lançamento, no segundo semestre de 2016.

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada começa resgatando o epílogo e dando continuidade a ele. Alvo está com medo de ser escolhido para a Sonserina e Tiago, como todo irmão mais velho, o provoca com histórias falsas sobre a escolha e seus arredores. Harry interfere e lembra a Alvo que seu segundo nome é um homenagem a um grande homem, e que Severo Snape pertenceu a Sonserina, mas que se fosse realmente importante para ele, o Chapéu Seletor levaria em consideração sua vontade.

Alvo carrega um peso enorme nas costas: ser o filho de Harry Potter. Ser comparado a ele, física e psicologicamente, ter todas as suas ações medidas com relação às do pai e levar o nome Potter tão longe quanto ao que seus antepassados levaram é muito mais complicado do que parece.

Para piorar tudo para Alvo, o maior temor acaba se confirmando e acaba sendo selecionada para a casa da Sonserina junto a Escórpio, que acaba se tornando seu melhor amigo, e aquele que também carrega enorme peso nas costas, por ser um Malfoy e pelo boato que circula no mundo bruxo: graças ao uso de um vira-tempo, ele é filho de Voldemort.

“Às vezes, os custos existem para ser suportados”
(…)
“Não citei Dumbleodore agora, citei?”

A infelicidade toma conta de sua vida. Sua dificuldade nas matérias da escolha e os problemas de socialização só pioram quando ele chega em casa, tendo contato com tudo o que seu pai representa no mundo bruxo e tudo o que ele, Alvo, não consegue alcançar enquanto expectativa.

A frustração, o ressentimento e a confusão são os maiores inimigos da relação entre Harry Potter e Alvo Potter. Os embates são intensos e um acaba culpando o outro por coisas fora de seu controle. E quando Amos Diggory fica sabendo da notícia de que o Ministério da Magia apreendeu um vira-tempo, implora a Harry – agora o chefe do Departamento de Execução das Leis Mágicas – que traga seu filho de volta.

Alvo escuta tudo ao pé da escada e é tomado por um espírito justiceiro, como que tentando provar algo a seu pai. Ali, ele conhece Delfi, a jovem sobrinha de Amos, e arquiteta um plano para salvar o jovem Cedrico da morte. Ele se junta a Escórpio e Delfi para resgatar o vira-tempo em poder do ministério e parte no que acredita ser o caminho certo para consertar as coisas que seu pai parece ter deixado pendente.

“(…) Eu sei. Mas o que mais me dá medo, Alvo Severo Potter, é ser seu pai. Porque aqui eu estou operando sem guia nenhum. A maioria das pessoas pelo menos teve um pai para servir de base… e ou tentam ser, ou tentam não ser. Eu não tive nada… ou muito pouco. Então estou aprendendo, está bem? E vou tentar com tudo que tenho… ser um bom pai para você.”

    Minha opinião

Fiquei com muito medo de ler esse livro, principalmente porque ouvi péssimas críticas, mas também porque mexer com o universo construído na série de Harry Potter é algo bem delicado, por ser querido demais para todos nós.

O epílogo nunca me agradou, para ser sincera. Sei que a intenção era dar uma família e um final feliz como recompensa por tudo o que Harry passou, mas aquilo me pareceu sem necessidade no momento que li, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada me deu uma outra chance para o que seria o desenvolvimento da história do Trio, e do Draco, claro.

Como se trata de uma peça, escrita não só pelas mãos de J. K. Rowling, o ritmo é diferente, é ágil e gostoso de ler. Os personagens evoluíram, amadureceram, mas ainda apresentam a característica de errar e arcar com as consequências. Não forçam uma perfeição ali.

Temos um Harry maduro, calejado, mas enxergamos nele as marcas que seu passado deixou. Gina é simplesmente maravilhosa, bem do jeito que eu imaginei que seria quando mais velha, e seu relacionamento com Harry, com seus filhos e amigos é bem verdadeiro. Hermione é forte, inteligente e cheia de caráter. Com Rony, não sei se me agradou de todo, senti que o reduziram quase sempre a um alívio cômico pastelão. Draco também evolui, nos foi mostrado mais sobre a sombra em cima dele, sobre o que é crescer um Malfoy e abdicar de muito sobre si mesmo.

Alvo é inseguro e passa pela confusão da adolescência, coisas que nós nos identificamos. Tudo só piora porque ele e seu pai não conseguem se comunicar. Ele é uma criança, acompanhamos seus erros e ao ler o livro, queremos ajuda-lo diversas vezes. Ainda que ele erre, e muito, a gente sente uma simpatia e apego por Alvo.

Agora, vamos falar sobre o Escórpio? VAMOS!! Se revisitar os livros de Harry Potter não é o suficiente para você, então Escórpio será. O humor dele, a bondade e o coração gentil são características fortes nele. Além do mais, ele é um ótimo amigo, funcionando tanto como apoio como consciência de Alvo, dizendo verdades quanto elas precisam ser ditas e limpando a péssima fama que a Sonserina tem. Ele é a melhor parte do livro para mim.

Falando sobre a edição. Aqui nas fotos você vê um pouco de como ela é por dentro. Tenho a edição em brochura pela Rocco e a edição capa dura inglesa, a Rocco está de parabéns. As edições são bem próximas, e a nossa editora caprichou no trabalho respeitando nosso apego com a série.

O livro é dividido em atos e cenas, bem como todo roteiro de teatro.

O livro tem sim suas falha e incongruências, justamente por não ter feito dos planos de Rowling desde o começo. Vejo sua validade como um olá a algo que preencheu minha infância. Não vou criticar e apontar falha por falha, pontas soltas ou coisas que se contradigam, mas gostei muito do livro. O espírito está ali e me reconforta saber que a magia não morreu.

 
Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (Harry Potter and the Cursed Child)
J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany
Editora Rocco
352 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 29,70)
 
 
 
 

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