Juntando os Pedaços, Jennifer Niven

Jack Masselin tem um segredo, algo que guardou para si a vida inteira, algo que muda a forma como ele se porta no mundo, além de sua relação com quem ama e especialmente com aqueles que podem julga-lo. Libby Strout está se recuperando de uma vida provada, porque após ser resgatada de sua casa e ser conhecida como a adolescente mais gorda dos EUA ela passou seus dias estudando em casa e se recuperando do trauma de perder a mãe repentinamente.

Em Por Lugares Incríveis, Jennifer Niven nos faz sentir coisas intensas e refletir sobre a vida que levamos. Esse é um romance mais pessoal, e podemos tirar algumas lições disso.

Para Libby é uma vitória e tanto conseguir sair de casa e ir para o colégio. Ela pode até sentir seu peito se comprimindo um pouco e ver a preocupação de seu pai estampada no rosto não ajuda muito, mas ela é resoluta e dá o primeiro passo para o colégio e para o resto de sua vida. Porque depois que sua mãe faleceu, ela ficou um pouco obcecada com a ideia de morrer e então se fechou dentro de um casulo, como se apenas esperando que a morte viesse finalmente buscá-la.

Seu pai não sabia bem o que podia fazer, mas é claro que se importava. Perder a esposa, ver sua filha se fechando e buscando refúgio na comida era algo complicado para ele. Coisas essas que foram fugindo de seu controle até que Libby chega ao ponto de precisar ser resgatada de sua casa, com mais de 200 kg, porque seu corpo estava dando sinais de falência.

Foi uma fase difícil, foram comentários duros, mensagens repletas de ódio sem que esses remetentes sentissem o mínimo de empatia ou simplesmente buscassem entender os “comos” e “porquês”. Mas Libby, como uma fênix, renasce e muda o foco de sua vida, aproveitando sua nova chance, com o apoio do pai e de ótimos profissionais.

Ir para a escola novamente é um passo que Libby dá para sua melhora. Rever pessoas odiáveis ou que a ignoraram pelo período em que estava afastada é mais um caminho que tem que seguir, mas é quando uma brincadeira conhecida como Rodeio das Gordas começa a se espalhar pelo colégio é que sua provação chega a um tipo de ápice. Jack acha que deve ser ele, pelo bem de todos, a acabar com aquilo e agarrar Libby pelo máximo de tempo possível – regra da brincadeira – para ganhar de uma vez por todas, antes que seus amigos possam fazer algo bem pior.

Ele escreve uma carta e deixa na mochila de Libby antes do feito, falando sobre si como se assim pudesse remediar a humilhação que a fez passar no refeitório da escola. Na carta, ele diz que tem prosopagnosia, uma doença que faz com que ele não reconheça rostos, até mesmo daqueles que ama, e é por isso que age da forma que age, como um babaca esnobe com todos na escola.

– Você nunca fez nada maldoso ou idiota sem pensar? Alguma coisa de que se arrependeu imediatamente?

Ambos pegam detenção, junto a um grupo de alunos, e com isso, com essa convivência forçada, aprendem mais sobre o outro e principalmente sobre si mesmo. Como lidar com problemas alheios, dentro e fora do seio familiar, e com as coisas que determinam suas vidas no âmbito particular.

Libby, uma garota gorda, passa uma mensagem importante de empoderamento, de ser vista e enxergada; Jack evolui, falando sobre uma doença neurológica, como ela afeta a vida e como é essencial tratar isso da melhor forma possível, admitindo e pedindo ajuda, por mais difícil que possa parecer lidar com as consequências. Um acaba juntando os pedaços do outro.

– É como ter um circo dentro da minha cabeça e estar sempre me arriscando no trapézio. É como estar em um lugar cheio de gente e não conhecer ninguém. Nunca.

    Minha opinião

Quando um autor lança um livro muito, muito bom, é difícil para as pessoas lidarem com a expectativa e não compararem tão fortemente as obras. Foi o que aconteceu com Jennifer Niven. Em seu primeiro livro ela conta uma história forte, densa e muito bonita, mas em Juntando os Pedaços há uma maior leveza, senti mais otimismo, a vida continua ali. Ela mesmo diz nos agradecimentos que muito de Libby e Jack está intimamente ligados a ela ou a alguém próximo, é quase como se ela dissesse “continue, toma aqui um pouquinho de força e esperança.”

Os personagens são ótimos e você se envolve fácil, passa a torcer e gostar deles. E o que eles passam e mensagens que passam são um pouco do que a gente anda precisa muito na literatura juvenil: empatia, empoderamento, representatividade e lidar com o preconceito, seja lá da forma como aparecer, porque se sentir sozinho no mundo com o que pensamos ser particularidades é muito triste. Só queremos sentir que tem alguém conosco.

Alguém gosta de você. Você é necessário. Você é amado.

Minha única ressalva é o romance entre Libby e Jack, mas talvez tenha me incomodado porque eu estou mais velha e não muito habituada a ver um casal tão diverso se formando. Achei um pouco forçado, um pouco idealizado demais e muito fora da minha realidade. Mas se você gosta de romance, vai relevar isso pelo todo que o livro passa para nós.

 
Juntando os Pedaços (Holding Up the Universe)
Jennifer Niven
Editora Seguinte
392 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 26,68)
 
 
 
 

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2 Discussion to this post

  1. Larissa Costa disse:

    Eu me apaixonei intensamente por “Por Lugares incríveis” e estou mega ansiosa para ler “juntando os pedaços”!

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Larissa,

      Olha, eu acho uma leitura válida. Eu tinha lido muitas coisas negativas sobre o segundo livro, mas achei uma boa leitura. Não é tão bom quanto “Por Lugares incríveis”, isso eu concordo, mas a escrita te puxa ali.

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