15 contos escolhidos de Katherine Mansfield

Katherine Mansfield foi uma escritora modernista e considerada uma das mais proeminentes personalidades da época, assim como Virginia Woolf, de quem era amiga, inclusive. Nascida na Nova Zelândia, Katherine dedicou-se à escrita de contos sutis que abordam, principalmente, o cotidiano da época, relações humanas e a posição da mulher na sociedade.

Quer saber mais sobre a escritora e sobre o livro 15 contos escolhidos de Katherine Mansfield? Continue lendo.

A realidade era que Katherine escrevia tão bem que até chegou a despertar a inveja de Virginia Woolf. Segundo a autora, a escrita da Katherine seria a única escrita da qual ela iria invejar. Assim como Virginia, percebe-se muitos aspectos e abordagens psicológicas nos textos de Katherine Mansfield. Em seus diversos contos, temas como a solidão, a tristeza e até a depressão são abordados fortemente.

“Ah, por que ela sentia tanta ternura em relação ao mundo todo esta noite? Tudo estava bom – e correto. Tudo que acontecia parecia preencher novamente sua taça transbordante de êxtase.” (Êxtase – 1918)

No livro 15 contos escolhidos de Katherine Mansfield encontramos contos escritos pela autora entre os anos 1915 e 1922. No total, são 15 contos, todos eles com narrativas fluidas, calmas e com personagens muito bem construídos e comuns. Katherine ousou escrever sobre acontecimentos triviais da vida, mas com descrições esclarecidas e simples.

Alguns dos contos do livro

Êxtase (1918): Neste conto, Katherine Mansfield cria uma história sensível sobre a felicidade na sua definição mais simples, sobre o que é realmente se sentir feliz e o que fazemos para captar essa felicidade. Descobrimos isso tudo através de uma personagem mulher, que tem um marido, filhos e que vai receber convidados em sua casa. Ela se chama Bertha Young e se anima com esse encontro.

“Embora tivesse trinta anos, Bertha Young ainda passava por momentos como aquele, quando queria correr em vez de andar, dar passos de dança subindo e descendo da calçada, brincar de rolar um aro, jogar algo para cima e apanhar no ar ou ficar parada e apenas rir – à toa -, simplesmente rir à toa.”

Srta. Brill (1920): Um conto marcado pela epifania. Compreende-se o quanto podemos parar de nos preocupar com coisas muito pequenas, se observarmos o mundo ao nosso redor. Podemos conhecer, através do conto, uma personagem que percebe o seu lugar e o seu dever para o mundo. É um conto em que dá para perceber a capacidade da Katherine Mansfield para criar e descrever perfeitamente as pessoas e o ambiente.

“Ah, como isso era fascinante! Como ela se divertia! Como gostava de sentar aqui, assistindo a tudo isso! Era como uma peça de teatro.”

Je ne parle pas français (1918): Acompanhamos uma visita de um escritor à um café. Ele narra tudo o que acontece no lugar, quais as pessoas que o frequentam, o clima e o ambiente em si, depois conta sua história. Katherine nos guia pela confusão de sentimentos a uma grande reflexão sobre a condição humana.

“Você acredita que em todo lugar existe uma hora em que tudo realmente se torna vivo?”

Minha opinião

A coletânea foi o meu primeiro contato com a Katherine Mansfield. Algumas pessoas já tinham me falado sobre a relação de amizade dela e da Virginia Woolf e sobre como elas duas escreviam bem, mas eu nunca tinha parado para ler algum conto da Katherine. Assim como muitas pessoas, eu decido continuar lendo outras obras de autores a partir do meu primeiro contato com eles, não precisa ser algo extraordinário, mas que desperte a minha atenção pelo menos.

O que aconteceu comigo ao ler o livro foi extraordinário e eu não esperava por isso, não esperava me apaixonar perdidamente pela escrita da autora. E, muito mais que isso, não esperava aquele gostinho de quero mais que eu senti ao terminar de ler a coletânea. São contos muito bem selecionados e dá para perceber o cuidado da editora com a diagramação, com a escolha dos contos e com o prefácio da tradutora, que ajudou a me preparar para o que eu iria descobrir sobre a Katherine e sobre os seus tantos personagens simples.

E acho que esse é um dos pontos que mais se destacou para mim ao final da leitura, os personagens. Eles são tão comuns e tão reais que é difícil não se identificar com seus medos, suas angústias e felicidades. As descrições são incríveis e te inserem em um contexto, afinal, Katherine Mansfield sabia como representar emoções, ambientes e pessoas de forma tão bela que serviu de influência para muitos outros escritores e escritoras, como Clarice Lispector.

Indico esse livro para todos que querem conhecer mais escritoras que foram importantes em épocas passadas, para quem quer conhecer narrativas com aspectos psicológicos, histórias com boas descrições e personagens e para quem quer conhecer ou já conhece a Katherine, porque é uma boa coletânea que possui alguns contos que são muito difíceis de encontrar em outras edições físicas.

 

15 Contos Escolhidos de Katherine Mansfield
272 páginas
Editora: Record
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 25,60)

Amanda Pires

Amanda desde 1997. Estudante de Letras - Inglês. Apaixonada por músicas tristes e sebos. Escrevo sobre o que leio, leio sobre o impossível.

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