O menino feito de blocos, Keith Stuart

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Alex ama sua família, mas tem dificuldade em se conectar com Sam, o filho autista de oito anos. A tensão crescente da rotina leva seu casamento ao ponto de ruptura. Jody não aguenta mais o marido ausente e que pouco participa da vida do filho. Então Alex vai morar com o melhor amigo, e passa a dormir no colchão inflável mais desconfortável do mundo. Enquanto Alex enfrenta a vida de homem separado, cumpre a função de pai em meio-expediente e é confrontado com segredos de família há muito enterrados, seu filho começa a jogar Minecraft. E o que acontece depois disso é algo que nem Alex, nem Jody, nem Sam poderiam imaginar. Vem saber mais sobre O menino feito de blocos:

Alex é um corretor de imóveis, com um humor muito inteligente, beirando o sarcasmo. Sabemos desde o começo que ele odeia seu emprego, acabou chegando onde está meio que sem querer, mas não se imagina fazendo nada além daquilo. Ele seguiu em uma sequência de trabalhos que eram somente temporários, até ele descobrir o que realmente gostaria de fazer. Mas nada disso aconteceu e ele ficou preso em uma carreira que não o satisfaz profissionalmente.

Nunca quis esse emprego, eu o aceitei porque precisávamos de estabilidade, precisávamos de dinheiro e tínhamos um bebe a caminho. E então fiquei nele porque não tinha ideia do que queria realmente fazer. Ainda não tenho.

Jody, sua esposa, havia acabado de entrar no mercado de trabalho quando teve Sam, mas teve que parar para se dedicar a cuidar do filho quando descobriram que ele não era como as outras crianças. Mas esta não era uma tarefa fácil: o diagnóstico não foi imediato e mesmo depois dele, se adaptar a nova realidade foi extremamente dificil e complexo. O fato de Alex ser um pai ausente, distante e sempre pular fora quando as coisas complicavam, não ajudou em nada. De fato, só distanciou o casal, pai e filho.

Quando você perde alguém, a dor vai atrás de você com tudo, como uma enchente-relâmpago, derrubando todas as defesas que ergueu com tanto cuidado. Você faz o que pode; usa o que estiver à mão para ajudá-lo a sobreviver.

Sam é um garoto doce, metódico e que está dentro do espectro autista. O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição geral para um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento. Esses distúrbios se caracterizam pela dificuldade na comunicação social e comportamentos repetitivos. Embora todas as pessoas com TEA partilhem essas dificuldades, o seu estado irá afetá-las com intensidades diferentes. Essas intensidades definem onde uma pessoa se encontra no espectro. Ao longo do livro conhecemos pessoas que estão no limite superior do espectro e outras que não apresentam tantas características, mas que ainda assim se encontram dentro do intervalo.

O autismo, na minha concepção, é como não receber o livro de regras ao nascer. Para Sam, todo mundo está jogando esse imenso jogo cujo funcionamento ele precisa desvendar com a partida em andamento. É exaustivo para ele, e também para Jody e para mim – porque somos o livro de regras dele. Nós dois temos que explicar tudo para o Sam, repetidas vezes, e algumas regras jamais farão sentido para ele.

Sam leva uma vida relativamente normal, apesar de tudo na sua rotina ter que ser antecipadamente planejado e ele não lidar bem com surpresas. Seus pais, cada um a sua maneira, lidam com a condição do garoto como podem. Mas Jody não está nem um pouco satisfeita com a ausência de Alex em casa e na vida do filho. Sam tem sofrido bullying na escola atual e sua mãe com estresse de cuidar do filho sozinho e o medo de que ele nunca encontre um lugar onde possa ser feliz de verdade. Paralelamente a tudo isso, em meio a uma crise econômica, Alex é demitido e vai dormir em um colchão na casa de seu amigo Dan, já que Jody já havia o expulsado de casa.

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Sam descobre, no jogo online Minecraft, uma forma de trabalhar sua criatividade e se relacionar com seu pai e os amigos que o jogo lhe trouxeram. Alex decide que irá assumir responsabilidade pela educação de seu filho, enquanto finalmente procura algo que gostaria de fazer pelo resto da vida. Sam apresenta melhoras no relacionamento com todos ao seu redor e as coisas parecem que enfim estão nos trilhos certos. Até que um acidente dentro do universo do jogo de Sam podem colocar todo seu progresso até então a perder. Jody e principalmente Alex tem que tomar decisões, com muito cuidado, que afetarão suas vidas e a de seu filho.

    Minha opinião

Inicialmente achei Alex um tremendo filho da mãe. Ele só não entrou para minha lista de piores personagens porque tem um humor sutil e sarcástico na medida certa e isso me arrancou algumas risadas durante a leitura do livro. No começo da narrativa, ele sabe que o filho requer um pouco mais de paciência e cuidados, mas mesmo assim não se esforça para entendê-lo e ainda quando decide que precisa se esforçar, não coloca suas promessas em prática. Ele segue com esse tipo de comportamento por uma boa parte do livro e, embora eu ache que tenha faltado sensibilidade pela parte dele, acho muito difícil dizer como seriam minhas reações no lugar dele.

De alguma forma, perdemos a noção de que isso é uma tela; não estamos mais controlando personagens digitais em um ambiente computadorizado. Somos nós mesmos espiando dentro de cavernas e caminhando por planícies verdejantes sob o brilhante sol quadrado. É como se tivéssemos nos libertado de nós mesmos

Com o passar do livro, vemos Alex tomando as rédeas da paternidade e se esforçando para descobrir quais rumos tomará sua vida. Sam não é um coadjuvante, mas vemos toda sua rotina e ações através da narração do pai. Sabemos que o garoto está sofrendo e que Alex tem ciência disso, mas inicialmente ele não tem a menor ideia de como ajudar o filho. Até que Minecraft entra em ação e eles passam a se relacionar melhor. Em um momento da história descobrimos mais sobre o passado do pai e como isso afeta seu comportamento hoje em dia.

Como diz a sabedoria popular, as últimas palavras de ninguém jamais foram “gostaria de ter passado mais tempo no trabalho”.

Alex, para mim, foi o personagem que mais evoluiu e aprendeu, e apesar da demora e dos tropeços, se tornou uma pessoa do qual o filho tem orgulho. Fiquei angustiada em alguns momentos com Sam e a falta de paciência de seu pai, o garoto sofria bastante por não achar que pertencia a nenhum lugar. É válido mencionar que Alex não conseguiu tudo sozinho, ele teve ajuda de muitas pessoas ao seu redor: seu amigo Dan, sua irmã Emma e o casal de amigos Matt e Clare. Não tinha expectativas nenhumas quando recebi o livro e nem sabia da história dele, mas resolvi dar uma chance por nunca ter lido nada relacionado. Acabei me apaixonando por Sam e pela escrita do autor: ela é de uma sensibilidade indescritível e Keith Stuart soube conduzir bem a história do inicio ao fim. Para os fãs de livros contemporâneos (e todos os outros), O menino feito de blocos está mais do que indicado!

É engraçado como a tristeza puxa você direto de volta, ligando os pontos pela sua vida – as memórias despencam como fotografias esmaecidas de um álbum velho e caindo aos pedaços. Pensei ter encontrado um lugar seguro para mim e para o Sam, mas estava errado.

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O menino feito de blocos (A boy made of blocks)
Keith Stuart
Editora Record (Grupo Editorial Record)
378 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 19,90 em 02/02/2017)
Leia A verdadeira história por trás de “O menino feito de blocos”
 
 
 

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* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE FEVEREIRO*

Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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16 Discussion to this post

  1. Clayci disse:

    Ju esse livro parece ser incrível, primeiro pelo assunto abordado.
    Relacionamento em família, <3
    Quero muito ler

    • Juliane disse:

      Oi Clayci, eu adorei esse livro. Começou meio lento, mas depois me conquistou 🙂
      Depois me conta se você ler!
      Beijos!

  2. Larissa Costa disse:

    Achei muito realista! Realmente muito bom, conheço algumas crianças autistas e esse distanciamento por parte de algum familiar acontece com muita frequência. Eles vêem o mundo de uma forma totalmente diferente da nossa, ter um pouco mais de paciência só nos trará benefícios 🙂
    Adorei!

    • Juliane disse:

      Oi Larissa, tudo jóia? Que bom ver você de novo por aqui!
      Gostei do fato de a leitura ter transmitido essa sensação real para gente, ficou claro para mim como geralmente se dá o relacionamento familiar quando há uma pessoa autista na equação.
      Que bom que você gostou da dica!
      Beijos!

  3. Luana Azevedo disse:

    Esse livro é ótimo!
    Concordo com a sua opinião inicial sobre o Alex. Ele me mostrou que sempre podemos evoluir e que podemos nos tornar pessoas melhores.

    • Juliane disse:

      Oi Luana, tudo jóia?
      O Alex foi um personagem que me surpreendeu do início ao final do livro, e nem sempre por um bom motivo. Mas tenho que assumir que ele me cativou e me ensinou muita coisa!
      Beijos!

  4. Lara Caroline disse:

    Oi Juliane, tudo bem?
    Eu sou estudante de psicologia, então todos os livros que tem relação a autismo e outros problemas me interessam. Não sei qual seria o meu sentimento em relação ao Alex, pois lidar com alguém que tem autismo é uma tarefa muito difícil e nem todas as pessoas conseguem desempenhar este papel. Gostei da evolução do pai do garoto e me interessei muito por esta história.
    Beijos

    • Juliane disse:

      Oi Lara, tudo jóia?
      Esse livro é de uma sensibilidade enorme e me surpreendeu do início ao fim, tenho certeza absuluta que você vai adorar!
      Beijos!

  5. Adriana Holanda Tavares disse:

    Oi Ju, eu gosto bastante desses livros que vem trazer um grande aprendizado para o leitor.
    Tenho um sobrinho com autismo, e sei que existe muito preconceito ainda ligado ao tema, essas crianças são incompreendidas e muitas vezes acabam sofrendo.
    Como você falou, não só o autismo é tratado no livro, mas também o casamento, a amizade. Gostei bastante de como esses assuntos são abordados!

    • Juliane disse:

      Oi Dri, tudo jóia?
      Realmente ainda existe muito preconceito ligado ao tema, é um assunto que deveria ser mais trabalhado socialmente, temos muito o que aprender ainda!
      Obrigada pelo carinho!
      Beijos!

  6. Alison disse:

    Olá, gosto bastante de livros que abordam assuntos atuais e de suma importância, muitas pessoas tiram proveito de histórias assim. Quanto à trama posso dizer que ADORO personagens sarcásticos e com certeza vou amar Alex. Beijos.

    • Juliane disse:

      Oi Alison!
      O Alex é realmente um cara muito exótico!
      Tenho certeza de que você vai gostar 🙂
      Beijos!

  7. Thaynara ribeiro disse:

    Desde o lançamento fiquei bem curiosa por ter um personagem autista. Acho q vou sofrer bastante com as atitudes do Alex no começo pq retrata bem como alguns pais não saber lidar com as necessidades de filhos deficientes. Mas ver ele evoluir como pessoa e aprender a paternidade, deve valer o sofrimento inicial

    • Juliane disse:

      Oi Thaynara!
      O menino feito de blocos é mesmo uma montanha russa de emoções, com certeza vale a leitura!
      Beijos!

  8. Oi Juh, tudo bem? Eu acho a história desse livro super importante. Falar sobre autismo é sempre válido. Conheço algumas pessoas bem de perto que possuem graus diferentes de autismo, e são pessoas que, a partir do momento que aprendemos como o mundo deles funciona, são incríveis. Fiquei curiosa pelo título, logo depois que ler que havia minecreft na história – jogo que eu amo.
    Eu já imaginava que Alex seria o personagem que mais se desenvolveria na trama pelo fato dele ter dificuldade de lidar com a situação do filho.
    Parece ser um livro muito bom, mal posso esperar para ler.
    Beijos

    • Juliane disse:

      Oi Pri, tudo bem comigo e com você?
      Concordo com você: falar, não só sobre o autismo, mas também sobre outras doenças com as quais não estamos familiarizados, é sempre importante. Acho sempre válido quando um livro tenta fazer esse tipo de abordagem.
      Acho que o Alex é um dos personagens que mais se desenvolveu dentre todos os livros que já li.
      Quando você terminar a leitura, passa aqui pra me dizer o que achou!
      Beijos!

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