Diário de uma escrava, Rô Mierling

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Laura é uma menina sequestrada e jogada no fundo de um buraco por alguém que todos imaginavam ser um bom homem. Ela vê sua vida mudar da noite para o dia, e passa a descrever com detalhes sinistros e íntimos cada dia, cada ato, cada dor que o sequestro e o aprisionamento lhe fazem passar. Narrado em parte em forma de diário, o livro acompanha mais de quatro anos da vida de Laura em um buraco embaixo da terra, período em que algo dentro dela também se modifica de uma forma inimaginável em busca da única maneira para sobreviver. Vem saber mais sobre O diário de uma escrava, uma obra originalmente publicada no wattpad e agora trazida pela Darkside em uma edição em capa dura:

Laura tinha 15 anos, frequentava uma boa escola, tinha uma boa perspectiva de futuro e carreira, além de pais amorosos e presentes. Ela também tinha amigas que estavam sempre consigo. Tinha ainda um namorado educado e respeitoso, Mauro, com quem já estava há algum tempo e com o qual pretendia passar o resto da vida. A começar pela primeira relação do casal, um evento para o qual Laura estava se preparando. Mas nada disso viria a acontecer, pois a vida dela foi interrompida antes que ela pudesse fazer mais algum plano: ela fora sequestrada e mantida em cativeiro por um homem que ela apelidou de Ogro.

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Ele diz umas palavras tolas, fala de planos, conta da sua vida, como se eu quisesse saber. Ele tira seu pênis nojento para fora e sobe em mim. Não demora nem cinco minutos. Ele se levanta, se ajeita e chega mais perto para me dar um beijo, mas viro o rosto. Então, ele me bate. Uma, duas, três vezes. Normal.

Durante 4 anos, Laura foi mantida em um buraco embaixo de uma casa de campo, onde ela mal tinha espaço para se movimentar direito. Fazia somente uma refeição por dia e tinha só um livro consigo, e já o havia lido tantas vezes que perdeu a conta. A única pessoa com quem teve contato durante esse tempo foi Ogro, o homem que a tirou da segurança do seu lar, pais, amigos e namorado, a sequestrou e a manteve no esconderijo onde a abusava física e psicologicamente.

Como pode um ser que se diz humano, como o Ogro, ter uma esposa, ter uma casa normal e até frequentar uma igreja e, ainda assim, ter dentro de si esse demônio em forma de gente?

A obra, inicialmente, é narrada no formato de um diário, sob a perspectiva de Laura, onde ela fala sobre seu dia-a-dia como uma escrava sexual de um homem desconhecido e psicopata, que a observou durante muito tempo nos arredores da vizinhança dela antes de a sequestrar. O resto do livro é narrado por vários outros personagens, como o pai de Laura, Mauro e o próprio sequestrador. O livro é uma sequência de abusos, humilhações e crimes.

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Sempre chega uma hora em que o ser humano, deixa de ser humano, deixa de ter esperanças. Cheguei ao meu limite.

Eventualmente, descobrimos que o Ogro é, na verdade, Estevão, um homem casado, que tem uma casa na cidade com sua mulher e um abrigo em uma área isolada, onde mantém, precariamente, sua escrava sexual. Certo dia, ele leva a esposa à casa de campo e a encontra toda revirada e fora de ordem: Laura havia tentado fugir, sem sucesso. Como castigo, Estevão a espanca e violenta, de forma ainda mais agressiva do que o normal. A partir de então, o sequestrador começa a ir em busca de novas garotas, preferencialmente pré-adolescentes, para abusar enquanto Laura se recupera da agressão. Enquanto isso, Laura bola um plano para se fortalecer, ganhar a confiança do Ogro e arquitetar uma estratégia de fuga.

    Minha opinião

A Darkside me enviou de surpresa essa edição de Diário de uma escrava para divulgação. Antes do lançamento eu tinha visto algumas imagens e achado o livro mais que lindo, mas ainda não estava por dentro da história. Acabei lendo este logo após Bom dia, Verônica e achei que ler nessa sequência foi muito pesado. Ambos abordam temas muito violentos e complexos, chegando no fundo da natureza humana e das escolhas que as pessoas fazem para sobreviver. Em Diário de uma escrava, isto é ainda pior: a protagonista está sozinha e não tem a quem pedir socorro. Acompanhamos com angustia todo o decorrer de sua narração.

Acredito fielmente que escravos e prisões não se fazem somente com paredes, grades ou algemas, mas também com simples palavras e situações. O poder que ele tem sobre mim é incalculável.

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A história foi bem construída em todos os núcleos de personagens e a autora conseguiu me prender do início ao fim. A história é visceral (e esse é um adjetivo que eu raramente uso) e a forma pela qual foi desenvolvida, somado aos diálogos dos protagonistas, tornou mais fácil a compreensão de como do abuso psicológico sofrido por Laura a afetou. Dito isso, é um pouco irônico da minha parte dizer que o final do livro me surpreendeu. Mas foi exatamente isso que aconteceu: acabei a leitura sem acreditar no rumo que a história tinha levado, embora tenha achado a escolha da autora genial.

Quem pode me julgar pelo que sou?

Diário de uma escrava foi construído a partir do estudo de Rô sobre o assunto, ela pesquisou diversos casos reais (cujas notícias se encontram ao final do livro), como os ocorridos na Europa e nos Estados Unidos e criou a história de Laura. Como plano de fundo existe o tema da Síndrome de Estocolmo e como ela se desenvolve. Li outro livro sobre o assunto, Stolen, da extinta Editora iD e tenho que dizer que os dois livros são completamente diferentes, mas recomendo ambos para quem se interessa pelo assunto. Rô Mierling me impressionou com Diário de uma escrava e quem gosta de suspense policial também vai se surpreender com a história.

Aqui encerro meu diário. Contei tudo que vivi, o que escutei e li no decorrer desses anos acerca do que me aconteceu. Se um dia alguém vai ler isso, eu não sei.

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Diário de uma escrava
Rô Mierling
Editora Darkside
224 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 29.90 em 07/02/2017)
 
 
 
 

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* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE FEVEREIRO*

Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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14 Discussion to this post

  1. Guria, eu também li esse e Bom Dia, Verônica na sequência e foi bem pesado. Mas eu não curti muito Diário de Uma Escrava pois achei desnecessário, sabe? Eu entendo a pesquisa da autora sobre o tema do abuso e tal, mas teve momentos na minha leitura em que eu não entendia onde toda aquela violência e descrição gráfica de estupros estava me levando. Não acho que isso somou na história, parecia estar ali só pelo choque e pelo nojo que isso causaria no leitor. Também fiquei muito de cara ***SPOILER ALERT*** com aquele policial justiceiro. Acrescentou ZERO à história. Depois fiquei sabendo que a história tem continuação, mas mesmo que seja esse o caso, a adição dele nesse primeiro volume foi sem pé nem cabeça. Enfim, tirando a parte da discussão sobre sequestro de meninas e a importância de estarmos de olho umas nas outras, achei esse livro bem dispensável. Será que tô sendo muito dura? HAHAHA! Beijos <3

    • Juliane disse:

      Oooi Rafa! Como você está?
      Concordo sobre o policial, foi totalmente desnecessário, mas pelo que li sobre a autora, ela realmente queria chocar e dar uma perspectiva bem real ao assunto. Foi pesado, mas entendo a intenção dela.
      Não estava sabendo que existe uma continuação para esse livro, não sei se estaria interessada em ler, pois para mim a história acabou ali mesmo.
      Mas entendo seu ponto de vista, talvez se eu tivesse lido o livro em outro momento, eu também acharia o mesmo.
      Vê se não some, beijos!

  2. Larissa Costa disse:

    Pelo que eu pude perceber o enredo é bem parecido com o do livro “a menina morta-viva”. Eu gosto e não gosto dessa temática. Sei lá, você começa a pensar se todas as pessoas que desaparecem estão nessa mesma situação, e dá uma desistência da humanidade né?!
    Adorei o post, beijos!

    • Juliane disse:

      Oi Larissa, tudo jóia?
      Eu nunca li esse “A menina morta viva”, mas vou procurar saber mais depois!
      Acho que depois de um livro desses, o leitor tem que pegar algo bem leve para ler, porque senão, realmente dá vontade de desistir das pessoas.
      Ao mesmo tempo, não sabemos quão perto de nós pode ter alguém passando por essa situação e sofrendo em silêncio.
      Obrigada pelo carinho!
      Beijos!

  3. Lara Caroline disse:

    Oi Juliane, tudo bem?
    Eu achei esta edição da Darside simplesmente maravilhosaaaa, eu teria este livro apenas pela capa. A história é muito interessante, mas eu não sei se conseguiria ler. Ei tenho horror de histórias de abuso sexual e acredito que me sentiria muito mal lendo este livro. Quem sabe um dia eu não consiga?!
    Beijos

    • Juliane disse:

      Oi Lara, tudo jóia?
      As edições da Darkside são de morrer de amores, né? Teve alguns momentos em que eu também me senti mal, mas, felizmente, eles passaram rápido.
      Se depois você der uma chance para o livro venha me contar o que achou!
      Beijos!

  4. Adriana Holanda Tavares disse:

    Esse livro despertou minha atenção desde o começo, mas uma outra resenha que li, expôs fatos que me incomodaram bastante. Como a autora usar Estocolmo para justificar algumas ações da personagem que para mim não são aceitáveis. Depois de ver duas resenhas tão diferentes fico na dúvida se leio ou não, pq gostei do que vc expôs sobre o livro

    • Juliane disse:

      Oi Dri, tudo jóia?
      Na história a gente percebe melhor como o sequestrador abusou extremamente da protagonista, principalmente, psicologicamente. Em certo ponto do livro me vi com o mesmo tipo de pensamento dela (não que seja justificável, mas entendo o que levou a isso) e acho justificável, até certo ponto.
      Sugiro que você pelo menos comece a leitura, vai que te interessa 🙂
      Beijos!

  5. Alison disse:

    Olá, a trama desse livro é densa e exige muita atenção na hora da leitura, achei super atencioso da parte do autora pesquisar em minúcia sobre o assunto. Beijos.

    • Juliane disse:

      Oi Alison, tudo jóia?
      Achei muito profissional da autora se embasar para a produção do livro, deixou a história mais verossimílima.
      Se resolver dar uma chance, volte aqui para me contar o que achou!
      Beijos.

  6. Thaynara ribeiro disse:

    Já li diversas resenhas e o final q a autora escolheu causa bastante diferença nas opiniões… Só lendo para poder dizer que gostei. É um livro pesado e seria um pouco de ilusão esperar um final feliz, mas não acho q a síndrome justifique algumas ações da personagem durante o livro.

    • Juliane disse:

      Oi Thaynara, tudo jóia?
      Eu já não esperava por um final feliz, mas tinha esperanças de que algo do estilo “O quarto de Jack” poderia acontecer.
      Não acho todas as ações da protagonista justificáveis, mas entendo como isso foi construído e o que a levou a tomá-las.
      Beijos!

  7. Oi Ju, tudo bem?
    Esse livro tem tudo para ser incrível. Li muitas obras que tratavam desse assunto, de abuso físico e psicológico. A maioria deles ambientado em outras culturas, mas nenhum deles tratou o assunto como esse livro fez. Ainda não – e pretendo ler o mais rápido possível -, e já estou me preparando psicologicamente para isso porque tenho certeza que ele vai mexer muito comigo.
    Beijos

    • Juliane disse:

      Oi Pri, tudo bem comigo e com você?
      Este é realmente um livro bem pesado, eu não tinha me ligado nisso antes de começar a lê-lo.
      Quais outras obras sobre o tema você leu?
      Quando terminar a leitura de Diário de uma escrava, volte aqui no blog para me contar o que achou, estou curiosa!
      Beijos!

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