Placas tectônicas, Margaux Motin

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Aos 35 anos, Margaux Motin narra os erros e acertos que abalaram sua existência em páginas repletas de humor e realidade. Uma separação e um novo amor mudam radicalmente sua vida de mulher com trinta e poucos anos de idade; uma época em que decisões abruptas podem levar a consequências desastrosas. Vem saber mais sobre Placas tectônicas:

Margoux tem mais de 30 anos, trabalha como designer gráfica freelance e tem uma filha pequena. A protagonista acabou de sair de um casamento com o cara que ela acreditava ser o homem da sua vida. Mas as coisas não deram certo e agora ela tem que mudar e recomeçar. Ela entra num processo de auto aceitação e descobrimento de sua vida de recém divorciada. Além disso, vemos como se dá a relação da Margoux com todas as pessoas que aparecem ao longo da HQ, por mais breve que elas sejam (vou deixar um mini spoiler aqui: a maioria dessas relações é absolutamente hilária!).

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Margoux é uma mulher muito real e não está se importando para a opinião de quase ninguém. Agora que está solteira, ela quer correr atrás e aproveitar o tempo em que estava reprimida sem fazer as coisas que queria. Porém com toda essa liberdade, ela também recebeu novas responsabilidades e vai ralar um pouco para aprender como funcionam as coisas agora. Desde compras no mercado a maneiras de lidar com seus clientes na TPM. Dentre as personagens, uma que vale mencionar é sua filha: a garotinha segue fielmente o ditado de que “filho de peixe, peixinho é” e segue o livro inteiro questionando as ações da mãe que lhe foram ensinadas a não repetir. No final do dia, ela é uma fofurinha e só quer a felicidade de sua mãe.

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O desenho da autora é bem feito e moderno (dentro das limitações do estilo dela). As roupas e cabelos das personagens são diferentes, e ela usa e abusa de cores e degradês para ilustrar toda a diversidade de personalidades representadas no livro. Se há motivos que me fazem correr de algumas HQs (como falei um pouco mais logo abaixo), o traço é um dos motivos que me faz gostar de uma graphic novel e foi isso que aconteceu com Placas tectônicas. Margoux conseguiu ilustrar situações que são extremamente cotidianas com graça e elegância.

    Minha opinião

Em 2016 decidi que iria sair da minha zona de conforto e ler mais livros de gêneros com os quais eu não estava muito familiarizada, como auto-ajuda e, principalmente, fantasia. Foi um ótimo desafio e descobri obras maravilhosas como The kiss of deception, Anna Vestida de Sangue, A guardiã de histórias e outros. Também tive decepções, que infelizmente reforçaram os aspectos que eu não curtia no gênero, como Silêncio e Seeker. Mas como, no geral, foi uma experiência muito bacana e por isso decidi repetir: esse ano quero dar uma chance para as HQs. O que mais me incomoda nos quadrinhos é a ambientação feita por diálogos longos, que em sua maioria, tratam o leitor como se ele não fosse capaz de deduzir nada por si só. Dito isso, vem saber o que eu achei da história:

Fiquei um tempão com Placas Tectônicas na estante e só nas férias tive um tempo para ler. O Traço da Margoux é delicado e ela brinca com aquerela (ou algum outro artificio que dê um efeito parecido). O livro não conta propriamente uma história complexa e cheia de detalhes e talvez por isso, não tenha feito aquele build-up do jeito que eu não curto. Pelo contrário, ela vai dando uma dica aqui, outra ali, até juntarmos todas as peças do quebra-cabeça e termos noção de uma noção geral da vida de Margoux. A história é rápida e dá pra ler em uma sentada, mas não deixa de ser marcante. Placas tectônicas traz exemplos de superação, girl power e vida real.

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Entretanto, não gostei de um aspecto na divulgação do livro: Placas tectônicas foi apresentado como “quadrinho para mulheres”. Sempre que eu leio uma descrição desse tipo acabo entrando no loop de 50 tons, Nicolas Sparks e até Bridget Jones como a obra mesmo foi comparada. Nada contra essas obras, mas o livro não trata de assuntos exclusivos de mulheres e mesmo se tratasse, leitores homens não podem se interessar? Ao fazer o uso desse artifício para atrair um público de interesse maior para o livro, a editora pode ter conseguido o efeito contrário: afastar as leitoras que leem quaisquer tipo de graphic novels, independente do assunto, do público e da capa, por não se interessarem por conteúdo estritamente feminino. Foi o que quase aconteceu comigo. Que bom que decidi dar uma chance para a HQ, e acho que você também deveria dar!

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Placas tectônicas (La Tectonique des plaques)
Margaux Motin
Editora Nemo (Grupo Autêntica)
256 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 35.90 em 13/02/2017)
 
 
 
 

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* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE FEVEREIRO*

Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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12 Discussion to this post

  1. thaynara ribeiro disse:

    Eu leria muito pq amei demais as ilustrações, são de um estilo que me atrai.
    Isso de ser um quadrinho para mulheres me deixou curiosa, mas não é tão relevante essa informação

    • Juliane disse:

      Oi Thaynara, tudo jóia?
      O estilo da Margoux realmente também me atraiu muito, achei o traço dela muito característico e divertido.
      Se você der uma chance, volte para me dizer o que achou!
      Beijos!

  2. Adriana Holanda Tavares disse:

    Oi Juliane, achei muito legal você falar sobre como a editora classificou o livro de maneira errônea, isso acontece com muitos livros e Hqs que acabam perdendo o público para muitos outros. E achei a premissa legal e concordo em número gênero e grau que isso pode ser uma Hq para homens também, a capa é linda e acho que vou ler!

    • Juliane disse:

      Oi Dri, tudo jóia?
      É chato quando a editora tenta especificar um público de interesse assim né? Acaba perdendo uma parcela de leitores que eles não tinham considerado.
      Mas em nome da investigação bloguística, a gente lê tudo para vir contar para vocês!
      E que bom que fizemos isso, olha só a HQ legal que conseguimos trazer!
      Beijos!

  3. Lara Caroline disse:

    Oi Juliane, tudo bem?
    Gostei muito das ilustrações com essas cores alegres e delicadas ao mesmo tempo. A história parece ser uma gracinha e eu adoro HQ’s nesse estilo. Vou sair da minha zona de conforto e me aventurar por esta história também.
    Beijos

    • Juliane disse:

      Oi Lara, tudo bem comigo e com você?
      A HQ é super fofa e divertida, eu gostei muito e acho que você também vai gostar 🙂
      Beijos!

  4. Larissa Costa disse:

    Tô precisando tomar a mesma atitude que você e sair dá minha zona de conforto literário. Não sei se pelo fato de ter só 17 anos faria com que me interessasse menos pelo contexto dá história, mas tenho certeza que deve ser carregada de dicas e ensinamentos úteis pra vida toda, sem falar que parece ser muito divertido e engraçado!

    • Juliane disse:

      Oi Lari, tudo jóia?
      Com certeza a HQ tem pelo menos algum assunto com o qual você se identificaria, acho que vale a leitura!
      Beijos!

  5. Alison disse:

    Olá, achei a trama do Graphic Novel interessante, mas já deixar pré-definido para quem se destina o livro, como citado na resenha, não é algo muito legal. Qualquer um pode gostar da história e querer ler. Mas tirando isso trata-se de uma obra que me chamou atenção. Beijos.

    • Juliane disse:

      Oi Alison, tudo jóia?
      Acho que foi uma falha da editora mesmo, mas a história da HQ em nada foi prejudicada por isso, pelo contrário, quando terminei fiquei com vontade de saber mais sobre Margoux e suas aventuras.
      Beijos!

  6. Oi Ju, que graça esse livro! Achei a arte dele um mimo só.
    Sempre na casa dos trinta e poucos, mudanças assim assustam mesmo – espero não ter nenhuma quando chegar nessa idade (rsrsrs). Pelo que deu para perceber através da sua resenha é que ela acabou perdendo um pouco da identidade dela durante o casamento. Acredito que nossa protagonista irá se redescobrir.
    Pretendo ler sim, achei super válida sua dica.
    Beijos

    • Juliane disse:

      Oi Pri, tudo jóia?
      Placas tectônicas é muito amorzinho mesmo!
      Infelizmente ela acabou mesmo perdendo a identidade durante o casamento, mas é algo a que estamos sujeitos em qualquer tipo de relacionamento, entendo o motivo da autora querer mostrar essa parte, principalmente.
      Depois que ler, vem me contar o que achou!
      Beijos!

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