Crave a Marca, Veronica Roth

Você provavelmente conhece Veronica Roth de sua série Divergente com os livros Divergente (2012), Insurgente (2013) e Convergente (2013), além de suas adaptações para o cinema. É retratado nessa série um mundo distópico, com Tris como protagonista, onde todas as pessoas são separadas por facções de acordo com suas habilidades, tal divisão possibilita uma coexistência mais completa para a sociedade.

No decorrer da série, Tris cresce enquanto personagem e se depara com problemas em que parecem ser a única capaz de resolver. As decisões de Veronica para o desfecho divergiram (HA HA não) muito as opiniões.

Essa nova série da autora foi muito esperada, e depois de quase quatro anos sem livros da autora, a Editora Rocco traz a história com ares de sci-fy Crave a Marca: o primeiro volume da duologia de Veronica para que nós conheçamos um pouco mais da escrita da autora.

Akos Kereseth é um garoto pequeno e tímido que vive com sua família em Hessa, localizada no planeta Thuve. Sua mãe é a Oráculo daquele planeta e sua família é uma das poucas que possuem fortunas – algo como um destino pré determinado imutável -, informações essas mantidas apenas pelo grupo de Oráculos da galáxia. Os dons da corrente do grupo – um tipo de força que flui por toda a galáxia, em algumas culturas rege como uma religião – ainda não foi definido, mas eles seguem com a vida em certa normalidade no planeta gelado que habitam.

– O dom vem de mim – disse Cissi. – É uma expressão da minha personalidade. Então, acho que não vejo diferença.

Toda a galáxia é regida pela Assembleia, órgão que deveria funcionar pelos interesses de todos, sem previlegiar nenhum planeta específico, mas que acaba por revelar as fortunas de todos sem motivo aparente. Essa atitude põe em perigo todos aqueles que possuem alguma fortuna, o que pode mudar o andar da guerra entre thuvesitas e o povo Shotet, sempre em busca de reconhecimento enquanto nação.

Horrível. Assim era a vida? Eu nunca a havia nomeado. A dor tinha uma maneira de fatiar o tempo, Eu pensava no próximo minuto, na próxima hora. Não havia espaço suficiente na minha mente para juntar todas aquelas peças, encontrar palavras para resumir o todo. Mas a parte do “avançar”, eu conhecia palavras para nomeá-la.

Assim, graças a atitude da Assembleia, Akos e seu irmão mais velho Eijeh são sequestrados e separados de sua família a mando de Ryzek Noavek, o soberano dos Shotet que vivem na cidade de Voa. Ele é filho do cruel Lazmet, antigo soberano e tirano, e da admirada Ylira, falecida que deixou todo o povo em luto. Ryzek passou sua vida aprendendo a força como seguir os passos do pai e conseguir o poder que acham que merece, para isso precisava de um Oráculo que o ajudasse a fugir de sua fortuna e graças aos irmãos Kereseth vê suas chances aumentarem. Ele usa tudo o que pode para conseguir chegar onde quer e usa sua irmã, Cyra, cujo dom é causar dor por meio da corrente, como arma contra aqueles que ousam ir contra ele.

Cyra, por sua vez, teve sua vida dividida. Antes, protegida da ação de seu pai por não ser a primogênita, passou a saber mais sobre a dor do que qualquer um ali. Ela aprende desde muito cedo o mal que o isolamento pode causar na alma de alguém e também o peso de tirar outra vida, algo que os Shotet carregam nos braços, com uma coluna de marcas cravadas no braço, cada uma delas representando alguém. Conhecida como O Flagelo de Ryzek, suas relações são comprometidas pelo medo que incita e pela imagem que seu irmão construiu para ela.

– O que quero dizer é – continuou – que quando eu tinha dez estações fiquei tão assustado apenas vendo a dor que mal consegui suportar. Enquanto isso, você com dez estações foi obrigada a causá-la, várias e várias vezes, por alguém muito mais poderoso que você. Alguém que deveria estar protegendo você.

A garota nunca sentiu que tinha forças para ir contra tudo o que era obrigada a fazer, sempre se consumindo na dor e culpa que seu dom da corrente lhe causava em um processo de auto punição, isso até que conhece Akos, o garoto Kereseth sequestrado duas estações antes e o único com o dom capaz de trazer alguma tranquilidade para Cyra. Um passa a aprender com o outro, questões práticas como luta ou lidar com as plantas para fazer poções e algo mais, o fato de que eles possuem uma visão deturpada da cultura do outro, incitada por anos e anos de lideranças movidas por medo e ódio.

    Minha opinião

Vamos começar com esse mapa, que é muito adorável:

 

A série Divergente foi muito especial para mim. Lembro da empolgação que senti com toda a ambientação, como os personagens mexeram comigo e como a escrita da Veronica me encantou. Eu gostei do fim e acabei por respeitar muito mais a autora, porque ela escreveu o que achou que era necessário mesmo que aquilo gerasse a polêmica que gerou com seus leitores. Sobre essa nova série, comecei a leitura bastante receosa, porque sei da pressão existente quando autores lançam livros depois de uma série tão famosa. Li alguns comentários e resenhas do pessoal de fora que foram bem negativos, isso diminuiu bastante as minhas expectativas.

Demorei a entrar no ritmo da leitura, e como é um universo totalmente diferente, as informações vão chegando o tempo todo, às vezes colocadas ali sem muita explicação com seus significados adicionados posteriormente na leitura. A narrativa é dividida em dois pontos de vista: Akos, em terceira pessoa, trazendo uma perspectiva mais ampla e Cyra, em primeira pessoa, denotando algo mais intimista.

A ambientação, o mundo criado, as culturas e a ideia da corrente são coisas interessantes, bastante instigantes e parece haver muito a se desenvolver. Cada planeta apresenta sua forma de viver de acordo com sua constituição geográfica, e eu fiquei desejando saber mais sobre eles. Apesar de ser interessante, achei tudo um pouco frágil, pensei por várias vezes que Veronica podia ter esperado mais, amadurecido melhor a concepção como um todo.

Falar sobre os personagens e seus dons é algo interessante, a construção de ambos parede estar ligado. Para ser sincera, eu me afeiçoei mais aos personagens secundários, não torci muito pelos principais e suas motivações pessoais. Torço para que a autora um dia faça contos sobres alguns deles. Agora os dons são o ponto algo, porque seu desenvolvimento está ligado a parte da história de cada um, a características inerentes. Em algum ponto percebi similaridades com Jovens de Elite enquanto lia (leia nossa resenha Sociedade da Rosa), Cyra e Adelina tem muito em comum, o medo e a rejeição as delimitam muito.

No geral, achei um livro mediano, vejo potencial na história. Não senti vontade de abandonar a leitura, mas a empolgação não veio. Espero pelo segundo livro com expectativa, porque a parte mais difícil, as questões introdutórias já nos foram dadas e porque há um amadurecimento tanto da trama política do livro quanto dos personagens.

 
Crave a Marca (Carve the Mark)
Veronica Roth
Rocco
480 páginas
Lançamento: 2017
Comprar (Amazon – R$ 29,90 em 14/02/2017)
 
 
 
 

AWTR ASSINATURA PARA BLOG3

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE FEVEREIRO*

Related Posts

12 Discussion to this post

  1. Larissa Costa disse:

    Já fico me imaginando lendo “crave a marca” e pronunciando todos os nomes erroneamente hahaha são muito complicados, mas adorei a atmosfera e a temática distópica do livro, de verdade 🙂
    Adorei o Post. Beijão!

    • Laryssa Tavares disse:

      Larissa,
      eu lia e tentava achar uma pronúncia que fazia sentido, depois fui ver o vídeo que a Rocco lançou com as formas corretas, e até no final do livro tem uma parte anexa, e vi que errei feio em alguns. HAHA
      Obrigada!
      Um beijo.

  2. thaynara ribeiro disse:

    Eu já estou gostando muito da irmã do Ako e da Ori ou Odi eu acho rsrs
    Estou no comecinho mas gostando…. não terminei de ler divergente mas gosto demais da série. Quando terminar o livro volto e comento

    • Laryssa Tavares disse:

      Thaynara, a irmã deles é ótima mesmo, e o relacionamento com a Ori é bem fofo, dá vontade de dar um zoom e acompanhar bem de perto, né? Uma coisa que eu gostei da série é que ela coloca a diversidade como é na vida, sem destaque, mas presente.
      Volta e comenta mesmo, quero saber o que achou de tudo.

  3. Adriana Holanda Tavares disse:

    Não acredito!!! Essa é a primeira resenha que leio do livro. Já vi que não posso ter muitas expectativas em relação a essa autora. Ainda não li divergente, mas uma amiga disse que o texto dela não é bom, não é bem desenvolvido, ela não gostou. Agora ela começa uma nova série e já comete o mesmo pecado, não desenvolveu o universo que criou. Que pena que ainda é lento e um pouco fraco. Já vi que é só para passar o tempo mesmo. Gostei muito da sua sinceridade, sua resenha ficou ótima!!

    • Laryssa Tavares disse:

      Eu gostei demais de Divergente e toda a série, a escrita dela realmente me agradou ali, mas sei que não é uma série 100%, e a adaptação para o cinema deixou a fama pior ainda. A coisa é a que eu disse mesmo, imagino que se ela deixasse a ideia curtindo mais na cabeça dela, o resultado final seria muito melhor.
      Obrigada, Adriana!
      Beijos.

  4. Lara Caroline disse:

    Oi Laryssa, tudo bem?
    Apesar de muito famosa, eu ainda não li a série Divergente e acredito que a minha experiência possa ser diferente da sua. Acho que deve ser um pouco difícil para os fãs de uma série conseguirem criar um amor por outro trabalho do mesmo autor.
    O livro traz bastaaaante informação e os nomes são bem complicados hahha
    Estou curiosa pela história.
    Beijos

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Lara, tudo bom?
      Eu concordo, acho que dependendo do momento em que cada um ler o mesmo livro, a experiência possa ser diferente. Eu ainda tinha expectativas, e a Veronica já tinha criado uma série de muito destaque e que eu tenho muito carinho, então é complicado que uma chegue ao mesmo patamar da outra, e que eu, como leitora, consiga desvincula-las.
      Beijos!

  5. Alison disse:

    Olá, desde o anúncio do lançamento desse livro estou morrendo de vontade de ler , Veronica me encantou com sua trilogia e tenho certeza que vou adorar essa nova trama. Quanto ao fato de ser uma leitura um pouco lenta acredito que o primeiro livro é para nos introduzir a este universo e o segunda irá ter um ritmo mais acelerado. Beijos.

    • Laryssa Tavares disse:

      Olá, Alison
      Eu também me encantei com a escrita da Veronica, está entre uma das minhas séries favoritas.
      Acho que você tem razão, primeiro livro é muito introdutório, mas me preocupa um pouco o fato de ser uma duologia e ter muita coisa a se resolver.
      Um beijo.

  6. Oi Laryssa, tudo bem?
    Quando eu vi o lançamento desse livro, gostei tanto da história que quase surtei. Mas antes de comprar a obra me obriguei a ler pelo menos o primeiro livro da série Divergente para conhecer a escrita e o trabalho da autora. Resultado: adorei! Acabei comprando o box e quero acabar para poder ler Crave a Marca que promete ser mais um grande sucesso.
    Beijos

    • Laryssa Tavares disse:

      Olá, Priscila
      A série Divergente é muito boa mesmo, uma das minhas preferidas. Fiquei louca na história quando li. Crave a Marca me deixou curiosa para saber mais, espero ansiosa pelo segundo, mas não me gerou o mesmo sentimento, sabe?
      Beijos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *