A maravilha das pequenas coisas, Dawn French

A maravilha das pequenas coisas é a divertida história de uma família moderna contada do ponto de vista de três de seus membros: a mãe, que pensa que sabe tudo, o filho, que pensa que pode tudo, e por sua vez, a filha, que pensa que não pode nada e que não sabe nada. Cada um vive em seu pequeno mundo e a vida familiar fica cada vez mais caótica – até que eles descobrem o que realmente importa. Um livro para todos os que fazem parte de uma família confusa e bagunçada, mas que no fundo se amam muito e têm certeza de que, seja qual for o problema, sempre haverá alguém pronto a lhe dar mão.

Os Battles são uma família bastante comum e ao mesmo tempo cheia de particularidades. A mãe, Ma; Peter/Oscar, o filho mais novo e Dora, a filha adolescente são os protagonistas da história, embora o restante da família tenha um papel importante no livro. Apesar de esterem constantemente em conflitos e brigas, eles se importam muito uns com os outros, mas esbarram na dificuldade de demonstrar esse amor. A narração é feita através do ponto de vista dos três personagens em paragráfos que lembram um diário.

Não é que eu não goste do rosto da minha mãe. É só que ele pertence a ela, não a mim.

Ma é uma psicóloga especialista em crianças e adolescentes que não conseguem entrar em termos com sua filha Dora, de 17 anos. Ela está prestes a completar 50 anos e se vê em uma crise de meia idade. Sua carreira exige muito de si e ela se empenha em ser a melhor profissional que consegue, isso inclui dedicar mais tempo que o necessário aos seus pacientes. Enquanto ela busca se fazer mais presente na vida da filha (e tenta colocar algum juízo na cabeça dela), Ma se empenha para escrever um livro sobre jovens. Um bônus de Ma é que ela é uma personagem super divertida!

Não posso, de jeito nenhum, contar para os meus pais. Ambos são velhos e já desistiram totalmente dos sonhos que tinham. Tudo o que eles fazem é ir para o trabalho. Seja qual for o trabalho deles.

Dora está no auge de sua adolescência e acompanha todas aquelas características típicas de pessoas de sua idade: inseguranças, dramas e confusões. Ela terminou recentemente com seu namorado e está se diminuindo desde então. Dora não desgruda de sua amiga Lotie, sua fiel confidente há muito tempo. A formatura das garotas está se aproximando e como a adolescente odeia seu corpo, se envolveu com uma dieta maluca para estar bonita para o evento. Apesar de não fazer nada além de ficar no facebook, Dora sonha em ser cantora.

Oscar é o filho mais novo de Ma: ele tem 16 anos e na verdade se chama Peter, mas exige que lhe chamem pelo outro nome. Ele é intelectual ao extremo e inclusive seus capitulos são mais refinados, na escrita. O garoto está constantemente tentando mediar as brigas da mãe e ajudar sua irmã. Oscar é aquele típico adolescente que se acha muito e não possui nenhum segredo. Ainda no texto, temos Caca, a cachorrinha da família e a vó Pamela, um colo acolhedor para os membros da família. Vale ressaltar que as receitas da vovó Pamela vêm em anexo no final do livro e todas parecem ser gostosas! O pai dos garotos só aparece no final da história para ajudar a resolver um conflito maior, em um momento crucial da trama.

    Minha opinião

As vozes dos personagens são bem diferentes dentro do texto, acho até que a autora forçou um pouco para que cada um tivesse sua individualidade bem definida. Apesar disso, Dawn French se esforçou muito para trazer temas, embora cotidianos, muito pertinentes como envelhecimento, sexualidade, família, amizades e inseguranças e acho isso muito válido!

Engraçado como as mulheres se envergonham de sua beleza interior, enquanto os homens estão sempre orgulhosamente exibindo seus cowboys ou bombeiros internos.

A leitura é super leve e gostosa, li tudo em uma sentada. O texto é bem engraçado e eu me identifiquei muito com a relação entre Ma e Dora, pois na minha adolescência (há um bom tempo atrás), algumas coisas foram parecidas nas minhas experiências com minha mãe. É muito visível que a família inteira se amava e que só estavam tendo dificuldades em se comunicar ou em se colocar no lugar do outro. Dentro do gênero contemporâneo familiar, A maravilha das pequenas coisas é uma recomendação muito válida.

O que eu estava pensando? Fato é que eu não estava pensando. Eu não queria pensar. Eu queria sentir.

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A maravilha das pequenas coisas (A tiny bit marvellous)
Dawn French
Editora
216 páginas
Lançamento: 2016
Comprar (Editora Fundamento – R$ 34,16 em 01/03)
 
 
 
 

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Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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10 Discussion to this post

  1. Larissa Costa disse:

    Quero!! Minha família é enorme, então me identifiquei com as crises e tudo mais!
    Gostei do fato dos capítulos retratarem bem o personagem que está sendo protagonizado, inclusive o fato de todos serem protagonistas das suas vidas.
    Amei o post!
    😘😘

    • Juliane disse:

      Oi Larissa!
      Eu também me identifiquei na hora! Todo mundo é muito divertido e identificável.
      Obrigada pelo carinho!
      Beijos!

  2. Clayci disse:

    Eu gostei bastante desse livro .. Me diverti com os personagens e me identifiquei em várias situações rs

  3. janaina silva disse:

    Olá,tudo bem? 🙂

    Só de ler a resenha me diverti e me identifiquei com a personagem Ma. Muitas vezes nós mães,achamos que sabemos de tudo,quando na verdade não!
    Esses conflitos tão comuns dentro de uma família,nos fazem refletir sobre a nossa própria vida.
    Ainda não conhecia o livro e gostei de como mostra a vida real de muitos.

    Boa dica!

    • Juliane disse:

      Oi Janaina, tudo bem comigo e com você?
      A Ma é mesmo super divertida, adorei ela!
      Me identifiquei com muitas situações ali hehe
      Beijos!

  4. Mirian Kely disse:

    Achei maravilhoso abordar o tema familia e mostrar uma familia tão bagunçada quanto a minha, super me identifiquei. O bom também é que a leitura é leve, então deixa fluir com naturalidade.

  5. Joicy disse:

    Pareceu-me de fato uma leitura leve, levíssima eu diria, ainda que discorra sobre assuntos sérios.
    Pergunto-me porquê é que na maioria das famílias há essa desconexão e dificuldade em se expressar com os membros da própria família, será que isso é cultural do Brasil ou será uma coisa da própria característica humana?
    Não houve aquela identificação imediata com os personagens, mas a gente nunca sabe com certeza até ler o livro, e eu o leria.
    Caca e receitas da vovó Pamela <3 !!

    • Juliane disse:

      Oi Joicy, tudo bem comigo e com você?
      Como você falou, acho que a dificuldade de comunicação não é algo típico dos lares brasileiros e sim um problema sistêmico.
      A vovó Pamela é um amor!
      Beijos!

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