Vocação para o Mal, Robert Galbraith

Cormoran Strike, o detetive particular e veterano de guerra, condecorado com honra pelos seus serviços, carregando a marca da guerra com sua perna direita amputada, e sendo o grande foco por conseguir solucionar casos que a polícia metropolitana de Londres não conseguiu, tem mais um caso em mãos. Um caso de âmbito particular, algo que pode macular para sempre a visão que as pessoas tem de sua agência e dele como um homem correto.

Outra pessoa poderia não se incomodar tanto com isso, Strike na verdade nunca foi muito ligado a forma como sua imagem é passada na mídia, nunca foi ávido por aparecer nos jornais – até mesmo porque nunca se aproveitou do fato de ser filho de Jonny Rokeby, o rockeiro da banda The Deadbeats -, mas a má publicidade que esse caso acaba trazendo aos seus negócios pode minar o pequeno avanço que sua agência parece estar alcançando.

ATENÇÃO: Esse é o terceiro livro da série do detetive Cormoran Strike, e apesar de não apresentar spoilers específicos dos outros dois livros, O Chamado do Cuco e O Bicho-da-seda (ambos lançados pela Editora Rocco), algumas informações referentes ao desenvolvimento dos personagens podem ser falados aqui. Então, mesmo não se tratando de uma continuação, você pode não querer começar pelo terceiro em ordem de lançamento.

O casamento de Robin e Matthew se aproxima, as semanas parecem voar e os preparativos acabam deixando Robin louca. Robin começou no escritório de Strike como secretária temporária, e com o passar do tempo, acaba por desenvolver um bom relacionamento com o chefe a ponto de indicar o desejo de trabalhar como detetive. Strike, ainda que reticente em alguns pontos, principalmente no que tange a Matt, o noivo da moça, paga um curso de vigilância para ela, do qual Robin sai com notas máximas em todos os requisitos. Em Vocação para o Mal, o relacionamento dos dois se desenvolve em uma luta de Robin, ainda tentando se provar uma parceira a altura de Strike, tanto para ele quanto para Matt, que parece ver a carreira mal paga de sua noiva como um capricho passageiro.

Strike e Robin conseguem dividir os momentos de seus dias em vigilâncias dos casos do escritório: Duas vezes, que gosta de vigiar as namoradas para saber se está sendo traído, e o pai que não consegue respeitar os termos da guarda dos filhos. E há ainda as partes meramente burocráticas, resolvidas no escritório onde Robin tem mandado enviar algumas de suas encomendas para o casamento e é assim que a trama toda começa. Achando que finalmente chegara as câmeras descartáveis que pediu, Robin recebe uma perna decepada com um bilhete com as últimas estrofes da música Mistress of The Salmon, da banda Blue Öyster Cult.

O pacote, antes endereçado a Strike, teve o destinatário repensado, e é com seu nome estampado que Robin o recebe de um entregador misterioso. O detetive vê naquilo uma ameaça completa. Primeiro, a Robin, que tem a sua pessoa como o alvo de algum tipo de criminoso. Segundo, a clara mensagem passada a ele, de poder e medo, de saber exatamente quem ele é e de onde ele veio: a banda em questão, era a favorita de sua mãe Leda, a conhecida groupie.

Cormoran Strike não está em boa conta com a polícia, o caso Landry – a modelo que teve seu assassino descoberto e preso por ele – e o caso Quine – o caso grotesco do assassinado ao infame escritor, só solucionado por sua sagacidade – deixaram certa mágoa e ressentimento com a polícia. Eric Wardle, o único investigador que parece ter Strike em conta, toma a dianteira para investigar a perna que chega a Robin, interrogando a ambos sobre todas as pistas apresentadas.

Strike apresenta três homens que tem motivos para querê-lo em maus lençois, sofrendo parte do que ele os fez passar na vida. O primeiro suspeito é Jeff Whitaker, seu ex-padrasto, acusado de matar sua mãe, porém inocentado em tribunal. Donald Laing é um escocês, soldado mandado para a prisão por tempo, quando Strike descobre sua esposa presa e torturada em casa. E, por fim, Noel Brockbank, homem acusado de pedofilia por ele.

O detetive começa então uma investigação pessoal, percebendo com insatisfação que suas pistas e linhas raciocínios não são bem recebidos, e junto a Robin consegue chegar cada vez mais perto do culpado, que posteriormente é conhecido como o Estripador de Shacklewell. As linhas sinuosas da vida de Robin – a insegurança, o passado que a assombra e parece delimitar sua vida, o emprego que ela ama, mas não há tanto retorno financeiro, Matthew e suas constantes brigas – se envolvem cada vez mais com as de Strike – que finalmente tem um desenrolar no aspecto amoroso, entrando em um namoro com Elin, loira e atraente, tentando se livrar de um divórcio complicado e deixando o romance dos dois em segredo até que seja resolvido.

    Minha opinião

J. K. Rowling, como Robert Galbraith, não escreve meu gênero favorito, na verdade, eu nunca li nada do tipo a não ser a série do detetive Cormoran Strike. O que me chama aos livros dela é sempre a paixão que tenho por Harry Potter (como muitas outras pessoas, eu sei). Não posso, então, fazer um comparativo quanto a forma como se espera que uma história policial e mistério deve ser contada. Aqui, é apenas a minha impressão mesmo.

Quanto a escrita, eu acho excelente. A forma como a narrativa se comporta é muito boa e intrigante. Eu tenho mais costume de ler histórias juvenis, com uma linguagem muito mais leve, então é uma exigência muito benvinda a que a autora nos instiga, são palavras novas, cenas nada amaciadas e por vezes viscerais. Vocação para o Mal ainda tem um característica interessante, alguns capítulos são narrados em primeira pessoa pelo assassino, enquanto o resto é como já sabemos, terceira pessoa acompanhando o desenrolar de Robin e Strike. O desenvolvimento é muito bom, são três suspeitos, três linhas de raciocínios e caminhos das investigações particulares dos protagonistas, e ainda que os três homens apresentados por Strike tenham suas similaridades, cada um tem suas história, que Rowling nos conta de forma que vamos criando um retrato do assassino, sem que a identidade seja informada. Confesso que o final foi bastante surpreendente para mim. Talvez pessoas mais experientes nesse tipo de leitura não concordem.

Nem tudo são flores, claro. Algumas decisões, talvez principalmente no caráter pessoal, me deixam incomodada, eu faria diferente, penso diferente. Uma vez um amigo comentou sobre um problema da trama, isso da série como um todo: Strike tem a mania de resolver tudo de forma excepcional na sua mente, e só divide com os leitores – e nesse caso até sua parceira fica para trás – nas últimas páginas. Isso é um pouco enervante. O relacionamento de Strike e Robin foi algo mais bem tratado nesse livro, algumas coisas em suspenso, muitas outras não ditas, mas o começo de um novo tipo de confiança paira no ar. E eu particularmente acho que abre uma brecha para o desenrolar da série.

 
Título: Vocação para o Mal (Career of Evil)
Autora: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 496
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 36.60 em 28/04/2017)
 
 
 

* Este livro foi enviado pela editora do mesmo. A política do blog é de sempre fazer resenhas sinceras, independentemente de como o livro chegou até nós. A opinião relatada aqui veio da experiência literária da autora do post e não sofreu nenhuma influência que não tenha sido explicitada na resenha.

 
 
 

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2 Discussion to this post

  1. Larissa Costa disse:

    Assim como você, não é um dos meus gêneros favoritos. Na verdade li pouquíssimos desse gênero, sou uma romântica nata e já fico esperando o momento em que casais irão se formar e ter todos aqueles conflitos huehueue
    Enfim, é mais um livro que nunca havia ouvido falar e agora conheço!

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Larissa,
      eu também sou uma romântica nada! Não tem jeito, eu tô sempre shippando os personagens.
      Eu não acompanho o gênero, mas como gosto da autora acabo ficando ligada. hehe

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