Em águas sombrias, Paula Hawkins

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Nos dias que antecederam sua morte, Nel ligou para a irmã. Jules não atendeu o telefone e simplesmente ignorou seu apelo por ajuda. Agora Nel está morta. Dizem que ela se suicidou. E Jules foi obrigada a voltar ao único lugar do qual achou que havia escapado para sempre para cuidar da filha adolescente que a irmã deixou para trás. Mas Jules está com medo. De seu passado há muito enterrado, da velha Casa do Moinho, de saber que Nel jamais teria se jogado para a morte. E, acima de tudo, ela está com medo do rio, e do trecho que todos chamam de Poço dos Afogamentos…

A família Abbot tinha seus segredos e brigas: as irmãs não se falavam há muito tempo por causa de acontecimentos do passado. O conflito entre elas era algo muito antigo e doloroso para Jules, a mais nova. Depois de uma das vezes que Nel ligou para sua irmã caçula e não teve resposta, ficamos sabendo que ela fora encontrada morta. Seu corpo estava no Poço dos Afogamentos, em um rio que corta a cidade de Beckfort. Nel deixou uma filha adolescente para trás e agora Jules tem que cuidar da garota enquanto tenta achar um encerramento para seus demônios do passado.

Não muito tempo antes, Katie, a melhor amiga de Lena, havia tido o mesmo fim: a garota havia se afogado no poço. Ela havia se suicidado: encheu o casaco e uma mochila com pedras e se deixou levar pelas águas. A família de Katie nunca aceitou a perda, que parece ter afetado principalmente o seu irmãozinho, Josh. Eles culpam Lena pelo ocorrido, mas acima de tudo, culpam Nel Abbot pela morte de sua filha. Uma aluna exemplar, adorada por todos e que não parecia ter desavenças com ninguém da cidade. As mortes de Katie e Nel poderiam estar conectadas?

É preciso ser dona de um estranho senso de prerrogativa, imaginei, para pegar a tragédia de outra pessoa e escrevê-la como se pertencesse a você.

Nikkie é uma mulher de idade que mora em uma área alta da cidade, ela não tem um emprego fixo e é evitada por quase todos da cidade, uma vez que os boatos que circulam são de que ela é uma bruxa. Ela também perdeu alguém para o Poço dos afogamentos: sua irmã Jeannie. Mas ela sabe que sua irmã não saltou para a morte, ela não faria isso. Antes delas, muitos outras mulheres morreram da mesma forma em Beckfort. Há quem diga que o rio atraí as mulheres para dentro de si, mas Nikkie sabe que não é verdade, ela viu Nel pouco antes de morrer. Ela sabia que a mulher estava escrevendo um livros sobre a história das mulheres que morreram naquele lugar. Mas quem acreditaria em uma bruxa?

Mas as pessoas faziam vista grossa, não faziam? Ninguém gostava de pensar que a água daquele rio era infectada com o sangue e a bile de mulheres perseguidas, de mulheres infelizes; eles a bebiam todos os dias.

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Pé ante pé até chegar ao bosque, pé ante pé para sair da trilha, tropeçando de leve na margem, e então, pé ante pé, para dentro da água.

Minha opinião

Quando fiquei sabendo que a autora de A garota no trem iria lançar um novo livro, já comecei a me preparar para solicitar ele para a Record. Para a minha surpresa, ele chegou na minha caixa postal poucos dias depois do lançamento e eu comecei a ler na hora. Inclusive, para hoje eu tinha outra resenha programada, então já dá pra ter uma noção sobre a expectativa em torno do livro né? Prometo tentar ser o menos parcial possível com minha opinião, mas estejam cientes que desde o livro anterior, Paula Hawkins já tinha um lugar especial no meu coração.

Os horrores produzidos pela mente são sempre tão piores que a vida real.

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Conhecendo a escrita da autora, eu já tinha uma noção de onde procurar pistas e quais detalhes guardar. Pelo menos eu achava que tinha. Em águas sombrias é um livro bastante complexo, diferentemente de A garota no trem, temos agora uma cidade inteira envolvida na trama. São muitas pessoas, acontecimentos e informações para memorizar e isso atrasou um pouco minha leitura, pois fui fazendo anotações. Paula Hawkins segue a mesma linha do livro anterior em relação à narração: embora na terceira pessoa, temos muitos narradores (aproximadamente dez) e temos os saltos temporais (seja por flashbacks ou por textos antigos).

Você estava com medo.
Medo de quê? Medo de quem?

Queria poder dizer que as protagonistas eram personagens completamente originais e novas, mas eu vi traços de Rachel em Jules e de Anna na Lena. Porém, eram só traços mesmo e logo eu acabei esquecendo disso, pois a história é muito envolvente. No começo, me lembrei também da obra A febre, uma história sobre um episódio de histeria coletiva que também afetou uma cidade inteira. Mas, quanto mais eu avançava nas páginas, mais percebia que Em águas sombrias era muito mais profundo e obscuro que o outro livro.

Depois desse dia, parei de falar com você. Isso, segundo sua filha, fui eu sendo má com você. Nós contamos as nossas histórias de maneira diferente, não é mesmo, você e eu?

No final das contas, fiquei muito satisfeita com a leitura de Em águas sombrias. Paula Hawkins se superou e trouxe uma nova história com muitas camadas. Quando o leitor poderia achar que estaria perto de desvendar os mistérios da cidade de Beckford, a autora vinha e virava tudo de cabeça pra baixo. Detestei alguns personagens logo de cara, mas no final já estava nutrindo uma certa empatia por eles (leia-se Lena). A leitura de Hawkins nunca é leve e ela toca em algumas feridas para incomodar mesmo, para começar uma discussão e aqui não foi diferente. Vimos temas como abusos sexual, emocional e psicológico e violência doméstica. Se você tiver um tempo para ler (dá um leve trabalhinho aprender quem é quem) ou curtir o estilo (policial/suspense) ou tiver gostado de A garota no trem: Em água sombrias é o livro certo para você!

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Título: Em águas sombrias (Into the water)
Autor: Paula Hawkins
Editora: Record (Grupo Editorial Record)
Número de páginas: 364
Lançamento: Maio/2017
Comprar (Amazon – R$ 37.90 em 04/05/2017)
 
 
 

* Este livro foi enviado pela editora do mesmo. A política do blog é de sempre fazer resenhas sinceras, independentemente de como o livro chegou até nós. A opinião relatada aqui veio da experiência literária da autora do post e não sofreu nenhuma influência que não tenha sido explicitada na resenha.

 

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE MAIO *

 

Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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4 Discussion to this post

  1. Clayci disse:

    Preciso dizer que a senhorita está se superando nas fotos, hein?
    Fiquei babando aqui..

    É um livro que quero muito ler, inclusive <3

    • Juliane disse:

      Um elogio desses da rainha das fotos, bicho <3 haha
      Leia Clay! Principalmente se você gostou de A garota no trem!
      Beijos!

  2. Larissa Costa disse:

    Nossa, esse post me deixou com gostinho de quero mais. Já tô curiosa pra saber sobre esse tal livro deixado por uma das “suicidas” e quero saber o que as atraí para o poço dos Afogamentos e só mulheres são atraídas?
    Acho que vou ter que ler pra descobrir 📖😘

    • Juliane disse:

      O livro da Nel tinha tanto potencial! Mas não vou falar nada pra não dar spoilers hahaha
      Leia mesmo! Depois em conta o que achou!
      Beijos!

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