1222, Anne Holt

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A 1222 metros de altitude, um acidente de trem. Uma impiedosa nevasca. Um hotel centenário. E um assassinato! Uma ex-policial, tão astuta e brilhante quanto sarcástica e antissocial, é a única pessoa capaz de solucionar o mistério da morte de um dos 269 passageiros de um trem descarrilado. Isolados do resto do mundo por causa da neve, uma atmosfera de medo, hostilidade e desconfiança instala-se no hotel onde eles se refugiaram.

Um acidente de trem causado por intempéries, a 1222 metros de altura deixou um único morto: o motorista. Infelizmente, algumas outras pessoas ficaram feridas, mas por sorte o hotel Finse 1222 estava próximo e elas logo foram resgatadas pelos hospedes e trabalhadores. O trem nº 601 que ia de Oslo em direção à Bergen tem um vagão secreto, com passageiros desconhecidos e seguranças armados, mas ninguém sabe ao certo o motivo. Desconfia-se que os tripulantes pertencem a família real norueguesa. Assim, os 269 sobreviventes do acidente ficam presos no hotel até que possam ser resgatados.

Nossa protagonista, Hanne Wilhelmsen, é uma ex-policial que ficou paraplégica depois de um acidente. No começo do livro ela é extremamente mal humorada e antissocial, mas isso vai melhorando conforme a história se desenrola. O resto dos personagens é apresentado rapidamente e o foco segue para os eventos nas dependências do hotel. A autora não foca na descrição dos personagens ou dos locais.

Eu não queria ajudar nada. A única coisa que eu queria era que me levassem daquela montanha, para longe de todas aquelas pessoas e da tempestade e a maldita neve, que conforme o tempo passava, tornava mais difícil a visão lá fora. Tentar ver alguma coisa em todo esse caos onde não havia nada para focar fazia com que eu me sentisse enjoada e tonta.

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Depois de alojados e acalmados, os novos hospedes do hotel passam a interagir em harmonia e ter uma convivência pacifica. Pelo menos era o que se pensava. No dia seguinte da chegada ao hotel, um pastor famoso no país é encontrado morto. Por causa da terrível nevasca que atinge o hotel, sabe-se que o assassino não poderia ter vindo de fora. E ainda pior, não poderia sair do hotel.

Sem querer adiantar os acontecimentos, gostaria de dizer neste momento que, quando soube, algumas horas mais tarde, que Cato Hammer estava morto, a primeira coisa que pensei foi que, afinal, ele não era tão terrível assim, apesar de tudo.

Quando a abordam em busca de ajuda, Hanne insiste que esse é um trabalho da polícia e que todos deveriam se acalmar e esperar. Ela está aceitando um pouco melhor a tentativa das pessoas de conhecer e ajudá-la, mas ainda assim, mantém sua distância. A ex-policial está curiosa quanto às circunstâncias do assassinato, porém, não quer fazer parte da investigação informal. Quando as pessoas descobrem que há seguranças armados na porta da suíte presidencial e pensam ter ouvidos tiros, a situação sai um pouco do controle, mas logo todos são acalmados.

O cenário muda completamente quando, na segunda noite, descobrem que uma segunda pessoa morreu. Hanne está apavorada a essa altura, questionando quanto tempo demorará até que a tempestade passe e a ajuda chegue ou uma terceira pessoa morra. Todos estão com medo e têm que lidar com pessoas de personalidades diferentes. O suspense faz o leitor virar as páginas, uma a uma, até que o livro acabe. A autora dá algumas pistas durante a leitura, mas eu acabei deixando passar desapercebido. A narração é em primeira pessoa, mas ainda assim, a protagonista esconde algumas coisas do leitor.

Minha opinião

Na capa do livro há a comparação com uma autora famosa, mas como não conheço a escrita de Agatha Christie, não sei dizer se a narrativa das duas autoras se assemelham. Porém, pelas opiniões de pessoas que conhecem ambas, deu pra perceber que, de fato, Anne Holt busca inspiração nas obras de Agatha Christie.

Às vezes suspeito de que pastores como Cato Hammer não acreditam em Deus. Em vez disso, são apaixonados por um clichê de Jesus, o homem bom de sandálias, olhar aveludado e mãos acolhedoras.

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Hanne é uma protagonista difícil de gostar/identificar em um primeiro momento e descobri depois de terminar a leitura, esse não é o primeiro livro da personagem. O que me leva a pensar que provavelmente ela teve uma construção mais elaborada antes e que acompanhamos grande parte de sua vida, inclusive o acidente. Gostaria que a autora tivesse acrescentado um pouco mais de páginas para fazer com que o leitor criasse empatia pela Hanne mais cedo no livro. E que não tivesse apressado tanto a conclusão da obra.

No geral, 1222 é um suspense alucinante que te prende do começo ao fim. Cada nova pista que o leitor descobre o faz querer investigar junto com a protagonista cada vez mais. Alguns personagens são cativantes e outros o contrário. Como está indicado na capa do livro, realmente não dá pra parar de ler!

Eu não preciso usar um aparelho de audição, de jeito nenhum, e me viro muito bem. Em especial pelo fato de que raramente falo com outras pessoas e de que os aparelhos de televisão são equipados com um botão de volume.

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Título: 1222
Autor: Anne Holt
Editora: Fundamento
Número de páginas: 303
Lançamento: 2013
Comprar (Site da Editora – R$ 34,16)
 
 
 
 

* Este livro foi enviado pela editora do mesmo. A política do blog é de sempre fazer resenhas sinceras, independentemente de como o livro chegou até nós. A opinião relatada aqui veio da experiência literária da autora do post e não sofreu nenhuma influência que não tenha sido explicitada na resenha.

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE MAIO *

Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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Discussion about this post

  1. Larissa Costa disse:

    Tem quem não goste de escritas que não se aprofundam no personagem, mas eu adoro, porque assim a história fica mais fácil de digerir e me concentro melhor!
    Adorei todo o suspense que parece estar presente no livro e o fato de eles não poderem sair do hotel intensifica ainda mais esse clima de perigo.
    Não entendi muito bem sobre essas pessoas de alta patente que estão hospedadas, mas acho que vai ser decisivo pro final!

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