Melodia Mortal, Pedro Bandeira e Guido Carlos Levi

E se pudéssemos ter a chance se ver Sherlock Holmes e seu inseparável amigo Dr. John Watson em ação em outros casos? E se esses outros casos fossem sobre os grandes compositores da música clássica e as causas de suas mortes? Bom, isso é o que Pedro Bandeira e Guido Carlos Levi se propuseram a fazer nesse livro, que conta com mistérios e o desvendar deles pelo detetive mais aclamado de todos os tempos.

O livro começa com uma apresentação de John Watson, contando como se tornou famoso: escrevendo histórias sobre Sherlock Holmes. Conta da genialidade de Holmes e de como a amizade entre eles foi fundamental para que Watson se recuperasse das lesões físicas e emocionais deixadas pela guerra. Esse início já nos leva para a – saudosa – Baker Street 221B, endereço em que viviam durante todas as suas aventuras. Outros personagens também são relembrados no livro, como Mary Morstan, esposa de Watson; agente Lestrade, policial inglês e a senhora Hudson, que também vive no mesmo endereço que eles.

Meu nome é John H. Watson, M.D. Tornei-me conhecido em todo mundo escrevendo histórias sobre os outros. Na realidade, sobre um outro, o meu amigo Sherlock Holmes. Como testemunha, sempre estive presente em suas aventuras, mas é provável que minha figura não tenha sido marcante para os leitores, ofuscado que sempre fui pela imagem do meu biografado.

No que diz respeito às investigações dos – assim como são chamados – gênios da música, elas sempre perpassam por algum mistério externo que acaba tendo relação com os grandes músicos. Como por exemplo no caso de Tchaikovsky, em que há o desaparecimento de um personagem, e então Sherlock tem de usar todo o seu raciocínio lógico para encontrá-lo, e quando o encontra ele está com bailarinos que apresentavam a obra de tal compositor. Diante disso ele confabula a maneira como o compositor teria morrido, refutando as explicações vigentes e sempre deixando Watson perplexo com a sua capacidade intelectual.

Exatamente, Watson. Consta que após a condenação pelo czar, um grupo de colegas de Tchaikovsky da Escola de Jurisprudência de São Petersburgo, onde ele estudara havia anos, teria se reunido com ele e o convencido a cometer suicídio para salvaguardar a própria honra, a da sua antiga escola e a de seus colegas e amigos…

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Outra particularidade que encontramos no livro é uma Confraria de Médicos Sherlokianos que se reúne nos dias atuais para discutir as hipóteses sugeridas por Holmes, e além disso apresentar opções de acordo com a medicina atual, visto que a medicina na época da morte dos compositores e da época de Sherlock e Watson não era tão avançada. Porém, as repostas que tais médicos encontram continuam inconclusivas visto que não existem muitos dados para análises mais elaboradas. Além disso, são médicos bastante beberrões e que apreciam bastante comida, já que todas as reuniões são regadas de vinho e a comida típica do país em que o compositor viveu.

Acredito que sei por que tantos médicos interessam-se pelas aventuras de Sherlock Holmes, meus amigos. Afinal, nossas profissões assemelham-se às do fabuloso detetive: o que é um exame clínico senão uma investigação detalhada, uma procura minuciosa de indícios, de pistas que nos leve a um diagnóstico adequado? O que fazemos senão procurar insidiosos vilões que causam sofrimentos e óbitos a nossos pacientes? Qual a diferença da ação de Sherlock Holmes numa cena de crime, comparada à nossa, quando enfrentamos os desafios do sofrimento humano?

Minha opinião

Esse foi um livro regado à grandes expectativas. Esperei ansiosamente para começar a ler e achei que seria incrível. O que eu tenho a dizer é: nós não nos conectamos. Na verdade achei chato. Já explico. Talvez eu estivesse com as expectativas altas, talvez eu estivesse com o pensamento lá na série de TV em que Benedict Cumberbatch interpreta brilhantemente o melhor Sherlock que eu já vi… Talvez! Mas em minha defesa eu tentava o tempo todo me desassociar da figura dele, e entender que o formato televisivo tem outras características, e pode ser que pra mim seja o melhor jeito de ver o nosso amado detetive em ação. Porém, foi quase como matar a saudades de um velho amigo, então o livro ganha pontos em me aproximar desse personagem que tanto gosto.

Desta vez, meu caro Watson, a arte e o crime andaram de mãos dadas, mas Sherlock Holmes desfez esse tétrico casamento! De pé, para embasbacar-me ainda mais, Holmes empunhou o violino e presenteou-me com um encore da belíssima Polonaise Heroica, desta vez com o número certo de compassos.

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Outro aspecto, que talvez tenha sido o principal motivo da minha falta de conexão com o livro, foram os médicos. Não consegui achar engraçado, não consegui me conectar à eles e fiquei esperando que o Holmes tivesse mais espaço, e não curtas histórias interrompidas pelo falatório médico com suposições vagas. Acho pertinente citar que na página 146, Holmes se refere à um personagem dizendo que ele possuía preferência ao homossexualismo. Logo pensei que por se tratar do Holmes, os autores quisessem retratar a linguagem utilizada na época, e acertei no pensamento! Páginas à frente, os médicos da confraria utilizam o termo homossexualidade. Confesso que fiquei apreensiva…

O narigudo Westrup olhava de soslaio para a colega Sheila, que parecia incomodada com a preferência à homossexualidade de seu compositor predileto.

Acredito que tenha sido uma boa aposta dos autores reviverem estes personagens, foi mais uma leitura feita, mais uma maneira de admirar Holmes e sua inteligência absurdamente lógica. Além disso o capítulo final é bastante emotivo, traz Holmes e Watson idosos em meio à segunda guerra mundial. Foi como se eu estivesse na sala do apartamento da Baker Street 221B com eles naquele momento. E para ressaltar: a ideia de trazê-los para os leitores atuais é bastante válida, e as partes em que Watson narra a história de fato nos aproxima deles, então se você também é fã de Sherlock vale a leitura, mesmo que tenham alguns médicos chatos no meio do caminho.

Estávamos em agosto de 1940 e, depois de termos ultrapassado oito décadas com folga, o peso dos anos já nos vergava as costas e minhas juntas reclamavam de qualquer esforço. Por isso eu o evitava a todo custo. Sherlock Holmes, porém, se estava sendo torturado pela idade, tentava nada demonstrar, exibindo-se ao subir de dois em dois os degraus da escada que levava ao nosso apartamento, embora tropeçasse na maioria das vezes.

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Título: Melodia Mortal – Sherlock Holmes investiga as mortes dos gênios da música
Autor: Pedro Bandeira e Guido Carlos Levi
Editora: Rocco
Número de páginas: 240
Lançamento: 2017
Comprar (Amazon – R$ 20,70)
 
 
 
 

* Este livro foi enviado pela editora do mesmo. A política do blog é de sempre fazer resenhas sinceras, independentemente de como o livro chegou até nós. A opinião relatada aqui veio da experiência literária da autora do post e não sofreu nenhuma influência que não tenha sido explicitada na resenha.

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE MAIO *

Isabela Tavares

Leitora desde muito cedo, carrego comigo as inspirações de menina sonhadora com um quê de mulher que não acredita em tudo que lê. Prefiro romances pela possibilidade de me apaixonar por personagens densos e complexos.

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3 Discussion to this post

  1. Larissa Costa disse:

    Não faz muito meu estilo de leitura, mas alguns traços que provocam curiosidade eu gostei!
    Parabéns pelo post. Sua opinião foi muito válida, assim descobri alguns traços do livro que não tem como descobrir através da resenha e só lendo!
    Beijos 😘

  2. Janaina silva disse:

    Olá,talvez eu leria esse livro por gostar do personagem Sherlock Holmes.
    É uma trama diferente sem dúvida,mas que acho que vale muito à pena dar uma conferidinha.

    Boa dica!

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