A menina que não acredita em milagres, Wendy Wunder

Cam tem dezessete anos e tem câncer. A adolescente encontra sua rebeldia em outra forma, na não crença. Isso mesmo, você leu certo, ela se comporta como uma adolescente rebelde quando se trata em acreditar. Não falo da crença em alguma religião ou algum deus, mas fé na vida, no amor, na amizade. É uma pessimista de marca maior e está à beira da morte. A família de Campbell não aceita o destino programado e estão em uma constante busca por milagres, mas Cam não acredita que algum pode acontecer com ela, afinal tudo tem uma explicação cientifica.

Uma família não muito convencional, Alicia, mãe de Cam é dançarina de hula, mas veio de Nova Jersey e trabalha na Disney, ela conheceu o pai de Cam em um show em que ele era o artista que cuspia fogo, Perry, irmã caçula da protagonista é apaixonada por unicórnios e acredita fielmente que eles podem promover coisas extraordinárias. Cam era uma criança gorda até entrar na adolescência e descobrir o câncer, ela sente imensamente a falta do pai samoano.

Alicia e Perry, cansadas de tanto perambular atrás de médicos e tratamentos para a cura de Cam encontram a cidade mais misteriosa e milagrosa que já ouviram falar, Promise, um nome muito sugestivo. Há indícios de curas e feitos extraordinários, mas Cam não quer ir, afinal ela não acredita que nada possa mudar o seu destino, a morte prematura. E ela não parece ter medo.

Também não acreditava na Imaculada Conceição, mas você poderia arranjar um monte de problemas se admitisse para alguém que achava que a Virgem Maria provavelmente só tinha engravidado, assim como vinte por cento das adolescentes na Flórida. Essa era uma ideia que você deveria guardar para si mesma.


 

Cam não é a mocinha que chora e se descabela por estar prestes a morrer, é uma adolescente com convicções politicas, feministas. Tem respostas na ponta da língua, um humor ácido e irônico, sarcasmo é sua marca registrada. Evita ter esperança, ambições e qualquer expectativa sobre qualquer assunto, mas as coisas começam a mudar quando ela faz a lista de coisas para se fazer antes de morrer. Coisas que qualquer adolescente normal faz, mas ela não é uma adolescente normal, ela está morrendo./p>

Cam odiava o modo como podia sentir as emoções da mãe, seu desespero, como se ainda estivesse conectada simbioticamente a ela com algum tipo tortuoso de cordão umbilical emocional, e Perry estivesse sentada toda alegre no banco de trás, lambendo o creme da torta whoopie. Cam odiava ser a filha mais velha. .

As três então se mudam para Promise e apesar da resistência de Cam, sua mãe e irmã passam os dias falando em milagres e coisas extraordinárias. Ainda existe a figura Lilly, a única amiga que Cam tem, elas se conheceram fazendo quimioterapia e Lilly tem a esperança como sustento da vida ao passo que as energias de Cam, bem podería dizer que são energias negativas. O contrate entre Cam e o mundo está bem marcado. Mas será que as coisas podem mudar?

No drive-in, as placas parabenizavam a vitória do colégio no campeonato estadual de futebol. Cam não conseguia deixar de pensar como era ridículo. Um país inteiro glorificando um joguinho de garotos. As garotas nunca tinham chance de ser celebradas assim. Transformadas em semideusas.

Minha opinião

Eu não posso dizer que o livro é maravilhoso, mas ele também não é o pior dos romances água com açúcar, mas acaba que é um romance água com açúcar não convencional. Porém, o livro começa a ficar realmente emocionante e interessante lá pela página 180, antes disso é só Campbell ranzinza o que algumas vezes é divertido. O livro tem um problema quase que muito sério de tradução, há frases que não fazem muito sentido e é preciso decifrar esses trechos. E ainda falta uma descrição maior de alguns acontecimentos no livro, fiquei sem saber ao certo o que Cam fez na festa ou como Cam chega a algum lugar ou isso ou aquilo porque as descrições acabam antes da ação acabar.

Cam estava começando a suar, apesar de ter de vestir o colete salva-vidas gelado. Era muito estranho como o corpo dela ainda fazia os mesmos movimentos de quem sentia medo quando, na verdade, por que deveria? Se ela ia morrer em breve, mesmo, não faria diferença pular de um penhasco ou ficar deitada em alguma horrível cama de hospital.

Apesar dos probleminhas, a vontade de saber o que acontece com Cam em sua nova vida é enorme e quando você percebe, depois de algumas horas em ônibus, o livro de acabou e você está pensativa. No final é uma boa leitura para se pensar sobre a vida e o que fazer quando se aproxima o final dessa estrada em que viajamos.

É assim que era ficar de coração partido. Era menos uma rachadura no meio e mais como se o tivesse engolido inteiro e ele fosse parar, ensanguentado e machucado, no fundo de seu estômago. .


 
Título: A menina que acredita em milagres (The Probability of Miracles)
Autor: Wendy Wunder
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 287
Lançamento: 2017
Comprar (Amazon – R$ 26,00)
 
 
 
 

* Este livro foi enviado pela editora do mesmo. A política do blog é de sempre fazer resenhas sinceras, independentemente de como o livro chegou até nós. A opinião relatada aqui veio da experiência literária da autora do post e não sofreu nenhuma influência que não tenha sido explicitada na resenha.

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE MAIO *

Jordana Barbosa

Jornalista que odeia jornais. Troco amores por torresmo. Meu nome significa água que corre e é perto da água que encontro paz.

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4 Discussion to this post

  1. Larissa Costa disse:

    O nome do livro já me chamou atenção. Lendo a resenha me identifiquei muito com a protagonista, em todo esse quesito de ser um pouco pessimista diante do mundo haha mas é melhor pra evitar frustrações.
    Esse seria um livro recomendado para sair de uma ressaca literária? Porque fiquei com bastante vontade de ler e tô sem isso já faz um tempão.
    Arrasou no post! 😘

    • Jordana Barbosa disse:

      Larissa, acho que rola de ler em uma ressaca literária sim. Talvez você se identifique um pouco com a protagonista, mas eu achei ela um grande exagero do pessimismo rsrsrs

  2. Dai Castro disse:

    Eu evito ler histórias com doença envolvida porque geralmente fico meio mal com um possível final trágico. O último que li depois de muito tempo foi o Livro de Memórias (da Lara Avery) e a coisa mais trágica foi estar passando também por um problema que poderia tirar a minha vida na época (tive TVP cerebral), mas foi interessante me identificar a esse ponto com uma personagem.
    A família e a própria protagonista desse livro parece realmente, bem diferente, uma pena o livro ter esses problemas de tradução, tomara que em uma nova edição eles possam corrigir essas falhas!
    Beijos! ♥
    Colorindo Nuvens

    • Jordana Barbosa disse:

      Dai, eu tbm me abalo com os possíveis e previsíveis finais trágicos, mas acho que é interessante ler pra gente ter outras visões sobre a morte, pq ela é o natural da vida e super temida por nós
      Bjm, <3

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