Mentiras como o amor, Louisa Reid

Audrey é uma garota de 16 anos que mudou de cidade e vai morar em uma nova casa na companhia de ser irmão, Peter, e sua mãe, Lorraine. Ela é uma menina com depressão e luta cada dia de sua vida para tentar amenizá-la, vencê-la. E sua mãe, que é enfermeira, busca ajudá-la da melhor forma possível com o objetivo de tratar a filha e salvá-la da depressão. A Granja parece ser um bom lugar para recomeçar, só o que poderia ser a construção de uma nova vida se transforma em um grande pesadelo.

Audrey ao menos tem a esperança de que a Granja seja um bom lugar para ela e o irmão fazerem de conta que vivem em uma época antiga, porém o lugar é empoeirado, isolado, grande demais e se parece com uma prisão ou um hospital. Apesar disso, tudo começa a mudar quando a garota conhece seus vizinhos, Sue e Leo. Ainda que a hesitação de Audrey a faça se afastar do rapaz, Leo se mostra disposto a fazer amizade, mesmo que a tristeza e o jeito assustado e tímido dela transpareçam durante a primeira visita que ele faz à Granja.

Minha mãe disse que a Granja era um lugar chique , reformado e novo, e estava bastante empolgada durante o trajeto até ali — segurando o volante com tanta força que os nós dos dedos quase chegavam a brilhar, cantando junto com as músicas que tocavam no rádio, os sucessos do ouro, como ela os chamava —, mas chique não era a palavra que eu usaria. Nem pensar. (Audrey)

Porém, essa amizade forte que começa a se desenvolver não parece acompanhar as crises de Audrey e muito menos o desgosto da mãe diante da afeição dos dois. Audrey passa a maior parte do tempo cuidando de Peter, seu irmão de cinco anos, e tentando se adaptar à nova escola, o que é uma tarefa difícil depois que alguns alunos começam a praticar bullying quando descobrem os problemas que ela enfrenta: depressão, automutilação e a Coisa.

A Coisa, para Audrey, é como se fosse um monstro que a dissesse que ela nunca conseguirá ser feliz e a cada vez que a Coisa ataca, ela ataca forte, deixando Audrey aterrorizada. A Coisa, nome dado pela garota, é como se fosse uma manifestação mais forte da depressão, que existe apenas dentro de sua mente e que apenas a personagem sabe como é. Com as tentativas de Lorraine ao alertar a filha sobre os perigos que as pessoas da escola representam, Audrey começa a se afastar mais e mais de todos, inclusive de Leo.

A Coisa me dizia para não ter esperança. Que nunca haveria nada de bom para mim, nunca, que eu merecia o castigo que me deram. (Audrey)

Só que um sentimento mais forte parece ligar os dois, Leo faz com que Audrey se sinta corajosa, faz com que ela ouse e tente se aceitar, superar seus problemas e, o mais importante, sonhar. E ela sonha, começa a idealizar como sua vida seria melhor se ela se recuperasse, se pudesse viajar na companhia de Leo. Os dois se aventuram durante a história, descobrem sentimentos que não sabiam que existiam, eles se tornam tão corajosos juntos que chegam a sentir que podem superar todos os obstáculos da vida, os próprios traumas e transformar os sonhos em realidade. Mas Lorraine é rígida e super protetora, não permite que a filha se encontre com o rapaz, então Audrey fica em um impasse, seguir o rapaz, quebrar as regras da mãe, e se aventurar ou ficar com a família? Afinal, por que a mãe mostra tanta objeção à amizade dos dois, algo tão simples e que até poderia fazer bem para Audrey?

Havia alguma coisa nessa garota; algo me dizia Não me toque, não se atreva. Não machuque a mim nem ao meu irmão, ou você pagará caro por isso. (Leo)

Minha opinião

Mentiras como o Amor me surpreendeu, eu diria que até mesmo tomou o meu fôlego, principalmente, nas últimas páginas. Eu fui com expectativas bobas para a leitura, pensava que iria se tratar de um romance água com açúcar, algo que não teria tanto impacto quanto teve. Porém, o livro mostrou ter uma história pesada com assuntos fortes, sérios e que certamente mexem com o leitor.

Minha mãe era a lua. Minguante e cresente. Às vezes ela explodia, brilhando e cheia. Outras vezes era delgada e cruel, cortante como uma faca. E eu só podia me mover quando ela permitia, meu corpo como a maré, ainda preso às cordas que ela manipulava.

E aí chegamos ao ponto principal do livro, os personagens. Eles realmente te enganam, manipulam e essa manipulação uma hora cai, então o leitor começa a desconfiar se o que tá sendo apresentado é real, pelo menos foi assim que eu me senti, uma marionete nas mãos de Louisa Reid (e eu não reclamo disso, é muito bom). A autora criou uma personagem, que eu não vou dizer quem é, mas que se torna irritante e através disso provoca certo desconforto em quem está lendo e é justamente ela que possui a chave da história toda.

INSANA. LOUCA. DOIDA. PIRADA. É o que dizem por aí sobre pessoas como eu, é o que o pessoal da escola diz, de qualquer maneira. (…) Mas eu sou real. Eu sou uma garota e estou tentando sobreviver, mesmo que esteja bastante assustada. (Audrey)

Os obstáculos que se criam no decorrer da história me fizeram sentir a angústia de torcer para que desse tudo certo com a personagem principal, para que ela conseguisse superar e se desprender das cordas que a amarravam, então eu já estava amaldiçoando o mundo todo a qualquer barreira que surgia para que isso não acontecesse. A narrativa é envolvente, os capítulos alternam entre Audrey e Leo, o que dá dinamicidade para a história. Eu caí de fofuras pelo Peter, irmãozinho da garota e pensava toda hora protect Peter at all costs.

Além de tudo, é um livro que tem assuntos sérios e os trata com o devido cuidado, com atenção necessária. E para mim esse foi um dos tantos pontos principais e mais importantees da obra inteira, a sensibilidade. Essa sensibilidade faz com que o leitor sinta empatia e desenvolva certo carinho pela personagem principal, afinal, ela é só a vítima do tempo e do mundo naquele instante. Dias depois d’eu terminar de ler eu ainda estava pensando na história de tão forte que foi o impacto. Além de todos os sentimentos que restaram, o mais pungente foi: queria ter escrito esse livro. Então, é algo que eu recomendaria para todos que queiram acompanhar um pouco da vida de Audrey e Leo ao superar os desafios mais potentes da vida.

Que a felicidade é ser amada por quem você é sem nenhuma reserva ou hesitação, sem retroceder ou se importar com o que qualquer pessoa venha a pensar. Era confiança; era fé; era saber que o amor que você dá fica seguro no coração de outra pessoa.


 
Título: Mentiras como o Amor (Lies Like Love)
Autor: Louisa Reid
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 432
Lançamento: 2017
Comprar (Amazon – R$ 24,20)

 

 

* Este livro foi enviado pela editora do mesmo. A política do blog é de sempre fazer resenhas sinceras, independentemente de como o livro chegou até nós. A opinião relatada aqui veio da experiência literária da autora do post e nsão sofreu nenhuma influência que não tenha sido explicitada na resenha.

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE JUNHO *

Amanda Pires

Amanda desde 1997. Estudante de Letras - Inglês. Apaixonada por músicas tristes e sebos. Escrevo sobre o que leio, leio sobre o impossível.

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3 Discussion to this post

  1. Dai Castro disse:

    Quando a gente continua pensando na história de um livro depois de alguns dias, é sinal de que a leitura realmente nos marcou! Esse não é o meu gênero favorito mas acho interessante protagonistas que possuem algum tipo de problema psicológico e a sensibilidade com que isso foi retratado na trama acabou chamando a minha atenção! Se surgir a oportunidade com certeza leria!
    Beijos! ♡

  2. Janaina silva disse:

    Olá, já tinha lido algo sobre esse livro, e tenho muita vontade de lê- lo.
    Achei que se trata de uma leitura densa e difícil. Mas se a autora nos conta a história dessa menina de forma delicada, a leitura flui sem grandes sofrimentos.

    Devo dizer também que adorei essa capa!
    A achei perfeita! 😉

    Boa dica!

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