Colossal e o monstro das relações abusivas

Gloria deixa Nova York e volta para sua cidade natal após perder o emprego e o noivo. Ao acompanhar as notícias sobre o ataque de um lagarto gigante a Coréia, ela descobre que está misteriosamente conectada mentalmente ao evento. Para evitar novos casos parecidos e uma eventual destruição total do planeta, Gloria precisa controlar os poderes de sua mente e entender por que sua existência aparentemente insignificante tem tamanha responsabilidade no destino do mundo.

Gloria (Anne Hathaway) está nos seus early 30’s, sem emprego há muito tempo e morando de favor na casa de seu namorado, Tim. Ela chega em casa de manhã, cada dia de uma festa diferente e com mentiras novas e mal elaboradas. O ano sabático, era supostamente, para era decidir o que faria da vida. Isso nunca aconteceu e não há previsão de que vá acontecer. Gloria não é a única: independente do país, da situação econômica do mesmo ou do seu salário, pessoas estão insatisfeitos com seus empregos, suas vidas e suas relações. Eles não estão onde imaginaram na adolescência que estariam atualmente. Ou, se estão, descobriram que não era exatamente isso que queriam.

Depois de uma dessas festas, ela chega, ainda bêbada, com o plano de levar o after party para o apartamento de Tim. Ele é o namorado exemplar, compreensivo e apoiador que esteve esperando que Gloria se recuperasse e eles pudessem, enfim, retomar a vida deles. Tim é perfeito. Mesmo que tenha insistido em arrancar a verdade de Gloria sobre onde ela estava e com quem na noite anterior. Cansado de esperar uma mudança de atitude dela, Tim termina com ela, deixa prontas suas malas e a expulsa de casa. Mas só porque ele não conseguia mais suportar o comportamento de Gloria.

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Sem alternativa, Gloria volta para a cidade natal de seus pais, onde morou grande parte da sua infância e juventude. A casa está vazia: com a crise econômica atual os pais não conseguiram o valor esperado na venda e é onde ela decide ficar inicialmente. Mas ela não tem móveis. Ela compra um colchão inflável e na volta pra casa encontra um antigo amigo de infância: Oscar. Ele lhe oferece uma carona e ambos conversam sobre a vida. Oscar é um cara legal, embora nunca tenha conseguido sair da cidade e está trabalhando no bar que herdou do pai. Ele conta como acompanhou os passos, a carreira e o sucesso inicial de sua amiga quando ela se tornou uma escritora de uma coluna para uma revista em Nova Iorque. Um pouco obsessivo, mas Gloria não se importa, pois é bom ver um rosto familiar. Oscar então lhe oferece um emprego de garçonete em seu bar, até que ela descubra o que fará.

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Oscar tem amigos que recebem muito bem a novata na cidade. Gloria e os rapazes (Oscar, Joel e Garth) começam a beber após o turno de trabalho dela e ela passa a voltar bêbada para casa. Numa dessas noites ela não consegue chegar e dorme no banco de um parquinho da cidade. No dia seguinte, há notícias de que um monstro (no estilo de Godzilla) surgiu em Seoul, na Coréia, destruiu a cidade e matou alguns civis. Um monstro que parece confuso sobre sua própria existência e tem um gesto peculiar: uma coceira no topo da cabeça, que lembra o hábito que Gloria tem. O mesmíssimo hábito. Uma criatura muito suspeita.

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Desconfiada de que tenha alguma relação com a criatura, Gloria volta ao parque novamente e começa a fazer uma série de gestos na esperança de que possa esclarecer algo. E descobre que ela e o monstro estão ligados, de alguma forma que ela ainda não consegue entender. Enquanto isso, Oscar tem lhe presenteado com móveis que ele não precisa mais e que ela nem se lembra de ter pedido, mas isso é normal, já que ela tem chegado em casa bêbada todas as vezes. Paralelamente, ela tem ligado para Tim para convencê-lo de que mudou e que ele deveria dar uma segunda chance à ela. Mas as respostas que ele recebe para as perguntas que faz não são as que estava esperando. A noite ela resolve mostrar para os rapazes que consegue, de alguma maneira, controlar o monstro que aparece em Seoul. E como esperado, a criatura repete os movimentos dela.

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Nesta noite, Gloria está bêbada e embora tenha recebido ajuda de Oscar para se manter em pé, acaba tropeçando e cai no chão do parquinho. Na manhã seguinte, ela acorda bastante abalada com o fato de ter matado várias pessoas inocentes, mas essa não é a principal surpresa que os jornais trazem: uma segunda criatura, um robô gigante surgiu junto à primeira. E logo descobrimos que o robô é Oscar! Ele também é capaz de invocar uma representação monstruosa do outro lado do planeta. Oscar parece amargurado com o fim de seu antigo relacionamento e com sua incapacidade de sair da cidade. Com o surgimento do robô gigante, Gloria começa a ver um lado do amigo que ela desconhecia.

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Entre muitas confusões e descobertas, Gloria parece finalmente perceber que suas ações tem consequências e influenciam várias pessoas ao seu redor. E àquelas do outro lado do mundo também. Ela e Oscar têm que aceitar a existência de seus demônios pessoais e o que eles representam. A protagonista começa a perceber, aos poucos, como sua falta de cuidados e compromisso afeta as pessoas. Antigamente Gloria era incapaz de entender como conseguir se livrar de pessoas e influências ruins, as quais ela nem mesmo enxergava como tóxicas, mas agora começa a se defender.

Minha opinião

Quando terminei de assistir Colossal, me senti completamente frustrada. Fiquei esperando algumas explicações que não recebi. Mas como as avaliações estavam boas fui ler mais a fundo sobre a história. Depois que entendi do que realmente se tratava o filme, fui analisá-lo sob outra perspectiva e aí sim, ADOREI a premissa. Passei a gostar ainda mais o papel de heroína badass e completamente humana da Anna Hathaway. Colossal não é um filme sobre monstros gigantes que atacam a Coréia. Ou sobre os millenials e sua incapacidade de lidar com o fracasso. O filme é sobre relações tóxicas e abusivas. E assim sendo, nenhuma das explicações que eu esperava era realmente necessária.

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Veja bem, fui assistir esperando um filme sobre monstros e uma explicação sobre a relação dela com a criatura. Mas Colossal não é sobre nada disso. Até ouso dizer que os monstros não existiam de fato e são só frutos da imaginação dos personagens. As coisas que vemos no filme não acontecem necessariamente. Os eventos fantásticos da obra podem ser somente metáforas. Eles podem ser representações dos demônios pessoais dos personagens. Tenho algumas outras suspeitas sobre os acontecimentos finais do filme, mas vou deixar passar para acabar não dando spoilers demais sobre a história.

Por um lado, achei que o diretor pecou no final. A conclusão que ele deu foi muito rápida, muito apressada. Queria que ele tivesse guardado mais tempo para diálogos. Não que ele tivesse que ter entregado tudo de bandeja para o espectador, mas eu não consegui perceber uma das frentes do problema até o final do filme, e ela poderia ter sido melhor explorada. Por outro lado, me pergunto se a sutileza não foi intencional. As pessoas passam por relacionamentos tóxicos o tempo inteiro e a maioria não tem noção no começo (ou durante a relação inteira, às vezes). São pequenos gestos, discursos supostamente inocentes e até expressões físicas de controle que a pessoa abusiva exerce sobre a vítima que podem não ser fácil e imediatamente identificados como prejudiciais. Sendo assim, Colossal foi uma surpresa muito positiva para mim, que só consegui digerir completamente o filme alguns dias depois de tê-lo assistido. Sei que o diretor não escondeu nada do público e a história é realmente sobre os monstros gigantes que cada um tem dentro de si. Fica aqui a minha recomendação do filme.

TESTE
 
Título: Colossal (Colossal)
Atores: Anne Hathaway, Jason Sudeikis, Austin Stowell
Diretor: Nacho Vigalondo
Duração: 1h50min
Lançamento: Junho/2017
Nota:★★★★☆
 
 
 

Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

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Discussion about this post

  1. Janaina silva disse:

    Assim que comecei a ler a sinopse do filme Colossal, fiquei imaginando aqui como a trama é confusa e muito surreal.
    Mas depois que li sua opinião sobre a história, e que você acredita que esses monstros eram ( talvez), um fruto da imaginação da Gloria, entendi um pouco mais.

    Talvez eu até assistiria esse filme. Mas não sei se vou curtir muito.

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