Comportamento Altamente Ilógico – John Corey Whaley

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Depois de um ataque de pânico em frente a toda escola, Solomon Reed passa três anos dentro de casa, sem colocar os pés nem em seu jardim e acredita que ninguém mais se lembra dele. Mas Lisa Praytor se lembra de um garoto que uma vez tirou toda a sua roupa em frente a escola e se jogou na fonte, onde será que ele estaria? Ele seria ideal para ajudá-la a entrar na faculdade de psicologia, já que o tema era a sua relação com transtornos mentais. Clark, namorado de Lisa, achara essa ideia uma loucura, mas sabia que nada convenceria a namorada e desistir dessa ideia. Bom, pelo menos ele achava que não.

Solomon Reed está há 3 anos dentro de casa, por possuir agorafobia não consegue se relacionar com o mundo exterior e acredita que está bem confortável assim, seus pais tentaram fazer com que ele se engajasse em terapias, mas nada adiantou e depois de um tempo resolveram acreditar que era melhor que ele vivesse em casa mesmo, afinal, seus ataques de pânico estavam relativamente sob controle, ele conseguia viver a vida que ele achava que era satisfatória. Mesmo assim Solomon se sentia culpado pelos pais, gostaria que eles tivessem uma vida “normal” sem ter que se preocupar tanto com ele, mas sabia que não conseguiria jamais colocar os pés pra fora de casa. Mas ele não contava com a inesperada aparição de Lisa Praytor.

Solomon não precisava sair de casa para nada, afinal. Tinha comida. Tinha água. Podia ver as montanhas da janela do quarto, e seus pais estavam sempre tão ocupados que ele atuava, na maior parte do tempo, como chefe da casa.

Lisa Praytor era, sem dúvidas, a melhor aluna do colégio, dedicada, tirava notas sempre altas e almejava – mais do que tudo – ir embora da cidade para cursar Psicologia na segunda melhor universidade do país. Obviamente ela não podia pagar para estar lá, e para conquistar a bolsa integral precisava escrever uma redação sobre sua relação com transtornos mentais. Lisa não tinha nenhuma relação com eles, mas se lembrou de um rapaz que uma vez teve um ataque de pânico em frente a toda escola, e assim decidiu que ele seria o tema da redação dela. Sem que ele soubesse de nada, ela arquitetou para se tornar paciente da mãe de Solomon (que é dentista) e a partir daí começou a se aproximar dele, primeiro com uma carta, depois um telefonema, depois uma visita, duas… três… Eles se tornaram amigos.

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Querido Solomon, você não me conhece e duvido que já tenha ouvido falar de mim, mas eu me chamo Lisa Praytor e quero ser sua amiga. Eu sei que parece ridículo. Claro que sim! Mas também sei que a gente não pode deixar a vida passar inteira sem ir atrás do que realmente quer, e por algum motivo, neste momento da minha vida, agora, quero ser sua amiga. Eu te vi no último dia em que você foi à escola. Te vi e senti tanto medo por você. Se ainda estiver lendo essa carta, quero que saiba que passei anos tentando descobrir porque razão aquele menino pulou naquela fonte naquela manhã na Upland Junior High. E aí, por alguma ação divina por acaso descubro que a minha nova dentista é a sua mãe. O universo nos manda sinais às vezes e, quer você acredite ou não, isto tem significado. Eu sei que a sua situação é bem diferente da minha; sei que você escolheu viver de determinada maneira e respeito isso. Portanto, espero que pelo menos pense como seria receber uma amiga aí. Um amigo bem que me viria a calhar e aposto que, na pior das hipóteses, você acharia bacana ter alguém com quem conversar – alguém que desconhece a palavra “caução”.
Ateciosamente,
Lisa Praytor
909-555-8010

Clark é o namorado de Lisa, um cara super legal e sensível e o relacionamento deles já dura bons anos. Os dois nunca tiveram uma relação sexual e isso preocupa Lisa, ela considera que isso seria importante para o relacionamento, mas ele sempre a pede pra esperar. Quando Lisa decide apresentar Clark a Solomon ela não imaginava que a amizade entre os dois fosse se desenvolver tanto a ponto de se sentir excluída. Clark é jogador de pólo aquático, gosta de Star Trek e tem várias coisas em comum, o que facilita a amizade com Solomon, enquanto Lisa apenas observa os dois e maneira como Solomon reage, visando sua redação. Bom, quando essa carta chega ao conhecimento de Solomon as coisas se tornam bem complicadas entre eles.

Lágrimas cobriam o seu rosto e, mesmo sob a luz fraca da piscina, dava pra ver o pânico em seus olhos. Lisa deu um passo na direção dele, mas Solomon se afastou num impulso, e quase caiu na piscina. Ela implorou para ele sentar e respirar fundo, assim como Clark, mas Solomon estava alterado demais.

    Minha opinião

Eu preciso começar essa resenha dizendo que estava com as expectativas baixas pra esse livro. Por ser um livro voltado para o público adolescente pensei que tratariam do tema de maneira mais banal. Mas apostei no livro justamente pelo tema. Uma garota que queria cursar psicologia, e que vai até alguém que ela considera psicologicamente abalado para viver essa experiência. Bom, seria, no mínimo, curioso… não acham? Porém o livro não foi banal. Tratou com seriedade e respeito o tema da agorafobia, mostrou que não técnicas simplistas não resolvem transtornos de ansiedade e que quem tem síndrome do pânico não é um fresco, como dizem por aí. Pontos para o autor.

Após o episódio da fonte, ele entendeu o que deveria fazer: afastando-se de tudo o que lhe traz pânico, você não entrará em pânico. Aí ele passou três anos se perguntando por que todos achavam isso tão difícil. A única coisa que ele estava fazendo era viver, em vez de morrer. Algumas pessoas tem câncer. Algumas pessoas enlouquecem. Ninguém tenta tirar uma pessoa da quimio.

A cada página do livro eu ansiava pelo momento em que Solomon ia descobrir o plano de Lisa. Isso porque eu achava inevitável ele descobrir, seria desonesto com o leitor se ela tivesse escrito a carta sem que ele soubesse, e além disso eu torci muito para ela ser desmascarada. Não porque ela seja uma pessoa ruim, mas porque esse não é o melhor caminho a se percorrer. Outro fato que achei interessante, foi a maneira singular de construir o personagem do Solomon. Dando um tapa na cara de quem acredita que pessoas que possuem transtornos de ansiedade são “malucas” ele se mostra um adolescente extremamente inteligente, articulado, divertido, simpático e afetuoso. Queria muito ser convidada pra assistir Star Trek com ele.

Ele terminou as tarefas escolares super cedo no dia seguinte para poder relaxar um pouco antes de Lisa chegar. Não sabia o que poderiam fazer, então pensou em ensiná-la a jogar Muchkin, um jogo de cartas de estratégia que seus pais haviam comprado pra ele, mas que não curtiam muito jogar.

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Minhas considerações finais: vale MUITO a pena ler. Eu me conectei com os personagens, achei que foi bem construído e repito que queria muito ser amiga do Solomon, ou Sol, para os íntimos. A narrativa é leve e fluida, a leitura fica fácil, as páginas passaram mais depressa do que eu gostaria. A temática adolescente foi bem encaixada já que é na adolescência que temos mais coragem pra algumas coisas que depois de adultos perdemos o brilho. Como por exemplo, entrar em contato com um estranho para se conseguir o que quer, ou deixar que um estranho entre na sua vida e tome uma importância absurda. Foi bom para que eu me lembrasse dessas coisas também. h

Assim que Solomon falou em convidar Clark para a sua casa, Lisa soube que tinha conquistado a confiança dele completamente. Não chegava a ser uma surpresa, claro, a julgar pela maneira como ela praticamente se tornara um membro da família. O que podia ter sido uma amizade forçada com um garoto perturbado havia, na verdade, se transformado em um dos relacionamentos mais saudáveis da vida de Lisa, com uma das pessoas mais centradas que ela conhecia.


 
Título: Comportamento Altamente Ilógico (Highly Illogical Behavior)
Autor:John Corey Whaley
Editora: Rocco
Número de páginas: 247
Lançamento: 2017
Comprar (https://goo.gl/PgKZi8 – R$ 25,19)
 
 
 
 

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Isabela Tavares

Leitora desde muito cedo, carrego comigo as inspirações de menina sonhadora com um quê de mulher que não acredita em tudo que lê. Prefiro romances pela possibilidade de me apaixonar por personagens densos e complexos.

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22 Discussion to this post

  1. Janaina silva disse:

    Oi,não sei como ainda há pessoas que acreditam que a Síndrome do Pânico seja uma frescura.
    Acho que livros e filmes que retratam esse tipo de problema, são ótimos para enxergamos melhor o assunto.
    E fiquei aqui com muita dó do Solomon. Pois apesar de ser inteligente,está perdendo bons momentos com todo o seu problema.
    Também não gostei como a Lisa se comportou para conseguir o que queria.

    Bem, não conhecia o livro,mas fiquei com muita vontade de lê- lo. 🙂

  2. Kah Fernandes disse:

    Acho a capa bonita desse livro, mas confesso que a leitura em si não me enche os olhos, Não é um gênero que eu fique ansiosa para ler, mas gostei de ler sua resenha e descobrir seu parecer sobre ele, é isso que vale a pena. não é?

    Beijos

  3. Fabiana disse:

    Olá Isa, tudo bem?
    Confesso que o livro chamou muito a minha atenção, além de ser uma obra linda a premissa dela me deixou bem interessada. Ler as suas impressões e notar que você se surpreendeu positivamente com ela foi outro ponto alto. Lerei essa obra sim, assim que tiver oportunidade.
    Obrigada pela dica e parabéns pela resenha
    Beijos

  4. Morgana Brunner disse:

    Oiii Isabela tudo bem?
    Com toda certeza eu fiquei bem interessada em ler esse livro, a síndrome do pânico creio que seja uma das piores coisas, sensações que as pessoas possam sentir, dica muito anotada e quero ler.
    Beijinhos

  5. jessica disse:

    Oie,
    Nunca tinha ouvido falar sobre o livro. Achei a capa linda e a premissa muito boa! Outro fato legal é do livro abordar a agorafobia, pois nunca tinha visto nenhum livro que falasse sobre o assunto.. Outra coisa legal foi o livro ter surpreendido você. Vou anotar a dica, com certeza!
    Beijos
    Blog Relicário de Papel

  6. Olá, tudo bem?

    Eu não conhecia esse livro, de cara achei bem bonita a capa e a premissa é bem interessante também. A síndrome do pânico é algo que requer atenção e compreensão, não é uma frescura ou uma condição simples. Gostei de ler a sua resenha e tomar conhecimento de suas impressões. Dica anotada!
    Bjs

  7. Oie
    uau esse é o exato tipo de livro que curto ler, que retratam doenças psíquicas e com certeza já quero esse para ontem, adorei sua resenha, muito interessante o pouco que li sobre

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

    • Isaa Tavares disse:

      Oii Catharina, que bom que você gostou da resenha <3
      De fato, problemas psicológicos precisam ser tratados de maneira mais abrangente e séria né?!
      Beijo!

  8. Olá, tudo bem?
    Eu já tinha visto a capa desse livro e confesso que não dei nada por ele, mesmo sem conhecer o enredo. Mas pelo jeito aquela frase “não julgue o livro pela capa” se aplica bem aqui haha.
    Adorei ler sua resenha e ver que você também não tinha grandes expectativas, mas acabou se encantando pelo livro. Fiquei feliz de ver que houve uma boa construção de personagens e que o livro apresenta mais do que aparenta.
    Adorei ler sua resenha e já vou correndo adicionar o livro na minha wishlist.
    Beijos!

  9. Laura disse:

    Não gostei muito da capa porém o contexto me deixou de queijo caído e sua resenhista me deixou meio que Uau pois eu não pensei que a história seria tão boa eu AMEI quero ler ainda este ano hehehe
    Beijos obgda pela dica beijos 😘

  10. Olá!
    Vou ser sincera. Julguei o livro pela capa. Certamente não compraria por causa dela, mas sua resenha veio para salvar. E adorei conhecer a obra, todo o drama dos personagens e principalmente o papel importante que esse livro tem com o leitor.
    Já incluso na minha lista de desejados.
    Abs
    Nizete

  11. Kah Fernsndes disse:

    Sua resenha me fez me arrepender de não ter solicitado ele quando pude. Rsrs
    Achei justamente o que você achou antes da leitura então não dei atenção a ele. Agora tenho que reparar desse erro pois eu adorei. Parabéns pela resenha está linda.

    Beijos.

  12. Débroa Costa disse:

    Não vou mentir, eu olhei para a capa desse livro achando que eu não ia gostar nem um pouco dessa leitura e agora estou querendo esse livro pra ontem por causa da sua resenha. Não entendi porque raios eu deixei passar essa leitura.

  13. Isadora Gazote disse:

    Amei a resenha.! Eu vi esse livro brevemente em algum vídeo no YouTube e fiquei curiosa, mas não sabia nada sobre a história também! Eu amo histórias que dão um tapa na cara e espero que esse livro seja recomendado mais! Eu amei a forma como passou a história de Solomon e eu já quero muito! Certeza que lerei!

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