Garoto 21, Matthew Quick

Garoto 21, Boy 21, Basquete, Matthew Quick, Ajuda, Apoio, Espaço, Estrelas, Jovem, Superação

Desde que era criança, Finley entende o valor de uns bons arremessos, ele entende perfeitamente o conceito de trabalho em equipe, a força que pessoas possuem quando trabalham juntas em prol de uma mesma causa, as corridas, os treinos e acima de tudo, ele sabe que às vezes é preciso abrir mão de algo.

Ele ama basquete — quase tanto quando ama Erin, sua melhor amiga e namorada. Quando seu treinador, colocando a prova tudo que ele acredita, pede um favor especial porque só ele entende o que está sendo pedido, Finley aceita porque:

1. Você não nega algo que seu treinador pede, ainda mais se parecer suficientemente razoável.

2. O garoto novo que o treinador pede para acompanhar é um tanto quanto excêntrico, mas parece ter um tipo de força magnética.

Finley vive com seu avô e seu pai em bairro bastante pobre e sujo de Bellmont. O mais velho é um sujeito querido a seu modo, com cotos nas pernas e sempre segurando o rosário de sua falecida mulher, com ele Finley tem certas responsabilidades. Já seu pai, homem que trabalha demais pelas noites a fora, cultivou no garoto o amor pelo basquete e a luta constante pelo talento e sua busca pela melhora que só treinos intensos dentro e fora das quadras podem trazer, o que ainda funciona muito bem como uma válvula de escape do mundo violento a que está inserido.

O garoto é extremamente calado, e algo em seu passado parece ser parte disso. Erin é sua única amiga de verdade, fora os companheiros do time da escola do qual ele é titular, e quando seu treinador o pede para acompanhar Russ, um novo garoto na escola as coisas começam a complicar. Russ vem de um grande trauma, uma grande perda que abalou completamente tudo o que ele sabia e acreditava. Russ entra em um modo diferente de comportamento que acaba fascinando Finley, e passa a ver nele uma âncora para esse mundo. O único problema é que assim como Finley, esse garoto é um levantador, e apesar de não querer mais jogar basquete, ele é um dos melhores no que faz e pode pegar o lugar de titular de Finley.

É engraçado como um acontecimento violento pode fazer você ver o mundo de um jeito diferente.

A amizade dos dois começa com Russ fazendo sombra em Finley, acompanhando-o para tudo como uma extensão forçada, mas com o decorrer do tempo vai existindo uma amizade ali, um tipo de complemento e apoio que os dois precisavam talvez sem nem saber. Lidar com perdas, com a violência, o perigo e a insegurança, com o medo do futuro é algo muito mais difícil quando as palavras parecem ficar presas na sua garganta.

    Minha opinião

Minha primeira experiência com Matthew Quick foi com O Lado Bom da Vida lá em 2014. Foi um bom livro, apropriado para o momento que li. Logo depois, li Perdão, Leonard Peacock e esse livro foi uma punhalada no meu coração, tanto que aparece nos favoritos de 2014 aqui no blog e nos favoritos da minha vida. Desde então, Matthew se tornou um autor que costumo prestar atenção aos lançamentos, ainda que não me chamem atenção a primeira vista.

Uma das coisas que mais noto, algo que mais me agrada na leitura de uma ficção realista é a capacidade de acreditar naquele personagem, de pensar nele como uma pessoa real, alguém que eu posso encontrar na rua qualquer dia desses. Isso me faz sentir de fato algo por ele, e me conectar com aquela realidade. Perceber que estou vivendo naquele mundo enquanto leio, sentir as dores e as delícias, me colocar no lugar e principalmente refletir sobre as temáticas que o livro traz.

Aqui a amizade é como um super poder, é perceber como em cada página ela tem valor. O sentimento começa em suas várias formas, com suas várias intenções, mas é ele que dá suporte nas horas difíceis, que carrega e puxa de volta para a lucidez. Com o auxílio que um dá para o outro, há mais temas trabalhados, como o luto, a superação, o trauma e as formas como cada mente encontra para lidar com tudo isso.

A narrativa é bem gostosa de acompanhar, e a história vai te levando a cada palavra. Se tudo isso não te convenceu, deixei o melhor pro final. Harry Potter tem uma pequena participação no livro, mas é tão querida que faz valer a pena.

Garoto 21, Boy 21, Basquete, Matthew Quick, Ajuda, Apoio, Espaço, Estrelas, Jovem, Superação

Título: Garoto 21 (Boy 21)
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 272
Lançamento: 2016
Comprar (Amazon – R$ 13,70)

 
 
 
 

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE AGOSTO *

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18 Discussion to this post

  1. Clayci disse:

    Eu adoro o Matthew Quick! Perdão Leonard Peacock tbm entrou na minha lista de favoritos e lembro que o li em um dia só ahuahuhauhauha.. Eu ainda não li este, mas quero muito. Está na minha listinha!

    • Laryssa Tavares disse:

      Clayci, eu levo Perdão Leonard Peacock no meu coração pra todo o sempre, porque foi um livro que me marcou demais mesmo. HAHA e ele me faz sempre querer dar uma chance pra esse autor.

  2. Janaina silva disse:

    Li do autor o livro “Perdão, Leonard Peacock “.
    O livro estava com um preço muito bom,e procurei alguns comentários sobre a história, que foram super positivas,e não me arrependi de ter adquirido.

    E lendo a sua resenha,acho que também vou me conectar com os personagens desse livro,como do que eu já tinha lido.
    Assim como também acredito, que vou gostar e torcer pelo Finley,como por Leonard Peacock.
    É exatamente como nos contou: Os personagens parecem reais.

    Não conhecia esse livro. E fiquei feliz com a sua dica! 🙂

    • Laryssa Tavares disse:

      Ai Janaina, que bom que gostou de Leonard Peacock, aquele livro é especial pra mim.
      Engraçado que até os livros que não gosto taaaanto assim do Matthew tem personagens cativantes.
      Beeijos.

  3. Sophie disse:

    Os livros do Matthew nunca me chamam atenção a primeira vista, mas sempre me surpreendem quando leio! Quero ler este, com certeza!
    Beijos
    http://sophiesamiesarfati.blogspot.com.br

  4. Lara Caroline disse:

    Oi Laryssa, tudo bem?
    Nunca li nada do autor, mas tenho Perdão Leonard Peacock na minha estante e pretendo ler qualquer dia desses. A princípio a estória me parece bem levinha, mas que traz bastante reflexões para o leitor. Quando tiver a oportunidade lerei.
    Beijos

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Lara, pega Perdão Leonard Peacock, não vai ser arrepender. Ele não é tão leve assim, mas tem um humor que eu julgo maravilhoso.
      Beijos.

  5. Dai Castro disse:

    Me pareceu uma leitura que causa bastante imersão no leitor, a gente acaba morando no cenário do livro e vivendo intensamente com seus personagens. né? Geralmente esse tipo de escrita me marca bastante e a pitadinha final (tendo uma participação especial de Harry Potter na trama), só me deixou com mais certeza de que preciso conhecer essa obra!
    Beijos ♡
    Colorindo Nuvens

    • Laryssa Tavares disse:

      Dai, achei tudo bastante construído para que a gente sinta mesmo algo pelo Finley, ainda mais porque vamos descobrindo mais dele quando ele vai se abrindo e deixando que vejamos as coisas. Harry Potter é amor demais, não é?
      Beijos.

  6. Pamela Liu disse:

    Oi Laryssa.
    Eu li O lado bom da vida e não curti a escrita do autor. Eu achei muito repetitivo. Mas gostei da história em si.
    Tenho muita vontade de ler Perdão, Leonard Peacock. Está na minha lista de desejados.
    A sinopse de Garoto 21 não me interessou. Mas fiquei curiosa sobre participação do Harry Potter rs
    Talvez eu leia esse livro mais pra frente.
    Bjs

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Pamela, eu até gostei de O lado bom da vida, mas não morri de amores. Fiquei surpresa com o quanto eu gostei de Perdão, Leonard Peacock. Dos livros que li do autor, eu não desgostei de nenhum, mas alguns amei muito.
      Beijos.

  7. Franciele Débora disse:

    Até hoje, eu só li O lado bom da vida do autor. Gostei da premissa desse livro, adoro histórias que nos fazem refletir sobre problemas e questões reais. Também gosto de ver esse amadurecimento nos personagens e aprender alguma coisa com isso.
    Fiquei curiosa pra saber a participação de Harry Potter haha
    Gostei da resenha, beijos.

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Franciele, obrigada
      Então, é um livro bom, dá pra tirar umas coisas muito interessantes dele, e os personagens são ótimos, é legal ver o aprofundamento e desenvolvimento deles.
      Beijos.

  8. André dos Santos disse:

    Eu tinha visto esse livro e deixado passar batido por não ter gostado tanto da capa, mas lendo essa resenha curti a premissa, os personagens parecem bem construídos o que faz com que como você disse, o leitor consiga acreditar e entrar de cabeça na estória, uma amizade que vai nascendo aos poucos e se fortalecendo e fazendo com que um ajude o outro nas dificuldades, a parte do Harry Potter me conquistou, darei uma chance assim que puder.

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi André, que bom que te instiguei!
      Depois que ler volta e me conta o que achou, espero que você goste.
      Beijos

  9. Nara Sabrina disse:

    Se eu não tivesse lido a sua resenha, com certeza esse livro me passaria despercebido por conta da capa, ela não me agradou muito, mas como diz o ditado nunca devemos julgar o livro pela capa. O conteúdo desse livro ao meu ver, parece que traz muitas reflexões, acho que essa amizade entre Russ e Finley sera muito bonita e acho que ambos irão ensinar muitas coisas um ao outro, é sempre bom ter uma amizade verdadeira.

    • Laryssa Tavares disse:

      Muito bom mesmo ter amizades verdadeiras, a gente pode aprender muito com os outros se deixarmos a mente aberta, né?

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