O Caminho de Casa, Yaa Gyasi

O Caminho de Casa é o primeiro livro da autora ganense Yaa Gyasi, que traz ao leitor a história de duas meia irmãs nascidas em aldeias tribais diferentes de Gana, antes chamada de Costa de Ouro. O livro é ambientado em meio a cenários de escravidão e rupturas familiares, acompanhamos a vida de Esi e Effia, separadas por vidas completamente diferentes. Venha conhecer mais da história!

Effia é de uma aldeia fanti, nasceu e cresceu dentro dela, abandonada pela mãe biológica. Ela é criada por sua mãe de criação, chamada Baaba, e seu pai Cobbe, que é respeitado por toda a aldeia. À medida que a menina vai amadurecendo, cada vez mais maltratada por Baaba, a garota é obrigada a se casar, pois existem muitos pretendentes para ela naquela aldeia e, naquela realidade, é o destino de todas as mulheres: o casamento. A beleza de Effia chama atenção de Abeeku, um homem que futuramente tem tudo para se tornar líder da aldeia.

Porém, Baaba não quer que Effia ocupe a posição de mulher do futuro homem mais poderoso da aldeia e pede para Effia que assim que seu primeiro sangramento vier, a menina a conte; isso tudo para evitar que Abeeku se case com a garota. Mal sabendo Effia de que tudo era uma armação da madastra, a menina acaba nas mãos dos ingleses, sim, ela é vendida para um deles. Um cara com certo poder aquisitivo, que a proporciona uma vida confortável em um castelo.

“E na minha aldeia nós temos um ditado sobre irmãs separadas. Elas são como uma mulher e a imagem do seu reflexo, condenadas a ficar cada uma de um lado do lago.”

Em contrapartida, Esi viveu uma vida completamente diferente de Effia. Ela nasceu em uma aldeia axânti, muito amada pelos pais e logo prometida em casamento, Esi vê sua vida virar de cabeça pra baixo quando sua aldeia sofre um ataque, os responsáveis pelo ataque levam a garota e a colocam em um calabouço do próprio castelo em que sua irmã está hospedada. Vivendo em condições completamente precárias, Esi é vendida como escrava e colocada em um navio que se direciona para a América.

Minha opinião

Composto por capítulos alternados e divididos entre duas partes, uma antes da escravidão e outra depois da escravidão, o livro que marca a estreia de Yaa Gyasi não deixa a desejar. O que mais me deixou curiosa antes da leitura foram os comentários super positivos a respeito. Muitos dizem que o livro tem um potencial gigantesco para se tornar um clássico e eu não poderia deixar de concordar.

A história de Effia e Esi é de apertar o coração e tem tudo para ecoar por anos, décadas e séculos. O livro também se passa durante sete gerações e a cada capítulo podemos ver de perto o desenrolar dessa família separada e segregada. Também podemos acompanhar a vida dos descendentes das personagens inicialmente apresentadas e as dificuldades que permeiam tantos anos. E é essa uma das grandes questões durante a narrativa, eu não pude deixar de me perguntar sobre como é possível esse preconceito pode percorrer tantas gerações sem ser combatido.

O caminho de casa possui uma narrativa rápida, não faz com que o leitor fique cansado com os diversos personagens que aparecem. Muito pelo contrário, o livro me fez mergulhar mais e mais dentro dessa família. Talvez a isso se deve o fato de eu ter me envolvido tanto com eles. É um livro bem completo, oferece um panorama tanto da vida dos personagens quanto de todos os assuntos que permeiam a história, como a escravidão e a migração. Eu indicaria para todos, leitura indispensável, principalmente, para os dias de hoje porque nos faz refletir sobre essa época tão hostil e nos faz pensar em formas de não voltar para ela.

“Você sabe o que é fraqueza? Fraqueza é tratar alguém como se pertencesse a você. Força é saber que cada pessoa pertence a si mesma.”


Título: O Caminho de Casa (Homegoing)
Autor: Yaa Gyasi
Editora: Rocco
Número de páginas: 448
Lançamento: 2017

Comprar (Amazon – R$ 38,90)

* Este livro foi enviado pela editora do mesmo. A política do blog é de sempre fazer resenhas sinceras, independentemente de como o livro chegou até nós. A opinião relatada aqui veio da experiência literária da autora do post e não sofreu nenhuma influência que não tenha sido explicitada na resenha.

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE AGOSTO *

Amanda Araújo

Amanda desde 1997. Estudante de Letras – Inglês. Apaixonada por músicas tristes e sebos. Escrevo sobre o que leio, leio sobre o impossível.

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7 Discussion to this post

  1. Janaina silva disse:

    Gosto muito de resenhas de livros que eu não tinha lido nada antes,enfim, que eu não conhecia.
    Parece ser um livro muito denso e triste. Nos mostra a crueldade humana.
    A escravidão sempre será uma vergonha mundial. E infelizmente casos assim ainda existem.

    Com toda certeza leria esse livro. Fiquei com vontade de conhecer a trajetória dessas irmãs e seus descendentes. 🙂

  2. Pamela Liu disse:

    Oi Amanda.
    Esse livro parece ser ótimo, como uma boa narrativa e tratando de uma assunto tão sério.
    Adoro quando a narrativa é alternada e achei bem interessante o livro retratar 7 gerações.
    Fiquei com bastante vontade de lê-lo.
    Obrigada pela dica.
    Bjs

  3. Lara Caroline disse:

    Oi Amanda, tudo bem?
    Eu tinha lido uma outra resenha deste livro, e fiquei super interessada pela leitura. Acho super importante falar sobre esse período e sobre os preconceitos que ainda estão enraizados na nossa sociedade.
    Beijos

  4. Franciele Débora disse:

    É um livro que relata um assunto muito sério, que tem é uma leitura interessante. Eu fiquei super interessada nesta historia e super leria fácil. Gosto de livros que retratam algo que a sociedade “abomina”, gosto de livros assim que abordar uma realidade.
    Adorei e espero ler muito em breve.
    Beijos.

  5. André dos Santos disse:

    Não gosto da capa, a editora podia ter feito um trabalho melhor, por isso imaginava que seria um livro biográfico e não tinha me chamado a atenção.
    Lendo a resenha pude ver que estava completamente errado e é uma estória incrível, narrando como a realidade em outros países antigamente e até nos dias de hoje é, apesar de estarmos em pleno século XXI ainda temos preconceito cada vez mais forte e leituras assim servem para abrir nossos olhos de como algo pode mudar a vida de outras pessoas que não tem culpa de nascerem como são, com certeza irá virar um clássico, tomará que a autora escreva outros ainda melhores.

  6. Nara Sabrina disse:

    Esse assunto merecia ser mais abordado, pois é muito importante, a historia dessas duas irmãs é triste, e mais triste ainda é pensar que muitas pessoas no nosso passado já passaram por essas situações e infelizmente o preconceito ainda existe, e é algo que devemos lutar para ser extinto, todos somos seres humanos independente da cor, todos somos iguais, ninguém merece ser castigado pela sua cor.

  7. Yana Sofia disse:

    Nossa Amanda! Que história em… Amei a resenha! Eu me sinto atraída por histórias que falam sobre esse assunto em especial. Temo estar lendo no meio da rua e chorar loucamente, mas ainda assim não consigo deixar de pensar nesse tema como de extrema importância para mim, não conhecia esse livro e agora, ele está com certeza na minha lista de desejados <3

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