Dezesseis, Rachel Vincent

clone, dahlia, trigger, dahlia 16, trigger 17, administração, agricultura, genoma, gene, divisão de trabalho, geneticista, brave new girl, dezesseis, rachel vincent, universo dos livros

Em um mundo em que todos são iguais, uma garota se destaca por sair do padrão. Dahlia 16 vê seu rosto em toda multidão. Ela não tem nada de especial – é apenas uma entre as outras cinco mil garotas que foram criadas visando o bem da cidade. Ao conhecer Trigger 17, porém, tudo muda. Ele a considera interessante. Linda. Única. Isso significa que ele deve ser defeituoso. Quando Dahlia não consegue parar de pensar nele – nem resistir a procurá-lo, ainda que isso signifique quebrar as regras – ela percebe que deve ser defeituosa também.

Dahlia 16 está em Lakeview, uma pequena cidade onde outras 4999 garotas iguais a ela trabalham na mesma função. Todas são treinadas para serem agricultoras hidropônicas. Elas recebem aulas teóricas e colocam seus conhecimentos em prática ao plantar suas frutas. Ela reconhece seu rosto na multidão e sabe que cada lote de pessoas dentro da cidade tem uma função e vocação para servir um bem geral.

Na Divisão de Trabalho Profissional, há várias outras ocupações, designadas para as outras pessoas com genomas diferentes dos de Dahlia, porém não únicos. Em cada lote há 5 mil clones para desenvolver da forma mais eficiente a tarefa estabelecida. Em Lakeview há regras e normas de convivência, comportamento e trabalho. Nenhuma pessoa deve se sobressair às demais, ter orgulho de algum feito ou confraternizar com uma pessoa de outra divisão, sem que lhe tenha sido concedida permissão.

clone, dahlia, trigger, dahlia 16, trigger 17, administração, agricultura, genoma, gene, divisão de trabalho, geneticista, brave new girl, dezesseis, rachel vincent, universo dos livros

Pensei que, se pudesse encontrá-la, poderia ver meu próprio futuro.
Em toda a minha vida, nunca estive tão errada sobre alguma coisa.

Mesmo tendo consciência das regras e das consequências por infringi-las, Dahlia não consegue deixar de sentir orgulho por seus tomates terem crescidos mais rápidos e bonitos do que o do restante da turma. Então quando ela é chamada à Administração, teme que será castigada por demonstrar sentimentos negativos e colocar em risco o funcionamento da cidade. Se perceberem que uma pessoa tem alguma falha genética que resulta em um comportamento inadequado, essa pessoa é eliminada. Assim como o restante de seu lote, já que os clones são exatamente iguais e se um apresentou defeito, é certo que os demais apresentarão em algum momento no futuro.

Todo mundo tem um lugar onde estar e algo a fazer. Inclusive eu. Então engulo seco e me direciono para o caminho sinuoso que leva ao portão de saída da ala de treinamento.

Entretanto Dahlia não recebe nenhum castigo, pelo contrário: é convidada a ser uma instrutora das aulas que leciona, por causa de seu destaque. Surpresa, ela começa a cogitar a idéia e como poderia ser sua vida dali pra frente, longe de sua amiga Poppy e realizando uma atividade para a qual não havia se preparado. Na volta para seu dormitório, pega um elevador e se surpreende com outra pessoa – lá também está um cadete de uma outra divisão de trabalho: Trigger 17. Eles não podem confraternizar entre si e Dahlia pretende seguir assim. Porém, o elevador trava, as luzes se apagam e eles ficam presos juntos. A garota só precisa se concentrar em não quebrar as regras e seguir sua vida em paz. Mas as coisas não serão tão fáceis assim.

É fácil seguir as regras quando você nunca tem a oportunidade de infringi-las.

Minha opinião

Dezesseis é uma distopia e tem todos os elementos característicos, embora se desenrole em menos de 250 páginas. Os personagens são reconhecidos por números e esse é um artificio que já vimos em Reboot, por exemplo. Lendo as avaliações das pessoas, vi gente reclamando que a protagonista precisou conhecer e se apaixonar por um garoto e só por isso conseguiu abrir os olhos para sua verdadeira realidade.

clone, dahlia, trigger, dahlia 16, trigger 17, administração, agricultura, genoma, gene, divisão de trabalho, geneticista, brave new girl, dezesseis, rachel vincent, universo dos livros

Minha diferença iria me assombrar, junto com os milhares de fantasmas que tinham o meu rosto.

Ou seja, se eles nunca tivessem se encontrado, nada teria acontecido. Nesse livro, vou discordar. Podemos ver desde a primeira página que Dahlia é única e que ela sempre teve vontade de saber o motivo de, embora tão igual às suas irmãs, pudesse se sentir tão diferente. Assim como no livro O começo de tudo, o interesse amoroso da protagonista não passa de um catalisador. A faísca já estava lá. Mais cedo ou mais tarde, Dahlia iria em busca de suas respostas. Com ou sem um rapaz bonito e esperto.

Jamais imaginei que o compromisso altruísta poderia ser tão aterrorizante.

Em Feios, de Scott Westerfeld, o catalisador é a melhor amiga da protagonista. Acho perigoso generalizar a falta de protagonistas femininas fortes tanto quanto a necessidade de um interesse amoroso para ajudá-la. Dito isso, Dezesseis é uma distopia e por si só já entra automaticamente instiga minha curiosidade. O assunto não é totalmente original, mas a autora soube trabalhar com fluidez algumas novas questões que devemos começar a considerar na maneira como tratamos nosso semelhante, consumimos e exploramos recursos naturais. Fica a recomendação!

clone, dahlia, trigger, dahlia 16, trigger 17, administração, agricultura, genoma, gene, divisão de trabalho, geneticista, brave new girl, dezesseis, rachel vincent, universo dos livros
 
Título: Dezesseis (Brave new girl)
Autor: Rachel Vincent
Editora: Universo dos Livros
Número de páginas: 240
Lançamento: 2017
Comprar (Amazon – R$ 26,90)
 
 
 
 

* Este livro foi enviado pela editora do mesmo. A política do blog é de sempre fazer resenhas sinceras, independentemente de como o livro chegou até nós. A opinião relatada aqui veio da experiência literária da autora do post e não sofreu nenhuma influência que não tenha sido explicitada na resenha.

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE AGOSTO *

Juliane Oliveira

Gosto de distopias memoráveis e contemporâneos que não sejam desnecessariamente tristes. Não sou muito fã de dias chuvosos ou frios. Apaixonada por séries, livros, filmes e pets no geral.

Related Posts

9 Discussion to this post

  1. Pamela Liu disse:

    Oi Juliane.
    Eu AMO distopias. Desde o lançamento de Dezesseis fiquei bastante empolgada com o livro.
    Achei a premissa bem interessante. Uma sociedade habitadas por clones que se “diferenciam” apenas por números, recebendo a mesma função dentro de um setor.
    Já fiquei curiosa sobre como vai acontecer o romance entre Dahlia e Trigger. Deve ser tudo novo e empolgante para eles.
    Sabe se é livro único? Ou faz parte de uma série?
    Bjs

  2. André dos Santos disse:

    A capa não me chamou a atenção, achei que seria algo como A Seleção, ainda bem que me enganei.
    Lembrou um pouco a série Humans, se ainda não assistiu fica a recomendação, são robôs únicos que tentam se salvar e mudar a realidade em que vivem.
    Ainda bem que o romance não é o principal e o que faz a personagem despertar e abrir os olhos, é importante personagens femininas que possam enfrentar os desafios sem que a única motivação seja o amor, um dos pontos fortes é ser curto e acredito que não faz parte de nenhuma trilogia,

  3. Janaina silva disse:

    Tudo bem? 😉
    Eu sempre tive certo receio em ler livros de distopia. É um gênero bem diferente dos que costumo ler.
    E por essa razão,li poucos.
    Já tinha visto a capa desse livro,e até imaginava que era uma história de ficção científica.
    Confesso que não é um livro super desejado por mim,mas leria mesmo assim.
    Como sempre fico curiosa em descobrir se a personagem conseguirá mudar as regras impostas… Espero que sim!
    Convenhamos que ” ô” vidinha chata! 🤔😊

  4. Lara Caroline disse:

    Oi Juliane, tudo bem?
    Eu amo distopias, e este livro está na minha lista há algum tempo. É muito bom poder ver as suas avaliações positivas, só aumenta ainda mais a minha curiosidade.
    Beijos

  5. Franciele Débora disse:

    Amo livros dos gêneros distopias e não dispenso uma leitura.
    E nossa, como o livro me lembrou da série Feios por causa do catalisador, que por sinal é uma série incrível. Eu gostei da premissa deste livro e saber mais sobre esses clones. Fiquei intrigada pra saber mais do romance que acontece entre Dahlia e Trigger. Espero que esse livro seja muito bom e vou dar uma chance a ele. Beijos.

  6. Nara Sabrina disse:

    Eu adoro distopias, aqui na minha cidade teve um evento do lançamento desse livro,e assim que sai do evento fiquei louca para ler , mas desde então ainda não tive a oportunidade de ler ele. Pretendo em breve compra-lo, achei interessante a Dhalia ser um clone, acho que nunca li nada que envolva clones, e ja estou curiosa para saber como ira se desenrolar o romance entre Dhalia e Trigger.

  7. Yana Sofia disse:

    Olá Juliane,! Adoro distopias e confesso que essa me lembrou um pouco Admirável Mundo Novo do Aldous Huxley, mas como a curiosidade me domina assim que puder, darei oportunidade a leitura deste livro <3

  8. Dai Castro disse:

    Lendo a sua resenha eu confesso que não vi problema o interesse amoroso ter sido o catalisador, já que a faísca como você disse, já existia. Eu gosto bastante de distopias e as reflexões que geralmente esse tipo de livro traz. Adorei a recomendação!
    Beijos!

  9. Thais disse:

    Amo distopia e essa capa e linda. Essa pegada de nao dar nimes as pessoas e sim números é espetacular. Ja entrou na minha lista de desejados . Amei a resenha .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *