Ecos, Pam Muñoz Ryan

Pam Muñoz Ryan, Eco, Echo, Música, Fantasia, Contos, Perseverança, Sonhos, Resistir

A guerra é permeada de tristezas, e a vida nem sempre tem a sutileza de suavizar esses momentos. Para algumas almas, os dias parecem não trazer esperanças, mas para outras, a música funciona como transporte para um mundo doce e cálido, trazendo ao coração daqueles que escuta aquele calor e emoção que todos precisamos uma hora ou outra. Ecos conta isso, como a música pode sim mudar a vida das pessoas, ainda que tudo pareça sem propósito algum.

Otto está brincando com seus amigos quando se perde na floresta, lá, beirando ao desespero, ele encontra três moças que prometem o ajudar a sair se ele as levar consigo em sua gaita, e passá-la a diante quando for a hora. Ele saberá o momento certo para isso. Ele saí e os contos começam.

Friedrich vive em uma Alemanha livre até aquele ponto, porém, a marca de nascença estampada em seu rosto o aprisiona em uma onda forte de preconceitos. Seu amor pela música sempre foi cultivado por seu pai, e sua casa sempre foi um lugar onde pensar por si mesmo é algo incentivado, ainda mais quando se trabalha em uma fábrica de gaitas tão tradicionais na região.

[…] Friedrich, nada mais faz sentido. Vizinhos denunciando vizinhos. Amigos denunciando amigos… Todo mundo com medo. Que horror virá em seguida?

Quando Elizabeth, sua irmã, volta da escola para se tornar enfermeira com os pensamentos nazistas de Hitler, Friedrich, seu pai e o tio percebem que as coisas podem se complicar, que Hitler ganha cada dia mais adeptos e poder. O moço vê seu sonho de se tornar um regente cada dia mais distante, porque passa a se tornar alguém inadequado para a imagem de um alemão de verdade.

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Mike e Frankie são irmãos vivendo em um orfanato, a avó dos garotos os criou até que ficasse velha demais para isso, mas escolheu o Lar do Bispo para Crianças Desamparadas e Necessitadas porque ali havia um piano e ela não queria tirar a música de seus vidas. A vida se mostrou muito difícil para os garotos, novos demais e com preocupações demais. Tudo o que eles tinham foram tirados deles, as gaitas, as roupas especialmente preparadas pela avó e a oportunidade de praticar ao piano, e parece iminente a separação dos outros, o que tira o sono de Mike tentando sair daquele lugar para permanecerem juntos.

[…] Aí é que está. Não importa o quanto você não tem, há sempre muito mais na vida para se ter. Portanto, não importa quantas tristeza exista numa canção, vai sempre existir a mesma quantidade de ‘talvez as coisas melhorem em breve.

Dois homens chegam ao lugar, chamados pelo piano. Os dois garotos são os únicos que sabem tocá-lo, e a diretora os pede que o faça — com o intuito de vender o instrumento. Os adultos são, na realidade, advogados representando os interesses de Eunice Dow Sturbridge, para que ela consiga sua herança é preciso que adote uma criança. Sensibilizados pela música, que arranca lágrimas das mulheres trabalhando no orfanato, os advogados os levam a casa grande, onde precisam enfrentar a mulher que mantém uma distância ferida das crianças.

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Ivy Maria está sempre de mudança com sua família, nunca passa mais de um ano no mesmo lugar, e isso faz com que seja muito difícil criar laços com colegas, amigos ou vizinhos. Quando vai para Fresno não espera muito, mas conhece Araceli e sente uma conexão quase cósmica, já na escola, a Senhorita Delgado lhe mostra que a música é uma possibilidade, ainda que desacreditada. Seu talento é reconhecido por ela, ainda que seus pais pareçam dar mais ênfase ao que Fernando, seu irmão mais velho, faz e ela se sente bem em tocar sua gaita com todo o coração, com tudo parecendo acertado.

São ótimas perguntas, Ivy, mas, para algumas perguntas, não há respostas boas.

São tempos de guerra, Fernando se alista para lutar em uma guerra que soa ainda mas injusta aos seus ouvidos. Seu pai recebe uma proposta irrecusável, cuidar da fazendo de uma família japonesa — vista como inimiga depois do ataque a Pearl Harbor. Se mudando para lá, Ivy conhece um outro lado sobre ser mexicana, sobre a segregação e a força arrasadora que uma guerra pode ter sobre o melhor dos lados das pessoas.

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    Minha opinião

A capa e todo o trabalho gráfico da Darkside é um encanto por si só, o cuidado com a edição nos transporta muito mais para a história. A princípio, eu não sabia muito o que esperar desse livro, para falar a verdade. Achei que seria algo voltado para terror/suspense e uma tristeza sem fim, mas ao encontrar histórias doces interligadas, me surpreendi.

A escrita da autora é bem fluida, e a forma como os fatos vão sendo expostos é ótimo para nos conectar com os personagens, passamos a sonhar e ansiar com eles, a viver seus sonhos e desesperos. O tema em si, envolvendo a guerra, o abandono, o preconceito nos leva a outras realidades, ainda que os contos se passem em outros tempos. É um livro, doce, com contos muito bem escritos e personagens cativantes, sem dúvida uma leitura muito especial e mais do que indicada.

Pam Muñoz Ryan, Eco, Echo, Música, Fantasia, Contos, Perseverança, Sonhos, Resistir

 

Título: Ecos (Echo)
Autor: Pam Muñoz Ryan
Editora: Darkside
Número de páginas: 368
Lançamento: 2017
Comprar (Amazon – R$ 35,90)

 
 
 
 

* Este livro foi enviado pela editora do mesmo. A política do blog é de sempre fazer resenhas sinceras, independentemente de como o livro chegou até nós. A opinião relatada aqui veio da experiência literária da autora do post e não sofreu nenhuma influência que não tenha sido explicitada na resenha.

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE OUTUBRO *

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16 Discussion to this post

  1. Janaina silva disse:

    Acho a capa desse livro lindíssima!
    E achei a história dos personagens diferente. Já que cada um deles vive a sua própria realidade, mas que de alguma forma se encontram através da música.

    Parece ser um enredo muito sensível e emocionante.
    E com toda certeza,adoraria ter essa edição maravilhosa em minha estante.😍

    Bjs.

    • Laryssa Tavares disse:

      Essa edição é maravilhosa, e a história muito bonita, vale realmente a pena ter na estante.
      Beijos

  2. Laryssa!
    Gosto de livros de contos e ver que aqui eles estão interligados e trazem várias histórias diferentees para cada personagem e abordando temas como guerra, abandono, preconceito que nos mostra várias realidades diferenciadas, causa mesmo certa curiosidade em poder ler o livro.
    Edição da Darkside sempre fabulosa, né?
    Desejo uma semana maravilhosa e florida!
    “Para saber uma verdade qualquer a meu respeito, é preciso que eu passe pelo outro.” (Jean-Paul Sartre)
    Cheirinhos
    Rudy

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Rudynalva,
      A edição está um arraso mesmo, Darkside manda muito bem nesse departamento.
      Leia o livro, achei ele muito bom, merece um cantinho nos nossos corações.
      Beijos.

  3. Acho muito bonita a capa deste livro, não costumo muito ler livros que envolvem música no enredo, que bom que a escrita da autora faz com que o leitor se conecte com os personagens, como gosto muito de livros de contos e a história deste livro parece ser muito boa, pretendo ler Ecos.

    • Laryssa Tavares disse:

      Não vejo muitos livros com temática musical (ou talvez eu não note), mas acho que é uma combinação muito boa!
      Quando ler volta aqui pra contar o que achou, Mariele.
      Beijos.

  4. Lili Aragão disse:

    Oi Laryssa, pelas fotos deu pra perceber o capricho da editora com suas edições, tá bem linda. Essa é a primeira resenha que leio do livro e não sabia que tinha temas delicados e vários personagens que se interligam em suas histórias, sem nem ter lido a sinopse achei que a história era bem mais fantasiosa e achei interessante ter temas como: guerra, abandono e preconceito. Gostei da resenha e fiquei curiosa sobre o livro 😉

    • Laryssa Tavares disse:

      A autora dosou bem a fantasia com a realidade, juntou todos os tema com maestria mesmo. E tudo com uma escrita muito boa de ser lida.
      A edição, eu não tenho nem mais palavras, andei com o livro por aí e só ouvi elogios. HAHA

  5. Alison de Jesus disse:

    Olá, livros que abordam fatos históricos sempre me cativam, e com esse não é diferente. Além de contar com o padrão Darkside de qualidade, a obra ainda consegue prender o leitor com histórias cheia de subtramas bem construídas. Espero poder ler o livro em breve. Beijos.

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Alison, como não amar Darkside, né?
      É isso aí, subtramas que se juntam em um todo muito bem feito. Achei a autora bem sagaz.
      Leia sim e volte para me contar o que achou.
      Beijos.

  6. Gabriela Souza disse:

    Oi! Desde a primeira vez que vi esse livro me apaixonei por ele! Amo as edições da Darkside, meu Deus! Adoro histórias que se passam na época da Segunda Guerra e fiquei curiosa para saber mais sobre como a música é abordada no livro! Espero conseguir ler a obra em breve. Beijos

    • Laryssa Tavares disse:

      Gabriela, eu também gosto de histórias que se passam na Segunda Guerra, ainda mais quando tudo é bem trabalhado, a gente nunca pode esquecer de aprender com o passado.
      Beijos.

  7. Patricia Moreira disse:

    Oi Laryssa ^^
    Não conhecia o livro, mas fiquei curiosa pra leitura principalmente por tratar de temas tão diversos. A capa é meio enganosa né? Antes de ler a sua resenha apenas olhando pra ela achei que fosse algo meio infanto-juvenil. Imagino que deva ser uma edição maravilhosa se tratando da DarkSide.

    Bjs

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Patricia
      Fui até conferir o livro pra ter certeza, e ele é realmente classificado como “ficção norte-americana”, apesar de não achar que ele está tão distante do juvenil, capas com ilustrações desse tipo tendem a nos levar a essa ideia mesmo.
      Beijos.

  8. Já li algumas resenhas sobre este livro, e confesso que é difícil de não ficar cheia de curiosidade sobre a trama dele, creio que esta mescla de personagens, vários enredos na mesma historia e a forma de como eles irão estar ligados é o que mais me interessa na leitura. Esta edição realmente é um capricho. Já esta na minha lista de desejados!!

    • Laryssa Tavares disse:

      Oi Michelli,
      o livro tem tudo isso mesmo, junto e misturado de uma forma que me agradou bastante, espero que goste quando lê-lo.
      Beijos.

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