Fahrenheit 451, Ray Bradbury

Um mundo onde livros são abominados parece um terror para qualquer leitor. É nesse ambiente que somos inseridos dentro de uma distopia muito bem escrita por Ray Bradbury. Os temas e questionamentos colocados pelo autor são fortes e poderosos, o que mostra que não é à toa que Fahrenheit 451 seja reconhecida como sua obra-prima. Venha conhecer mais!

Guy Montag é um bombeiro, mas a sua missão não é a usual, comum. Ao invés de apagar incêndios, os bombeiros deste mundo têm o dever de causar incêndios e, especificamente falando, precisam queimar todos os livros existentes. Só que esse ato não é o simples fazer de queimar papéis, brochuras e afins. O trabalho dos bombeiros é não deixar que os pensamentos coletados durante gerações, ensinamentos escritos e, principalmente, a história permaneça.

” – Você lê alguma vez os livros que queima? Ele começou a rir: – Está proibido por lei!”

O medo da população é tanto que as casas são feitas à prova de fogo e nenhum deles se arrisca a guardar ou esconder um livro sequer. Isso porque as políticas e os governos presentes nessa história são duros e não permitem de forma alguma que um leitor ou colecionador de livros sobreviva. Ou colecionar livros, ou morrer incendiado junto deles.

Só que esse universo se quebra quando Montag conhece Clarisse, uma pequena menina que desperta o interesse por mais do mundo. É a partir do encontro dos dois que Montag começa a questionar o motivo por trás da queima dos livros e, ainda mais importante, Montag cria a curiosidade de saber o que existe de tão poderoso e temível nos livros. Só que o fato de ele participar, de certa forma, dessa ação e desse governo não transforma a tarefa de ir contra as leis mais fácil.

“Reduza os livros às cinzas e, depois, queime as cinzas.”

Minha opinião

Fahrenheit 451 se tornou uma das minhas melhores experiências de leitura e um dos meus livros favoritos, porque eu sou apaixonada por livros que falam de livros. Porém, o que eu não sabia era que seria uma história triste, de certa forma. Qualquer leitor sentiria muito se não pudesse guardar seus livros ou até mesmo vê-los perdidos para o fogo. Só que depois das primeiras páginas eu pude perceber a real missão de Ray Bradbury, digamos, a real mensagem que ele queria passar através da criação desse mundo distópico.

“O rosto de Clarisse, agora voltado para ele, era um frágil cristal leitoso dotado de uma luz suave e constante. Não era a luz histérica da eletricidade, mas… o quê? A luz estranhamente aconchegante e rara e levemente agradável de uma vela.”

Essa “missão” da qual eu falo é sobre como nós não podemos prender o conhecimento, o aprendizado e o pensamento. Isso é deixado bem claro quando, em certa parte do livro, conhecemos personagens que são contrários àquele governo e, mesmo não podendo ter livros e guardá-los, eles gravavam suas histórias e recontavam várias e várias vezes uns para os outros, a fim de não perder ou esquecer aquele conhecimento. Que lição pude tirar do livro? Tirem-me os livros, resta-me a memória, o pensamento. Afinal, a memória e o pensamento não podem ser presos por algemas e muito menos destruídos pelo fogo.

“Quem dera pudessem ter levado sua mente para uma lavagem a seco, esvaziado seus bolsos, e a tivessem vaporizado, limpado e remontado e a devolvessem pela manhã. Quem dera…”

Imagem do filme Farenheit 451, de 1966.

No mais, essa é uma história que te deixa uma sensação de desconforto e isso é uma das melhores coisas que pode acontecer durante uma experiência, porque faz com que o leitor se questione e pense sobre o que todas aquelas páginas significam. Eu já vi muitas pessoas com certo receio de mergulhar em Fahrenheit 451 por se tratar de um clássico, mas posso afirmar que a linguagem utilizada no livro não é nada difícil. Na verdade, a leitura flui bem e a história em si te envolve por inteiro. Por fim deixo uma citação que fala por si só. Leiam esse livro!

“Não há neles [nos livros] nada de mágico. A magia está apenas no que os livros dizem, no modo como confeccionavam um traje para nós, a partir de retalhos do universo. […] A primeira: você sabe por que livros como este são tão importantes? Porque têm qualidade. E o que significa a palavra qualidade? Para mim significa textura. Este livro tem poros. Tem feições. Este livro poderia passar pelo microscópio. Você encontraria vida sob a lâmpada, emanando em profusão infinita. […] Entende agora porque os livros são odiados e temidos? Eles mostram os poros no rosto da vida. Estamos vivendo num tempo em que as flores tentam viver de flores, e não com a boa chuva e o húmus preto.”

 

Título: Fahrenheit 451
Autor: Ray Bradbury
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 216
Lançamento: 2014

Comprar (Amazon – R$ 19,90)

 

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE NOVEMBRO *

Amanda Araújo

Amanda desde 1997. Estudante de Letras – Inglês. Apaixonada por músicas tristes e sebos. Escrevo sobre o que leio, leio sobre o impossível.

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2 Discussion to this post

  1. Daniel Marques disse:

    LIVRO MARAVILHOSOOOOOO… Só pra falar. haha!

  2. Elidiane Lima disse:

    Oi, Amanda!
    Não leio distopia, e não curto histórias que te deixam com uma sensação de desconforto… por isso a trama de Fahrenheit 451 não despertou o meu interesse…
    Mas com certeza seria um pesadelo um mundo onde os livros é proibido?! Não quero nem pensar nessa possibilidade rsrs.

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