Consciência e escritoras negras

Novembro é o mês da Consciência Negra, e o dia 21 de novembro é o dia Nacional da Consciência Negra em homenagem à Zumbi dos Palmares, um dos maiores lideres do Movimento Negro no Brasil e um dos grandes responsáveis por plantar o sonho da liberdade nos corações do povo negro. E pensando na importância da luta antirracista e pelo direito e reconhecimento do povo negro, decidi fazer uma pequena lista de escritoras negras. É isso aí, hoje vamos de listinha só de mulheres talentosas, intelectuais, militantes, poetas e romancistas.

As mulheres negras escrevem desde sempre, sim, Maria Firmina dos Reis, por exemplo, maranhense, fez um dos primeiros romances brasileiros (feito por mulher negra e escravizada). Em 1840 ela publicava seus textos com pseudônimos para serem aceitos, imagina mulher negra e escravizada se atrevendo a escrever sobre relações raciais em 1800!!! Que audácia não? E graças a audácia de mulheres como ela, hoje nós temos um leque enorme de escritoras que podem mudar o cenário literário nacional.

    7 escritoras negras para conhecer e se apaixonar:

    Carolina Maria de Jesus

Essa escritora, que foi moradora da favela do Canindé em São Paulo, é uma das mais famosas escritoras negras. Seu livro Quarto de despejo: diário de uma favelada, publicado em 1960, ganhou o mundo pelo impacto de uma mulher favelada contar suas lutas diárias, suas misérias, seus sonhos e desejos. O livro foi traduzido para 14 línguas e só no Brasil vendeu mais de um milhão de cópias. Foi catadora e era no lixão que encontrava cadernos para fazer seus diários.

    Ana Maria Gonçalves

Mineira, publicou dois romances, sendo o segundo, Um Defeito de Cor, o mais famoso deles. O livro conta a impressionante história de Kehinde, trazida da África como escrava para o Brasil no século XIX que após muitas andanças, consegue comprar a própria alforria e regressar à África em busca do filho perdido. Lançada em 2006, a saga da heroína negra – inspirada na lendária figura baiana de Luísa Mahin – conecta discussões sobre poder, raça, cultura e sociedade. A obra levou quatro anos para ser finalizada – incluindo pesquisa, escrita, reescrita (do zero) e revisão. Não à toa, Um Defeito de Cor alçou Ana Maria Gonçalves ao posto de voz fundamental nas reflexões sobre racismo no Brasil.

    Grace Passô

Uma dona de casa que fala sobre a vida dos seus vizinhos. Um cachorro que late palavras. Uma mulher perdida e um lixeiro em busca de seu pai. Esses são alguns dos personagens da peça Por Elise, escrito e dirigido por Grace Passô juntamente com o grupo Espanca!. Umas das primeiras peças da autora mineira, a obra lhe rendeu o APCA e o SESC/SATED de melhor dramaturga e, em 2005, o Prêmio Shell de melhor texto em 2006. No formato livro, o leitor pode acompanhar um olhar muito particular sobre as relações humanas e as contradições que a conduzem.

    Conceição Evaristo

Conceição Evaristo nasceu em 1946 numa favela da zona sul de Belo Horizonte, Minas Gerais. Filha de uma lavadeira que, assim como Carolina Maria de Jesus, matinha um diário onde anotava as dificuldades de um cotidiano sofrido. Uma das principais expoentes da literatura Brasileira e Afro-brasileira atualmente, foi um dos destaques e homenageadas da FLIP 2017. Um dos seus romances mais famosos é Ponciá Vicêncio.

    Mel Duarte

Já ouviu falar de batalha de poesias? Pois é, a slammer de 27 anos é uma das responsáveis por popularizar a ideia por São Paulo. Tem textos publicados em mais de 10 antologias, além de duas obras próprias: Fragmentos Dispersos e Negra Nua Crua.

    Cidinha da Silva

Em Sobre-viventes!, Cidinha explora com humor e acidez as situações do cotidiano, principalmente baseadas em construções sociais sexistas, racistas e homofóbicas. Com um currículo e trajetória impecáveis, a escritora é um dos maiores nomes femininos e negro na literatura brasileira. Tem outros livros intrigantes como Cada tridente em seu lugar e outras crônicas e ainda tem livros teóricos sobre relações raciais e ações afirmativas.

    Cristiane Sobral

Foi a primeira atriz negra graduada em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília, mas estreou como poeta publicando seus textos no Cadernos Negros, em 2000. Dez anos depois veio sua primeira obra autoral Não Vou Mais Lavar os Pratos, atualmente na segunda edição.

* ESTA LISTA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE NOVEMBRO *

Jordana Barbosa

Jornalista que odeia jornais. Troco amores por torresmo. Meu nome significa água que corre e é perto da água que encontro paz.

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2 Discussion to this post

  1. Elidiane Lima disse:

    Oi, Jordana!
    Não li nenhum livro dessas autoras que você citou, mas fiquei interessada por Quarto de despejo: diário de uma favelada da Carolina Maria de Jesus, deve ser uma experiência única acompanhar o relato dessa mulher e suas lutas diárias… espero ter a oportunidade de ler esse livro futuramente!
    Abraços.

    • Jordana Barbosa disse:

      Oi Elidiane, Quarto de despejo é um dos livros mais fortes que li na minha vida, vale a pena ler sim, ler várias vezes inclusive.

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