Vulgo Grace, Margaret Atwood

Margaret Atwood é uma grande escritora, ela escreve bastante sobre o relacionamento das pessoas com o poder, mas a escritora possui e trata de muitos temas especiais em suas narrativas. Isso porque ela tem esse dom de escrever ótimas histórias, que estão sendo adaptadas para muitas séries de TV, atualmente. Vulgo Grace é uma dessas histórias que capturam o leitor e o conduzem pelas estreitas cavernas da mente humana. Vem conhecer mais!

As duas adaptações mais recentes das obras de Margaret Atwood, foram The Handsmaid Tale (O conto da aia) e Alias Grace (Vulgo Grace). Eu também já escrevi sobre um livro dela aqui no AWTR, Dicas da Imensidão. Eu mal poderia imaginar que a Margaret me surpreenderia mais. A editora Rocco está trazendo esses livros de volta e a mais recente publicação foi Vulgo Grace.

Grace Marks é a personagem principal desse romance e, quando tinha dezesseis anos, ela foi condenada pela morte de seu patrão (visto que ela trabalhava como doméstica) e de sua governanta. O veredito era prisão e morte pela forca, mas acabou que seus advogados lutaram contra isso e conseguiram mudar a pena para, apenas, prisão perpétua.

Acontece que Grace veio de uma família ausente, o pai era beberão e com a mãe falecida, ela teve que batalhar e procurar empregos para sustentar suas irmãs. Desde sempre, Grace trabalhou em grandes casas e se destacou por fazer um bom trabalho. Com a perspectiva de um melhor salário e seduzida pelas ótimos comentários de Nancy Montgomery, Grace decide trabalhar na casa de Thomas Kinnear. E esse é o passado simples de Grace, até ela parar na prisão por ter supostamente participado do assassinato de Thomas e Nancy, na companhia de James McDermott (quem disse, antes de ser enforcado, que a empegada o obrigou a matar os dois).

Nosso eu dentro de si mesmo, escondido –
Deveria assustar mais –
Assassino escondido em nosso Apartamento
É o menor dos Horrores…” (Emily Dickinson, cerca de 1863)

A verdade é que todos querem saber o que realmente aconteceu no dia do crime. Durante todos os anos na prisão, Grace nunca recebera uma visita, porém isso muda quando ela passa a trabalhar no casarão do governador, não só porque sua patroa goste do seu trabalho, mas também por curiosidade, querer saber como é ter uma assassina tão perto de si. É durante o trabalho nessa casa, que Grace Marks recebe as visitas do dr. Simon Jordan .

Ele quer saber da verdade pelos relatos da jovem e vai tentar desvendar o que a fez ou não cometer o crime através dos próprios conhecimentos da psicologia. Dentro da história, se levanta a questão do personagem querer isso para benefício próprio, para receber os créditos por desvendar a mente da (suposta) assassina ou pelo “interesse” que tem por Grace. Só que ele mal sabe que apenas Grace decide o que revelar.

Minha opinião

A história parece simples, mas no fundo, lá no fundo você se pergunta se Grace realmente cometeu o crime. Isso porque, durante toda a narrativa, a personagem é repleta de lembranças, os anos da prisão a tornaram um pouco dissimulada, Grace aprendeu a pensar no que as pessoas querem que ela diga, visto que todos os depoimentos que dá são revertidos contra si. E a pergunta: “é culpada ou não?” permeia durante toda a história. A autora conseguiu retratar o século XIX de forma muito fiel, todas as restrições e situações as quais muitas mulheres foram submetidas ganharam luz através de Grace.

Acho que o que mais me chamou atenção foi como a autora conseguiu ser detalhista sem ser cansativa, deixou pistas com o passar dos capítulos que facilmente justificavam o final, o que não o deixa menos surpreendente, e conseguiu construir um retrato forte e perfeito de Grace, mesmo que o leitor duvide ou não de sua inocência.

No final, o que restou de mim foi só surpresa e uma grande dúvida: como pode uma autora, uma só pessoa, criar uma história tão rica em detalhes e tão complexa? Apesar de uma narrativa densa, não se engane, você será completamente engolido por esse livro. É uma indicação das grandes.

“Penso em tudo o que foi escrito a meu respeito – que sou um demônio desumano, uma vítima inocente de um canalha (…) eu me pergunto: como posso ser todas as coisas distintas ao mesmo tempo?”

Título: Vulgo Grace (Alias Grace)
Autora: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Páginas: 496
Lançamento: 2017

Comprar (Amazon – R$ 31,60)

* Este livro foi enviado pela editora do mesmo. A política do blog é de sempre fazer resenhas sinceras, independentemente de como o livro chegou até nós. A opinião relatada aqui veio da experiência literária da autora do post e não sofreu nenhuma influência que não tenha sido explicitada na resenha.

* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE DEZEMBRO *

Amanda Araújo

Amanda desde 1997. Estudante de Letras – Inglês. Apaixonada por músicas tristes e sebos. Escrevo sobre o que leio, leio sobre o impossível.

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