Gostar de ostras, Bernardo Ajzenberg

Gostar de ostras é o terceiro livro do jornalista e escritor Bernardo Ajzenberg. Um romance ambientado em São Paulo e tem como protagonistas, Jorge, um jornalista de 30 anos e que vive uma vida monótona e Marcel e Rachelyne Durcan, um casal de franceses octogenários e mais vivos, dispostos e animados que Jorge. O encontro desses três transforma o que poderia ser uma vida totalmente, digamos, blasé, em algo revigorante para Jorge.

Marcel e Rachelyne decidem viver no Brasil, em um prédio que parece uma torre de caixa de sapatos e a única coisa que quebra com a frieza desse edifício é a trepadeira no muro que dá flores roxas. Eles saem da França em busca de uma vida nova, de uma reconstrução, de esquecer as dores do passado tão triste e desumano de Rachelyne viveu nos campos de concentração na Europa.

Duas pessoas não podem lembrar as mesmas coisas, a não ser que fiquem na superfície delas, entende?

Jorge, um homem de trinta anos, nunca viveu nada emocionante ou fez alguma coisa que realmente desejasse, não tem grandes ambições e vive uma rotina limitada entre o trabalho e seu pequeno apartamento. Ele não sabe lidar com os próprios sentimentos, os bons e ruins. Quando conhece o casal Durcan, a primeira relação que se estabelece é uma curiosidade pelo jeito espalhafatoso e alegre dos franceses, depois aparece uma aversão (ou seria inveja?), já que o casal parece ser feliz e viver bem melhor que ele que é 50 anos mais jovem.

Com o tempo os três conseguem estabelecer uma relação e o casal volta a confiar em alguém, Jorge é praticamente adotado pelos velhinhos. E essa é a salvação de Jorge, com a proximidade dos Durcan ele experimenta situações que nunca faria sozinho, como ir às manifestações de 2013 ou ir ao bordel. Marcel insiste que Jorge se cuide, que envelheça bem, mas que não siga as regas, ensina que é preciso viver antes de tudo e viver intensamente, encontrar e marcar seu lugar no mundo.

Seu apartamento era a sede social de uma seita autônoma formada por apenas duas pessoas.

    Minha opinião

Imagine ler sobre uma pessoa que tem uma vida cinza, robótica e monótona? O que tem de interessante nisso? Enquanto Jorge está preso em sua mesquinha vida o livro se parece com ele, arrastado, frio, sem sentimentos. Ainda bem que os Durcan existem para salvar Jorge e nos salvar dessa dormência, desse topor. Marcel vai arrastando Jorge para os lugares e nos levando junto e vamos torcendo para que Jorge comece a vibrar, que sua vida se transforme, que ele encontre seu lugar.

Pois cansei de ser humana e de desconfiar de todo mundo.

Mas além da monotonia existe uma sensibilidade e sutileza em expor as dores e traumas dos personagens. Cada um com uma dor diferente e que nos toca, ora de forma mais firme, ora de um jeito mais delicado. A subversão está presente em todos os momentos e ver como pessoas octogenárias podem ser surpreendentes e como eles têm licenças poéticas para exercer o ofício da vida.

 
Título: Gostar de ostras
Autor: Bernardo Ajzenberg
Editora: Rocco
Número de páginas: 191
Lançamento: 2017
Comprar (Amazon – R$ 20,90)
 
 
 
 

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* ESTA RESENHA PARTICIPA DO TOP COMENTARISTA DO MÊS DE DEZEMBRO *

Jordana Barbosa

Jornalista que odeia jornais. Troco amores por torresmo. Meu nome significa água que corre e é perto da água que encontro paz.

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